Quem aguenta a campanha eleitoral?

vereador-zoinhoUm desfile de aberrações, gente ridícula, comportando-se como palhaços, decorando rimas infantis, sofrendo para ler uma ou duas linhas de texto com sua baixa escolaridade (ou nenhuma), vestindo roupas espalhafatosas, gritando seus nomes e números… não há o que grande parte dos candidatos a cargos eletivos não façam. E nem se pode dizer que inventaram agora esta fórmulas, que já foram exploradas em eleições passadas, como fazia o falecido Enéias (“Meu nome é Enéias!”), ferindo nossos ouvidos. Agora ele tem uma substituta totalmente ridícula, que fazia dupla com ele e imagina vencer com a mesma tática.

Não dá mais para ouvir dia após dia, noite após noite, a frase tão batida “Se a eleição fosse hoje”, que os telejornais e as rádios incansavelmente repetem, tentando vender números duvidosos como se fossem acertos matemáticos infalíveis. Pesquisas que dificilmente refletem a realidade do país e mais parecem ser uma forma massacrante de induzir os telespectadores, ouvintes e leitores a já se predisporem para aceitar antecipadamente os resultados que eventualmente serão manipulados – é o que se fala das urnas eletrônicas.

Tudo leva a crer que haja muito dinheiro sendo canalizado para a mídia, que faz questão de nos informar sobre “o dia dos candidatos”, como se fosse o segmento informativo mais importante dos noticiários. Oras, eu não tenho o menor interesse em saber que o candidato vestiu uma roupa roxa ou cor de abóbora para participar de uma visita aos limpadores de fossa da cidade Cantinho do Céu nos cafundós de Roraima; ou que tomou um cafezinho no boteco do Raimundinho, segurando e beijando um bebê desconhecido, com as fraldas sujas e o nariz escorrendo – tudo pela popularidade e demonstrando sua “generosidade” – o pior é que só fazem isso uma vez a cada quatro anos, encastelando-se depois em seus palácios ou nas “casas do povo”, onde o povo mesmo jamais tem acesso.

Tenho o privilégio de poder assistir TV a cabo e descobri programas que julgava ser muito chatos – antes da campanha eleitoral. Receitas de 15 minutos por Jamie, Trato Feito, Polícia 24 Horas, O Canadá visto de Cima, reportagens e documentários no DW (canal alemão), filmes franceses na RFI (Rádio França Internacional)… há uma infinidade de programas tão, mas tão melhores do que nossa propaganda política obrigatória e a cobertura (leia-se merchandising) que os programas jornalísticos nos oferecem, que meu controle remoto dificilmente sobreviverá a mais outra eleição, de tanto que ando zapeando.

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