Mês: outubro 2012



Jornal da Tarde foi-se embora!

Capa de 1970, retratando a vitória na Copa do Mundo através das expressões de um torcedor

Quem acompanhou o dia-a-dia da cidade de São Paulo por várias décadas, como eu, tem muitas histórias e lembranças para contar.

Uma das ótimas lembranças que tenho ligadas à minha área de atuação, a publicidade, foi o lançamento do Jornal da Tarde pelo grupo O Estado de São Paulo, em 1966. O Jornal da Tarde contrastava com a sisudez e a seriedade gráfica e editorial do “Estadão”: enquanto este mantinha por anos a fio a mesma aparência gráfica, com mínimas alterações – e o mesmo ocorria com seu corpo editorial, jornalistas, colunistas, articulistas -, o novo Jornal da Tarde, chamado por alguns de”Estadinho”, surgiu para dar um show de grafismo, de arrojo e de nova linguagem jornalística.

Dirigido por Ruy Mesquita, o Jornal da Tarde enfrentou sem medo a censura dos militares que já seguia em um crescendo e publicava receitas nos espaços cujas matérias haviam sido cortadas por censores – que permaneciam acampados na redação dos dois jornais – fazendo questão de mostrar aos leitores por onde as tesouras dos censores haviam passado. Enquanto isso, o Estadão publicava versos de Camões – infalivelmente os mesmos versos.

O Jornal da Tarde sempre ousou: pode ser considerado o maior inovador em grafismo jornalístico no Brasil. Imagens, tipologia e diagramação eram surpreendentes e certamente serviu de escola para muitos profissionais que levaram essas inovações para outros jornais e revistas.

Uma das capas mais lembradas, publicadas no Jornal da Tarde, retratava o à época governador Paulo Maluf, tentando dar explicações a respeito do fracasso da sua Petropaulo – uma autarquia que ele criara com a promessa de extrair petróleo em terras paulistanas. Narcisista, colocou Paulo no nome da autarquia, por ser tanto o seu nome como o da cidade. Torrando dinheiro público sem resultados, tergiversando e mentindo em suas explicações aos jornalistas, a cada dia o nariz de Maluf, à exemplo de Pinóquio, era aumentado, chegando em poucos dias a abranger a capa e a contra-capa do jornal. Maluf, por sinal, foi um dos assuntos prediletos e sempre em evidência nas páginas do jornal.

Provavelmente foi o Jornal da Tarde, com seus textos mais leves, mais curtos e seu visual moderno e dinâmico que tenha despertado o interesse pela leitura de jornais nos jovens, estudantes e até nos reacionários ao regime militar, que sentiam o jornal como seu aliado – a exemplo do que o Pasquim provocava nos esquerdistas eternamente de plantão.

O Jornal da Tarde saiu de cena hoje, dia 31 de outubro de 2012, quarenta e seis anos após seu lançamento. Para a geração que acompanhou o jornal, ele deixará saudades. Para os artistas gráficos, historiadores e analistas sociais, será sempre um prato cheio para suas aulas, seus estudos e referenciais quando tratarem do jornalismo no Brasil.

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Comentários impublicáveis

Evidentemente este blog tem uma posição política definida. É um blog independente e livre, frise-se, mas manifestadamente contra o PT e tudo o que se relaciona com os petralhas, isto é, contra todos aqueles que estão envolvidos direta ou indiretamente com a corrupção, desvio de dinheiro, mensalão, artimanhas eleitoreiras, cargos ocupados por “cumpanheros”, falcatruas,  mentiras, boatos, fofocas, ameaças, truculência, dinheiro em cuecas, ministros incompetentes, verbas desviadas para ONGs e blogs PT-partidários, besteirol emanado de mentes curtas, premiação de protegidos… enfim, Bahr-Baridades é contra o politicamente amoral, imoral e com cheiro inconfundível emanado de petralhas. Não que aqui escapem críticas a outros partidos e a outros políticos… mas o grau de perfeição que os petralhas atingiram para destruir o que está construído, desmontar o que está montado e piorar o que é perfeito ou bom… é insuperável.

Evidentemente tenho recebido vários comentários grosseiros e ameaçadores, quase sempre mal escritos, recheados de palavrões – os petralhas não têm o dom da escrita nem da fineza . Tais comentários não são inseridos no blog em sinal de respeito aos leitores. Como diz o mestre blogueiro Reinaldo de Azevedo, de Veja, “que os petralhas cantem em outra freguesia” , lá com a turma deles.

Publico aqui um exemplo do nível que esses petralhas utilizam para atacar quem os contraria (e este até que não é dos piores). Aqui, o petralha de nome João Alexandre Lopes (provavelmente nome falso) se queixa por eu não ter publicado seu comentário anterior, cortado junto com tantos outros:

De João Alexandre Lopes sobre “Que alívio: São Paulo não é petista!” 

Não postou meu comentário por que? Você é filiado neste câncer de PSDBosta?

Pergunto eu: quem precisa dos petralhas neste blog?

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2 Comentários
 

Que alívio: São Paulo não é petista!

Apesar da vitória de Fernando Haddad, do PT, nas eleições para a Prefeitura de São Paulo – minha cidade natal – fico aliviado ao saber que ele foi eleito por uma minoria e que lá jamais será uma cidade dos petralhas.

Na verdade, do eleitorado de 8.619.170 de pessoas Haddad recebeu meros 3.387.720 votos, o que representa apenas 39,3% dos eleitores.

Do outro lado, 60,7% dos eleitores paulistanos não votaram no candidato petista, dividindo seus votos entre Serra, abstenções, brancos e nulos. Uma mensagem muito clara para os petralhas.

Pode se discutir aqui por que Serra recebeu menos votos do que Haddad (cerca de 2,7 milhões). Pode se discutir onde foi que a oposição errou na campanha e na sua política nestes últimos anos. Pode se discutir inclusive a absoluta falta de ética e a máquina trituradora utilizada pelos petralhas, partido envolvido na bandalheira do mensalão, que não mediu esforços, palavras, mentiras, truculência, verbas públicas, artimanhas e sujeiras para colocar Haddad no poder.

Mas é inconteste que São Paulo continua e continuará nas mãos dos verdadeiros paulistanos – éticos, trabalhadores, empreendedores, poderosos e responsáveis pela chamada “locomotiva do Brasil”.

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Pesquisas eleitorais: “chutômetros” e realidades

Ano após ano várias pesquisas eleitorais vêm sendo contestadas por suspeição: muita gente acredita que elas são compradas e montadas de acordo com a conveniência do seu patrocinador, seja este um partido ou um candidato.

Neste blog Bahr-Baridades já discutimos por diversas vezes os critérios utilizados pelos institutos responsáveis, pois após cada eleição os resultados reais são diferentes e muitas vezes ficam longe dos números apresentados, mesmo considerando as tais “margens de erro”. Isso quando não há inversão do vencedor, como ocorreu em Londrina e Uberaba (veja abaixo).

Tudo indica que as pesquisas são montadas para induzir indecisos e inseguros, pois é sabido que há eleitores que ignoram nomes e partidos, querem sempre votar no “certo”, naquele candidato que as pesquisas indicam antecipadamente como vencedor. São pessoas inseguras, que não querem ser “derrotadas” pelo voto – mesmo que o candidato apontado pelas pesquisas não seja exatamente o candidato dos seus sonhos.

Veja as discrepâncias de algumas pesquisas nestas eleições:

São Paulo (previsão IBOPE): Haddad 59%, Serra 41%

Realidade: Haddad 55,57%, Serra 44,43%

Uberaba (previsão vergonhosa do Instituto Veritá): Antônio Lerin 55,7%, Paulo Piau 44,3%

Realidade: Paulo Piau 51,36%, Antônio Lerin 48,64%

Curitiba (previsão Datafolha): Gustavo Fruet 54%, Ratinho Jr. 35%

Realidade: Gustavo Fruet 60,65%, Ratinho Jr. 39,35%

Salvador (previsão IBOPE): ACM Neto 48%, Nelson Pelegrino 40%

Realidade: ACM Neto 53,51%, Pelegrino 46,49%

Manaus (previsão IBOPE): Artur Virgílio 70%, Vanessa Grazziotin 30%

Realidade: Artur Virgílio 65,05%, Vanessa 34.05%

Fortaleza (previsão IBOPE): Roberto Cláudio 51%, Elmano de Freitas 49%

Realidade: Roberto Cláudio 53,02%, Elmano de Freitas 46,98%

Mas talvez o exemplo mais vergonhoso de uma pesquisa mal feita tenha sido feita em Londrina: o Instituto Portinati/Paiquerê AM mostrava ainda no primeiro turno a vitória antecipada de Marcelo Belinati com 52%. Em segundo lugar aparecia Márcia Lopes com 17,7%, seguida por Alexandre Kireeff com 15,3%.

Realidade: Márcia Lopes foi pulverizada, houve segundo turno e venceu Alexandre Kireef com 50,53%. O favorito Marcelo Belinati sucumbiu com 49,47%.

Então é o caso de se perguntar: quem acredita nos institutos de pesquisa? Por que o Tribunal Superior Eleitoral permite que, eleição após eleição, essas pesquisas direcionadas para interesses escusos sejam divulgadas em rede nacional, sabendo que favorecerão a algum determinado candidato e que estarão induzindo vários eleitores a erro?

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Parabéns ao blogueiro prefeito

O novo prefeito eleito de Londrina, Alexandre Kireeff, entre suas várias atividades, também exerce (pelo menos até o momento) o papel de blogueiro, nosso companheiro no cast de blogueiros de odiário.com.

Nossos votos para que sua gestão seja profícua, ética e que venha ao encontro das necessidades dos londrinenses. Está na hora, afinal, de contarmos com um prefeito competente e que demonstre como é que se governa de fato uma cidade com meio milhão de habitantes.

Julio E. Bahr

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O primeiro Salão do Automóvel no Anhembi

Esta foto foi clicada no 1º Salão do Automóvel realizado no Pavilhão do Anhembi em São Paulo, no ano de 1970 e mostra o lançamento da linha Chevrolet Opala daquele ano. O Anhembi foi uma conquista pioneira e ousada do publicitário Caio de Alcântara Machado, composto de mega-pavilhão de exposições, auditório, estacionamento e hotel (que somente seria concluído há poucos anos nas mãos de outro grupo empresarial) e se tornou o maior e mais conhecido promotor de eventos do Brasil. Caio de Alcântara Machado criou, além do Salão do Automóvel, a UD (Feira de Utensílios Domésticos), a FETAG (Feita Técnico Agrícola), a FENIT (Feira Nacional da Indústria Têxtil), a Feira da Mecânica, a Feira da Eletro-Eletrônica, além da primeira Brasil-Export em 1972 (que no ano seguinte seria realizada em Bruxelas, Bélgica).

Minha agência de propaganda participou durante muitos anos com a criação e supervisão da montagem de stands para nossos clientes em várias destas feiras promovidas por Alcântara Machado, desde os primórdios no Parque do Ibirapuera, onde eram realizadas as feiras antes da inauguração do Anhembi.

Caio de Alcântara Machado faleceu em 20/08/2003.

Foto: Julio E. Bahr

 

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As vaias de hoje vão para…

Márcio Thomas Bastos, o advogado da turma do mensalão, vergonhosamente derrotado em suas teses de defesa tentando livrar os gangsters do processo em julgamento no STF e que, esquecido das suas atribuições jurídicas e da importância que chegou a representar como Ministro da Justiça, escreveu um artigo na Folha de São Paulo tecendo loas mentirosas, facciosas e visivelmente subvencionadas pelo partido no poder, tentando “empurrar” seu candidato petista ao governo de São Paulo.

as pesquisas eleitorais em várias cidades do Brasil que, mais uma vez tentam induzir os eleitores a votar nos candidatos que pagam o serviço e na última hora apregoam que “o candidato que estava perdendo subiu inesperadamente e gerou um empate técnico”. Quase sempre o candidato em baixa nas pesquisas acaba vencedor das eleições, apesar dos esforços desses institutos fajutos. O STE deveria proibir a divulgação das pesquisas visivelmente dirigidas, pois propositadamente confundem os eleitores.

…os advogados de Zé Dirceu, o chefe da quadrilha do mensalão, que pretendem pedir redução de pena para seu cliente, sob a alegação de “relevantes serviços prestados ao Brasil em prol da democracia”. Eles se esquecem de que estão falando de um terrorista, conivente com crimes de assassinato, atentados e sequestros e que andou tramando uma revolução de esquerda ao molde soviético e cubano em nosso país. Nota zero para Zé Dirceu e para seus advogados.

…o sistema de comunicações da polícia de Londrina, que deixou de gravar um chamado para uma ocorrência resultante em duplo homicídio passional, alegadamente por ter seus aparelhos de comunicação “destruídos por um raio” há mais de 20 dias, sem que a mínima providência fosse tomada. Inércia que seria fatal para o funcionamento de uma empresa privada e inadmissível para os CSIs e as delegacias de polícia norte-americanas.

…a Prefeitura de Londrina, que inventou o chamado “Profis”, um perdão da dívida dos maus pagadores e caloteiros que podem agora colocar suas dívidas parceladamente em dia sem juros nem correção, aos mesmos valores da dívida original de anos atrás, em detrimento dos bons pagadores que quitaram seus tributos religiosamente, muitas vezes árdua e suadamente.

 

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Urnas eletrônicas brasileiras consideradas suspeitas em outros países

Neste domingo, ao apertar o botão com o número do seu candidato na urna eletrônica, esteja certo de que você não terá a mínima certeza sobre a aplicação do seu voto. A maioria dos países que adotam urnas eletrônicas já descartou esse nosso sistema, que não oferece a impressão do voto ao eleitor, isto é, a comprovação de que realmente o seu candidato recebeu o voto. Basta acessar os links anexos, que constam na página do site “votoseguro.org”, para comprovar as dúvidas que recaem sobre nossas urnas:

Irlanda reprova e descarta urnas sem voto impresso  em inglês

México adota urna eletrônica com voto impresso  vídeo em espanhol

UnB quebra sigilo da urna eletrônica brasileira

Bélgica adota urna eletrônica com voto impresso

Rússia adota urna eletrônica com voto impresso

Urna Eletrônica Argentina é muito superior à brasileira

Urnas Biométricas – o que há por trás da propaganda oficial

Uma ADIN em Defesa da Fraude Eleitoral pelo Software das Urnas

Índia – demonstrada a insegurança das urnas-E

Fabricante das urnas brasileiras acusado de fraude contábil

Peru desenvolve urna eletrônica com voto impresso  vídeo em espanhol

Alagoas 2006 – A Falta de Transparência Eleitoral desnudada

Lei da Independência do Software nas urnas-e

New York Times – Voto eletrônico sem voto impresso não merece confiança  em inglês

Alemanha – Urnas Eletrônicas sem voto impresso são inconstitucionais

Diebold reconhece erros em suas urnas-e  em inglês

Ohio Processa Diebold – fabricante de urnas-e  em inglês

Holanda Proibe Urnas Eletrônicas sem voto impresso  em inglês

Paraguai Rejeita Urnas Brasileiras

“Se você acredita que a tecnologia pode resolver seus problemas de segurança, então você não conhece os problemas e nem a tecnologia”.

 

Bruce Schneier, criptógrafo, moderador do Crypto-Gram Newsletter

 

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Concursos literários: quem acredita?

O Prêmio Jabuti, talvez o concurso literário mais importante do Brasil, vem desapontando os concorrentes sempre que uma decisão é anunciada. Na edição anterior ocorreu uma confusão envolvendo Chico Buarque e seu fraco “Leite Derramado”, considerado o “Livro do Ano”, apesar de ter perdido para o livro de Edney Silvestre na categoria Romance. Como resultado, alguns escritores e leitores se mobilizaram para fazer com que Chico Buarque devolvesse o prêmio, o que fez com que a editora Record anunciasse que deixaria de participar da premiação. Em entrevista, Edney Silvestre disse apoiar a decisão da sua editora. Edney, à época, julgou que a polêmica poderia render bons frutos e que a longo prazo seria muito bom para o Jabuti, pois se discutiu um prêmio literário.

Ledo engano!

Neste ano, na apuração dos votos que deram vitória – novamente na categoria Romance – a “Nihonjin”, do iniciante Oscar Nakasato, descobriu-se que favoritos, escritores já conceituados, receberam do jurado “C” notas muito baixas, como 0 e 1,5, numa escala de 0 a 10.

Esse tipo de nota é certamente uma afronta para qualquer escritor participante, que tenha chegado à reta final da disputa de um prêmio tão importante como o Jabuti. Pior do que notas escolares a péssimos alunos!

O que nos leva (participantes de concursos literários espalhados pelo Brasil afora) a imaginar quantas fraudes, quanto protecionismo e quanta injustiça ocorrem por conta de jurados como o crítico e editor Rodrigo Gurgel, autor da proeza (e indelicadeza) de conceder notas tão vis aos concorrentes na reta final da disputa.

Para impor seus votos, Gurgel deu, na segunda fase do prêmio, notas zero a livros que ele mesmo tinha avaliado bem na fase inicial, caso de “Mano, a Noite Está Velha”, de Wilson Bueno.

O escritor Sérgio Rodrigues disse que o “mesmo resultado poderia ter sido atingido com a atribuição de notas em torno de 5 ou 6, que seriam defensáveis criticamente. As notas entre 0 e 1,5 parecem ter obedecido não só ao desejo de conceder o prêmio a iniciantes mas também ao de ver o circo pegar fogo”, avaliou Rodrigues em entrevista à Revista Veja.

Já Pascoal Soto, diretor editorial da LeYa, disse que o caso abala o Prêmio Jabuti. “Os critérios são bem duvidosos. Achei tão grotesco que me deu tristeza perceber que o prêmio de maior prestígio do nosso mercado literário tenha um jurado desse nível.” E para o crítico e tradutor Eduardo Sterzi, a palavra para definir o caso é fraude. “O cara assumiu um compromisso e não cumpriu; pior, avacalhou com o compromisso assumido”, argumentou.

Para nós, escritores menos badalados e conhecidos, esse tipo de distorção parece ser a tônica nos concursos literários brasileiros. Chega a ser um indicativo para a não participação, pois nunca se sabe quais são os jurados comprometidos com a seriedade dos concursos – e quais estão prontos a fraudá-los em benefício de parentes, amigos… ou até de suborno, por que não?

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