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Justiça com lentes coloridas

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Coincidindo com nosso post “O Supremo votou pelas cotas. Agora a sociedade exige reciprocidade”, reproduzimos editorial do jornal O Estado de São Paulo de 28/4, que aborda o mesmo problema: o ensino nos níveis fundamental e médio. Foi exatamente este o foco em que responsabilizamos a família (e por conseguinte o estado). Enquanto o estado não promover a mudança da família, impondo a ela deveres e obrigações, sempre haverá uma geração de maus alunos, vândalos e agressores – apoiados por suas famílias – emperrando todo o desenvolvimento do ensino fundamental, fazendo professores desistirem da carreira – que posteriormente obrigará as universidades a aceitar simples declarações sobre a cor da pele de candidatos para obter vagas nas universidades – em detrimento dos bons alunos que alcançam notas muito mais elevadas por mérito, mas perdem suas vagas para abrir espaço aos cotistas, atendendo às determinações equivocadas do STF.

Editorial do jornal O Estado de S.Paulo

A discriminação racial no Brasil é constitucional, segundo decidiram por unanimidade os ministros do Supremo Tribunal (STF), num julgamento sobre a adoção de cotas para negros e pardos nas universidades públicas. Com base numa notável mistura de argumentos verdadeiros e falsos, eles aprovaram a reserva de vagas para estudantes selecionados com base na cor da pele ou, mais precisamente, na cor ou origem étnica declarada pelo interessado. Mesmo enfeitada com rótulos politicamente corretos e apresentada como “correção de desigualdades sociais”, essa decisão é obviamente discriminatória e converte a raça em critério de ação governamental. Para os juízes, a desigualdade mais importante é a racial, não a econômica, embora eles mal distingam uma da outra.

O ministro Cezar Peluso mencionou as diferenças de oportunidades oferecidas a diferentes grupos de estudantes. Com isso, chamou a atenção para um dos maiores obstáculos à concretização dos ideais de justiça. Todos os juízes, de alguma forma, tocaram nesse ponto ou dele se aproximaram. Estabeleceram, portanto, uma premissa relevante para o debate sobre a formação de uma sociedade justa e compatível com os valores da democracia liberal, mas perderam-se ao formular as conclusões.

O ministro Joaquim Barbosa referiu-se à política de cotas como forma de combater “a discriminação de fato”, “absolutamente enraizada”, segundo ele, na sociedade. Mas como se manifesta a discriminação? Candidatos são reprovados no vestibular por causa da cor? E os barrados em etapas escolares anteriores? Também foram vítimas de racismo?

A ministra Rosa Weber foi além. “A disparidade racial”, disse ela, “é flagrante na sociedade brasileira.” “A pobreza tem cor no Brasil: negra, mestiça, amarela”, acrescentou. A intrigante referência à cor amarela poderia valer uma discussão, mas o ponto essencial é outro. Só essas cores identificam a pobreza no Brasil? Não há pobres de coloração diferente? Ou a ministra tem dificuldades com a correspondência de conjuntos ou ela considera desimportante a pobreza não-negra, não-mestiça e não-amarela.

Mas seus problemas lógicos são mais amplos. Depois de estabelecer uma correspondência entre cor e pobreza, ela mesma desqualificou a diferença econômica como fator relevante. “Se os negros não chegam à universidade, por óbvio não compartilham com igualdade das mesmas chances dos brancos.” E concluiu: “Não parece razoável reduzir a desigualdade social brasileira ao critério econômico”. A afirmação seria mais digna de consideração se fosse acompanhada de algum argumento. Mas não é. O fator não econômico e estritamente racial nunca foi esclarecido na exposição da ministra nem nos votos de seus colegas.

Nenhum deles mostrou com suficiente clareza como se manifesta a discriminação no acesso à universidade ou, mais geralmente, no acesso à educação. O ministro Celso de Mello citou sua experiência numa escola pública americana sujeita à segregação. Lembrou também a separação racial nos ônibus escolares nos Estados Unidos. Seria um argumento esclarecedor se esse tipo de segregação – especificamente racial – fosse no Brasil tão normal e decisivo quanto o foi nos Estados Unidos.

Talvez haja bons argumentos a favor da discriminação politicamente correta defendida pelos juízes do STF, mas nenhum desses foi apresentado. Brancos pobres também têm dificuldade de acesso à universidade, mas seu problema foi menosprezado.

Se um negro ou pardo com nota insuficiente é considerado capaz de cursar com proveito uma escola superior, a mesma hipótese deveria valer para qualquer outro estudante. Mas não vale. Talvez esse branco pobre também deva pagar pelos “danos pretéritos perpetrados por nossos antepassados”. Justíssimo?

Como suas excelências poderão ser envolvidas em outras questões de política educacional, talvez devam dar uma espiada nos censos. Os funis mais importantes e socialmente mais danosos não estão na universidade, mas nos níveis fundamental e médio. Países emergentes bem-sucedidos na redução de desigualdades deram atenção prioritária a esse problema. O resto é demagogia.

 

  • por: Bahr-Baridades
  • Postado em: 28 de abril de 2012 às 9:17
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2 Comentários para “Justiça com lentes coloridas”

  1. Osmar65 disse:

    Mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela legalidade das cotas raciais, a Universidade de São Paulo (USP) não pretende adotar o sistema.
    As universidades estaduais Paulista (Unesp) e de Campinas (Unicamp) também informaram que não vão adotar cotas. USP, Unesp e Unicamp defendem a prevalência do mérito na seleção, embora tenham ações de inclusão – sem, no entanto, reservar vagas.
    A USP não informou a quantidade de negros matriculados. A universidade mantém o Programa de Inclusão Social (Inclusp), que dá bônus no vestibular a estudantes da rede pública. Neste ano, 28% dos novos alunos vieram de escolas públicas.
    A Unesp também não soube informar a participação de negros entre os matriculados. A instituição foi a que mais incluiu alunos de escola pública: 41%.
    Essa é do O Estado de S. Paulo.

  2. Ocidental disse:

    Médicos já estão sendo obrigados a escolher quem vai morrer e quem vai viver,pois se há um leito só e dois pacientes,um vai ficar de fora .O coitado do médico faz o quê ,me digam ?Agora professores são, também ,obrigados a, entre dois alunos seus, passar o que tirou 4,0 (por exemplo) e deixar de fora o que tirou 8,0 (por exemplo).Onde fica a Carta Magna ‘destepaiz’Onde fica o juramento do professor feito lá atrás,no dia de sua colação de grau?? Onde ficam os valores eternos , e os séculos de sofrimentos que foram despendidos para se chegar à atual noção de justiça, direito,meritocracia,valor,dever,isonomia e etc?? Estão querendo destruir tudo isso, em nome do quê,afinal?? É preferível abandonar o magistério a ter de cometer tal crime .Alguém tem idéia do que custou àquele aluno conseguir um 8,0 (por ex) no vestibular ??Pois custou seu sono, seu lazer, seu tempo, seu ideal, sua boa-fé em acreditar-se senhor de direitos e deveres. E aí,senhores,ele ganha seu 8,0 (um troféu) mas não o leva (um castigo ) e a ele, em seus verdes 17-18 anos é explicado que não o leva por ser,pasmem- branco !!”Você não leva porque você é branco !!” “Você não merece o 8,0 que você conseguiu tirar,por isso “NÓS” o tomamos de você!” Seus antepassados, sofridos imigrantes europeus e brancos retorcem-se em seus túmulos ,pois percebem que de nada adiantou acreditarem em um novo e feliz lar para si e para seus descendentes .De nada adiantaram a imigração difícil em navios amontoados, a longa viagem por dias e dias em carros de boi, os anos de estafante trabalho escravo em fazendas,antes que afinal conseguissem seu pedaço de chão (nem sempre mantido),de nada adiantou terem resistido ao clima e a comida diferentes e estranhas a seus velhos e arraigados costumes europeus , à floresta e ao mato desbravados .Enfim ,lutaram e suaram sangue por seu lugar ao sol ‘nestepaiz’ que,afinal de contas, agora lhes arreganha seus piores instintos ,dos quais NUNCA sequer desconfiaram. É de chorar !

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