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Publicidade do governo chega a R$ 1 bi

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A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) é o órgão que seleciona as agências de publicidade que disputam licitações para fazer a propaganda do governo federal. Em agosto último, foram licitadas verbas de R$ 150 milhões por ano, apenas para a propaganda institucional. Verbas de publicidade de utilidade pública, como as campanhas de vacinação, estão em outro pacote. A propaganda das estatais também. Ao todo, os gastos com publicidade do governo devem atingir aproximadamente R$ 1 bilhão neste ano. Além disso, as estatais aplicam verbas mirabolantes em publicidade, como pode ser visto na relação mais abaixo, onde se percebe que só a Caixa Econômica federal dispõem sozinha de quase outro bilhão de reais e o Banco do Brasil mais a Petrobrás, de outro bilhão.

Desde 2003, até o ano passado, o governo petista aumentou em 1.522% o valor “investido” em rádios, TVs, jornais, revistas e “outros”. A categoria “outros” inclui portais de internet, blogs, comerciais em cinemas, carros de som, barcos e publicidade estática, como outdoors ou painéis em aeroportos.

Chama a atenção o aumento do número de “outros”. Em 2003, eram apenas 11. Em 2010 chegou a 2.512. A informação do governo é que a maioria é composta por sites e blogs na internet.

Quando Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora, o número foi para 8.094. No ano passado, ano eleitoral em que Dilma disputou e venceu as eleições para presidente, 1.047 novos meios de comunicação passaram a receber recursos de publicidade federal. Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e “outros” estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram apenas 182 municípios. O valor total gasto nos dois mandatos de Lula, até outubro de 2010, foi R$ 9,325 bilhões.

Mesmo com estas estatísticas dadas a público, ainda há buracos negros no processo. Não se sabe quais são os veículos que recebem verba de publicidade estatal nem quanto cada um ganha.

Pode ser estabelecida uma comparação entre os maiores anunciantes brasileiros em 2010, através do levantamento feito pela Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda):

1º Casas Bahia - 3.095.281.000

2º Unilever - 1.930.001.000

3º Hyundai Caoa - 1.324.532.000

4º Ambev - 1.241.776.000

5º Caixa Econômica Federal - 980.808.000

6º Bradesco - 926.195.000

7º Fiat - 876.904.000

8º Reckitt Benckiser - 830.084.000

9º Procter & Gamble - 734.267.000

10º Volkswagen - 702.970.000

11º Petrobras - 663.488.000

12º Cervejaria Petrópolis - 659.327.000

13º Grupo Pão de Açúcar - 649.518.000

14º Ford - 627.149.000

15º GM - 607.303.000

24º Banco do Brasil - 433.566.000

O que pode ser discutido aqui é a destinação das verbas de três estatais (Caixa Econômica Federal, Petrobrás e Banco do Brasil) incluídas acima e seu volume de dinheiro público despendido.

Depois das amargas notícias emanadas no caso do “Mensalão”, quando os bancos Rural e BMG, aparentemente serviram de fachada para “desovar” o dinheiro público que alimentava a corrupção, sob a intermediação de um pseudo-publicitário, o carequinha Marcos Valério e suas agências de propaganda, resta sempre a dúvida do porquê destas verbas astronômicas nas mãos das estatais. Ao contrário de uma Casa Bahia, de uma Ambev, de uma Fiat e de outras empresas que precisam suar a camisa para cativar seu público comprador, induzir clientes a comprarem seus produtos e apresentar constantemente inovações e promoções, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil mantêm contas-correntes do funcionalismo público, das próprias estatais federais, estaduais e municipais, do financiamento público, das cobranças judiciais, etc.,  e a Petrobrás detém o monopólio petrolífero brasileiro, ou seja, todas elas detêm um mercado cativo para o qual bastariam apenas informações e divulgação técnico-institucionais e verbas para ampliação do seu mercado potencial. Mas tanta verba assim?

Qual é afinal a verdadeira destinação das suas verbas publicitárias? Acho que não é necessário ligar os pontinhos nem desenhar, para que se entenda a finalidade de tanto dinheiro público espalhado por aí sob a forma de publicidade.

  • por: Bahr-Baridades
  • Postado em: 28 de setembro de 2011 às 8:12
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