Mês: agosto 2016

 

Doces ou Travessuras?

dilmaHoje poderia ser o dia de Halloween. A bruxinha maligna, que prejudicou 110% do nosso país, estará batendo às portas do Senado Federal com a esperança de receber doces. Esperamos que ela realmente receba os doces como consolo, o que evitaria novas travessuras, transtornando nossas vidas.

Olho em volta na nossa cidade de Londrina: dezenas e dezenas de lojas, restaurantes, salões de beleza e outros empreendimentos foram fechados, causados pelo aumento do desemprego e pelos crescentes pedidos de recuperação judicial, aliados à queda do poder aquisitivo da população, cada vez mais endividada. Uma decadência jamais vista em tempos anteriores.

Se o Senado não conseguir os votos necessários para a deposição definitiva da causadora deste desastre, a bruxinha continuará com suas ações incompetentes, seus gastos inconsequentes e seus crimes já caracterizados e provados através do processo de impeachment na Câmara Federal e no Senado.

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Novela interminável

https://www.youtube.com/watch?v=JwWMWO4dDMk

Rodando há meses na tevê, a novela do impeachment ocupa centenas e centenas de pessoas entre atores, cameramen, apresentadores, comentaristas, jornalistas (neste momento centenas e centenas vieram do Exterior para esta cobertura) e todos os espaços da mídia. Contando o tempo de exibição, colocaram as novelas da Globo no chinelo.

Há dois problemas graves: o primeiro é que ninguém aguenta mais acompanhar um enredo chato, com personagens chatos, e com final já previsível. Todos sabem que a personagem maligna vai perder – e que não há mocinhos nesta história. A segunda é que ao invés de tornar prazeroso acompanhar os episódios, é uma novela cansativa, monótona e que, sabemos de antemão, só traz prejuízos ao povo brasileiro. Prejuízos financeiros e também morais.

Até abril o custo da montagem desta novela, cujo cenário era a Câmara dos Deputados, já passava dos 50 milhões, segundo avaliações de especialistas. Mudou-se agora o cenário para o Senado Federal – e sabe-se lá quanto vai custar para cada brasileiro, principalmente levando-se em conta que a personagem principal está cercada de funcionários regiamente pagos com o nosso dinheiro – mesmo sendo até aqui agente passiva na novela.

Se esta novela não fez o Brasil parar – como algumas novelas da Globo já conseguiram – pelo menos paralisou inicialmente a Câmara Federal e agora o Senado, cujos titulares recebem quantias astronômicas para legislar, mas que estão unicamente empenhados em participar – não se sabe se pelo bem do povo ou para aparecer na mídia e angariar votos, eleitores e simpatia dos espectadores.

De vez em quando os espectadores sofrem um sobressalto com a interpretação dos personagens, quando ocorre algum entrevero como a da Gleisi, bandida paranaense de carteirinha, acusando seus pares de serem também bandidos (veja o vídeo). Ou com os chiliques de Vanessa, o besteirol declamado por Lindbergh (a quem Caiado, na sua condição de médico, chama de drogado e sugere que faça tratamento contra as drogas), o nordestinês semi-analfabeto de Fátima, a gritaria do Cardozo… nada que se possa levar muito a sério.

Todo mundo sabe que essa novela jamais terá fim. Quando a mulher maligna for eliminada, novos personagens tomarão conta – e os futuros enredos já são desde já conhecidos. Uma inutilidade que nada soma para nossa inteligência.

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Cadeia endireita criminosos?

assassino

É necessário colocar em cheque a função dos presídios brasileiros. Ao assistir os programas policiais nos quais os agentes da lei abordam suspeitos, grande parte destes cita suas passagens pela cadeia pelos números utilizados no código penal (157, 121 e outros). Os grandes problemas são a reincidência – e o cometimento de crimes após a soltura da prisão. Os veículos de comunicação nos “brindam” diariamente com esse tipo de notícia:

“Um homem de 44 anos agrediu e matou os tios, de 71 e 67 anos, no bairro Bom Jesus, em Barretos. Segundo a Polícia Militar, o suspeito é ex-detento e deixou a cadeia há dez dias. O homem estava em abrigo e os idosos conseguiram a liberação dele da unidade, mas, ao chegar na casa dos parentes, o ex-detento agrediu e matou as vítimas com uma cadeira de ferro”.

“Uma jovem foi morta a facadas pelo ex-namorado, em Rolândia, na Região Londrina, Paraná. A vítima tinha apenas 23 anos e estava grávida de dois meses. De acordo com informações da Polícia Civil, o suspeito pelo crime havia deixado a prisão horas antes de cometer o crime, após ganhar o benefício do regime semiaberto”.

“Um preso beneficiado pela saída temporária matou a própria mãe, de 61 anos, com golpes de faca, em Catanduva, SP. Depois do crime, o assassino fugiu com o carro da vítima”.

“Um pedreiro esteve 10 anos na prisão por crimes de pedofilia. A Justiça brasileira libertou-o e imediatamente ele voltou a abusar sexualmente de crianças, só que desta vez foi mais longe: confessou ter morto seis rapazes e acabou novamente detido”.

“Um homem foi preso, acusado de agressão contra a própria mulher e enquadrado na Lei Maria da Penha. Ele permaneceu detido em Sinop, a 503 km de Cuiabá por alguns dias e depois foi liberado; poucos dias depois, atirou na esposa, que foi encontrada caída com um tiro no abdômen. A vítima tem um casal de filhos e o crime foi cometido na frente deles”.

Será que o sistema penitenciário brasileiro não merece uma nova abordagem e um reestudo pelo nosso Legislativo e pelo Judiciário?

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Desviando o foco

nadadores americanosÉ de intrigar a importância que a mídia dedicou ao deslize cometido pelos quatro atletas-nadadores norte-americanos quando tomaram um porre numa balada no Rio de Janeiro e, bêbados, encenaram uma falsa acusação de assalto por policiais.

A eficiência investigativa da polícia civil carioca trouxe rápidas respostas com a análise de fitas de vídeo gravadas no posto de gasolina onde ocorreu o incidente e da chegada dos quatro de volta à Vila Olímpica, de manhã cedinho, além de declarações de testemunhas.

OK, OK, os fatos foram esclarecidos. A justiça brasileira obrigou os atletas a pagarem multas altíssimas, completamente fora dos padrões usuais quando se trata de brasileiros infratores. E caso encerrado!

Neste entretempo, veja algumas manchetes dos jornais no período da Olimpíada:

– Mulher desaparece após sair para amolar alicate, no Rio
– Soldado foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça ao entrar, com mais dos agentes, na Vila do João, no Complexo da Maré
Policial civil foi morto enquanto esperava filha para passear na Baixada Fluminense
– PM é baleado no Alemão e van incendiada após ser atingida por bomba
– Três suspeitos morrem em confronto com a polícia em Del Castilho; ônibus são incendiados em protesto
– Traficantes atacam viatura e PM é baleado no Morro do Dezoito, na Zona Norte do Rio
– Grupo de travestis é preso após assaltar turistas argentinos em Copacabana
– Turistas estrangeiros são assaltados no bonde de Santa Teresa
– Mulher é baleada dentro de casa enquanto assistia à Olimpíada, na Baixada Fluminense
– Menino morto pela mãe na Baixada já havia sido agredido outras vezes por ela
– Homem morre durante tentativa de assalto em shopping na Barra da Tijuca
– ‘Difícil ter esperança de paz’, diz filho de mulher morta por bala perdida no Alemão
– Polícia procura suspeitos de assalto na Floresta da Tijuca
– Candidato a vereador é morto a tiros na Baixada Fluminense
– Motorista de Uber é morto após briga por vaga em Niterói
– Residência na Tijuca é assaltada por três homens armados
– Policial é baleado em confronto com criminosos no Caju
– PMs da UPP Tabajaras são recebidos a tiros na Zona Sul do Rio

Por que a mídia não deu a mesma importância para estes crimes – todos muito mais graves – ocorridos na cidade da Olimpíada? Só dá para imaginar que, coniventes com os gestores do Rio de Janeiro e da Olimpíada, miraram os holofotes para os americanos com o único objetivo de desviar a atenção dos turistas e atletas, evitando assim mostrar a crueldade de criminosos na cidade que é uma das mais violentas do Brasil.

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Afinal, qual é a do STF?

ficha limpa

A Lei da Ficha Limpa, fruto da iniciativa da população brasileira, que coletou 1,3 milhão assinaturas pelo país, determina a inelegibilidade, por oito anos, de políticos condenados em processos criminais em segunda instância, cassados ou que tenham renunciado para evitar a cassação, entre outros critérios. A inelegibilidade alcança, ainda, os que forem condenados pelos crimes contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público; contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência; contra o meio ambiente e a saúde pública; crimes eleitorais, para os quais a lei determine a pena de prisão; de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública; de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos; de redução à condição análoga à de escravo; contra a vida e a dignidade sexual; e delitos praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando.

Centenas e centenas de candidatos em todas as esferas – municipais, estaduais e federais – foram alcançados por esta lei, aprovada na Câmara dos Deputados no dia 5 de maio de 2010 e também no Senado Federal no dia 19 de maio de 2010 por votação unânime. Sancionada pelo Presidente da República, transformou-se na Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010. Com isso, tornaram-se inelegíveis, para sorte dos munícipes.

Para surpresa geral da nação, o STF acaba de decidir no último dia 17/08 que apenas a Câmara de Vereadores pode tornar inelegível um prefeito que teve suas contas rejeitadas por um tribunal de contas. Nesse contexto, a desaprovação pelos tribunais servirá apenas para auxiliar o Poder Legislativo na análise dos gastos. Se considerarmos que os políticos formam uma confraria, moldada por interesses recíprocos entre vereadores e prefeitos, a decisão do Supremo concede um aval para que prefeitos corruptos se candidatem, sejam eleitos e continuem na sua rotina de crimes contra seus municípios.

O pior foi a declaração do ministro Gilmar Mendes, ao comentar a Lei da Ficha Limpa: “Uma lei feita por bêbados. Sem querer ofender ninguém, mas já ofendendo, ou reconhecendo ao menos, que parece que [a lei] foi feita por bêbados. É uma lei mal feita”.

Segundo o STF, após a desaprovação por um Tribunal de Contas, seria necessária também uma rejeição por pelo menos 2/3 da Câmara dos Vereadores, o que enfraquece os termos da Lei Ficha Limpa, possibilitando a liberação da candidatura de políticos até então declarados inelegíveis pela legislação.

O presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, Valdecir Pascoal, classificou como “retrocesso” a decisão do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual candidatos a prefeito que tiveram contas rejeitadas apenas pelos tribunais de contas estaduais podem concorrer ao pleito de outubro. “A palavra ‘bêbados’ usada pelo ministro Gilmar Mendes é que nos surpreende, porque pensamos exatamente o contrário. A Lei da Ficha Limpa é cidadã, fruto da iniciativa popular. É uma das leis mais importantes para a República Federativa do Brasil, depois da Constituição Federal de 1988 e da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Agora a associação por ele preside se juntará a outras entidades na tentativa de sensibilizar a Corte. “Vamos fazer um movimento nacional – junto com MCCE [Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral], OAB, CNBB e todas entidades de controle – para tentar sensibilizar o STF a rever essa decisão, por meio de embargos declaratórios”.

Para onde caminha o Supremo Tribunal Federal, que dia a dia cai cada vez mais no descrédito da nação?

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De olho nas boquinhas

vereador3As boquinhas para  cargos eletivos devem ser ótimas. Veja quantos candidatos se habilitaram para faturar com a política, rezando para serem eleitos na próxima eleição em todo o Brasil:

10.338 para Prefeito
10.308 para Vice-prefeito
278.198 para Vereador

Raros deles têm o perfil de “servidores da pátria”, aquele tipo de pessoa que se compraz em ajudar o próximo, fazer o bem, participar de mutirões em prol da comunidade e coisas que tal. A maioria vereador1enxerga nas eleições a oportunidade de faturar um salário razoável e, pior, participar de esquemas financeiros, daqueles que só os políticos são capazes.

Em Londrina, por exemplo, a Câmara Municipal tem 19 cadeiras, com salário de R$ 12,9 mil por mês. Há municípios onde os valores são bem maiores e os dias de trabalho bem esparsos, tipo duas sessões semanais.

É por isso que existem candidatos de nomes esdrúxulos – sinal imediato de suas (in)capacidades para assumirem cargos públicos. vereador2Como em Barras, Piauí, onde 89 candidatos se apresentaram para concorrer. Entre eles estão Bob Osso, Boneca, Diabo Louro, Dimoscou, Dona Breta. Irmão Toinho Camelô, Mazé da Banca, Palhaço Mineiro, Pato, Tia Sula, Zé do Pó… a política é ou não é uma piada pronta?

(As imagens são das eleições de 2012)
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Quando a ética jornalística vai para o espaço

(Do jornal Extra, Globo)

nico hines

O jornalista Nico Hines

Um artigo escrito pelo editor britânico do site “The Daily Beast”, Nico Hines, vem gerando polêmica ao “tirar do armário” alguns atletas que estão no Rio para a Olimpíada. O jornalista, que é heterossexual, criou um perfil no aplicativo de paquera Grindr, voltado para o público LGBT, mapeou alguns atletas que surgiram no raio de GPS da Vila dos Atletas e preparou “armadilhas” para eles, inclusive chegando a marcar encontros em que não apareceu.

O artigo, chamado “Consegui três encontros no Grindr em uma hora na Vila Olímpica”, detalha a facilidade com que Nico conseguiu marcar encontros, não somente pelo Grindr, como também por outros apps do tipo, como Hornet, Tinder e afins. Em seu texto, o editor afirma que não tinha intenção de abordar exclusivamente os atletas homossexuais. No entanto, sua ótica fica, basicamente, em cima deles. “Um viveiro de atletas em festa, pegação, e sexo, sexo, sexo”, diz o jornalista.

Em determinado momento de seu artigo, Nico menciona um atleta oriundo da Ásia Central, de um país onde a homossexualidade é extremamente criminalizada e os LGBTs vivem praticamente em situação de risco extremo. Esta informação compartilhada pelo texto de Hines vem levantando polêmica e questionamentos sobre o limite da ética jornalista.

No Twitter, Amini Fonua, nadador que está no Rio para os Jogos e nasceu em Tonga, país onde os homossexuais são violentamente criminalizados, criticou de forma pesada o trabalho do editor do “Daily Beast”. “Algumas dessas pessoas que você tirou do armário são meus AMIGOS. Com família e vidas que serão afetadas para sempre”, disparou Amini, que publicamente se declara homossexual.

“Imagine um espaço onde você pode ser você mesmo, se sentir seguro, sendo arruinado por alguém que acha que tudo é brincadeira?”, escreveu o nadador em outro post. “Nenhum heterossexual saberá alcançar a dor de revelar a sua verdade. Não tenho nem palavras, só consigo chorar”, complementou Amini.

Após a polêmica envolvendo seu artigo, o jornalista Nico Hines foi retirado da cobertura da Olimpíada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

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“Potências olímpicas”

felipe kitadai

Felipe Kitadai, favorito ao ouro no judô, chora depois de ser eliminado na repescagem

Até ontem à noite, o Brasil estava classificado em 28o. lugar na Olimpíada, com 1 medalha de ouro, 2 de prata e 3 de bronze, num total de 6 medalhas. Só como comparação, a Coreia do Sul, país de 50,2 milhões de habitantes, (1/4 da nossa população) ocupava o 10o. lugar, somando 6 de ouro, 3 de prata, 5 de bronze, num total de 14 medalhas.

Tudo bem, tudo bem: o Brasil ainda tem chances de conseguir medalhas em alguns esportes coletivos, mas pelo que se tem visto, outros países serão páreos duros.

Uma notícia de 25/04/2011 na mídia brasileira informava que em Pequim, em 2008, o Brasil ocupou o modesto 23º lugar, com três medalhas de ouro, quatro de prata e oito de bronze, ficando atrás de países como Etiópia, Bielorrússia e Romênia. À época, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, alardeava que “o valor a ser investido no Brasil vai ser semelhante ao que investe o governo da Austrália”. Nos Jogos Olímpicos de Pequim a Austrália ficou no sexto lugar geral no quadro de medalhas, com 14 de ouro, 15 de prata e 17 de bronze. “O valor vai ser próximo ao que investe a Austrália, mas ainda não chega perto o que investem China e os Estados Unidos, por exemplo (primeiro e segundo colocados no quadro de medalhas em Pequim, respectivamente). O dinheiro vai ser apenas para os atletas de elite”.

Notícia publicada em site da presidência da República em 24/09/2012, informava que “com o Plano Brasil Medalhas, o governo federal cria a Bolsa Pódio, que vai pagar até R$ 15 mil reais por mês para os atletas de alto rendimento. Técnicos e equipes multidisciplinares também vão receber o apoio do governo, que vai investir ainda na construção, reforma ou modernização de 22 centros de treinamento de alto nível. O objetivo é garantir as melhores condições de treinamento para os atletas brasileiros”.

Agora faltam as respostas para várias perguntas: o nosso país cumpriu mesmo todas as promessas de investir nos esportes? O que diferencia os países ganhadores de medalhas (só os Estados Unidos já ganharam mais de mil medalhas de ouro)? Por que há raros medalhistas entre nossos atletas de esportes individuais? E por que nossa mídia cria tantas falsas expectativas antes de cada edição das Olimpíadas em relação aos nossos atletas, que são endeusados e, após o insucesso, totalmente marginalizados?

 (foto Folha/UOL)
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