chamada. Revistas americanas serviam de inspiração. Caso não encontrássemos “similares” no catálogo da Lastri, nós mesmos desenhávamos os títulos, após anos de aprendizado com a ajuda do catálogo da Speedball.
(da Folha Online, em Brasília)
Cinco dias após a morte do ditador do Chile Augusto Pinochet, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (15/12) que a ditadura militar no Brasil “não foi tão violenta” como no vizinho sul-americano. “O Brasil tem uma história diferente de outros países. Mesmo a ditadura no Brasil não foi violenta como foi no Chile, como foi em outros países. Houve processo de anistia negociado inclusive com as pessoas que participaram do processo”, afirmou.
”Jogaram-no na cela.
Foi recobrando lentamente a consciência. O corpo moído. Tudo doía, cabeça, peito, costas, braços, pernas, mãos. Mentalmente, percorreu seu corpo de alto a baixo, tentou descobrir algum ponto indolor.
Deu-se conta de que estava gemendo.
Deu-se conta de que estava inteiramente nu.
Perdeu novamente a consciência.”
Continua a Folha:
Ao ser questionado sobre a abertura dos arquivos do regime militar, que não foi totalizada em seu governo, o presidente reconheceu que o Executivo ainda não conseguiu tornar público muitos fatos do período da ditadura –entre os anos de 1964 e 1985. “Mandamos parte do arquivo para o Rio de Janeiro, mas tem coisas que não descobrimos. Determinadas coisas você tem que ver se alguém que participou contou para você”, disse.
“Acordou, lentamente abriu os olhos. A cela úmida estava envolta em uma semi-escuridão. Não sabia se por ser a hora do lusco-fusco, ou se a tênue iluminação era a natural da cela. Não se mexeu do lugar, as dores ainda eram fortes. Curtos flashes desfilaram na sua mente. Os soldados saídos do nada de súbito em sua casa, a violência com que o empurraram no camburão, a chegada no quartel, sua passagem no meio de um corredor polonês enquanto ia sendo surrado, as roupas arrancadas.”
Finaliza a Folha:
O governo Lula manteve inacessíveis os arquivos com documentos sigilosos produzidos pelo regime militar brasileiro. A União também se esforça, na Justiça, para impedir que novos papéis sejam liberados. Há três meses, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, enviou ofício ao presidente pedindo a abertura dos arquivos. O chefe do Ministério Público Federal havia estipulado prazo de dois meses –que expirou em de 11 de novembro– para o presidente responder e tomar previdências, mas ele ainda não atendeu ao pedido.
“Amarraram-no em um pau-de-arara, dois homens encapuzados fazendo perguntas, o início do espancamento, as dores lancinantes, desmaios. Mais surras, mais desmaios. Imagens vagas de fios elétricos, choques, baldes de água na cara, botinadas no corpo, a cabeça enfiada na latrina, desmaio.” (*)
Será que o Presidente Lula quer escamotear a verdadeira história da ditadura no Brasil? Quantos deverão ser os mortos e desaparecidos para caracterizar a gravidade de uma ditadura? Existe meia ditadura, meia morte, meio desaparecimento?
As “otoridades” acham que somos palhaços.
Elas vivem nos impingindo uma série de bobagens, e esperam que fiquemos quietinhos em nossos cantos.
CPMF. Já deu tanto pano para mangas! Agora o “P” de provisório está virando oficialmente permanente. Imposto que foi criado inicialmente para sanear os problemas da saúde, está destinando só pouco mais da metade dos 0,38% para essa finalidade.
Novo aumento dos salários de deputados. Um absurdo! Os seus salários somados às mordomias e outras tantas verbas, os tornam uma classe de milionários, completamente fora dos padrões de ganhos da população. Os números tornam-se tanto mais afrontosos quando se sabe que eles cortaram os aumentos reais dos aposentados, que continuam com seus ganhos sendo anualmente reduzidos e achatados.
Redução das penas de quem cometeu crimes hediondos. São geralmente sociopatas, desequilibrados mentais, assassinos frios e psicopatas e a maioria não tem quaisquer possibilidades de ressocialização. Mesmo assim, os juízes acreditam que eles podem retornar à sociedade após cumprirem 1/6 da pena. Logo estarão de volta às ruas, repetindo os mesmos atos que os levaram à condenação.
MST. Os sem-terra agem livremente invadindo propriedades, inclusive produtivas, levando destruição e vandalismo por toda parte. E o governo não reage, até dá apoio e assiste passivamente a esses atos ilegais.
Planejamento urbano. Deixaram as coisas chegar ao ponto em que chegaram: parece que não existe cidade de média para grande no Brasil que não apresente a sua face mais feia, aqueles micro-lotes com casas (?) mal acabadas, feias, perigosas, a maioria em loteamentos clandestinos, em morros, sob viadutos, à beira de rodovias e em áreas de risco. As prefeituras fazem vista grossa e vão deixando construir mais e mais casebres. A cada temporada de chuvas, os dramas de mortes, soterramentos e feridos se repetem.
Queimadas e desmatamento. De repente, a televisão (que não tem nem o poder nem a missão de policiar), mostra os incríveis abusos de madeireiras e fazendeiros, queimando e desmatando indiscriminadamente áreas monumentais, somando o tamanho de centenas de campos de futebol. O triste é saber que os criminosos fazem isso seguidamente há anos, as fotos de satélites apontam os locais diariamente para os técnicos… e as “otoridades” só começam a agir quando o mal já está tão disseminado que a recuperação dessas áreas levaria décadas.
E a poluição dos rios, a devastação provocada por mineradoras e pedreiras, o lixo, a poluição visual nas cidades, a desorganização no trânsito, a fumaça preta espalhada por caminhões e ônibus, os incontáveis acidentes provocados pelas estradas esburacadas, a agressividade dos perueiros e motoqueiros, a corrupção?
Corrupção que mereceria um capítulo à parte e não caberia no espaço de um só blog!
Aí a gente se olha no espelho e enxerga um nariz de palhaço, uma cara de palhaço, uma roupa de palhaço. Fica cada vez mais difícil provar que o espelho é mentiroso e que na verdade nós não somos palhaços, não.
Alguns anos após eu nascer, meu pai encontrou um estranho que havia chegado recentemente à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com o encantamento do recém-chegado e logo o convidou para ir morar com a nossa família. O estranho foi imediatamente aceito por todos nós.
Enquanto eu crescia, nunca questionei seu verdadeiro lugar na minha família. Na minha jovem mente, ele tinha um lugar bem especial. Meus pais se complementavam na minha educação: mamãe me alertava contra a maledicência e meu pai me ensinava a obedecer. Mas o estranho… ele era o nosso contador de histórias, nos entretinha por horas a fio falando de aventuras, mistérios e comédias.
Se eu quisesse saber alguma coisa sobre política, história ou ciências, ele sempre sabia as respostas sobre o passado, compreendia o presente e parecia até mesmo capaz de predizer o futuro! Ele levou toda minha família a assistir os jogos da primeira divisão de futebol. Ele me fazia rir e me fazia chorar. O convidado jamais parava de falar, mas papai parecia nem ligar.
Às vezes, mamãe se levantava silenciosamente e, enquanto o resto de nós ficava fazendo “psiu” um ao outro para impor silêncio e tentarmos ouvir o que o convidado tinha a dizer, ela se retirava para a cozinha em busca de paz e silêncio. (E eu me pergunto agora se ela não estaria torcendo para que ele fosse embora).
Papai orientou nossa família com fortes convicções morais, mas o nosso convidado jamais se sentiu obrigado a cumpri-las. Palavrões, por exemplo, não eram permitidos em casa. Não para nós ou para nossos amigos e visitas. Nosso eterno convidado, entretanto, nos surpreendia falando aquela certa palavra de quatro letras que queimava minhas orelhas e fazia meu pai ficar furioso e minha mãe corada.
Meu pai não permitia o uso de bebidas alcoólicas. Mas o nosso convidado nos encorajava a experimentá-las regularmente. Ele também fazia os cigarros parecerem “uma nice”, os charutos eram “coisa de macho” e os cachimbos davam o status de gente distinta. Ele conversava livremente sobre sexo (livremente demais). Seus comentários eram bastante explícitos, sugestivos e geralmente embaraçosos.
Eu sei agora que meus primeiros conceitos sobre relacionamentos foram fortemente influenciados pelo nosso convidado. Dia após dia, ele se opunha aos valores dos meus pais, já que era raramente contestado… e jamais lhe foi pedido para ir embora.
Mais de cinqüenta anos se passaram desde que o estranho mudou-se para nossa casa, vivendo com a nossa família. Ele se adaptou muito bem e continua sendo tão fascinante hoje como era no princípio. Pois se você vier até a sala de visitas dos meus pais, você o avistará parado no seu canto, aguardando por alguém que esteja disposto a ouvi-lo falar e a olhar para seus desenhos e imagens.
Seu nome?
Nós simplesmente o chamamos de aparelho de TV.
E recentemente apareceu seu irmão mais novo: chama-se Computador.
Autor desconhecido.
Tradução e adaptação de Julio E. Bahr
No começo da década de 1960, havia quatro principais clicherias em São Paulo que atendiam às agências de propaganda: Lastri, Brasil, Planalto e Fortuna.

Crônicas de um saber insólito
Mississipi
Benjamin sabia que eles viriam. Entraram a galope no vilarejo dos negros atirando, olhos brilhando de ódio nos capuzes pontudos. Eram nove da noite.
Correu para dentro e disse ao neto, Josué, corra como o vento, menino, procure o delegado federal na cidade e conte pra ele o que está acontecendo, não pare por nada, vá!
Para que não vissem o garoto escapando pelos fundos, voltou à varanda onde um agressor, empinando o cavalo, lhe deu um tiro certeiro, morre, negro sujo! O velho caiu e seu sangue se misturou com as poças das chuvas finas e frias que anunciavam o começo do outono. A visão se turvou mas, por alguns minutos, ainda ouviu claramente o som das porretadas surdas, os gritos, os tiros, o tropél dos cascos, os palavrões dos brancos. Antes de apagar sentiu o cheiro de fumaça nas narinas, claro que eles haviam tocado fogo em tudo, como era seu bárbaro costume.
Abriu os olhos cansados quando entrava numa espécie de taberna enevoada iluminada por uma luz tênue. Havia quatro homens caminhando ao seu lado, negros, soube de alguma forma que eram o Lou, o Bird e o Ray. O quarto era branco, Frank . De uma grande porta ao fundo, o Mart, adivinhando sua ansiedade, o tranqüilizou, Joshua já está com o delegado na capital.
Ben desabou numa cadeira, aliviado. Um coro de vozes femininas se fez ouvir. Um HALELUIA poderoso começou a saudar sua chegada, aqueles acordes arrepiantes e plenos de beleza capazes de emocionar os céus e a terra. Mariah, de novo jovenzinha, veio recebê-lo sorridente. Deram-se as mãos. Ali já não havia beijos. Nem era necessário.
José Sudaia Filho
Taboão da Serra, SP
Julio Ernesto Bahr
Há alguns dias inseri no blog um texto sobre os comerciais que saíram dos intervalos comerciais das emissoras e se tornaram os próprios programas de tevê.
Quem estudou a matéria mídia nas faculdades no século passado (parece que foi ontem), precisou reciclar-se rapidamente. A publicidade nunca sofreu tantas inovações tecnológicas, nos veículos e nas formas de comunicação, como neste começo de século.
Hoje, tornou-se comum os amigos trocarem e-mails entre si, anexando filmes de comerciais de tevê que lhes despertaram a atenção. Eu mesmo tenho “n” megabites de comerciais arquivados no meu computador. Recebi, gostei, compartilhei e guardei para nova apreciação.
O site YouTube foi outra destas gratas novidades: milhares de comerciais de tevê, misturados com filmes e reportagens diversas, produzidas por profissionais e amadores, possibilita ao internauta tomar contato com o que de melhor (e também de pior) se faz no mundo da comunicação. Já são muitos os blogs e sites que inserem estes filmes em suas páginas, linkados diretamente ao YouTube.
A internet é uma caixinha de grandes surpresas. As empresas e agências de propaganda que souberem utilizar rapidamente seus recursos e suas constantes inovações estarão sempre à frente dos concorrentes. Pois as novas mídias da internet não podem ser desprezadas.
E quem chega antes sempre leva vantagem.
Esta bela poesia foi-me enviada pelo meu amigo João de Valentin, de São Paulo, SP. Foi escrita em um momento muito especial, enquanto aguardava uma nossa amiga comum passar por delicados exames médicos. Poesia de tal sensibilidade que ninguém conseguiria imaginar ter sido escrita por um engenheiro, de atividade que julgamos ser sempre mais associada às ciências exatas do que às letras. A esperança da espera Os sentimentos afloram na espera, As mudanças se encaixam, A esperança cresce A espera nutre Vejo e sinto um passado, Sinto um presente,

Quantas esperas com esperança,
Quantos sentimentos na espera,
Quantas esperanças sentidas.
A esperança cresce enquanto se espera.
Quantas mudanças mudam na espera.
Os encaixes nos dão mais esperança.
A esperança nos faz crescer.
A espera nos faz ver.
Vejo e sinto o que passou.
Um presente que espero
Que a esperança se torne sempre presente
E, que a espera não mais se ausente.
João de Valentin
20 de outubro de 2006

Entrei na sala do presidente da empresa (ou melhor, de três empresas). Era um homem próximo dos setenta anos, suíço e que falava o português com sotaque bem carregado.
- Quem é a senhorr? – perguntou-me
Expliquei que tinha uma agência de propaganda e estava me apresentando para a reunião solicitada pelo seu diretor.
- Como chama seu adgência? –perguntou-me
Declinei o nome.
Ele olhou para mim: – No verrdade, eu querria mesmo aquele adgência dos trrês letrrinhas, PZD, ZDB, como se chama mesmo? (Que azar!)
- Chama-se DPZ. – respondi – Nesse caso, posso ir embora.
- Não, a senhorr fica. Vamos verr como serrá sua trrabalho!
O homem me passou o briefing para criarmos o primeiro anúncio – e urgente. E prometeu que se desse certo, me encaminharia para as suas outras duas empresas. Poderia se tornar uma excelente conta. (Que sorte!)
Criamos um anúncio muito bonito, que deveria ser publicado em uma edição especial para a indústria automobilística, da extinta Revista Manchete. O cliente gostou, aprovou e encaminhamos o rotofilme dentro do prazo para a revista. O escritório de São Paulo ficava na “Casa da Manchete”, um casarão histórico nos Jardins.
No dia em que a edição foi para as bancas, nada do anúncio publicado! Descobrimos que exatamente na sexta-feira em que enviamos o material, a Manchete estava de mudança para o centro da cidade (as coisas já não iam bem para o Sr. Bloch) e o rotofilme restou esquecido em uma das gavetas na bela mansão. Mudaram-se e o rotofilme nem chegou a ir para a gráfica no Rio. (Que azar!)
O suiço me ligou vociferando em todos os idiomas e ameaçou abrir um processo contra a nossa agência. Coloquei a Manchete no circuito, deixei que eles se entendessem com o homem e nunca mais pude pôr os pés naquela empresa. Para eles, virei persona non grata.
Antes a vítima tivesse sido o adgência dos trrês letrrrinhas.
Autor anônimo
DOUTORADO:
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da ramínea Saccharus officinarum Linneu, 1758, isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera, Linneu, 1758. No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo emconseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.
MESTRADO:
A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelasabelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.
GRADUAÇÃO:
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.
ENSINO MÉDIO:
Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.
ENSINO FUNDAMENTAL:
Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.
SABEDORIA POPULAR:
Rapadura é doce, mas não é mole, não!!!