Meteoros, lixo espacial… e nossas cabeças

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No último dia 15 de fevereiro, um meteoro de 10 toneladas caiu na região dos Montes Urais, na Rússia e deixou perto de mil e 100 pessoas feridas, entre elas 200 crianças, além de causar pânico entre moradores dos arredores. A onda de choque causada pelo fenômeno destruiu cerca de 100 mil metros quadrados de vidraças, afetando três mil prédios da região.

Além dos meteoros – parte natural do universo cósmico e nos quais o homem não tem a menor interferência -, estima-se que mais de 19 mil objetos maiores de dez centímetros, além de outros 500 mil menores formam uma espécie de nuvem de lixo espacial ao redor da Terra. São restos de foguetes e satélites desativados, fragmentos de naves e até ferramentas usadas por astronautas. Dificilmente um objeto destes vai cair nas nossas cabeças, mas os detritos podem colidir com satélites em operação e missões tripuladas, prejudicando a exploração do espaço.

Segundo a Nasa, agência espacial dos  Estados Unidos, cerca de 200 destes objetos entram na atmosfera terrestre todos os anos, mas se desintegram após entrar em combustão. Alguns, no entanto, podem atingir o planeta, como ocorreu com o UARS (Satélite de Pesquisa de Alta Atmosfera), lançado em 1991 pelo ônibus espacial Discovery. Desativado  em 2005, após ficar sem combustível, o satélite tinha o tamanho de um ônibus e pesava seis toneladas, sendo o maior a retornar à Terra em três décadas. Na reentrada da atmosfera, o UARS se esfacelou. Mesmo assim, cerca de 500 kg de peças chegaram até o Oceano Pacífico.

Até hoje, o único caso conhecido de uma pessoa atingida por entulho espacial aconteceu em 1997. A americana Lottie Williams foi alvejada no ombro por um pedaço de foguete, sem sofrer ferimentos.

Em 2009, o satélite russo Cosmos-2251, lançado em 1993 e já desativado, colidiu com o satélite de comunicações americano Iridium 33. Foi a primeira maior colisão de satélites artificiais na órbita terrestre. Vários detritos foram gerados pelo choque, que destruiu o satélite russo.

Não existe ainda nenhuma tecnologia que permita a “limpeza” do espaço. Os custos de uma operação de remoção dos materiais são muito altos. Ideias há muitas: recentemente, cientistas propuseram o lançamento de um satélite que acoplaria motores propulsores aos resíduos para que eles fossem levados até a atmosfera, onde se desintegrariam. Outras propostas incluem redes metálicas gigantes, canhões lasers e fios condutores de cobre inseridos em satélites para que pudessem ser atraídos pelo campo magnético da Terra.

A fabricante de satélites Astrium, da Grã-Bretanha, está desenvolvendo uma nova arma contra o lixo espacial: um arpão para “caçar” objetos abandonados. O equipamento é capaz de alvejar satélites, foguetes e outras peças abandonadas.

Outra empresa, a Satview.org, permite rastrear milhares de satélites ou fragmentos de lixo espacial que estão próximos a reentrar na atmosfera ou até mesmo colidir com a superfície da Terra. A previsão é feita através de modelos de evolução orbital e leva em consideração o fluxo solar no instante da previsão, realizada duas ou três vezes ao dia. No momento o total de satélites ou fragmentos monitorados soma 6.876. E a previsão do lixo espacial próximo a reentrar na atmosfera nos próximos 30 dias é de 23.

Mesmo assim, sempre há surpresas: um objeto espacial não identificado está chamando a atenção da comunidade científica e de moradores de uma aldeia remota localizada na Sibéria. O dispositivo, que se assemelha à tampa de uma gigantesca lata de lixo, pesa 200 kg e caiu do céu sem explicação, em dezembro do ano passado, perto de uma aldeia chamada Otradnensky, localizada a 2 mil km a leste de Moscou.

Peritos espaciais russos que analisaram a peça não sabem precisar qual é a origem do artefato. Segundo os especialistas, o fragmento não parece ser um foguete ou um míssil, assim como ainda não pode ser comparado com nenhum detrito de alguma tecnologia espacial terrestre.

O objeto de metal, que tem cerca de 2 metros de altura, está sob a guarda da polícia e da agência espacial russa. Para aguçar ainda mais o imaginário popular, teorias iniciais de que a peça era parte de um foguete espacial ou de algum satélite já foram descartadas.

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