Sabe aquela carinha extasiada, de encantamento, que crianças fazem quando recebem um presente de aniversário ou de Natal? Aquela carinha que nem precisaria de legendas, já que a imagem fala por si?
Pois é essa mesma cara que marmanjões de barba cerrada demonstram quando lidam com seus brinquedinhos novos: alarmes e alto-falantes (em geral bem altos mesmo).
Por toda cidade, cruzamos em plenas madrugadas com carros que trafegam pelas nossas principais avenidas ouvindo música ao máximo volume – em geral músicas bregas, dessas que a maioria nem tolera e que apenas demonstram o baixo nível cultural dos seus proprietários.
Ao mesmo tempo, é comum ouvir alarmes de automóveis disparando, mesmo dentro de seguras e vigiadas garagens de edifícios ou condomínios onde apenas um Mandrake muito habilidoso poderia subtrair o carro ou objetos nele trancados.
Essas pessoas acreditam ter o pleno direito de perturbar a vida do próximo sem se preocupar se estão ou não infringindo a lei.
A tal “classe emergente”, sem demérito para as suas profissões, somada aos filhinhos de papai que recebem polpudas mesadas para darem uns “rolés pelai” e que infelizmente não receberam educação de berço em casa, adoram exibir seus “possantes” e seus equipamentos perturbadores da ordem pública.
O interessante é que na roda da vida o troco vem a galope.
Muitos dos que pertencem à tal classe emergente já começaram a sentir os efeitos da “bolha de consumo” que este blog vem prenunciando há bom tempo: prestações atrasadas, dívidas, visitas forçadas aos bancos e penhoras estão na ordem do dia, que vão pegar de volta seus carrões, seu som e seus alarmes.
Por outro lado, aqueles filhinhos de papai estão terminando seus estudos, começam uma nova vida, casam, têm filhos… e ai do infeliz que futuramente soltar um som alto nas imediações do ex-perturbador.
Para essa turma de infantilizados, aqui se encaixa uma boa frase de para-choques de caminhão:
“Não jogue espinhos na estrada… na volta você pode estar a pé.”