Mês: dezembro 2011



Zanta Catarrrrina!

Ainda bem que estou em ótima companhia.

Porque praia com chuva é um saco.

E o município de Itapoá está muito mal administrado: há lixo espalhado pelas ruas, inexistem calçadas, há trechos de terra/areia intercalados com asfalto dificultando a ligação para o novo porto e até agora ainda não vi um único gari limpando as ruas nem as praias.

Praias que estão simplesmente desaparecendo: a faixa de areia está cada vez mais estreita e a maré alta já está destruindo terrenos, ruas e casas construídas à beira-mar.

Para tentar salvar seus imóveis, os proprietários estão colocando enormes pedras na frente das suas casas – mas a natureza obviamente é muito poderosa, as pedras vão se espalhando pela areia – e a erosão segue avante, provocando destruição e feiúra.

Sites e o jornal local acusam o novo porto – que fechou parte da baía de Babitonga – como o responsável pela subida da maré e consequente erosão, abrindo uma discussão que parece arrastar-se ad infinitum.

Quem, como eu, imaginou que Itapoá pudesse ter as características típicas da ordem e dos cuidados que os descendentes de alemães plantaram em Santa Catarina, descobre que o município incorpora muito mais o jeitão brasileiro de governar: desleixo, desinteresse pelos turistas, falta de informações, falta de placas indicativas e falta de infra-estrutura (redes de água e esgotos).

Curiosamente, encontramos aqui em Itapoá o Baiti, um hotel 5 estrelas de alto luxo com um jardim e deck que levam diretamente à praia, obviamente muito bem cuidada e seu restaurante Tikay, sob direção de uma paranaense que estudou gastronomia na Espanha. Lá encontramos também uma figura formidável, que nos proporcionou uma história de Natal com algumas pitadas de emoção – que contarei em outra oportunidade.

Itapoá conta também com o restaurante Casa Portuguesa, cujo simpático dono se esmera em agradar sua freguesia, com certeza, ora, pois, pois e outros ótimos restaurantes, que compensam o tempo chuvoso e o olhar crítico do blogueiro que lhes escreve. Mas que a chuva é um saco, isto é.

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Bahr-baridades sai de férias

Afinal, além do Iron Man, ninguém é de ferro. 

Vamos fazer uma merecida pausa no blog para colocar em ordem os neurônios, cuidar para que não aconteça a LER (lesão por esforços repetitivos), ajeitar a postura da coluna e pegar uma bela praia em Santa Catarina.

Se houver oportunidade, incluirei um ou outro post durante essa jornada.

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Hipócrates & Hipocrisia

Hipócrates

“Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:

Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes. 

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.

A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

O juramento de Hipócrates é uma declaração solene tradicionalmente feita por médicos por ocasião de sua formatura. Acredita-se que o texto seja de autoria de Hipócrates ou de um de seus discípulos.

O outro lado:

Derek Boogaard, falecido jogador de hóquei

O canadense Derek Boogaard, ex-jogador da liga norte-americana de hóquei, falecido em maio deste ano, apresentava uma doença chamada trauma crônico encefálico, causada por pancadas na cabeça. O diagnóstico foi feito pela Universidade de Boston. O atleta morreu com apenas 28 anos por uma overdose de analgésicos e álcool. Sofria de desmaios, lapsos de memória e depressão. Passou por clínicas de reabilitação para tentar se livrar do vício nos medicamentos, ficou fora de jogos por concussões. Tomava analgésicos para minimizar dores causadas pelas lutas. Boogaard era o chamado “enforcer”, ou seja, o jogador responsável por brigar na quadra com os adversários – parte do jogo – e sua principal função era trocar socos com rivais.

“Ele estava sempre com dor. Tomava as pílulas que todos nós tomamos”, contou um ex-colega de Boogaard, também “enforcer”, que admitiu ser viciado em analgésico.

Outros dois jogadores que também exerciam a mesma função se suicidaram neste ano.

O uso excessivo desses medicamentos e graves efeitos de choques na cabeça também são verificados na liga de futebol americano.

A Universidade de Boston já diagnosticou que 20 ex-atletas mortos da NFL sofriam do trauma crônico no cérebro.

No hóquei, Boogaard recebeu até 11 prescrições de analgésicos, em total de 370 tabletes, em uma temporada. Viciado, passou a comprá-los no mercado negro também.

Kevin Payne, falecido lutador de boxe

Outro esporte violento é o boxe: o levantamento mais completo que já se fez sobre mortes no ringue registra 1 255 óbitos em 72 países, entre 1741 e 2005. Claro que essa lista não pode ser tomada como definitiva, pois muitas lutas de boxe acontecem à revelia das federações e da imprensa. Se todas seguissem as normas de segurança do boxe amador, mortes no ringue seriam tão incomuns quanto as mortes no futebol. Mas, quando a troca de socos vale dinheiro, a coisa muda de figura: as luvas são mais duras, o número de rounds é bem maior e os pugilistas não usam proteção no rosto, como os amadores. A maioria das mortes acontece em função de lesões cerebrais, que nem sempre levam instantaneamente à morte, como o caso do americano Kevin Payne, que morreu em março deste ano com 34 anos de idade, em decorrência de um edema cerebral, um dia após lutar com o compatriota Ryan Maraldo. Payne chegou ao final da luta inteiro e venceu a disputa. Isso acontece porque nem sempre pancadas na cabeça geram grandes vazamentos de sangue, mas sim pequenas hemorragias, que matam as células cerebrais pouco a pouco. Quando não matam, essas lesões repetitivas podem causar danos irreversíveis, como o mal de Parkinson. Lembram-se de Joe Louis?

Tanto o hóquei como as lutas de boxe – e outros esportes ditos violentos – são supervisionados por médicos, que juraram proteger e lutar pela vida de terceiros. A que conclusões pode-se chegar após a leitura destes relatos?

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Dez regras de ouro dirigidas a motoqueiros. Só aos malucos.

1 –Aprenda a calcular o tempo de ultrapassagem de veículos. Muitos motoqueiros são tão ignorantes em relação às leis da física que conseguem a proeza de dar uma fechada e, ou criam um inimigo em potencial (*), ou se arrebentam na rua.

2 – Não ziguezaguear entre os automóveis: é muito fácil se enroscar em algum deles e se estatelar no chão.

3 – Não trafegar entre as faixas onde circulam veículos. Aguardar a hora certa para a ultrapassagem. O risco é dos motoqueiros, nunca dos motoristas.

4 – Não imprimir velocidade excessiva quando cometer a burrada de circular entre as faixas: algum motorista pode subitamente mudar de faixa sem sinalizar.

5 – Nunca ultrapassar pela direita. Os automóveis possuem um ponto cego no espelho retrovisor e os motoristas não enxergam o motoqueiro. Aí, bau-bau motoqueiro!

6 – Nunca dar uma de gostosão para se exibir com a sua super-moto: acelerar subitamente o motor quando estiver ultrapassando algum motorista inadvertido pode causar sustos e acidentes.

7 – Esqueça sua pressa: muitas vezes os motoristas também estão apressados. Pessoas normais têm horários, compromissos, fazem cirurgias (principalmente de motoqueiros acidentados), levam doentes ao hospital ou são mais malucos que os motoqueiros e detestam levar alguma fechada (*).

8 – Não imagine que motoristas sejam lerdos ou dirijam mal: a maioria deles está sempre nos limites de velocidade permitidos e dentro da lei. Ao contrário dos motoqueiros.

9 – Nunca cruze esquinas como se fosse um kamikaze. O mais fraco SEMPRE será o motoqueiro.

10 – Lembre-se: em caso de acidente, o mais prejudicado será você. Um carro consegue se equilibrar muito melhor nas quatro rodas. Muito melhor!

Se você não quiser acabar com pedaços do seu cérebro espalhados ao lado de um poste, usar aparelhos e pinos nas pernas e braços imobilizado em alguma cama hospitalar, passar meses engessado, trocar a moto por uma cadeira de rodas e, principalmente, se você tem pais, mulher e filhos que dependem da sua integridade física… não se faça de bobo, de arrogante ou, pior ainda, de paspalho. Dê uma boa lida nessas 10 regrinhas de ouro e jamais diga depois que não foi avisado.

(*) Se há motoqueiros malucos por aí, também há motoristas mais malucos ainda, que andam armados e gostam de sair à caça de paspalhos provocadores.

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Trem-bala brasileiro: orgia orçamentária

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) planeja realizar em fevereiro de 2012 a primeira etapa do leilão de concessão do trem-bala, que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, o projeto conhecido como Trem de Alta Velocidade (TAV) ou trem-bala.

O projeto prevê 400 km de extensão e sua previsão de recursos começou com R$ 9 bi, foi para R$ 15 bi, passou para R$ 33 bilhões e agora se fala que R$ 55 bi não serão suficientes.

Seria interessante comparar nosso trem-bala com o trem-bala chinês, que custou  4,1 bilhões dólares para 1.956 km de extensão, com a construção finalizada um ano antes do previsto. Atravessou as  altas montanhas do Himalaia que se situam a 5.000 metros de altitude, os trabalhadores na construção tiveram que usar máscaras de oxigênio e câmaras pressurizadas para poderem trabalhar. Sempre que possível a ferrovia passa em pistas elevadas para permitir a passagem dos animais em migração natural, minimizando o impacto ambiental. Dos 1.956 km de extensão da ferrovia, 500 km atravessaram solos que ficam congelados no inverno e viram lama no verão. Imagine-se o processo de  contração e expansão que ocorre em tal tipo de terreno e a tecnologia empregada e que até então era desconhecida. Sobre esse tipo especial de solo foi construída uma ponte de 11,7 km. Por causa da altitude os carros de passageiros têm que ser pressurizados como os aviões.

Digamos que os 4,1 bilhões de dólares americanos tenham sido gastos somente para a estrutura da ferrovia e que não estariam aí incluídos o custo dos trens em si. Considerando o preço de uma locomotiva a USD$5.000.000,00; 20 carros de passageiros a USD$2.000.000,00, cada, teríamos uma composição com o custo de $45 milhões de dólares. Estimando 10 composições para trafegar nesses 1.956 km, seriam mais 450 milhões de dólares. Vamos exagerar, digamos que os trens custassem 1 bilhão de dólares. Aí o custo dessa ferrovia chinesa teria ficado em… 5 bilhões de dólares americanos!

Pois em 22 de abril de 2011 recalcularam o custo do trem-bala brasileiro, trecho Rio/SP, para algo em torno de 55 bilhões de reais. Se considerarmos a taxa de câmbio a R$1,70 (ela é mais alta hoje), teríamos o custo de 32 bilhões de dólares americanos! Para aonde irá toda essa diferença de dezenas de bilhões de dólares?

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Ditaduras hereditárias

Você se lembra de ter estudado sobre as capitanias hereditárias nas aulas de História? Segundo os livros escolares, no ano de 1534, dando continuidade ao projeto de tomada de posse, o rei dom João III dividiu a nova colônia em quinze faixas de terra e cada uma delas integraria o sistema de capitanias hereditárias. Nesse sistema, o rei entregava uma capitania a algum membro da corte de sua confiança que, a partir de então, se transformava em capitão donatário e aquele que recebia o título de capitão donatário não poderia realizar a venda das terras oferecidas, mas tinha o direito de repassá-las aos seus descendentes.

A Coréia do Norte parece utilizar o mesmo sistema, só que sob a figura de “ditadura hereditária”. Pois acaba de falecer o ditador Kim Jong-il, após ataque cardíaco e tudo indica que Kim Jong-un, filho mais novo de Kim Jong-il, será o “grande sucessor do sistema revolucionário” da Coreia do Norte, indicado pelo pai há cerca de um ano. Jong-il ficou 17 anos no poder.

O que surpreende neste Século XXI é a submissão de milhões de norte-coreanos, aceitando a passagem de poder de pai para filho com a naturalidade dos conformistas, sem contestação, sem voz, sem contradições, sem agitações políticas, eternamente sob os coturnos dos milhares e milhares de soldados a soldo do ditador.

Mas que fique registrado: a história vive se repetindo. Assim como um dia as capitanias hereditárias tiveram fim, com certeza a ditadura linha dura da Coréia do Norte sofrerá um revés, o povo acordará, se livrará desse pesadelo e o “herdeiro do trono” sofrerá uma reviravolta política – provavelmente com muito derramamento de sangue. Como sói acontecer nas ditaduras.

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Medindo a honestidade

Dias antes do jogo entre Benfica e Sporting (1-0), a Coca-Cola decidiu pôr à prova a honestidade dos torcedores. No estádio da Luz, perto das bilheteiras, foi deixada uma carteira no chão com um cartão de sócio do Sporting e um bilhete para o clássico . O objetivo era avaliar se as pessoas iriam devolver a carteira ou ficar com ela.

95% das pessoas devolveram a carteira, atitude que foi filmada por várias câmaras ocultas. Para recompensar a honestidade daqueles que não se deixaram tentar, a Coca-Cola ofereceu um bilhete para o jogo.

No dia do jogo, antes do apito inicial, o vídeo foi exibido nas telas gigantes do estádio da Luz, perante os aplausos de mais de 60 mil pessoas. Numa altura em que os portugueses se preparam para enfrentar inúmeras medidas de austeridade, a Coca-Cola quis divulgar uma mensagem diferente: “Há razões para acreditar num mundo melhor.”

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Idosos pra frentex… ou?

Pela segunda vez me deparo com a mesma cena: um novo mercado de Londrina, em frente ao Lago Igapó II, nos mostra vagas para idosos (muito bem sinalizadas) ocupadas por motos.
Da primeira vez, havia duas vagas de idosos ocupadas por várias motos emparelhadas e recebi como resposta do responsável pelo estacionamento que, visto o mercado estar com muita frequência e não terem sobrado outras vagas, disponibilizaram o espaço para um grupo de motoqueiros – que não eram idosos, diga-se de passagem.

Ontem à noite a mesma cena se repetiu: desta vez duas motos incrementadas ocupavam uma das vagas reservadas para os idosos.

Ou os donos das motos eram velhinhos bem pra frentex, o que duvido, ou o mercado está infringindo escandalosamente a lei e fazendo o que grande parte dos londrinenses já está habituada: ignorando os direitos dos idosos, marginalizando-os, jogando-os para escanteio.

Nem é tão surpreendente para quem, como eu, leu um dia num dos jornais locais que “lugar de velhinho é em casa, pois só ficam ocupando espaço nos ônibus e nas filas de banco, só atrapalham quem precisa trabalhar”.

Neste assunto, Londrina ainda é terra de jacus. Os mais jovens que assim agem e o tal mercado em frente ao Lago Igapó II têm muito a aprender – e a fiscalização precisaria ser muito mais atuante.

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