Mês: fevereiro 2007



O site do Sudaia

Atividade profissional: publicitário, redator e designer freelance.
Atividade nas horas vagas: cronista e escritor.
Local de atuação: Taboão da Serra, SP.
Vale a pena conhecer seu site e os trabalhos que desenvolve para seus clientes: http://br.geocities.com/j_sudaia_f/home.html
E neste meu blog bahr-baridades você encontra dois contos curtos escritos pelo Sudaia: são as “Crônicas de um saber insólito”.
A internet não tem fronteiras.

Ilustração: auto-retrato do Sudaia

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Sim, nós também temos um buraco negro. Made in Brazil.

Julio Ernesto Bahr

Os cientistas vivem querendo provar que no universo existem uns temíveis buracos negros, buracos que sugam estrelas, cometas, planetas, luas, lixo espacial e tudo o mais que estiver por perto.

Como nenhum de nós, simples mortais, jamais chegou tão longe no espaço, a gente apenas esboça um sorriso meio amarelo e faz aquele ar blasé de intelectual, dizendo para todo mundo que sim, que acreditamos nos buracos negros.

Agora, eureka! Descobrimos que o buraco é bem mais abaixo. Muito mais abaixo. Abaixo da Linha do Equador. Mais precisamente aqui mesmo, no nosso Brasil.

É o buraco negro made in Brazil.

Pois esse buraco negro já sugou incontáveis parcelas das nossas economias.

Lembram-se daquele imposto compulsório que éramos obrigados a pagar na hora de comprar um carro novo? O governo anunciava aos quatro ventos que após um determinado prazo tudo nos seria devolvido. Você recebeu? Para onde foi? Eu respondo: para o nosso buraco negro.

E o compulsório sobre combustíveis? Aquele imposto que cada cidadão proprietário de um veículo foi obrigado a pagar? Voltou para nossos bolsos? Não, também desapareceu no… buraco negro.

E as correções sobre nossas poupanças pós Plano Collor? Quanta discussão, quantas desculpas esfarrapadas do governo… destino: buraco negro!

E as contas do juiz Lalau? Alguém já parou para calcular os verdadeiros valores que ele conseguiu surrupiar? Na época, real e dólar estavam praticamente emparelhados. Os tais R$169 milhões, convertidos na moeda americana dariam, por baixo, cerca de US$160 milhões, tudinho aplicado em paraísos fiscais lá fora. Com o dólar valendo mais de R$2,00, quando e se os R$169 milhões forem cobrados em reais, só estarão voltando (isso se tivermos sorte) cerca de US$80 milhões. O resto? Vai pro buraco negro… ou para o bolso do Lalau.

Os mais recentes escoadouros de dinheiro foram o tão falado Valerioduto e as sanguessugas, que parecem ter suas canalizações ligadas diretamente ao Buraco Negro. Sumiu tudo – e ninguém fala em recuperar aquela dinheirama.

Essa mesma desculpa vai virar moda. Estados e Prefeituras que estouraram o caixa, mesmo com a tal lei de responsabilidade fiscal, também alegarão que o dinheiro do povo sumiu no buraco negro.

Como os cientistas estão muito mais preocupados em olhar para cima, estudando o espaço sideral, está na hora de acharmos alguns abnegados para estudarem o nosso buraco negro aqui em baixo mesmo. Mas é bom se munirem de máscaras contra gases, pois o buraco negro made in Brazil, além de escuro, deve estar muito, muito fétido.

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Cuidado: o homem tá de volta!

“São 14 anos depois de um
sofrimento brutal a que fui
submetido, a humilhação que sofri.”


Estas foram as infelizes palavras do Ex-presidente Collor na sua posse no Senado.

Ele se esqueceu de falar do sofrimento de milhões e milhões de brasileiros durante seu curto e desastrado reinado. Mancomunado com sua ministra da Fazenda, a tal Zélia (que logo sumiu do mapa), o Collor tomou posse de todo nosso suado dinheirinho, que simplesmente evaporou.

Anos depois, a ministra alegou que “o seqüestro do nosso dinheiro havia sido uma experiência mal-sucedida”. Foi naquela época que nos sentimos ratos de laboratório. Ratos pobres. Anos e anos de trabalho e esforço para que pudéssemos ter uma velhice sossegada e digna, foram jogados no lixo.

Se o Collor se sentiu humilhado, o que dizer das dezenas de pais de família que se suicidaram desesperados com suas perdas e temerosos pelo futuro dos seus filhos?

Se o Collor se sentiu humilhado, o que dizer dos empresários que faziam fila diariamente nos bancos, desesperados, na tentativa de recuperar seu dinheiro para pagar os funcionários?

Se o Collor se sentiu humilhado, o que dizer dos brasileiros que assistiram estáticos (e já sem dinheiro) os gastos mirabolantes na construção da espalhafatosa “Casa da Dinda”, de sua propriedade?

Se o Collor se sentiu humilhado, o que dizer da sua primeira-dama, nascida em Canapi, descendente da família Malta, cidade-símbolo do desvario do poder, onde as desavenças eram resolvidas a tiros e onde foi cunhada a frase “quem não é Malta, morre”?

Humilhados, Ex-presidente Collor, nos sentimos nós, brasileiros, que fomos ludibriados, pisoteados e enganados na sua curta e infeliz passagem pela presidência da República.

Pena que em Alagoas não tenha surgido uma nova geração de jovens e heróicos caras-pintadas para evitar sua volta ao cenário político.

O resto do Brasil não precisa e não quer Collor de volta!

Cena de uma das passeatas
que se repetiram em todo o país
pedindo o impeachment do Presidente Collor
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