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Gino Meneghetti, o bom ladrão

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Em post anterior, mencionei o nome de Gino Meneghetti como exemplo do máximo de criminalidade que ocorria em São Paulo na década de 1950.

Aqui vão curtos extratos da reportagem de Rubens Ribeiro, e publicada no “Correio da Manhã” (que já não mais existe), do Rio, em 22 de junho de 1970. Meneghetti trocou várias vezes de identidade, durante sua rocambolesca carreira de ladrão e fora da lei; usou vários nomes, apelidos, diminutivos: Gino Amleto Meneghetti, Mario Mazzi, Antônio Garcia, Angelo Bianchi, Amleto Gino, Amleto detto Gino, e outros mais, que se perderam nos registros, nas esquinas escuras da cidade que era então São Paulo, provinciana, monótona, banhada levemente pela garoa matutina.
No dia 13 de junho de 1970, com 92 anos de idade, Amleto Gino Meneghetti tentou praticar o seu derradeiro golpe. No meio da noite, escolheu com cuidado uma casa da rua Fradique Coutinho, no bairro de Pinheiros (São Paulo) e forçava o portão, quando um carcereiro, que o observava de longe, surpreendeu-o na tentativa. Prendeu-o, levou à delegacia mais próxima e ficou sabendo que tinha nas mãos o mais famoso ladrão da história do crime no Brasil. Com 92 anos, acabou liberado pelo delegado. No local há uma placa lembrando o derradeiro rolo do ladrão, que morreria em 1976, aos 98. Meneghetti  ganhou frequentemente as manchetes dos jornais, tanto pelos feitos quanto pelas prisões, fugas espetaculosas e aventuras em que, com veracidade ou não, esteve envolvido durante quase 60 anos de vida.
Em 4 de junho de 1926, São Paulo parou para ver a polícia perseguir Gino Meneghetti, àquela altura já uma lenda como ladrão. O cerco começou de madrugada, na região da atual cracolândia, e durou dez horas. Mobilizou 200 policiais e uma plateia de milhares de pessoas pelas ruas do centro. O quarteirão entre as ruas Santa Ifigênia, Vitória, dos Andradas e dos Gusmões foi todo cercado. Na troca de tiros, um delegado foi morto. Meneghetti pulou pelos telhados e se escondeu nos quintais, até se entregar, extenuado, após uma moradora descobrir que estava encolhido em seu forro. Foi preso incontáveis vezes, fugiu “pelo menos 17″, segundo ele mesmo calculou. A aura de “ladrão querido” o tornou objeto de vários livros, como o esgotado “Vida de Meneghetti: Memórias”, depoimento a M.A. Camacho; “O Incrível Meneghetti”, de Paulo José da Costa Jr., que por anos foi advogado do bandido; “O Lendário Meneghetti”, de Célia de Bernardi, “O Grande Ladrão”, de Renato Modernell e “Meneghetti, o Gato dos Telhados”, do jornalista e escritor Mouzar Benedito, além da pesquisa biográfica de Marcel Gomes e Antonio Biondi que complementa o retrato de um dos maiores larápios que São Paulo já conheceu. Esse trabalho traz ainda a história em quadrinhos, criada em 1976 por Luiz Gê para o jornal “Versus”, que inspirou o curta-metragem de Beto Brant sobre a história do italiano. A história até romântica de Meneghetti, “o bom ladrão”, é um contraponto à violência, frieza, animalidade e falta de sentimentos desta nova safra de criminosos que obrigam as pessoas de bem a viver confinadas em suas casas, protegidas por grades, cercas elétricas, câmeras de vídeo e seguranças armados, uma deterioração flagrante da nossa qualidade de vida e dos verdadeiros direitos humanos a que fazemos jus.

  • por: Bahr-Baridades
  • Postado em: 21 de junho de 2011 às 10:31
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