Mês: maio 2007

  

Sarney, falso ou verdadeiro?

O falso:

Ontem, 28 de maio, o senador José Sarney, entrevistado pela tevê, disse-se chocado com o “hermano de Lula”, presidente Chavez, por cassar a licença de funcionamento da televisão privada de maior audiência na Venezuela. Acrescentou que esta atitude é uma ameaça perigosa à democracia naquele país, que estaria caminhando celeremente em direção do socialismo.

O verdadeiro:

Na campanha política do ano passado, o mesmo maranhense Sarney, ainda candidato a senador (pelo Amapá) fez exatamente o mesmo que Chavez: exigiu que a jornalista Alcilene Cavalcante retirasse de seu blog a foto de um muro de Macapá no qual a expressão “Xô” é representada com uma caricatura do senador. A coligação de Sarney entrou com nove representações contra o blog de Alcinéa.

Logo em seguida, blogs políticos e de jornalistas do Brasil e do exterior publicaram notas de repúdio ao que consideraram “censura” praticada pela coligação encabeçada pelo senador José Sarney (PMDB).

Quase dois meses após o início da campanha eleitoral, a coligação de Sarney conseguiu que cinco meios de comunicação do Amapá saíssem do ar ou tivessem reportagens retiradas das páginas da internet. Outros meios já foram notificados por publicar charges ou notas com referência ao senador.

Os dois políticos, Chavez e Sarney, utilizaram as mesmas desculpas para acionar a censura. Na Venezuela, o canal de tevê teria participado de um golpe contra o Chavez, além de lhe fazer permanente oposição. Aqui no Brasil, o nosso ex-presidente não admitia qualquer oposição e ficou bravo com a campanha “Xô, Sarney”.

Será que há diferença entre Sarney e Chavez?

JEB

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Suicidando publicitários

(Artigo “Quanto custa o suicídio” de Celso Muniz em seu blog cemgrauscelsius)

Se os salários não valem mais a pena, se a dita criatividade é uma repetição só, se o glamour não passa de decadência sem elegância alguma, por que diabos tanta gente ainda insiste na carreira de publicitário? Se tem talentos, não devem ser espertos. Se não tem, devem ser muito espertos como os de agora acham-se. Na maioria jovens de classe média, que pagam pela faculdade o que não vão ganhar sequer metade nos primeiros anos de trabalho. Muitos chegam de carros que entortam de inveja donos de agência que por isso mesmo por um lado os vê com bons olhos – principalmente os parentes de clientes – por outro lado angariam aquele misto de inveja e indignação, tão tola e pueril, nem por isso menos venenosa, no vice-versa da equipe.
Mas não só são os jovens da classe média que sonham com a carreira futebolística das profissões descoladas. A publicidade é quase o futebol das mentes inadaptadas às carreiras ortodoxas ou, já começa a ser, das mentes antenadas com novos comportamentos. O problema é que ser antenado não é a mesma coisa que ser talentoso ou ter aptidão nata para compreender os delicados, óbvios mas não tanto, por isso mesmo desprezados comportamentos da mente humana, requisito indispensável para se conseguir ser um publicitário efetivo.
Uma das confusões ligeiras que resulta em muito do que aí está é a tal noção de modernidade. Nada mais velho do que os jovens de hoje, apesar da avalanche de informação a que estão submetidos. Ainda assim, esta é a geração mais ignorante, mal informada e mal preparada para a atividade que se tem conhecimento, apesar de tudo que lhes é prometido e “ensinado” nas faculdades e ambas que replicam-se como memória virtual de baixa impedância.
A tal cultura geral que fazia com que um publicitário discorresse com quase naturalidade sobre física quântica, samba ou campeonato de porrinha sumiu. Sem cultura e informação diletante o repertório afunilou, cristalizou. E o que se vê é um universo paralelo dos sí mesmos. Ser antenado é transpor para o comercial de automóvel o espelho do game cujo conceito é game over já no start da idéia. Ser antenado é discorrer sobre i-phone como se tivesse sido inventado por ele. Ser antenado é ficar o mais longe possível do povo consumidor num país do varejo onde o varejo não se renova desde os anos 60.
Ainda assim todos querem ser publicitários, e quando se diz ser publicitário continua majoritariamente o entendimento ser um cara de criação como se todos na agência, que é um negócio, ou deveria, de venda de idéias, não fossem caras ou caretas de criação. Pegue um planejador, um mídia, um atendimento, não criativo e veja só as repartições públicas que tem por aí com nome de agência, o que aliás espanta, já que tão antenados, não deveriam usar este conceito.
As próprias contradições desta mente que precisa ser entendida para se fazer publicidade ou melhor comunicação, quase-explicam porque no auge do declínio da forma como ainda é entendida estamos no auge da procura acadêmica dos cursos de publicitário. Eu disse curso de publicitário e não de publicidade, não sei se fui demasiadamente sutil.
Quanto custa este suicídio na forma e conteúdo como é vendido, ensinado, praticado e auto-esfoliado no próprio mercado?
A resposta está no bolso de cada um de nós, a maioria, olha o pleonasmo aqui gente, a grande maioria, contendo um i-pod e um miserê de tal nível que tem muito publicitário pedindo emprestado à recepcionista um vale para o lanche.
P.S.: dia destes, num blog intitulado comunicadores de plantão, um publicitário antenado respondia uma questão que abateu-se sobre publicitários leitores do blog. Qual a diferença ente diretor de arte e diretor de criação. A resposta que me fez corar tamanha a estupidez da ignorância, entre outras deformidades em síntese, apontava que o diretor de criação era um diretor de arte que dava o norte, o que demonstrava a ignorância sobre o fato de que na história mundial da propaganda os redatores fizeram esta história valer bem mais. Esta é a geração que se explica a sí própria, ainda assim, sem a mais absoluta noção, histórica ou factual daquilo que lhes é indigesto por isto mesmo.
Celso Muniz

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O Maranhão e seus dirigentes

Já que falamos tanto dos deputados federais, vamos começar a pensar nos nossos vários Estados da Federação. Um dos Estados que não me sai da cabeça, é o Maranhão.
A população total do Estado de Maranhão é de 5.651.475 de habitantes. O Maranhão ocupa a segunda pior posição no ranking brasileiro do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Só perde para Alagoas, a terra do Collor.

IDH Brasil: 0,79
O IDH do Maranhão é de parcos 0,647.

Maranhão é a terra (ou seria capitania hereditária?) dos Sarney. Afinal, foram anos e anos sob o seu domínio político. Entretanto, ao invés de cuidarem da população fazendo nada mais nada menos do que o seu dever, preferiram se dedicar ao poder pelo poder e deixaram de cuidar do saneamento básico, da saúde e da educação.

O poder pelo poder traz dissabores.

Entre os processos que correm no TCU há o de número 004.920 contra a Roseana Sarney. Foi aberto em 2001. Refere-se à contratação das empreiteiras Gautama e OAS pelo governo do Maranhão, à época sob a regência de Roseana. Envolve a construção da adutora Italuis, de abastecimento de água da capital maranhense. Uma obra orçada em R$ 300,4 milhões. A Gautama é a empresa que está sendo investigada pela “Operação Navalha” da Polícia Federal, sob suspeita de fraudes.

Há também o caso “Lumus”, quando foi encontrada uma montanha de dinheiro com Roseana e seu marido Murad, sem comprovação de origem, dinheiro esse destinado à campanha política para sua reeleição à governadora. Essa apreensão nunca foi explicada e nunca se abriu qualquer processo contra o casal.

O atual governador do Maranhão também está sendo investigado. Diálogos entre sobrinhos do governador e representante da Gautama confirmam recebimento de propina. De acordo com a PF, Maria de Fátima Palmeira, diretora da Gautama, teria repassado R$ 240 mil, a título de propina, a Alexandre Maia Lago e Francisco de Paula Lima Júnior, conhecido como Paulo Lago. Os dois são sobrinhos do governador do Maranhão, Jackson Lago. A entrega, de acordo com os relatórios da investigação, teria ocorrido no Alvorada Hotel, no Setor Hoteleiro Sul, por decisão do próprio Jackson Lago, no dia 21 de março. No dia seguinte, Fátima relatou a João Manoel a entrega do dinheiro feita aos sobrinhos do governador, esclarecendo que o pagamento se destinava a garantir vantagem em contratos públicos.

Além disso, Jackson Lago montou o que seria a maior rede de nepotismo do País, empregando 23 parentes e contra parentes na administração do Estado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Por essas e por outras, o Maranhão também apresentou o maior índice de reprovação na primeira etapa do Exame de Ordem (OAB) entre estados do Nordeste. Enquanto a média geral de aprovação na região foi de 63,78%, o Estado aprovou apenas 40,78% dos inscritos.

Mas que os maranhenses não se preocupem. Eles ainda contam com o Sarney como senador da República. Resta saber se isso ajuda ou atrapalha.

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Síndrome da empresa falida

A empresa era antiga. Por ela, passaram muitos dirigentes que fizeram história, deixando seus nomes e fotografias honrosamente estampados no hall da fama.
Infelizmente, com o seu crescimento, também tiveram vez os vigaristas, estelionatários, incompetentes, corruptos e mentirosos, todos eles nomeados ou eleitos por um Conselho Eletivo absolutamente deficiente e indiferente à situação da empresa. Que ia de mal a pior.
Certo dia, uma equipe de consultores foi chamada para radiografar a situação e propor soluções para maior eficiência, produtividade e melhores resultados.
Não levou muito tempo e a consultoria chegou a várias conclusões. A mais importante: a empresa já estava falida há tempos. Suas realizações e produção eram pífias, tão escassas que jamais faziam jus às enormes despesas anuais.
Dentre os problemas listados pela consultoria, destacaram-se:
– Número absurdo de 513 diretores;
– Número mais absurdo ainda de funcionários, entre aspones, gespones e secrepones, girando em torno de 20 para cada diretor;
– Número indeterminado e totalmente fora de controle do pessoal da retaguarda (segurança, restaurante, manutenção, informática, serviços de infra-estrutura, pessoal terceirizado);
– Contratações fora do padrão mínimo de competência, geralmente por apadrinhamentos dos diretores ou de parentes;
– Despesas absolutamente exageradas, desde energia elétrica até material de escritório, equipamentos, veículos, consumo de água, mobiliário, telefonia, combustível.
– Gastos monumentais dos diretores em verbas de representação, viagens, estadias, almoços, e até mimos para pessoas não identificadas (amantes, amigos, etc.), despesas essas sempre lançadas na conta da empresa;
– Ocupação irregular de vários imóveis da empresa, muitos deles ainda na posse de diretores demitidos, afastados ou aposentados, sem quaisquer cobranças de alugueres;
– Falta de assiduidade ao trabalho: raras vezes todos os 513 diretores se faziam presentes. Por vezes, levavam semanas para que conseguissem reunir o número suficiente, possibilitando as tomadas de decisões.
– Redução na jornada de trabalho que, ao contrário das empresas produtivas, se limitava ao máximo de três dias semanais.
A consultoria apresentou várias soluções visando aumentar a eficiência da empresa e tentar safá-la da falência.
A primeira e mais importante proposta: reduzir o número de diretores para 180 (reduzindo também o número de pessoas do staff). A empresa ficaria mais ágil, eficiente e reduziria drasticamente os gastos.
A segunda nem chegou a ser apresentada: aos berros, xingamentos e até ameaças de prisão, os diretores, unânimes, enxotaram o pessoal da consultoria, que teve de sair correndo, sob uma chuva de pedras, livros, pesos de papel, canetas e outros objetos.
Se você ainda não sacou qual é a empresa, aqui vai a dica: fica em Brasília, instalada em luxuoso edifício projetado por Oscar Niemayer, está diariamente sob o foco dos refletores, chama-se Câmara dos Deputados, seus diretores chamam-se deputados e seus funcionários chamam-se aspones, gespones e secrepones. Lá não existe o mínimo controle sobre as enormes despesas que sugam o caixa do governo.
Sabemos de quem é a culpa: é minha, é sua, é de todos os brasileiros, que permanecemos quietos em nossos cantos, aceitando pacificamente essa discrepância que criou um Brasil feudal, igual aos tempos do Brasil Colônia e que se julga melhor e acima do Brasil de todos nós.

JEB

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