O sistema político brasileiro é um prato cheio para todo tipo de projeções, elucubrações e “chutes” quanto ao seu futuro. Incontestável, entretanto, é a absurda quantidade de oportunistas políticos – ou políticos oportunistas – que pululam desde sempre entre mandatos, cargos, nomeações e penduricalhos em todas as esferas do poder – federal, estadual, mucicipal.
O ex- Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira (*), ainda em 1989, já escrevera um estudo intitulado “Clientelismo político”, inserido no ‘Estud. av. vol.3 no.6 São Paulo May/Aug. 1989 – Ideologias econômicas e democracia no Brasil’.
Tomo a liberdade de reproduzir parte do artigo que, apesar dos 12 anos que nos separam, poderia ter sido escrito ontem à noite:
Esta é uma prática política no meio do caminho entre populismo e mera corrupção. As três práticas implicam no uso de fundos públicos. No caso do populismo, temos uma forma impessoal de se assegurar a boa vontade dos grupos ou comunidades beneficiadas pela despesa pública; no caso da corrupção, estamos diante de uma forma pessoal e direta de enriquecimento às custas do erário público; no caso do clientelismo, temos numa forma intermediária entre os dois casos anteriores, uma forma semipessoal de uso dos fundos públicos beneficiando diretamente eleitores potenciais e indiretamente o autor da prática clientelística. No Brasil inventou-se uma palavra nova e muito expressiva para significar clientelismo: fisiologismo. O político fisiológico é um oportunista por definição. É uma pessoa que transforma a política em um negócio como qualquer outro em um negócio em que o político usa seu poder político para realizar trocas, para prestar e receber favores. É um fisiológico porque coloca os interesses pessoais e materiais acima das idéias, acima dos princípios e valores morais que deveriam presidir a ação política.
Estas duas práticas políticas oportunistas estão profundamente arraigadas no sistema político brasileiro. São uma consequência do baixo nível de cidadania do povo. A desinformação, a educação precária, a desconfiança em relação aos candidatos populares são características típicas do eleitor médio brasileiro. Desta forma, nas palavras de WANDERLEY REIS (1988, p. 24), “dificilmente se poderia pretender que, nas condições que caracterizam o eleitorado brasileiro, a estabilização do jogo democrático viesse a ocorrer em torno de partidos ideológicos(…) o processo de agregação partidária de interesses continuará provavelmente a dar-se entre nós através de partidos que combinem o clientelismo tradicional com um apelo eleitoral de tonalidades populistas”.
(*) advogado, administrador de empresas, economista, cientista político, foi ministro da Fazenda, ministro da Administração Federal, ministro de Reforma do Estado e ministro da Ciência e Tecnologia.
78 bilhões de euros (R$ 900 bilhões) é o tamanho do pacote de cortes que o parlamento grego aprovou e anunciou para tentar sair da crise financeira (ou bancarrota, como preferem alguns), o que provocou grande revolta da população nas ruas que não quer apertar os cintos e restringir seus ganhos. Em Atenas, o protesto acabou em uma batalha. A batalha da praça Sintagma foi encoberta por uma nuvem de gás lacrimogênio e o que restou foi muita destruição. (Foto AP)
É de estarrecer: um vereador de Londrina apresentou projeto para implantar um rodízio de carros na cidade, projeto que já passou pela Comissão de Justiça e Constituição do Legislativo. Segundo informações da assessoria de imprensa da Casa, a comissão encaminhou o projeto para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que terá que se manifestar à favor ou contra o projeto. A medida pretende implantar no município, em caráter experimental, por seis meses, um “Programa de Restrição ao Trânsito”, que terá o objetivo de reduzir o número de veículos nas ruas de Londrina pelo menos entre segundas e sextas-feiras. O vereador alega que o rodízio de carros “é uma tentativa de minimizar os problemas que os londrinenses vêm sofrendo na área central, principalmente nos horários de pico”.
Seria interessante o vereador buscar informações em São Paulo para ver como foi a implantação do rodízio de veículos. Lá não começou com o rodízio. Pelo número de veículos em Londrina, seria suficiente implantar um simples escalonamento de horários de encerramento de atividades. Por exemplo, bancos, escolas, lojas – sempre expedientes em horários diferenciados. Só esta medida já aliviaria congestionamentos em horários de rush. Assim foi feito em São Paulo, quando ainda não havia tantos veículos nas ruas.
O problema é que esses não-técnicos ouvem o galo cantar, nem sabem aonde, e já pensam em copiar projetos que nada têm a ver com nossa cidade. São Paulo conta com mais de cinco milhões de veículos, Londrina tem 5% desse número. Além disso, São Paulo é rota de passagem de carros, caminhões e ônibus entre o Sul e o Sudeste, Nordeste, Norte, além de ser um centro produtor e de abastecimento de todo Brasil. Sem ordenação no trânsito e sem rodízio, São Paulo viraria um caos.
Londrina ainda é uma cidade muito pequena para esse tipo de experiência, que só viria prejudicar os moradores e principalmente a grande quantidade de visitantes que obrigatoriamente chegam de cidades menores do entorno e que necessitam de médicos, hospitais e laboratórios – e não podem se dar ao luxo de obedecer a rodízios. Seria ótimo que essa péssima ideia fosse abortada no nascedouro.
“Se, do dia para noite, os bancos e as financeiras decidissem cobrar a dívida total das pessoas físicas, isto é, juros e o empréstimo principal, que chegou a R$ 653 bilhões em abril, cada brasileiro teria de entregar o equivalente a 4,8 meses de rendimento para zerar as pendências. Os cálculos levam em conta a estimativa da massa de rendimentos nacional, não apenas nas seis regiões metropolitanas.
Em dezembro de 2009, a dívida das famílias estava em R$ 485 bilhões, subiu para R$ 524 bilhões em abril do ano passado e, em abril deste ano atingiu R$ 653 bilhões. Apesar dos ganhos de renda registrados nesse período, as dívidas abocanharam uma parcela cada vez maior dos rendimentos da população. Quase um ano e meio atrás, a dívida equivalia a 35% da renda anual ou 4,2 meses de rendimento. Em abril deste ano, subiu para 40% da renda ou 4,8 meses de rendimento.
Depois da explosão do consumo no ano passado, Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomércio-SP, diz que as medidas de aperto no crédito editadas pelo do Banco Central no fim de 2010, a elevação dos juros e a redução dos prazos dos financiamentos tiveram grande influência sobre o aumento da dívidas das famílias neste início de ano. “
Só para complementar: se o brasileiro trabalha 148 dias para o governo, pagando impostos e mais 144 dias para pagar suas dívidas, a aritmética é simples: são 292 dias por ano já amarrados no vermelho. O ano só tem 365 dias. Quem explica esse milagre de sobrevivência?
“Já que é para fazer um senhor outdoor, vamos fazer algo impactante”, devem ter concluído anunciante e agência responsáveis por este visual gigantesco e mirabolante. Veja como aproveitaram a lateral do edifício, o pátio de estacionamento e até veículos e quiosque estacionados no pátio. Só o fato de aparecer em vários blogs do mundo já representa uma resposta de sucesso.
Quatro policiais da UPP (Unidades de Polícia Pacificadora) no Morro da Coroa faziam patrulhamento de rotina quando suspeitaram de três homens, por volta das 18h de ontem. Para fugir, o bando jogou uma granada em cima deles. Apenas um dos policiais não foi atingido. Um policial está internado em estado grave após ter sido atingido por uma granada, perdendo uma perna no local e, ao chegar no hospital, teve que amputar a outra. Outros dois policiais foram atingidos por estilhaços e passam bem.
O país da Copa vai indo cada vez melhor! Como Cabral sonhou!

O Maraca está em reformas. Os aeroportos deverão sofrer ampliações. A turma do Cabral está analisando o sistema viário. Os morros estão sob intervenção das UPPs. E o espírito carioca está a toda.
É só ver o que aconteceu ontem: um turista francês caiu de uma altura de cerca de 15 metros lá do alto dos Arcos da Lapa, quando viajava no bondinho de Santa Teresa. Julgando que estivesse no seu país natal, não reparou na insegurança do bondinho e se desequilibrou ao tentar tirar uma foto. Testemunhas disseram à polícia que a grade de proteção não estava fixada na mureta dos Arcos (provavelmente foi furtada para ser vendida como sucata).
Enquanto agonizava no chão, o turista perdeu a máquina fotográfica e a carteira, roubadas por moradores de rua.
Balas perdidas, butins, sequestros, arrastões, milícias, narcotráfico, criminosos agindo na madrugada… sim, o Rio está prontinho para a Copa do Mundo!

Lembrete para o caso dos materiais de construção das chamadas “casas populares” não atenderem aos requisitos mínimos de qualidade – geralmente ocasionados por desvios de verba, falta de controle e pura sem-vergonhice. O que não é novidade: essa charge eu já desenhara em 1998.
Eis David, uma das obras-primas de Michelângelo. Segundo o jornalista Daniel Hannan, eis como era e como ficou a escultura após uma turné de doze semanas nos Estados Unidos. Daniel tem certeza de que a culpa foi dos patrocinadores (veja as logomarcas) que não se limitaram apenas a cuidar da exposição, mas também de alimentar David.
Sabe aquela carinha extasiada, de encantamento, que crianças fazem quando recebem um presente de aniversário ou de Natal? Aquela carinha que nem precisaria de legendas, já que a imagem fala por si?
Pois é essa mesma cara que marmanjões de barba cerrada demonstram quando lidam com seus brinquedinhos novos: alarmes e alto-falantes (em geral bem altos mesmo).
Por toda cidade, cruzamos em plenas madrugadas com carros que trafegam pelas nossas principais avenidas ouvindo música ao máximo volume – em geral músicas bregas, dessas que a maioria nem tolera e que apenas demonstram o baixo nível cultural dos seus proprietários.
Ao mesmo tempo, é comum ouvir alarmes de automóveis disparando, mesmo dentro de seguras e vigiadas garagens de edifícios ou condomínios onde apenas um Mandrake muito habilidoso poderia subtrair o carro ou objetos nele trancados.
Essas pessoas acreditam ter o pleno direito de perturbar a vida do próximo sem se preocupar se estão ou não infringindo a lei.
A tal “classe emergente”, sem demérito para as suas profissões, somada aos filhinhos de papai que recebem polpudas mesadas para darem uns “rolés pelai” e que infelizmente não receberam educação de berço em casa, adoram exibir seus “possantes” e seus equipamentos perturbadores da ordem pública.
O interessante é que na roda da vida o troco vem a galope.
Muitos dos que pertencem à tal classe emergente já começaram a sentir os efeitos da “bolha de consumo” que este blog vem prenunciando há bom tempo: prestações atrasadas, dívidas, visitas forçadas aos bancos e penhoras estão na ordem do dia, que vão pegar de volta seus carrões, seu som e seus alarmes.
Por outro lado, aqueles filhinhos de papai estão terminando seus estudos, começam uma nova vida, casam, têm filhos… e ai do infeliz que futuramente soltar um som alto nas imediações do ex-perturbador.
Para essa turma de infantilizados, aqui se encaixa uma boa frase de para-choques de caminhão:
“Não jogue espinhos na estrada… na volta você pode estar a pé.”
Campanha antifumo que marcou fundo em Vancouver, Canadá. Texto do cartaz: “Mortes causadas por acidentes de carro: 370; Mortes em decorrência do hábito de fumar: 6.077″.
Em post anterior, mencionei o nome de Gino Meneghetti como exemplo do máximo de criminalidade que ocorria em São Paulo na década de 1950.
Aqui vão curtos extratos da reportagem de Rubens Ribeiro, e publicada no “Correio da Manhã” (que já não mais existe), do Rio, em 22 de junho de 1970. Meneghetti trocou várias vezes de identidade, durante sua rocambolesca carreira de ladrão e fora da lei; usou vários nomes, apelidos, diminutivos: Gino Amleto Meneghetti, Mario Mazzi, Antônio Garcia, Angelo Bianchi, Amleto Gino, Amleto detto Gino, e outros mais, que se perderam nos registros, nas esquinas escuras da cidade que era então São Paulo, provinciana, monótona, banhada levemente pela garoa matutina.
No dia 13 de junho de 1970, com 92 anos de idade, Amleto Gino Meneghetti tentou praticar o seu derradeiro golpe. No meio da noite, escolheu com cuidado uma casa da rua Fradique Coutinho, no bairro de Pinheiros (São Paulo) e forçava o portão, quando um carcereiro, que o observava de longe, surpreendeu-o na tentativa. Prendeu-o, levou à delegacia mais próxima e ficou sabendo que tinha nas mãos o mais famoso ladrão da história do crime no Brasil. Com 92 anos, acabou liberado pelo delegado. No local há uma placa lembrando o derradeiro rolo do ladrão, que morreria em 1976, aos 98. Meneghetti ganhou frequentemente as manchetes dos jornais, tanto pelos feitos quanto pelas prisões, fugas espetaculosas e aventuras em que, com veracidade ou não, esteve envolvido durante quase 60 anos de vida.
Em 4 de junho de 1926, São Paulo parou para ver a polícia perseguir Gino Meneghetti, àquela altura já uma lenda como ladrão. O cerco começou de madrugada, na região da atual cracolândia, e durou dez horas. Mobilizou 200 policiais e uma plateia de milhares de pessoas pelas ruas do centro. O quarteirão entre as ruas Santa Ifigênia, Vitória, dos Andradas e dos Gusmões foi todo cercado. Na troca de tiros, um delegado foi morto. Meneghetti pulou pelos telhados e se escondeu nos quintais, até se entregar, extenuado, após uma moradora descobrir que estava encolhido em seu forro. Foi preso incontáveis vezes, fugiu “pelo menos 17″, segundo ele mesmo calculou. A aura de “ladrão querido” o tornou objeto de vários livros, como o esgotado “Vida de Meneghetti: Memórias”, depoimento a M.A. Camacho; “O Incrível Meneghetti”, de Paulo José da Costa Jr., que por anos foi advogado do bandido; “O Lendário Meneghetti”, de Célia de Bernardi, “O Grande Ladrão”, de Renato Modernell e “Meneghetti, o Gato dos Telhados”, do jornalista e escritor Mouzar Benedito, além da pesquisa biográfica de Marcel Gomes e Antonio Biondi que complementa o retrato de um dos maiores larápios que São Paulo já conheceu. Esse trabalho traz ainda a história em quadrinhos, criada em 1976 por Luiz Gê para o jornal “Versus”, que inspirou o curta-metragem de Beto Brant sobre a história do italiano. A história até romântica de Meneghetti, “o bom ladrão”, é um contraponto à violência, frieza, animalidade e falta de sentimentos desta nova safra de criminosos que obrigam as pessoas de bem a viver confinadas em suas casas, protegidas por grades, cercas elétricas, câmeras de vídeo e seguranças armados, uma deterioração flagrante da nossa qualidade de vida e dos verdadeiros direitos humanos a que fazemos jus.