…e Temer deveria renunciar. Ontem. Antes do almoço!

Não dá para entender porque governantes se apegam com tanto vigor ao poder. Isso ocorre com presidentes, ditadores e seja lá quem estiver no comando de uma nação.

O caso de Temer é emblemático: eleito como vice-presidente, foi guindado à chefia pela incompetência da sua companheira líder de chapa, “impichada” após multidões saírem às ruas e o Congresso atender o desejo da maioria da população.

Mas Temer se enrolou todo, coitado! A Operação Lava Jato acabou descobrindo que também ele está envolvido em corrupção e várias denúncias desaguaram em seu nome. Se as denúncias são ou não verdadeiras, o tempo e as investigações nos dirão.

As condições de governabilidade estão se reduzindo a cada dia. Prova disso é a última pesquisa tornada pública, que mostra a insatisfação dos brasileiros com este estado de coisas. Seus índices só não são piores do que foram para o Nhonhô Sarney, um picareta da política brasileira elevado à presidência após o impeachment do outro picareta, Fernando Collor de Melo.

Os governantes deveriam se dar conta de que o poder é transitório. Temer está presidente, não é presidente. Se ele fosse menos apegado ao poder, renunciaria para se defender das acusações de que é alvo. Todas as suas atuais decisões como presidente carecem de credibilidade e, com exceção de um pequeno staff de seguidores, do grupo do “toma lá, dá cá” e de alguns aproveitadores, a maioria da população não vê com bons olhos a sua permanência na presidência.

Foto: Globo
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Congresso: fechar para começar tudo de novo!

A constatação é fria, brutal e assustadora: nós, brasileiros comuns (trabalhadores, aposentados, empresários, profissionais liberais) estamos todos à mercê e a serviço de uma casta privilegiada, a maioria sem escrúpulos, egoístas, corruptos e aproveitadores, como se estivéssemos ainda no tempo do Império, quando a monarquia e os amigos da Corte tudo podiam e eram verdadeiros chupins dos seus vassalos e súditos.

Sim, somos meros vassalos e súditos. Os congressistas se valem da corrupção, do próprio poder, do dinheiro sujo para se elegerem, reelegerem, elegerem seus filhos, seus netos e seus parentes como se fossem proprietários das velhas capitanias hereditárias, outorgadas pelos reis em exercício.

Os congressistas se valem do próprio poder para legislarem em causa própria, usufruindo de salários e benesses de valores astronômicos, absolutamente conflitantes com a baixíssima média de ganhos que os brasileiros recebem – inclusive a grande maioria de empresários, extorquidos brutalmente pela gana dos governantes, que inviabilizam negócios, expansões e sucesso.

Há que se fechar, sim, o Congresso Nacional! O modelo político deverá ser repensado. Não é possível manter por lá as figuras corruptas que legislam em causa própria, promovendo barganhas, vendendo votos, esbanjando nosso dinheiro em voos caríssimos e viagens faraônicas, faltando às sessões plenárias e aparecendo diariamente muito mais nas páginas policiais do que nas notícias de realizações políticas.

Repensar a necessidade da existência de duas casas legislativas. Repensar o número de legisladores. Repensar os seus salários nababescos. Repensar o número de seus vassalos – ops, seus assessores regiamente remunerados. Repensar os partidos políticos. Repensar as verbas absurdas para suas campanhas eleitorais. Repensar a sua forma de comunicação, poupando-nos da mediocridade das suas mensagens na mídia eletrônica.

Há muito a ser mudado. E as mudanças já estão hiper atrasadas. Os brasileiros não aguentam mais tanta sem-vergonhice e tantas afrontas.

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As quadrilhas brasileiras

Os brasileiros estão boquiabertos! Após a revelação pelo Ministério Público – que se utilizou inclusive do programa power-point para a apresentação à mídia – de que o grande chefe da quadrilha governista era o ex-presidente lula, eis que o título parece ter mudado de lado. Agora, através do gangster Joesley Batista, do conglomerado JBS, descobrimos que o novo chefe da quadrilha seria o atual presidente Michel Temer.

Para vergonha dos brasileiros e pior do que a derrota de 7×1 da nossa seleção de futebol para a Alemanha, as manchetes dos jornais e das tevês internacionais colocam nosso país no foco pelo incessante desfilar de nomes e ocorrências ligados à corrupção. Nunca se roubou tanto em outra parte do mundo!

De quadrilhas o Brasil entende: além das quadrilhas envolvidas em corrupção, há quadrilhas especializadas em roubos de carros-forte, quadrilhas especializadas em explodir caixas eletrônicos, quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas, quadrilhas envolvidas em tráfico e roubo de armas, quadrilhas usando e abusando do contrabando de mercadorias, além das enormes quadrilhas compostas de bandidos perigosíssimos que a generosidade da mídia batizou de “facções criminosas”.

Para não confundirmos as coisas, aqui vai uma sugestão: mudar o nome pelo qual chamamos as tradicionais quadrilhas que se apresentam em festas juninas. Pois não queremos passar o país a limpo?

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E o troca-troca continua

“Em jantar no Alvorada, o presidente Temer sinaliza com renegociação da dívida dos estados com o BNDES e a liberação de verbas para obras regionais de infraestrutura para impulsionar a economia. Os cálculos preliminares apontam uma disponibilidade de caixa do BNDES de até R$ 50 bilhões para obras em infraestrutura, a depender dos projetos apresentados pelos governadores”.

Esta é uma das práticas e táticas mais antigas e consagradas dos políticos brasileiros. Eles desde sempre compram apoio e votos distribuindo dinheiro público (o nosso dinheiro) a granel. As referências ao “inchaço da máquina pública” em todos os níveis de governo são resultado exatamente destas barganhas muitas vezes sórdidas e mal-explicadas.

Neste caso Temer quer contar com o apoio dos governadores — da base, especialmente — para a aprovação das reformas em tramitação no Congresso.

Esta “irrigação” com 50 bilhões de reais do BNDES sinalizada pelo presidente contradiz todos os discursos até aqui emanados do Planalto: um rombo mal explicado no próprio BNDES, o rombo da Previdência, o crescimento da dívida pública, os aumentos de impostos (sempre de forma velada, sub-reptícia) e as promessas (um cansativo blá-blá-blá) da área econômica do governo.

 

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O que pensar do judiciário?

Chega a ser inacreditável a falta de pudor dos quatro julgadores do processo de cassação da chapa dilma-temer que os absolveram de tantos crimes praticados, provados e comprovados.

Foram três votos lúcidos vencidos. Foram quatro votos absolutamente suspeitos, que desmerecem os grandes nomes que já passaram pelo judiciário brasileiro.

Estava clara, límpida, cristalina a culpabilidade dos julgados. Mas as argumentações pífias dos julgadores suspeitos nos fazem desacreditar do Brasil.

Pois já dizia Sócrates: “Há quatro características que um juiz deve possuir: escutar com cortesia, responder sabiamente, ponderar com prudência e decidir imparcialmente.”

Provavelmente os quatro julgadores jamais ouviram falar de Sócrates.

Afinal, que país é este?

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