Mês: setembro 2012



“Vítima de si mesmo”

Roberto Jefferson ainda deputado e atualmente, após sua cirurgia

Roberto Jefferson (PTB-RJ) se manifestou pela primeira vez sobre a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal de condená-lo por corrupção passiva. Ele afirma não ser vítima de ninguém, “a não ser de si próprio”, e diz que não tem nada a reclamar.

Na verdade, o mensalão nem teria chegado ao conhecimento público se Jefferson não denunciasse o esquema. Aliás, cabe aqui uma pergunta: e as centenas de outros mensalões e mensalinhos que continuam a pipocar pelo Brasil inteiro, dia após dia, noite após noite? É só acompanhar as notícias veiculadas pela mídia – muitas vezes apenas regional – para somar 2 + 2 e chegar às conclusões mais torpes. E os ministros que se locupletaram de verbas públicas? Governadores? Prefeitos? Vereadores? Gestores de estatais?

Sem querer defender Roberto Jefferson – nem é meu interesse e tampouco tenho procuração para tanto – o ex-deputado mereceria o mesmo tratamento do tal Silvinho “Land Rover” Pereira, que escapou do julgamento do mensalão graças ao acordo com o Justiça, que lhe permitiu cumprir uma pena alternativa. Jefferson prestou um bem muito maior ao país pela coragem de denunciar o esquema.

Jefferson e os demais implicados no mensalão devem, sim, ser obrigados a restituir ao chamado “erário” o dinheiro que lhes chegou ilegalmente às mãos. Mas além de não ter feito nenhum acordo com a justiça, ele corre ainda o risco de ser condenado por lavagem de dinheiro. Jefferson diz que não concorda com as condenações, mas que recebe com “serenidade a decisão dos ministros”.

Segundo o Estadão, “Jefferson está se recuperando de uma cirurgia para extração de um tumor no pâncreas. Realizado em julho, o procedimento também afetou outros órgãos. Ele levou mais de 500 pontos internos na operação. No dia 12, o ex-deputado voltou a ser internado com problemas gastrointestinais e desidratação. Ficou uma semana no hospital e saiu nove quilos mais magro. Nos próximos dias, o delator do mensalão começa o tratamento com quimioterapia”.

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Caleca catalante

Quando eu era pequeno, lembro-me agora, ouvia meus pais repetidas vezes darem risada quando contavam o caso de um menininho que, após ouvir os adultos se referirem a um senhor que morava na nossa rua, chamava-o de “caleca catalante”.

O menininho só repetia na sua linguagem infantil o que na sua casa chamavam de “careca elegante”.

Provavelmente foi isso mesmo que aconteceu com o candidato a prefeito de São Paulo, José Serra; do nada, de repente, uma eleitora o beijou duas vezes na boca quando ele fazia uma caminhada pela sua campanha política no bairro do Bom Retiro, nesta quinta-feira.

Serra estava distraído e conversava com funcionárias de uma loja, quando uma moça de 23 anos segurou seu rosto com as mãos e deu o primeiro beijo. Pego de surpresa, nem reagiu – e a moça lhe tascou o segundo beijo.

A vendedora, que mora no Itaim Paulista (um bairro da periferia de São Paulo, na zona leste), disse que deu os beijos porque “deu vontade” e porque “é gostoso”.

Provavelmente a moça achou o candidato um “caleca catalante”. E para orgulho de Serra e das gerações mais antigas, é bom que essa nova geração saiba que sim, “é dos carecas que elas gostam mais”. Pelo menos era o que dizia a música “Nós, os carecas”, marchinha de carnaval que fez muito sucesso lá pelos idos de 1940 ou 1950.

Nós, nós os carecas
Com as mulheres somos maiorais
Pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais

Não precisa ter vergonha
Pode tirar seu chapéu
Pra que cabelo? Pra que seu Queiroz?
Agora a coisa está pra nós, nós nós…

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Oportunidades perdidas

Pelo tamanho do nosso território, fica muito difícil comparar o Brasil a qualquer outro país mais desenvolvido e organizado. Temos regiões de climas diferentes, pessoas de origens diferentes, possibilidades diferentes.

A história do copo meio cheio ou meio vazio se encaixa como uma luva nessa análise. Para muitos, o copo Brasil está meio cheio, um país de indústrias e tecnologias avançadas, agroindústria a todo vapor, energia limpa, universidades formadoras de excelentes profissionais e de opiniões, algumas estradas de Primeiro Mundo, pólo econômico recheado de multinacionais, sistema bancário forte, enfim um país hoje cobiçado por estrangeiros que para aqui vêm hoje em busca do futuro que seus países de origem não podem lhes oferecer.

Mas existe também o copo meio vazio. Temos um dos maiores desequilíbrios de renda do planeta, proliferação de favelas e sub-habitações, ensino fundamental da pior qualidade, sistema de saúde aparentemente falido, criminalidade incontrolável, moradores em áreas de risco, descontrole absoluto sobre migrações internas, brasileiros sem a menor qualificação profissional, alto grau de analfabetismo – inclusive funcional -, políticos da pior qualidade moral e capacitiva, níveis alarmantes de corrupção… e muito, muito mais defeitos.

O governo Lula (sic) teve em mãos a maior oportunidade em todos os tempos de mudar completamente as feições do nosso país: por forças do destino, ao mesmo tempo em que se formava uma nuvem negra sobre o resto do mundo, com uma crise econômica sem precedentes, nosso país emergia no cenário internacional com larga produção agrícola, moeda forte, combustível alternativo, instituições financeiras sólidas, indústrias diversificadas e o Produto Interno Bruto em ritmo ascendente.

A politicagem e a politicalha incorporada pelos governantes e legisladores no período do governo Lula (sic), nos fez perder o bonde da História. As distorções que poderiam ter sido corrigidas, o rumo do progresso que poderia ser trilhado, as benfeitorias e mudanças que poderiam nos ter impelido ao nível de primeiro-mundistas, os esforços para melhorar saúde, educação, moradias, transportes e qualidade de vida, foram relegados a segundo e terceiro planos por figuras escabrosas e incompetentes que estavam exatamente no lugar errado na hora errada – todas orbitando em volta de um presidente eleito por uma facção do povo crédula e adoradora de ídolos de barro. Tiririca que o diga.

Uma pena. Minha geração jamais conseguirá viver o tal “país do futuro” que nos vinha sendo prometido por décadas e décadas. A melhor oportunidade acabou de passar bem diante das nossas vistas.

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Fraudes no Detran. Essa é uma notícia inédita!

Notícia inédita? Talvez para bebezinhos recém-nascidos.

Uma turma imensa vem fraudando Detrans em vários Estados brasileiros ano após ano e imagina que nós, brasileiros, somos imbecis.

Desta vez, uma operação contra fraudes no Detran prendeu 38 pessoas no Rio de Janeiro que fraudavam o órgão em 12 municípios cariocas: Rio, Itaboraí, São Gonçalo, Niterói, Tanguá, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Magé, Duque de Caxias, Campos, São Fidélis e Bom Jesus do Itabapoana.

A polícia procura despachantes, funcionários e ex-funcionários que, segundo denúncias, recebiam propina para realizar de forma ilegal vistorias de licenciamento anual, transferência de propriedade de veículos e emissão de documentos.

Quando não é no Rio de Janeiro, é em São Paulo. Ou em outros Estados.

Qualquer garoto de 10, 12 anos, nascido nessa geração da informática, sabe que é perfeitamente possível bloquear e gerir arquivos a partir de programas  de computador e câmeras de teve, tornando os serviços seguros e à prova de fraudes. Parece que só os Detrans no Brasil inteiro fazem questão de manter brechas propositais em seus sistemas precários e provavelmente arcaicos, possibilitando aos funcionários do órgão e a despachantes roubar, corromper, receber propinas e se locupletar do dinheiro que na realidade é nosso. E sem a necessidade da ação criminosa de hackers.

Com toda certeza essa operação carioca é apenas a minúscula pontinha do iceberg Detran. Deve existir uma pá de malandros se aproveitando das brechas e desviando dinheiro por todo o Brasil.

Só falta apostar quando e onde será divulgado outro esquema de fraudes nesse órgão campeão de corrupção. E a gente fazer de conta que nunca ouviu uma notícia dessa antes.

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Nina e Carminha em Brasília

Um artigo de Nelson Motta

Se o mensalão não tivesse existido, ou se não fosse descoberto, ou se Roberto Jefferson não o denunciasse, muito provavelmente não seria Dilma, mas Zé Dirceu o ocupante do Palácio da Alvorada, de onde certamente nunca mais sairia.

Roberto Jefferson tem todos motivos para exigir seu crédito e nossa eterna gratidão por seu feito heroico: “Eu salvei o Brasil do Zé Dirceu.”

Em 2005, Dirceu dominava o governo e o PT, tinha Lula na mão, era o candidato natural à sua sucessão.  E passaria como um trator sobre quem ousasse se opor à sua missão histórica. Sua companheira de armas Dilma poderia ser, no máximo, sua Chefe da Casa Civil, ou presidente da Petrobrás.

Com uma campanha milionária comandada por João Santana, bancada por montanhas de recursos não contabilizados arrecadados pelo “nosso” Delúbio, e Lula com 85% de popularidade animando os palanques, massacraria Serra no primeiro turno e subiria a rampa do Planalto nos braços do povo, com o grito de guerra ecoando na Esplanada: “Dirceu / guerreiro / do povo brasileiro.” Ufa!

A Jefferson também devemos a criação do termo “mensalão”. Ele sabia que os pagamentos não eram mensais, mas a periodicidade era irrelevante. O importante era o dinheirão. Foi o seu instinto marqueteiro que o levou a cunhar o histórico apelido que popularizou a Ação Penal 470 e gerou a aviltante condição de “mensaleiro”, que perseguirá para sempre até os eventuais absolvidos. O que poderia expressar melhor a ideia de uma conspiração para controlar o Estado com uma base parlamentar comprada com dinheiro público e sujo? Nem Nizan Guanaes, Duda Mendonça e Washington Olivetto juntos criariam uma marca mais forte e eficiente.

Mas antes de qualquer motivação política, a explosão do maior escândalo do Brasil moderno é fruto de um confronto pessoal, movido pelos instintos mais primitivos, entre Jefferson e Dirceu.

Como Nina e Carminha da política, é a história de uma vingança suicida, uma metáfora da luta do mal contra o mal, num choque de titãs em que se confundem o épico e o patético, o trágico e o cômico, a coragem e a vilania. Feitos um para o outro.

O “chefe” sempre foi José Dirceu. Combativo, inteligente, universitário – não sei se completou o curso – fala vários idiomas, treinado em Cuba e na antiga União Soviética, entre outras coisas. E com uma fé cega em implantar por aqui uma Ditadura do Proletariado a “La Cuba”.

Para isso usou e abusou de várias pessoas e, a mais importante – pelos resultados alcançados – era Lula. Ignorante, iletrado, desonesto, sem ideais, mas um grande manipulador de pessoas, o joguete ideal para o inspirado José Dirceu.

Lula não tinha caráter nem ética, e até contava, entre risos, que sua família só comia carne quando seu irmão “roubava” mortadela no mercado onde trabalhava. Ou seja, o padrão ético era frágil. E ele, o Dirceu, fizera tudo direitinho, estava na hora de colher os frutos e implantar seu sonho no país.

Aí surgiu Roberto Jefferson… e deu no que deu.

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Automóveis, fiscalização e “borrachos”

Segundo o Estadão, a fiscalização de trânsito através das “blitze da lei seca” no Estado de São Paulo flagrou 14.846 condutores de veículos sem carteira de habilitação neste ano, um aumento de 80% desde 2010. Mais da metade dos flagrados tinha menos de 18 anos.

Esses números nos remetem a uma análise assustadora: as pessoas já nem temem ser apanhadas por uma fiscalização policial, o que aparentemente coloca em descrédito o judiciário, visto que as leis brasileiras estão cada vez mais brandas. A polícia tenta fazer a parte dela, fiscalizando e aplicando testes de embriagues. Motorista que dirige sem estar habilitado e é flagrado leva multa de R$ 574,62. O documento do carro é recolhido, o veículo apreendido e levado para o pátio da PM, onde é aplicada multa diariamente até a regularização. Simples assim. Satisfeitas as exigências, o infrator parte para outra.

Além da falta de temor destes motoristas afrontando a lei e provocando acidentes muitas vezes fatais (a mídia está recheada de notícias a respeito), nota-se o absoluto despreparo ou indiferença das famílias, ao permitir que seus filhos menores de idade dirijam ilegalmente. Uma total irresponsabilidade que coloca em risco a vida de terceiros.

Junto com a falta de habilitação, vem o destemor de dirigir embriagado. Nesse caso, não são apenas menores de idade ou jovens recém-habilitados: há muito marmanjão sem habilitação, completamente “borracho”, flagrado nas blitze.

Visivelmente o problema maior reside na falta de estrutura familiar, permissiva demais com seus filhos. Especialistas adeptos da linha mais “light” de atuação preconizam maior educação familiar. Mas tudo indica que é hora de repensar leis, que deveriam ser muito mais duras e enérgicas, envolvendo principalmente os pais e responsáveis. Quem sabe as estatísticas comecem a decrescer.

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Avanços no STF: já falam em dosimetria

Para aqueles céticos (principalmente petistas) que andavam espalhando aos quatro ventos que o mensalão era balela, não existiu e foi mero produto de elucubrações da oposição, a preocupação agora é muito mais séria e está começando a criar pânico: os ministros do Supremo já estão discutindo entre si a dosimetria, ou seja, o cálculo das penas de cada um dos acusados.

Conversas nos bastidores, segundo o Estadão, nos dão conta de que um dos ministros defende que aqueles colegas que absolveram acusados (leia-se  Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, votos que já eram esperados, principalmente de Dias Toffoli, por ter sido intimamente ligado a Lula e ao PT) participem do cálculo da pena. Seria uma forma de amenizar as penas mais pesadas que o colegiado desde já pressupõe que emane do relator do mensalão, ministro Joaquim Barbosa

A dosimetria pode fazer a diferença entre prisão e liberdade em alguns casos.

O ministro Cezar Peluso, que votou apenas no caso do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro neste item, antecipou seu cálculo para a pena e a estipulou em seis anos. Peluso em seguida se aposentou. Se condenado a seis anos, João Paulo poderia cumprir a pena em regime semiaberto. Se os demais ministros votarem por uma pena para além de oito anos, João Paulo terá de cumpri-la em regime fechado. Cá entre nós: uma vergonha para um político que chegou a ser presidente da Câmara dos Deputados. Aliás, como é que os condenados vão explicar aos filhos essa bandalheira que cometeram?

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