Mês: julho 2011

 

Lá da minha janela

No lugar do infinito, prédios e mais prédios

Lá da minha janela…

Eu avistava a torre de microondas instalada na Av. Madre Leônia.

Eu avistava o céu azul e as nuvens formando as mesmas figuras surrealistas que povoavam meus sonhos de infância.

Eu avistava as revoadas barulhentas de passarinhos no comecinho da manhã e ao pôr-do-sol.

Eu avistava os descampados verde-claros e as tantas árvores que os pintavam de verde escuro.

Eu avistava os morros e montanhas que delimitavam o infinito.

Eu avistava os meus sonhos mais distantes.

De repente, assim do nada, bem de frente para a janela, começaram a surgir torres, torres, torres, todas com mais de vinte andares.

Logo depois, o ruído de máquinas denunciava a preparação de mais um terreno pronto para receber outros espigões.

E mais um. E outro. E outro mais.

Junto com o ruído de marteladas, guindastes, caminhões, máquinas, roldanas, carga e descarga, toda manhã cedinho passei a ouvir os escapamentos abertos, sons em alto volume, gritaria e xingamentos daqueles operários que jamais foram instruídos para respeitar o direito dos outros.

Terreno sendo preparado para receber nova construção. Lá se vão meu sol, minhas nuvens, meu céu azul, minha vista da cidade de Londrina...

Em breve, da única janela que me resta para avistar o céu e receber o sol da manhã, só restarão lembranças. Estarei cercado de torres, espigões e gente por todos os lados.

As construtoras chamam isso de progresso.

A Prefeitura chama isso de aumento de arrecadação.

Os jornais chamam isso de valorização da região.

Os comerciantes chamam isso de oportunidade para faturamento.

O Estado chama isso de redução do desemprego.

A União chama isso de aumento de moradias.

Eu mesmo ainda não sei como chamar.

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Para que serve a Prefeitura de Londrina?

“O secretário municipal de Obras e Pavimentação de Londrina, Aguinaldo Rosa, disse que a responsabilidade pela manutenção asfáltica não cabe ao município, que já faz o que é possível utilizando o material da Usina de Asfalto.”.

Estas declarações foram estampadas no Portal Odiario.com do dia 29/07 para quem quiser conferir. E ele continua: “Se você pega o Código Tributário, não tem que pavimentação e calçamento é (sic) de responsabilidade do município, mas sim do proprietário, com exceção das áreas de interesse público”, defendeu. Para o secretário, o recapeamento deveria ser cobrado como contribuição de melhorias, ou seja, como um tributo cobrado em obras públicas que trazem valorização aos proprietários de imóveis.

Oras bolas! Se a Prefeitura não é responsável pelo asfalto das ruas e avenidas, se a Prefeitura enfiou os pés pelas mãos no que se refere à Saúde (em Londrina a saúde pública está um verdadeiro caos), se a Prefeitura lava as mãos no que se refere à qualidade do ensino nas escolas municipais e nas licitações de livros didáticos, se a Prefeitura não tem gente especializada para melhorar o trânsito da cidade e reduzir o número de acidentes e atropelamentos, se a Prefeitura cria muralhas para a instalação de novas empresas na região, só resta a pergunta: para que serve a Prefeitura de Londrina?

Talvez então fosse melhor escolher uma empresa privada para gerir a cidade, utilizando a arrecadação de forma muito mais eficiente e transparente, com menos despesas e menos desvios. Garanto que as escolas funcionariam maravilhosamente bem, a saúde seria um exemplo para o país, as ruas e avenidas não teriam mais buracos e crateras e o trânsito estaria fluindo muito melhor e seria mais seguro.

Afinal, para que serve a Prefeitura?

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A CMTU e os velhinhos de Londrina

Londrina, CMTU, cartão de estacionamento para idosos: 

O velhinho se dirige à CMTU.

O velhinho é atendido num balcão.

O velhinho é informado de que precisa levar xérox da carteira de motorista e de comprovação de endereço.

O velhinho volta para casa.

O velhinho pega os documentos e vai tirar xérox.

O velhinho volta à CMTU.

O velhinho se dirige ao “Protocolo”.

O velhinho espera a vez.

O velhinho entrega os documentos.

O velhinho volta para casa.

O velhinho precisa voltar à CMTU depois de três dias úteis.

Finalmente, o velhinho sai com o cartão de estacionamento, com direito a utilizar as poucas vagas espalhadas em lugares incertos e não sabidos de Londrina, já que não há nenhum mapa à disposição.

Num país civilizado qualquer, em qualquer parte do mundo:

Sem pedir, o velhinho já recebe em casa um cartão de estacionamento. Afinal, ele está registrado no departamento de trânsito local, que possui seus dados (idade, número da carteira de habilitação e endereço) e ao completar 60 anos (e não 65, como em Londrina, o que contraria o Estatuto do Idoso) automaticamente receberá seu cartão.

Ou, o velhinho vai ao órgão responsável e solicita o cartão. Ele não precisa apresentar nenhum documento, sua palavra é mais do que suficiente e já sai com o cartão.

Ou, o velhinho vai ao órgão competente, apresenta um simples documento e já sai com o cartão.

A CMTU de Londrina vive nas trevas da burocracia portuguesa do princípio do Século XVI (1500, para quem não sabe). Seu sistema provavelmente foi criado para abrigar um bando de apaniguados: uma pessoa para atender no balcão, outra para atender no “Protocolo”, outra para conferir os documentos, outra para confeccionar o cartão de estacionamento, outra para entregar o cartão. Foram incapazes de colocar uma pessoa suficientemente inteligente que fizesse divulgar ao público os procedimentos necessários para a obtenção do cartão de idoso e que não obrigasse aos velhinhos a três idas à sua sede, onde sabidamente há dificuldades para se estacionar – e nenhuma vaga para idosos! 

Logo depois o velhinho descobre como é difícil encontrar uma vaga para idosos em Londrina. Ou, ao encontrar a vaga, percebe uma moto de algum jovem estacionada em seu lugar. Ou, tenta estacionar defronte ao Carrefour nas  vagas reservadas e é obrigado a discutir com jovens motoristas que lá estacionam seus carros, sendo desafiado e xingado, sem qualquer controle ou punição.

Estou quase supondo que a CMTU e Londrina não gostam dos seus velhinhos!

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Nas terras de Nhonhô Sarney

O jornal Folha de São Paulo trouxe um levantamento sobre a pobreza no Brasil e, como seria de se esperar, quem levou a taça foi novamente o Maranhão.

Quem assiste a pose senhorial do presidente do Senado e membro da Academia Brasileira de Letras – o que faz dele, infelizmente, um imortal, sinal de que teremos de aturá-lo indefinidamente – não imagina o horror e a miséria que se espalham por suas terras. São 1,7 milhão de pessoas– 25% da sua população – vivendo com até R$ 70 mensais.

O que não se comenta é a absoluta incompetência, falta de ideias, falta de vontade e em contrapartida o interesse da família Sarney em manter o Estado do Maranhão nessa miséria biafrense. Pois a atual governadora é a filha pródiga e juridicamente intocável (lembra-se do dinheiro ilegal que foi encontrado na casa dela por época da sua eleição perdida?), que está na sua quarta gestão como governadora – serão 16 anos realizando nada, nada, absolutamente nada, pela erradicação da pobreza.

Sarney também já governou o Maranhão de1966 a1971, num interregno da sua “atuação” parlamentar e presidencial. O resultado: zero!

Em estudo de 2008 no qual analisa a economia do Estado, o economista Benjamin de Mesquita, da Universidade Federal do Maranhão, afirma que falta “comprometimento com o desenvolvimento local dos governos que se sucedem” (uma forma muito educada de chamar os Sarneys de incompetentes). Em 1969 foi aprovada a Lei de Terras, durante o governo Sarney, que limitou a agricultura familiar. A lei vendeu terras do Estado para grandes projetos agropecuários e causou uma concentração fundiária: muita terra para agronegócios e terra nenhuma para pequenos agricultores.

O resultado desse cenário maranhense é que, dos 20 municípios com menor renda média do Brasil, 14 são maranhenses. No Estado, o rendimento médio mensal domiciliar, por pessoa, é de R$ 404,99, o menor rendimento do Brasil.

Sempre que se cita Sarney, Sarneyzinha e o Maranhão, não sei bem porquê, os associo imediatamente ao  Haiti, à Uganda, à Biafra. à Etiópia, à Somália e à fome absoluta. Provavelmente a família Sarney e os déspotas africanos são farinha do mesmo saco, fabricados na mesma moldagem, com os mesmo objetivos, ou seja, com a mesma falta de clarividência, incapacidade política, ignorância administrativa e incompetência para tirar seus conterrâneos da miserabilidade. Ou são todos inteligentes demais, a ponto de manterem seus conterrâneos propositadamente na pobreza absoluta para dominá-los eternamente.

Se o Brasil fosse um país sério… ah! se o Brasil fosse um país sério, a família Sarney já teria sido banida e estaria revendo suas teses malignas sentada nua em cima de algum iceberg perdido na Antártida.

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Orgulhe-se do Ministério dos Transportes!

Este vídeo foi publicado no domingo no jornal Folha de São Paulo, junto com matéria do repórter Pedro Leal Fonseca, que percorreu cem quilômetros BR-020, que liga Fortaleza ao interior do Ceará, no trecho entre a capital cearense e o município de Canindé. O jornalista verificou que o motorista precisa atravessar 40 quilômetros em baixa velocidade, desviando de crateras de até 10 metros de extensão com a visão prejudicada pelo barro que toma o lugar do asfalto. Só em 2011, esse trecho concentrou 320 acidentes, com 18 mortes. Carros, carretas, motos e ônibus sobem e descem nas encostas, invadem o acostamento (onde ele existe) e, eventualmente, sem alternativas, param e esperam que os veículos da pista contrária passem, para então seguir na contramão.

Em maio, o governador Cid Gomes (PSB) chamou o Dnit, responsável pela estrada, de “antro de roubalheira” e o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), de “incompetente e desonesto”. Agora toda a cúpula da pasta foi demitida, sob acusações de corrupção.

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