Fronteiras: foragidos escapam, drogas entram

Deu para perceber pelas notícias da fuga de Henrique Pizzolato para a Itália que sempre há um jeitinho para foragidos da justiça deixarem o Brasil. Segundo o “Estadão”, o ex-diretor do Banco do Brasil enfrentou uma viagem de 1.600 quilômetros, 20 horas de estrada, fez duas paradas para abastecer o carro, comeu refeições de biscoito, banana e água e chegou à fronteira do Paraguai há cerca de 50 dias. O automóvel que o levou permaneceu em território brasileiro, Pizzolato despediu-se do amigo que o levava, atravessou a pé a linha imaginária entre os dois países e embarcou em outro veículo, que já o esperava. Rumou para Buenos Aires, na Argentina, onde, já com outra via do passaporte italiano – a primeira fora entregue à Justiça do Brasil, junto com o passaporte brasileiro -, tomou um voo para a Itália.

Provavelmente foi uma estratégia até sofisticada demais: inversamente tem sido muito mais descomplicada a entrada de imigrantes ilegais no Brasil, cruzando fronteiras secas ou através de rios e se misturando com as pessoas em várias cidades brasileiras sem serem detectados. Só mesmo quando ocorrem denúncias, como no caso dos bolivianos ilegais que trabalhavam num regime de escravatura em pequenas fábricas de confeccção no bairro do Bom Retiro em São Paulo, ou quando a Polícia Federal promove algumas incursões em áreas afastadas que viram palco de tiroteios e invasões, é que os ilegais são descobertos.

submarino

Pequeno submarino para transporte de drogas descoberto pela polícia. E os outros?

È também notória a facilidade com que drogas e armamentos (até pesados) “vazam” por nossas fronteiras. Barcos e até submarinos fabricados em fundos de quintal cruzam toda noite nossos rios abastecendo traficantes e delinquentes. Pequenos aviões riscam os céus aterrisando em pistas clandestinas, ou simplesmente arremessando  toneladas de drogas mensalmente. Até tripulantes de navios chegaram a desovar pacotes de drogas no mar que só foram descobertas por aparecerem próximos das praias de Guarujá.

Quanto à extradição de Pizzolato para o Brasil, seria uma surpresa inesperada: primeiro porque ele possui cidadania italiana e a exemplo de outro condenado (Salvatore Cacciola, que deu um golpe monumental no Brasil prejudicando milhares de acionistas do seu banco “Marka), dificilmente a Itália o “exportaria”. Cacciola só foi preso muitos anos depois porque cometeu a asneira de viajar até Mônaco para visitar a namorada e a Interpol o interceptou.

Pesa ainda sobre uma eventual extradição de Pizzolato o caso de Cesare Battisti, ex-militante italiano, antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo e condenado por assassinatos na Itália. Foragido no Brasil, nossos amáveis e generosos ministro Amorim e o apedeuta lula, com o aval do STF, julgaram por seu livre arbítrio – contra todas as provas e evidências levantadas na Itália – de que ele era apenas um “perseguido político” e jamais o devolveram aos italianos. No mínimo, no mínimo, agora os italianos darão o troco. Aliás, seria um troco muito bem dado.

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