Mês: setembro 2011

 

Comercial censurado: hipocrisia ou racismo?

Surpreendentemente, a Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal pediu ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) a suspensão do campanha publicitária “Hope ensina”, que traz a modelo Gisele Bündchen mostrando a “melhor maneira” de contar más notícias ao marido. Nos vários comerciais da série, a top model brasilera aparece usando roupas normais classificadas como “erradas” ao pedir alguma coisa ao marido e em seguida, usando apenas lingerie, sugere a forma “correta”. Para a secretaria, “a propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas” e acredita que o comercial reforça a discriminação contra a mulher, o que infringe a Constituição Federal.

A linda Gisele Bündchen e a secretária... bem, faça seu julgamento

Parece que o pedido de suspensão ocorreu porque a linda Gisele é loira, rica e bem sucedida, reconhecida como beleza e sexualidade em todo o mundo. Para os padrões do apedeuta ex-presidente Lula, os loiros, incluindo Gisele, representam a classe social culpada por todas as mazelas brasileiras. Faça uma comparação entre as duas mulheres, a linda Gisele e o bofe que está à frente da Secretaria das Políticas para Mulheres, um verdadeiro atentado contra a luxúria. Quem garante que o pedido de suspensão do comercial não inclui um certo ranço de inveja?

Se a Secretaria seguisse à risca seus princípios de “moralidade”, deveria tirar do ar mais da metade dos programas de tevê da rede aberta, que não param de expor as mulheres – aí, sim – como objetos sexuais.

Veja a série de mulheres-objeto que são mostradas diariamente ao público, sem que a Secretaria das Políticas para Mulheres se manifeste ou dê o ar da sua graça. Que hipocrisia!

Rita Cadilac. Enfiar o bumbum diretamente na lente da câmera de tevê, pode!

Bailarinas do Faustão. Danças sensuais e provocativas, pode!

Banheira do Gugu, lembra? Sacanagem, seios de fora e... valia tudo!

Gretchen. Poses sensuais, provocações, a verdadeira mulher-objeto. Essa pode!

As tais "Panicats". Seminuas, há até acusações de prostituição feitas por uma delas. Essas podem!

Mulher Melancia. Carne por todos os lados. Ah! Essa não é loira, ela pode!

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Se a justiça é frágil, o INSS endureceu

Em posts anteriores, mostramos como são frágeis as decisões judiciais quando se trata de condenar motoristas que, ao dirigirem embriagados, sob efeito de entorpecentes ou medicações, menores de idade e até sem carteira de habilitação, assassinaram ou mutilaram outras pessoas.

Poucos motoristas são condenados à prisão – o que está gerando uma enorme revolta na sociedade –  e quando o são, cumprem penas leves e de lá partem lépidos e sorridentes para novas arruaças e novos crimes sobre rodas.

Agora o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) está fazendo as vezes da justiça – com muita razão – e pretende entrar com ações contra motoristas que cometeram infrações graves, cobrando a devolução dos valores que toda a sociedade pagou para as vítimas.

“Nós vamos fazer uma triagem para ter certeza de que as pessoas contra quem vamos ajuizar as ações efetivamente tenham concorrido com culpa ou dolo em situações graves, como dirigindo em embriaguez, alta velocidade, na contramão” afirmou o presidente do INSS. “O INSS está fazendo convênios com os Ministérios Públicos, com a Polícia Rodoviária Federal, com as polícias rodoviárias estaduais, com os Detrans, exatamente para que a gente levante informações de todos os acidentes de trânsito.” Ele se refere aos casos graves, em que o motorista que causou o acidente foi condenado por homicídio doloso – quando assume o risco de matar -, para entrar com os primeiros processos cobrando os valores da pensão paga à família da vítima.

Pesquisas preliminares mostram que o instituto gasta R$ 8 bilhões por ano com o pagamento de benefícios como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e pensão gerados por acidentes de trânsito. Na justiça, tudo tem ficado por isso mesmo. Mas que se precavenham os infratores: as primeiras ações devem ser iniciadas em outubro.

Se para estes criminosos a cadeia não têm efeito, mexer nos seus bolsos certamente terá.

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Publicidade do governo chega a R$ 1 bi

A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) é o órgão que seleciona as agências de publicidade que disputam licitações para fazer a propaganda do governo federal. Em agosto último, foram licitadas verbas de R$ 150 milhões por ano, apenas para a propaganda institucional. Verbas de publicidade de utilidade pública, como as campanhas de vacinação, estão em outro pacote. A propaganda das estatais também. Ao todo, os gastos com publicidade do governo devem atingir aproximadamente R$ 1 bilhão neste ano. Além disso, as estatais aplicam verbas mirabolantes em publicidade, como pode ser visto na relação mais abaixo, onde se percebe que só a Caixa Econômica federal dispõem sozinha de quase outro bilhão de reais e o Banco do Brasil mais a Petrobrás, de outro bilhão.

Desde 2003, até o ano passado, o governo petista aumentou em 1.522% o valor “investido” em rádios, TVs, jornais, revistas e “outros”. A categoria “outros” inclui portais de internet, blogs, comerciais em cinemas, carros de som, barcos e publicidade estática, como outdoors ou painéis em aeroportos.

Chama a atenção o aumento do número de “outros”. Em 2003, eram apenas 11. Em 2010 chegou a 2.512. A informação do governo é que a maioria é composta por sites e blogs na internet.

Quando Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora, o número foi para 8.094. No ano passado, ano eleitoral em que Dilma disputou e venceu as eleições para presidente, 1.047 novos meios de comunicação passaram a receber recursos de publicidade federal. Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e “outros” estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram apenas 182 municípios. O valor total gasto nos dois mandatos de Lula, até outubro de 2010, foi R$ 9,325 bilhões.

Mesmo com estas estatísticas dadas a público, ainda há buracos negros no processo. Não se sabe quais são os veículos que recebem verba de publicidade estatal nem quanto cada um ganha.

Pode ser estabelecida uma comparação entre os maiores anunciantes brasileiros em 2010, através do levantamento feito pela Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda):

1º Casas Bahia – 3.095.281.000

2º Unilever – 1.930.001.000

3º Hyundai Caoa – 1.324.532.000

4º Ambev – 1.241.776.000

5º Caixa Econômica Federal – 980.808.000

6º Bradesco – 926.195.000

7º Fiat – 876.904.000

8º Reckitt Benckiser – 830.084.000

9º Procter & Gamble – 734.267.000

10º Volkswagen – 702.970.000

11º Petrobras – 663.488.000

12º Cervejaria Petrópolis – 659.327.000

13º Grupo Pão de Açúcar – 649.518.000

14º Ford – 627.149.000

15º GM – 607.303.000

24º Banco do Brasil – 433.566.000

O que pode ser discutido aqui é a destinação das verbas de três estatais (Caixa Econômica Federal, Petrobrás e Banco do Brasil) incluídas acima e seu volume de dinheiro público despendido.

Depois das amargas notícias emanadas no caso do “Mensalão”, quando os bancos Rural e BMG, aparentemente serviram de fachada para “desovar” o dinheiro público que alimentava a corrupção, sob a intermediação de um pseudo-publicitário, o carequinha Marcos Valério e suas agências de propaganda, resta sempre a dúvida do porquê destas verbas astronômicas nas mãos das estatais. Ao contrário de uma Casa Bahia, de uma Ambev, de uma Fiat e de outras empresas que precisam suar a camisa para cativar seu público comprador, induzir clientes a comprarem seus produtos e apresentar constantemente inovações e promoções, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil mantêm contas-correntes do funcionalismo público, das próprias estatais federais, estaduais e municipais, do financiamento público, das cobranças judiciais, etc.,  e a Petrobrás detém o monopólio petrolífero brasileiro, ou seja, todas elas detêm um mercado cativo para o qual bastariam apenas informações e divulgação técnico-institucionais e verbas para ampliação do seu mercado potencial. Mas tanta verba assim?

Qual é afinal a verdadeira destinação das suas verbas publicitárias? Acho que não é necessário ligar os pontinhos nem desenhar, para que se entenda a finalidade de tanto dinheiro público espalhado por aí sob a forma de publicidade.

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Sonhos juvenis

Quem nunca sonhou em achar um tesouro?

Imagens de arcas sendo abertas e revelando joias, ouro, diamantes, rubis, esmeraldas e moedas antigas sempre povoaram as histórias e fantasias da humanidade.

Pois algumas pessoas têm mais sorte do que outras: chega-nos a notícia de que um tesouro estimado em R$ 430 milhões está prestes a vir à superfície, a 480 quilômetros da costa da Irlanda, encontrado no navio SS Gairsoppa, que foi afundado pelos alemães em 1941, durante a 2ª Guerra Mundial, uma das muitas embarcações britânicas atacadas pelos alemães no Atlântico Norte durante a guerra

A diferença em relação aos nossos sonhos infanto-juvenis é que já não são pessoas físicas que se dedicam a estas novas caças a tesouros. Agora são empresas formalmente constituídas, com grandes aportes de capital e dotadas de equipamentos modernos, que saem à caça de velhos tesouros após anos de estudos e investimentos em pesquisas.

Esta embarcação foi localizada pela empresa americana Odyssey Marine a mais de 4 mil metros de profundidade, no leito do Oceano Atlântico. A empresa recebeu do governo britânico o direito de ficar com 80% da carga após resgatar o navio. É a primeira vez que se fará um resgate a esta profundidade.

O SS Gairsoppa havia zarpado da Índia com destino a Liverpool em dezembro de 1940, carregando 200 tonelada de prata e 40 toneladas de ferro e chá e por causa das condições meteorológicas e da falta de combustível, teve de se distanciar do comboio militar que integrava, sendo atacado pelo submarino alemão U101 em fevereiro de 1941 e afundou.

Apenas um dos 85 tripulantes do SS Gairsoppa sobreviveu ao ataque. Todos os outros morreram durante o naufrágio ou quando tentavam alcançar a costa em botes infláveis.

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