Arrependimentos

Reta final da eleição. Apenas dois candidatos disputando o cargo de presidente da República. Ânimos acirrados. Amizades desfeitas pela simples opção por um ou outro. Rupturas familiares. No ar e nas redes sociais, acusações recíprocas dos candidatos superam eventuais projetos de realizações.

Os arrependimentos chegarão pós-eleição.

Partidários de Haddad descobrirão que suas promessas jamais poderiam ser concretizadas. O Brasil tem insuperáveis problemas de infra-estrutura, educação deficiente, atendimento de saúde precário, (in)segurança pública, periferias crescendo, desemprego e despreparo para o novo mundo informatizado – além de enorme rombo nas contas públicas, que já levaram vários estados à beira do caos e que impede a concretização de tantos apregoados projetos.

Partidários de Bolsonaro verão de volta vários militares em postos-chave – e como ocorre com todos os militares, haverá um tratamento duro e de difícil diálogo. As promessas do candidato também sofrerão barreiras: o mesmo rombo público, o mesmo desemprego, a dificuldade de diálogo com o Congresso, a impossibilidade de mudanças radicais nas leis, falta de verba para os apregoados novos presídios, a impaciência dos eleitores.

Se o brasileiro é antes de tudo um forte (adaptação da frase de Euclides da Cunha), será também a encarnação máxima do arrependimento. Seja lá quem for o vencedor da eleição. Ou o vendaval Collor já caiu no esquecimento?

Sem categoria
4 Comentários


Brasil, a nova Chicago dos crimes

Chicago nos Estados Unidos é conhecida pela violência, pelos mafiosos e pelos assassinatos que lá ocorreram no século passado. Estima-se que entre 1919 e 1997, a máfia instalada naquela cidade tenha ordenado e cometido 1.105 assassinatos por encomenda, incluindo cinco desde 1990. Somente o célebre Al Capone ordenou cerca de 500 assassinatos, desde o Massacre do Dia de São Valentim, até homicídios de mafiosos que foram justiçados por sua própria “família” (os companheiros da Máfia).

Parece que o Brasil está voltando no tempo. A quantidade de facções criminosas, de assaltantes cruéis, de grupos armados que provocam assaltos a torto e a direito e a violência demonstrada por marginais, que andam armados e não titubeiam em atirar e matar – não perdoando nem mulheres, crianças e idosos – nos faz imaginar o quanto de incompetência, de falta de gestão e de erros crassos no sistema penal existem no país em que vivemos.

O vídeo mostra uma mera tentativa de assalto a uma casa. Note que o cidadão estava armado para sua proteção, disparou alguns tiros e os bandidos também armados atiraram de volta, transformando a cena em um verdadeiro bang-bang hollywoodiano. Cenas que se repetem diariamente em todo o país.

Sem categoria
Comente aqui


“Kit gay”: mentiras e irresponsabilidades

Na campanha para este segundo turno, ao invés de divulgarem com profundidade seus planos de governo, os candidatos se preocupam muito mais com ataques e defesas, tipo “ele disse, ele fez” e “isso é mentira, isso eu não fiz”.

Uma das facetas desta campanha de ataques/defesas é o tema do famigerado “kit gay”. Bolsonaro acusa Haddad de ser o responsável pelo kit e Haddad desmente e afasta essa responsabilidade.

Mas uma coisa merece ser destacada: o “kit gay” foi criado em 2011, quando Haddad era ministro da Educação (cargo que exerceu de 2005 a 2012, nos governos Lula e Dilma). Portanto, eximir-se desta responsabilidade chega a ser absolutamente desonesto.

Diferentemente do que foi divulgado pelo MEC, o Kit Gay era sim para crianças de 11 anos de idade que cursam o ensino fundamental do 6º ao 9º ano (matéria de O Globo em 27 maio 2011).

O “kit gay” compunha-se de um conjunto de cartilhas, chamado “Caderno das Coisas Importantes”, que mostram alguns pontos bem polêmicos. São vários vídeos sobre homossexualidade (“Priscila, a rainha do deserto”, “A gaiola das loucas”, “Será Que Ele É?”). Há um formulário para os estudantes registrarem suas “ficadas”. Contém também um passo a passo bem ilustrativo mostrando o uso da camisinha, um texto sobre masturbação masculina (vide imagem), outro sobre masturbação feminina, do qual destacamos um pequeno trecho: “Feita com cuidado não machuca. É importante explorar a região da vagina e toda a área pubiana de forma tranquila e relaxada, descobrindo o que te dá mais prazer”.

Vamos e venhamos: isso tudo é temática para crianças de 11 anos?

Sem categoria
3 Comentários


Voltamos à era medieval

É inacreditável o estado belicista em que estas eleições se transformaram. Todos os dias a mídia nos presenteia com novas cenas de xingamentos e agressões entre partidários petistas e bolsonaristas.

Poucas vezes se viu tal grau de exacerbação em épocas pré-eleitorais. A facada sofrida pelo candidato Bolsonaro nos dá a medida da intolerância às diferenças de opinião quanto às linhas de pensamento dos partidos políticos, remetendo-nos aos tempos em que era dever de um cavaleiro servir a seu senhor, agindo de modo extremamente violento.

O vídeo mostra o momento em que um policial civil – aluno do curso de Letras da UFC Campus do Benfica e que vestia camisa amarela com o nome de Bolsonaro, leva cusparadas e é agredido fisicamente por outros alunos. Note a histeria coletiva, principalmente das estudantes, que chegam à beira do desespero, sem outra razão aparente a não ser a cor da camisa. Note que em momento nenhum o agredido reagiu fisicamente.

Sem categoria
7 Comentários


Deveríamos ter apenas 7 partidos políticos!

 

(Extratos do artigo de Hélio Duque, “STF e tsunami eleitoral”)

“O grande e único responsável pela fragmentação partidária é o STF (Supremo Tribunal Federal). Fato ignorado pela imprensa brasileira e pelos formadores de opinião. Em 19 de setembro de 1995, o Congresso Nacional aprovou a Lei dos Partidos que dava prazo de 10 anos para adequações legais, passando a ter validade nas eleições de 2006. Era uma reforma política que mudaria a inflação partidária. Definia: ‘Tem direito a  funcionamento parlamentar em todas as Casas Legislativas, o partido que, em cada eleição para a Câmara dos Deputados obtenha o apoio de, no mínimo 5% (cinco por cento) dos votos apurados’. Extinguia o direito gratuito ao acesso a radio e a televisão e distribuição do Fundo Partidário aqueles que não atingissem a clausula de barreira de 5%.

O que ocorreu? Quando entraria em vigor, o STF implodiu a reforma política brasileira. Usurpando do Congresso Nacional o direito de legislar, o ministro relator Marco Aurélio Mello, atendendo os pequenos partidos, votou pela inconstitucionalidade da Lei. Foi acompanhado pelo então ministro Ayres Brito que chamou a ‘lei de cláusula de caveira’. Os ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia proclamavam, respectivamente, que a ‘lei fere de morte o sistema federativo’ e ‘a minoria hoje tem o espaço para ser maioria amanhã’. Se a Lei não fosse derrubada pelo Supremo, em 2018 existiriam apenas 7 partidos políticos no Brasil. O populismo jurídico do STF tem grande responsabilidade no atual cenário político.

Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade
Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de
vários livros sobre a economia brasileira.
Sem categoria
2 Comentários


O expurgo dos “intocáveis”

Um grande número de políticos parecia ter-se apropriado de seus cargos na Câmara dos Deputados e no Senado, como se fossem suas cadeiras cativas. Sua permanência devia-se em parte ao poder financeiro e à doutrinação de eleitores que certamente não conseguiam atinar que senadores e deputados são empregados da nação e não seus donos.

Assim, esta eleição promoveu uma limpeza de várias figurinhas carimbadas, muitos deles arrogantes, outros envolvidos em corrupção e que, dada sua não reeleição, agora estarão sujeitos a processos até aqui barrados em razão da sua “imunidade parlamentar”. No Senado, a renovação será de 87% e 46 dos 54 eleitos são novatos. Na Câmara, a renovação deve ficar acima de 50% das cadeiras.

“Caciques” políticos que mandavam e desmandavam na população foram varridos do mapa. Entre eles, Jorge Viana (PT, Acre), a insuportável Vanessa Graziotin (PT, Amazonas), Eunício Oliveira (presidente do Senado (MDB, Ceará), Sarney Filho (o filhinho do Sarney, PV, Maranhão), Édison Lobão, outro insuportável, (MDB Maranhão), a Dilmanta (que tentou o Senado pelo PT, Minas Gerais), Zeca do PT (PT, Mato Grosso do Sul), Zé Geraldo (PT, Paraíba), Roberto Requião (MDB, Paraná), Lindbergh Faria (PT, Rio de Janeiro), Chico Alencar (PSOL, Rio de Janeiro), Romero Jucá (MDB, Roraima), Idely Salvati (PT, Santa Catarina), Eduardo Suplicy (PT, São Paulo), Beto Richa (PSDB, Paraná), Marconi Perillo (PSDB, Goiás), Cristóvam Buarque (PPS Distrito Federal), Magno Malta (PR, Espírito Santo), além da candidata ao governo Roseana Sarney, a filhinha do Sarney (MDB, Maranhão).

Esta “varrida” foi a forma do povo brasileiro demonstrar sua insatisfação com a inércia, a incompetência, a corrupção e com os ouvidos moucos que deputados, senadores  e a classe política em geral demonstraram em relação às mudanças tão ansiadas e clamadas nos movimentos das ruas ocorridos na maioria das cidades brasileiras.

Sem categoria
3 Comentários


E as urnas eletrônicas? Você acha que são confiáveis?

As redes sociais estão repletas de denúncias sobre “falhas” nas urnas eletrônicas, ocorridas nestas eleições por todo o Brasil. Há casos em que eleitores não conseguiram votar por ter outra pessoa votado em seu lugar – apesar da biometria (as impressões digitais). Há casos de encerramento do voto antes da teclagem do candidato. Há casos de denúncias sobre urnas que deveriam estar zeradas, mas lá já constavam votos registrados…

Curiosamente, o ministro Jungmann veio a público ainda durante o horário de votação para afirmar com todas as letras que o sistema é seguro e que todas as denúncias recebidas sobre estas irregularidades eram “fake”, ou seja, falsas.

Parece que o ministro é desmentido pela enxurrada de vídeos flagrando irregularidades em urnas por todo o país. As redes sociais despejam mais e mais testemunhos sobre problemas em várias zonas eleitorais, como o vídeo acima, que mostra apenas uma das várias denúncias, desta vez feita por policiais.

Se as denúncias são falsas ou verdadeiras, cabe ao Ministério Público averiguar.

Sem categoria
4 Comentários
 

O grande debate

O grande debate político não está sendo travado entre os postulantes ao cargo máximo da nação. O que está sendo discutido amplamente é o “nós contra eles”, a democracia contra o comunismo, a bandeira brasileira contra as bandeiras vermelhas, o símbolo nacional contra a foice e o martelo, o “#Elenão” contra “Não à quadrilha”…

Mais uma vez é marcante a enorme desigualdade de pensamentos e ideologias, que ilustra o enorme desequilíbrio social em nosso país. Mais uma vez a lógica perde para a emoção, a razão perde para as ideologias. Mais uma vez o resultado final das urnas será imponderável.

Quem quer que assuma o poder encontrará mil dificuldades e barreiras pela frente: um Congresso dividido, rombo no orçamento, dívida fiscal monumental, enorme desemprego, empresas endividadas, criminalidade em alta, INSS em crise, saúde falida, educação nota zero, analfabetos e analfabetismo funcional alarmantes, infra-estrutura deficitária, invasões de terra, periferias crescendo…

Que país é esse? Qual o futuro do Brasil? O que nos espera?

(Imagem: We teach, we learn)
Sem categoria
1 Comentário


Verba para o fundo partidário, sim. Para o voto impresso, não

A privilegiada corte brasileira, através dos integrantes do Congresso Nacional – muitos deles indiciados em processos de corrupção – aprovou a verba de 2,5 bilhões de reais para o chamado Fundo Partidário, que é uma distribuição deste recurso pelos vários partidos políticos (algo como 35). Por causa destas verbas, temos candidatos à presidência que são verdadeiras aberrações, como o caso do tal Eymael, que tem zero nas pesquisas mas se aproveita da verba do seu partido para auto-promoção, sem chances de ser eleito.

Em contrapartida, a minirreforma eleitoral sancionada em 2015 pela presidente cassada Dilma, que introduzia o voto impresso nas urnas eletrônicas (uma forma de evitar fraudes denunciadas tantas e tantas vezes), não foi colocada em prática. E quem freou a implantação do voto impresso foi a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que acionou o Supremo Tribunal Federal para suspender sua implantação. De acordo com Dodge, “a impressão do voto teclado na urna eletrônica colocaria em risco o sigilo da votação e traria de volta o risco de que os eleitores fossem coagidos por terceiros a apoiarem candidatos que não gostariam”.

A lei proclamava que a partir da eleição de 2018, durante o ato de votação dentro da cabine indevassável, o voto digital também fosse impresso para que o eleitor pudesse conferi-lo através de um visor e assim confirmá-lo. O voto impresso ficaria guardado para eventual conferência, sem que o eleitor tivesse contato manual com ele. O TSE já havia testado o sistema em 2002, quando desenvolveu uma impressora especial para essas funções (visor, confirmação e depósito automático) que foi denominada como Módulo Impressor Externo – MIE.

A impressão do voto nas urnas eletrônicas em todo o País deveria custar R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos nos próximos dez anos – o mesmo valor destinado ao Fundo Partidário nestas eleições, porém diluído por uma década.

Antigamente os ministros do TSE acompanhavam normalmente a apuração dos votos. Mas na última eleição presidencial eles só tiveram acesso aos números quando foi anunciada, de chofre, a vitória de Dilma, embora se alegasse que “a eleição não estava matematicamente definida”. Foi por ordem direta de Dias Toffoli que o TSE montou naquela oportunidade um esquema para manter isolados os técnicos responsáveis pela apuração, sem contato inclusive com outros membros da Corte. O que tornou o resultado da eleição extremamente duvidoso. Sem possibilidade de conferência dos votos.

Sem categoria
1 Comentário