Mês: novembro 2012



Histórias do Mappin

O Mappin foi um marco na cidade de São Paulo. Criada no início do século passado (1913), era uma enorme loja de departamentos denominada originalmente Mappin Stores; depois passou a chamar-se Casa Anglo-Brasileira S.A.

Situada bem no centro da cidade, em frente ao Teatro Municipal, o Mappin era ponto de encontros – sem desculpas para atrasos, pois o enorme relógio era implacável em seus horários. Muitos romances começaram ou terminaram nas calçadas defronte à loja. E quantas mulheres terão flagrado seus maridos encontrando as amantes em frente ao Mappin?

Seus vários andares disponibilizavam uma infinidade de produtos de todos os tipos e gêneros. Para chegar ao departamento procurado, andar por andar, subia-se de elevador enquanto o ascensorista ia anunciando “Cama, mesa e banho”, ou “Eletrodomésticos, tevês, rádios”, “Faqueiros, louças, talheres”, “Móveis para sala, cozinha, banheiro”… Nunca observei de quanto em quanto tempo trocavam o ascensorista, que tinha de ser muito bom de gogó.

O Mappin possuía também um belíssimo salão de chá. Era comum velhas senhoras se reunirem em grupos de amigas saboreando o chá da tarde com bolachas e outras delicatessen, batendo descontraídos e alegres papos. O salão de chá do Mappin rivalizava apenas com a Confeitaria Vienense, que ficava num velho edifício da Rua Barão de Itapetininga, a duas centenas de metros de distância e que exigia uma subida de elevador com portas pantográficas – provavelmente do Século XiX. Na Vienense havia um casal já muito idoso tocando piano e violino, nós os chamávamos de imortais, pois ficaram anos e anos cumprindo sua missão musical.

O Mappin foi um celeiro de histórias curiosas: certa ocasião, para se desfazerem de um estoque de rádios portáteis (provavelmente os velhos radinhos Spica), um gênio de vendas montou um quiosque bem na entrada da loja com a placa “liquidação a baixo custo” e botou no ouvido o que seria um aparelho de surdez. Cada vez que um cliente perguntava o preço do rádio, o “vendedor” gritava para um colega: “Quanto está o radinho?” Lá de cima vinha a resposta: “Cr$18,00 cruzeiros”. E o “vendedor”, fazendo que não escutara direito, retransmitia ao cliente: Cr$8,00 cruzeiros!”. Limparam o estoque de centenas de rádios em menos de uma hora ao preço anteriormente combinado: CR$8,00 cruzeiros. Eram truques divertidos que fizeram escola.

Lembrei-me dessas histórias quando li na Folha de São Paulo uma reportagem sobre John Williams, de 45 anos, que veio para São Paulo a trabalho para a prova da Fórmula 1 em Interlagos e trouxe na bagagem um pequeno caderno preto com cerca de 40 páginas, o elo que lhe permitiria saber mais sobre Edward Couch, apelidado de Ted, o tio-avô, que veio viver no Brasil nos anos 1910 e que eventualmente voltava à Inglaterra para rever parentes. John viu o tio-avô Ted apenas uma ou dias vezes durante a infância em Londres.

Dois anos atrás, Williams achou o caderno nos pertences da mãe, morta há seis anos. Com algumas páginas se soltando, o caderno é uma espécie de álbum de recordações, recheado de poemas e mensagens escritos entre 1921 e 1928 por amigos de Ted (a maioria mulheres) e desenhos datados de 1922, ano da Semana de Arte Moderna.

Pesquisando, Williams encontrou um registro do tio-avô de 1931, quando a “Folha da Noite” publicou um texto sobre os preparativos da Mappin Stores para o Carnaval. Segundo a Folha de São Paulo, na grafia da época, a reportagem dizia: ‘Desenhamos e confeccionamos fantazias. (…) Attendemos a decoração de qualquer estylo. Para isso, o technico que é Edward Couch, o melhor de nossos vitrinistas, tem sempre maravilhas a mostrar, honrando as medalhas que em vários concursos conquistou”.

Quando Ted chegou ao país, o Mappin, ou Casa Anglo-Brasileira S.A., existia havia cinco anos. Reportagens publicadas nos anos 1930 no “Correio Paulistano” indicam que, durante anos, Edward cuidou dos desfiles de moda da loja.

Em 1945, o “Diário da Noite” registrou que “de avião, seguiu para os EUA o senhor Edward Couch, chefe de confecções femininas da Mappin Stores, afim de tratar de interesses comerciais”.

Williams descobriu também que o tio-avô faleceu em 19 de outubro de 1975, quando já não trabalhava mais no Mappin e o sobrinho-neto não havia ainda completado nove anos.

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Novidades na seleção brasileira: tudo velho

José Maria Marin, o novo presidente da CBF

José Maria Marin, novo presidente do feudo da CBF e que foi governador de São Paulo em 1712  (ou seria 1713?), não está afeito aos novos “manos” que pintaram no pedaço. Não deu outra: despachou o Mano da seleção.

Mano Menezes foi apenas mais um dos nomes que passaram algumas curtas temporadas comandando o que se intitulou a maior paixão brasileira: a seleção brasileira de futebol. Nem eu me lembrava da longa lista de técnicos  que já dirigiram a seleção depois da primeira conquista mundial em 1958:  Gentil Cardoso, Oswaldo Rolla, Vicente Feola (de volta), Aymoré Moreira, Filpo Nuñez, Oswaldo Brandão, Carlos Froner, Zagallo, Biju, Carlyle Guimarães, Jota Júnior, Antoninho, Yustrich, João Saldanha, Cláudio Coutinho, Telê Santana, Carlos Alberto Parreira, Edu Coimbra, Evaristo de Macedo, Carlos Alberto Silva,  Sebastião Lazaroni, Paulo Roberto Falcão, Ernesto Paulo, Vanderlei Luxemburgo, Candinho, Emerson Leão, Luiz Felipe Scolari e Dunga. Sem contar que alguns deles estiveram no comando mais de uma vez. Aposto que você não conhecia nem a metade desses nomes.

Para sorte do Brasil, a seleção aparentemente não depende dos seus técnicos. Se houver uma safra boa de jogadores (o que nem sempre ocorre), eles mesmos se bastam. Em 1958 foram os próprios jogadores que se auto-escalaram e ganharam o primeiro título mundial na Suécia, enquanto (dizem as más línguas) o técnico Vicente Feola dormia no banco durante os jogos.

Geralmente os técnicos só servem para atrapalhar. João Saldanha queria cortar o Rei Pelé da seleção alegadamente porque ele seria míope. Míope ou não, Pelé ajudou a levantar três títulos mundiais. Cláudio Coutinho queria implantar o tal “ponto futuro”, entre outras inovações. Seria como ensinar física quântica a crianças do jardim de infância. João Saldanha, que criou a expressão “as feras do futebol”, foi demitido da seleção após sair da concentração armado com um revólver atrás do técnico Yustrich, na época no Flamengo, que o criticara publicamente.

Técnico de seleção brasileira só dá certo quando ganha uma Copa do Mundo. Apenas  cinco técnicos  deram certo até hoje na seleção. E nenhum deles repetiu o feito mais de uma vez. Então, se formos nos guiar pela lógica, dificilmente os novos escolhidos, Felipão e Parreira conseguirão essa proeza.

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Copa do Mundo, royalties de petróleo e prejuízo. Prejuízo?

Argumentações lulistas proclamadas aos quatro ventos para os brasileiros, antes da Copa do Mundo de 2014:

“De onde sairá o dinheiro para bancar as despesas?    Parte da verba virá dos cofres da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), beneficiária dos polpudos patrocínios da seleção brasileira. Já os gastos com infra-estrutura nas cidades onde acontecerão os jogos – construção de estádios, obras em estradas, aeroportos e sistemas de telecomunicações – correrão por conta do estado, ou seja, serão bancados com dinheiro público.”

 “Quais as justificativas para o governo investir na Copa?  “O evento trará empregos, aumentará o fluxo turístico, promoverá a revitalização de áreas urbanas e garantirá investimentos de peso no país.”

E agora, por que os estados produtores de petróleo estão brigando pelos royalties?

Ao contrário do que Lula e seus apaniguados proclamavam, as estimativas sobre o número de turistas, geração de empregos e impacto que o evento exercerá sobre o PIB eram exageradas. Em 1994 (antes da grande crise) os EUA aumentaram em 1,4% o PIB; em 1998, na França, também antes da crise, o PIB cresceu 1,3% a mais; em 2002, a Coréia o elevou em 3,1% (um espanto!) enquanto o Japão teve decréscimo de 0,3%; e a Alemanha teve 1,7% a mais no PIB em 2006. Antes do Mundial da Alemanha, falou-se na criação de 100.000 empregos por lá. Um estudo feito depois do evento contabilizou apenas metade desse total. A Coréia do Sul esperava 500.000 turistas a mais em 2002. Só apareceram 250.000.

Não é de se estranhar que os estados produtores de petróleo – especificamente o Rio de Janeiro, do Seo Cabral, estejam tremendo nas bases. Sabendo de antemão que as projeções lulistas eram exageradas – e tinham um cunho essencialmente político, uma forma de trabalhar a imagem e os “índices de aprovação” do então presidente – Seo Cabral e os governadores dos estados envolvidos na Copa do Mundo não querem perder os recursos – e são bilhões de reais – da arrecadação que advirão do petróleo e que já têm destino certo: são os contratos (que, dizem alguns entendidos, serão superfaturados) com empreiteiras e empresas ligadas à preparação da infraestrutura da Copa do Mundo. Caso contrário, bancarrota total do estado!

O tal lema “Veta, Dilma” nada mais é do que um grito de agonia dos gastões de dinheiro público, que tentaram fazer bonito com o evento Copa do Mundo. Torrando o nosso dinheiro.

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Quando as táticas de guerrilha funcionam

Pesquisa do Datafolha mostra que o índice de paulistanos que consideram o governo Alckmin ótimo ou bom caiu de 40% em setembro de 2012 para 29% na última quinta-feira, 22 de novembro. No mesmo período, o percentual dos que avaliam a gestão como ruim ou péssima subiu de 17% para 25%. Há dois meses, o índice de quem acha o governo regular era de 40%. Agora, subiu para 42%. A derrubada da aprovação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de acordo com o estudo, é resultado da onda de violência que atinge São Paulo. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

A pesquisa aponta que a avaliação de Alckmin no quesito segurança é pior do que a do então governador Cláudio Lembo durante os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) em maio de 2006, quando 154 pessoas morreram em oito dias. Alguns indicadores oficiais apontam que a violência está aumentando durante a atual crise. Em outubro, o número de vítimas de homicídios dolosos (praticado com a intenção de matar) saltou 113% quando comparado ao mesmo mês de 2011.

E aqui aparecem os resultados da campanha difamatória, continuada e programada – que só esquerdistas e guerrilheiros têm a capacidade de levar a cabo: a se acreditar na pesquisa Datafolha, para 55% dos paulistanos Alckmin foi responsabilizado diretamente pelos ataques. Além disso, 71% (ou 3 em cada 4 pessoas) acreditam que o governador está escondendo informações sobre as mortes das últimas semanas.

Nosso blog Bahr-Baridades já vinha “cantando a bola”, desde que os petistas decidiram entrar com tudo na campanha para eleger Haddad prefeito: foram usadas todas as artimanhas para que os índices da violência crescessem, sempre visando desmoralizar o governador paulista. Ou como explicar o súbito surto de violência, com ônibus queimados, policiais assassinados, chacinas por todos os bairros, matanças a granel – fatos absolutamente inusitados e visivelmente programados?

Se for isso que pretendem fazer no país todo, então só nos restam duas alternativas: rezar muito ou fazermos as malas e irmos embora.

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Cuidado: o guerrilheiro Zé Dirceu novamente em ação!

“Decisão de justiça se cumpre, não se discute!”. Esta máxima vem sendo usada por “conselheiros” jurídicos a cada vez que alguma sentença é proferida, especialmente no caso de condenação de políticos.

Na contramão desta assertiva, o ex-guerrilheiro Zé Dirceu (que continua com alma de guerrilheiro, como todos os seus ex-companheiros de tristes empreitadas), teve a petulância de convocar PT e os movimentos sociais para irem às ruas e “fazerem o julgamento do julgamento” do mensalão, já que não se conforma por ter sido condenado a dez anos e dez meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal.

Esse foi o teor do discurso que Zé Dirceu proferiu em reunião plenária promovida em Osasco, base eleitoral do deputado João Paulo Cunha, outro petista corrupto e condenado. Também o ex-presidente do PT José Genoino, sentenciado a seis anos e oito meses de prisão, participou do desagravo aos réus condenados. “- É preciso ir às ruas, discutir, debater o que está acontecendo. Não aceitamos. Estamos revoltados e indignados e somos vítimas de um julgamento injusto”, afirmou o ex-ministro da Casa Civil, incitando uma insurreição civil e afrontando o judiciário brasileiro.

Ele também criticou a imprensa. “Nós, antes de sermos condenados, fomos linchados. Quem jogou o principal papel na articulação foram os meios de comunicação, não todos, mas determinados meios de comunicação.” Curioso: a maioria dos órgãos da imprensa e seus jornalistas assemelham-se mais como cooptados pelo partido de Zé Dirceu, principalmente por receberem milhões em verbas em anúncios do governo petista e, ao contrário do que diz o ex-guerrilheiro, só tem apoiado o seu partido.

Quem joga pesado também tem de estar preparado para perder. Zé Dirceu se julgava acima do bem e do mal e foi o grande manipulador do mensalão. Agora que foi pego… cana para ele!

Foto: Folhapress
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Duda Mendonça em ação

Não, Duda Mendonça não é nenhum dos ratos da cena. Duda Mendonça produziu este comercial que fazia parte da campanha do PT para as eleições de 2002.  Veja que curioso: o PT anda se comportando exatamente como os ratos do comercial.  São eles o corruptos, os envolvidos em escândalos e que estão menosprezando as tradições do povo brasileiro, rasgando uma bandeira que era o orgulho do nosso povo. O comercial foi um pré-aviso do que viria a seguir sob a batuta do operário-apedeuta que infelizmente se tornaria presidente. Xô, corruptos do PT!

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Antissemitismo explícito em jornaleco

Circulou ontem em São Paulo este jornal (jornal???) explicitamente antissemita. O título em manchete não deixa dúvidas: é um grupo mal intencionado e fora-da-lei.

Um veículo de comunicações que expõe um título faccioso como esse, falseando a verdade, tomando partido de grupos sabidamente terroristas e influenciando negativamente a opinião pública, nem poderia ser editado. O conceito de “liberdade de imprensa” termina onde se inicia um noticiário mentiroso e faccioso.

Cadê o Ministério Público, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), o Itamarati, o Ministro da Justiça, que não deveriam se omitir e até fechar um antro de racistas como este?

Foi exatamente assim que começou a perseguição aos judeus, homossexuais, padres e ciganos na Alemanha com o famigerado Hítler.

Ateção, autoridades: nem será difícil encontrar esse pessoal: basta ler o Expediente do jornaleco.

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Criminalidade e cadastro de vítimas e criminosos

Estão faltando alguns dados importantes nas notícias emanadas da cidade de São Paulo: qual, afinal, é a origem das vítimas de bandidos que andam chacinando pessoas a esmo e a dos tantos criminosos apanhados ou mortos pela polícia?

Duvido muito que sejam paulistanos. Paulistanos trabalhadores. Os tais paulistanos da gema, quatrocentões. Ou os paulistanos do Brás, da Moóca, cantados em verso e prosa pelos sambas do Adoniran Barbosa. Não são moradores dos bairros dos Jardins, Moema, Campo Belo, Vila Mariana. Nem do Tatuapé, Belém, Ipiranga, Cambuci.

Ao governo federal não interessa que venha à tona a investigação e descoberta de que a maioria das vítimas e dos criminosos envolvidos diariamente nos noticiários policiais são moradores da mais pobre, feia e vergonhosa periferia, resultado do desequilíbrio econômico, social e político provocado pela incompetência de governadores das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Governadores que não sabem ou não querem dar um basta à indústria da seca, um impulso ao progresso, um mínimo de dignidade e os necessários empregos aos seus conterrâneos.

Na falta de infra-estrutura, saneamento básico, escolas, transporte, saúde e futuro, milhares de nortistas e nordestinos fogem da pobreza e das agruras dos seus estados de origem para tentarem a sorte nas regiões Sudeste e Sul do país.

Como nenhuma cidade está estruturada para bancar o desequilíbrio social nacional, formam-se os bolsões de pobreza, as favelas, as sub-habitações, os cortiços, as invasões de áreas públicas e privadas, a tomada de riachos e áreas de preservação ambiental, represas, lagos, lagoas, loteamentos clandestinos, as casas com “lajes”, provocando aglomerações urbanas absolutamente fora de padrões e incompatíveis com um mínimo de conforto e bem-estar.

Não se pode chamar este grupo de moradores da periferia de paulistanos. São invasores, muitas vezes involuntários, lutando pela sobrevivência a qualquer custo. Nem que esse custo seja matar ou morrer como bandidos ou como vítimas.

O governo federal deve ser chamado às falas, urgentemente. É obrigação de cada estado da federação cuidar e zelar pelos seus habitantes. O governo federal se omite escandalosamente destes fatos e quer agora colher os frutos da sua omissão atiçando a população (com o auxílio da má imprensa) contra governadores e prefeitos do Sul e do Sudeste, como se este fossem os culpados. Não o são!

Pena que a Procuradoria Geral da República não se preocupe com estes aspectos macros do nosso país. Pena que os governadores do Norte e Nordeste não tenham pudor, escrúpulos e moral para mudar esta situação. Pena que os governadores das regiões Sul e Sudeste estejam amarrados  politicamente através da Constituição brasileira, obrigados a aceitar este desequilíbrio migratório.

Nós jamais saberemos das verdades.

Foto: Revista Veja
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