Mês: outubro 2016



O Holocausto do SUS

sus

O programa “Fantástico” da Rede Globo nos “brindou” com uma reportagem alarmante: algumas histórias de brasileiros que perderam seus empregos e, por consequência, também os planos de saúde a que tinham direito, fosse por parte da empresa, fosse por não poderem mais arcar com seus custos.

As filas nos postos de saúde e hospitais públicos se assemelham às filas dos judeus, ciganos, padres e homossexuais aprisionados pelas tropas das SS de Adolf Hitler, na Segunda Guerra Mundial: docilmente, eles se encaminhavam para barracões onde presumidamente iria ser feita uma triagem e o encaminhamento para trabalhar em fábricas, enganados por uma frase aplicada nos portões de entrada do campo de concentração de Auschwitz: “Arbeit macht frei” (O trabalho liberta). Na verdade, os barbeit macht freiarracões escondiam as câmaras de gás onde aquelas pessoas que formavam longas filas foram sendo exterminadas com a finalidade de separar a alegada “raça pura” nos países conquistados pelo ditador.

A reportagem – mais uma – sobre o SUS, Sistema Único de Saúde, mostrou o desespero das milhões de pessoas que dependem dos serviços de saúde do governo: filas e mais filas para retirada de senhas, marcações de exames em datas a perder de vista, pessoas gemendo de dor sem atendimento, falta de leitos e de espaços adequados, agonia dos doentes e seus familiares. Exames agendados em um sistema informatizado simplesmente desapareceram do sistema. Não há distinção de tratamento para idosos ou crianças – para o SUS a vida humana não tem a menor importância. Centenas de doentes morrem à espera de um exame que não é realizado. Exatamente como procederam os nazistas…

É inacreditável que no Século XXI, quando houve um enorme avanço na medicina, na tecnologia, nos equipamentos para exames de alta complexidade, no conhecimento do corpo e da mente humanas, a gestão hospitalar e dos postos de saúde de responsabilidade dos governantes tenha regredido ao ponto da desumanidade, da indiferença, chegando aos limites de se constituírem em ações criminosas contra a vida.

Vamos acompanhar o trabalho dos milhares de prefeitos que em suas campanhas infalivelmente prometeram “dar uma solução” aos problemas da saúde pública. Pois o que sucede hoje já é caso de denúncias a cortes internacionais dos Direitos Humanos.

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10 anos de Bahr-Baridades

Nosso blog está completando 10 anos na rede mundial, neste dia 29 de outubro.

Naquele já distante ano de 2006, eu inseria os dois primeiros posts: um, sobre o propósito do blog, e outro ironizando sobre minha experiência um tanto traumática dos dias de pós-operatório que passei em hospital, que valeram o “Manual Pós-Operatório”. Uma leitora levou o post tão a sério que me escreveu, brava comigo, pois deveria sofrer uma intervenção cirúrgica e já estava apavorada por antecipação.

Em janeiro de 2011, nosso blog foi convidado a fazer parte do cast de blogueiros do portal de odiario.com (Diário de Maringá), na  companhia de excelentes blogueiros, cada um com sua linha de informações.

Este blog não tem finalidades lucrativas nem patrocinadores. Continua no ar por pura teimosia – mas não deixa de ser uma catarse para este seu blogueiro, já nem tão jovem, bastante desiludido com a classe política brasileira e descrente das boas intenções dos “promessinhas” e “promessões” que pululam pelo país.

Nestes dez anos nosso país se desenvolveu nas duas pontas: tivemos um grande progresso em tecnologia, ciência, conhecimentos, e chegamos a crescer economicamente… até a desastrada gestão do PT. Na outra ponta, cresceu a miséria, a pobreza, a desinformação, a ignorância, a criminalidade, o consumo de drogas. Os posts de Bahr-Baridades abordam as duas pontas.

stanislaw_ponte_preta

Na apresentação do blog eu citava Stanislaw Ponte Preta (1923 – 1968), um dos mais sarcásticos críticos, especialista em besteirol, asnices e idiotices, principalmente originados de políticos, dirigentes de clubes de futebol e de certa “casta” de apresentadoras de tevê.

livro arapuaTambém citei Sérgio de Andrade, o “Arapuã” (1938 – 2009), publicitário como eu, e sua famosa coluna “Ora Bolas”, além de livros publicados, sempre em teor irônico. Pena que eles já não estejam mais entre nós. Suas verdades divertidas, cortavam fundo e hoje nos fazem muita falta.

Para quem, como eu, lia aquelas colunas nos jornais lá pelos anos de 19…, seus escritos continuam a ser uma fonte de inspiração.

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Lula, PT, Gleisi Hoffmann: deturpação e desinformação

O arrasado PT enviou à ONU um pedido de defesa de Lula contra as ações do juiz Sergio Moro, que acusa o juiz responsável pela Lava-jato e procuradores de violação de direitos humanos. Segundo advogados do petista, “o governo brasileiro foi intimado a apresentar informações sobre o caso no prazo de até dois meses”.

gleisiMais uma vez a senadora Gleisi Hoffmann surgiu espalhafatosamente na mídia, procurando iludir a opinião pública (assim como ela fez no caso do impeachment da agora ex-presidente), puxando a brasa para a sardinha já bem assada do ex-presidente lula (eis aqui uma coincidência marinha), com um “eu não disse que as acusações contra lula são uma farsa?”

Tudo indica que o PT seguiu o caminho errado: juridicamente, Lula teria que buscar o poder Judiciário brasileiro ou a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Os advogados do ex-presidente Lula afirmaram que a Organização das Nações Unidas (ONU) aceitou o pedido feito pela defesa por “supostas arbitrariedades cometidas pelo juiz Sérgio Moro”.

Pois a ONU, que confirmou o recebimento da petição de Lula, informou que o processo pode levar “pelo menos dois anos” para ser analisado. “Os funcionários do escritório da ONU vão examinar a petição, fazer um resumo legal e enviar aos membros do Comitê (de Direitos Humanos) para que avaliem e vão decidir se o caso pode ser registrado se todas as avenidas legais domésticas foram esgotadas”.

As “avenidas legais”, é claro, não foram esgotadas: a queixa ridícula de Lula é principalmente contra Sérgio Moro, um juiz de primeira instância.

O que prova que a notícia inicial repassada à opinião pública pela nossa Barbie paranaense, com tanto espalhafato, foi absolutamente inútil. E falsa.

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A idiotice do “nós contra elles”

É! Parece que a turma dos esquerdistas conseguiu. Tanto batalharam, que conseguiram radicalizar politicamente o país, ao ponto de assistirmos a enfrentamentos nas ruas, intermináveis discussões e xingamentos nas redes sociais e até divisões entre famílias, cujas linhas de pensamento político são divergentes.

QuemMANIFESTAÇÕES/SÃO PAULO/SP sabe, Freud explicaria. O brasileiro tem uma incontrolável necessidade de adorar algum ídolo, um tipo salvador da pátria, um deus em forma de homem. Foi o que aconteceu com o surgimento do fenômeno Collor, um sujeito bem falante, de boa lábia, boa-pinta, que prometia acabar com os marajás (aqueles funcionários públicos que ganhavam demais através de um processo fraudulento de acumular extras ao salário básico). Foi assim com o Nhonhô Sarney, símbolo do coronelzão no Nordeste. Foi assim com a Erundina, um horror de ineficiência, que representava a própria imagem do povão, da periferia de São Paulo, e virou prefeita. E assim foram se elegendo Barbalho, Lobão, Ciro Gomes, Suplicy e tantos outros… cada região com seu salvador da pátanti mororia.

Para nosso azar, esta idiotice do “nós contra elles” continua. No momento, há uma radicalização por causa da Operação Lava Jato e ao invés dos brasileiros acatarem e assistirem o desenrolar dos acontecimentos, especialmente na esfera jurídica, dividiram-se entre os adoradores do mito Sergio Moro (e que mito) e os detonadores da Operação, especialmente contra o próprio juiz Moro.

Algo me diz que tudo isso vai acabar muito mal. Quem sabe o Freud ressuscite da sua tumba e volte para esclarecer melhor esses desencontros mentais pelos quais os brasileiros estão passando. Ou estarei também falando de um mito?

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Festival de grana. Com a nossa grana

claudia-leitteVocê se lembra da revolta dos artistas e “intelectuais” contra o Ministério da Cultura, fazendo movimentos em bloco e gritando as quatro ventos “Fora Temer”? Tudo porque o governo fechou as torneiras de onde jorravam milhões de reais aos protegidos do governo ‘impichado’, sem controle e na maioria das vezes sem que eles dessem a contrapartida nem cumpriam os contratos firmados.

Pois agora a cantora Claudia Leitte foi intimada a devolver R$ 1,2 milhão aos cofres públicos, já que a produtora CIEL (da artista) usou esta verba para uma turnê através da Lei Rouanet, mas não cumpriu regras legais de distribuição e venda de ingressos. A intimação foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira, dia 20. Como fazem todos os acusados de irregularidades, “a assessoria da cantora nega irregularidades e vai entrar com recurso”.

O Ministério da Cultura explicou que as contas foram reprovadas pois a turnê não realizou ações de “democratização de acesso”, que são exigidas pela lei e necessárias para ter um projeto apoiado. A produtora vendeu entradas mais caras do que foi acordado e não provou a distribuição de 8,75% de ingressos combinados a alunos de escolas públicas e entidades de assistência social. Esta distribuição gratuita foi prometida no projeto ao MinC. Tampouco foram enviadas informações sobre bilheteria e público do show realizado em Cuiabá, um dos doze que tiveram apoio da Lei Rouanet no projeto aprovado em 2013. A cantora conseguiu captar R$ 1,2 milhão de um total autorizado de R$ 5,8 milhões. Agora, com correção monetária, a devolução cobrada é de R$ 1.274.129,88.

Deu para perceber por que os artistas ficaram tão bravos com as mudanças realizadas pelo governo, estancando tantas e tantas irregularidades cometidas com nosso dinheiro? Só lembrando: quando Ana de Hollanda, irmã de Chico Buarque, era Ministra da Cultura, ela liberou em 2012 uma verba pública (com nosso dinheiro) para traduzir o livro “Leite Derramado” do irmão para o coreano, o que seria função da sua editora e não do governo. E justo uma tradução para o coreano…

Foto: Francisco Cepeda e Denilson Santos/ Ag. News
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Cunha já foi. E os outros?

corrupcao

OK, OK, Cunha foi preso. Não se sabe quais coelhos surgirão da sua cartola. Ele vai “dedurar” seus antigos companheiros e correligionários políticos? Vai abrir o jogo? Pelo que se conhece dele, rei da malandragem, vão ocorrer muitas barganhas, certamente Cunha levará vantagens para minimizar suas penas e tempo de prisão.

Agora faltam os outros. Por que Renan Calheiros, presidente do Senado, continua livre e solto, chilreando como um passarinho, apesar de ter contra si denúncias não explicadas desde que renunciou em 2007 ao posto mais importante do Poder Legislativo (o presidente do Senado acumula a presidência do Congresso Nacional), somando um considerável rastro de atos suspeitos ou não esclarecidos?

E o ex presidente, ex-tudo José Sarney? O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu sua prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, (devido à idade, 86 anos), depois de tomar conhecimento das gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que apontaram para a intenção de um “pacto” para deter a Operação Lava Jato. Além disso, dentre outras irregularidades, durante seu mandato presidencial, o governo sofreu denúncias de corrupção, tendo o próprio presidente Sarney sido denunciado, embora as acusações não tenham sido investigadas pelo Congresso Nacional. Foram citadas suspeitas de superfaturamento e irregularidades em concorrências públicas, como a da licitação da Ferrovia Norte-Sul, favorecimento nas concessões públicas de radiodifusão em troca de apoio político e liberação de dinheiro dos fundos controlados pela Presidência a municípios, sem critérios. Assim que a verba acabava, Sarney utilizava a chamada reserva de contingência e contava com a ajuda do ministro do Planejamento. Entre outras coisas mais.

Também falta prender sua filha, Roseana Sarney. E Lula, Gleisi Hoffmann, Ideli Salvati, Graça Foster, Lindberg Farias, Fernando Collor, Humberto Costa… todos acusados de irregularidades. Há muita gente na fila. A nós, resta aguardar uma faxina completa dos corruptos instalados nas esferas do poder.

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Escolarização baixa e violência nas periferias. Quem soluciona?

periferia

Obviamente são poucos os dados disponíveis para se analisar o nível de escolaridade nas periferias brasileiras. Uma das poucas pesquisas a que se tem acesso, foi apresentada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), em janeiro de 2015 e se refere a 12 municípios goianos da Periferia Metropolitana de Brasília: Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Cidade Ocidental, Cristalina, Cocalzinho de Goiás, Formosa, Luziânia, Novo Gama, Padre Bernardo, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso de Goiás.

É a primeira vez que a Codeplan realiza estudo sobre o nível de escolaridade e a falta de motivação para estudar na periferia de Brasília. O levantamento aponta que 1,13 milhão de habitantes da região apresentam reduzido nível de escolaridade. O problema mais grave, no entanto, está na base da educação: quase 70% das 92 mil crianças menores de 6 anos estão fora da escola (maternal, creche e pré-escola) e pouco mais de 28 mil são atendidas.

Dados também mostram que, apesar de 45% dos moradores terem até 24 anos, apenas 68% desses jovens estão nas salas de aula. Pouco mais de 4,5% da população local têm ensino superior. Muitos alegam não ter interesse em continuar os estudos.

A pesquisa também indica a existência de 60 mil analfabetos funcionais, o que representa cerca de 7% da população de 15 anos ou mais. A média regional é de 7,3%, mas alguns municípios superam os 16%. É definido como analfabeto funcional aquele que consegue escrever o próprio nome e identificar letras e números, sem, entretanto, redigir textos ou fazer operações matemáticas.

Estudo feito também em 2015, no Ceará, mostra que o cenário da violência nas periferias é extremamente complexo em suas origens, em sua abordagem e no vislumbre de futuro. Para o professor da Universidade Estadual do Ceará Geovani Jacó, a complexidade parte do desequilíbrio profundo de uma cidade que recebe muitos investimentos em uma “área nobre e parcos investimentos na periferia”. Seria assim, um cinturão de desigualdade.Essa breve definição certamente servirá para outras periferias, especialmente nas grandes cidades em todo o Brasil, onde a violência aumenta e se torna mais assustadora e cruel, dia após dia.

O Professor desafia que haja uma análise de quanto é investido nestas áreas em que os homicídios se concentram. Investimentos em saneamento, habitação, lazer, educação, saúde – historicamente ausentes de tantas áreas – impactam diretamente nos índices de violência, seja para aumentá-los ou diminuí-los, defende.

E, como mostrou o Mapa da Violência de 2014, as mortes têm rastros em comum: jovens negros do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos brasileiros. Segundo o diagnóstico, “os homicídios são hoje a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos no Brasil”.

Lamentavelmente, o poder público nas três esferas (municipal, estadual e federal), com raras exceções, nada faz para mudar essa situação trágica, que cresce geometricamente. Basta assistir a algum programa tipo “Polícia 24 Horas” ou “Operação Policial” e o que vemos são policiais enxugando gelo: o consumo de drogas (e por consequência os traficantes) aumenta assustadoramente, o que faz aumentar a criminalidade, o que faz a periferia permanecer quase intocável pelas autoridades, o que faz o jovem desistir da escola, o que faz com que nosso país permaneça quilômetros de distância de uma Coreia do Sul, por exemplo, (com fortes índices em rankings mundiais de educação, a Coreia do Sul é geralmente lembrada como exemplo de país cujo sistema educacional deu certo), o que nos torna cada vez menos competitivos e cada vez mais pobres…

Onde se encontra a solução?

Foto: Vinicius Pereira/FolhaPress
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Publicidade e rameta, prova de escova, Minerva…

O velho tipógrafo ajeitou a pala sem boné, empurrou a última caixa tipográfica de volta no cavalete, guardou o componedor e amarrou a rameta com o barbante. Era mais uma página de composição de textos pronta, uma mistura de linhas fundidas em linotipo e tipos da caixa.
Com a prática de tantos e tantos anos na profissão, preparou-se para bater a primeira prova. Com um rolo de mão, o tipógrafo passou cuidadosamente tinta preta sobre a composição na rameta, colocou sobre ela uma folha de papel jornal e golpeou-a com uma escova. As primeiras “provas de escova” estavam prontas para serem enviadas à agência de propaganda, onde seriam revisadas.
Para imprimir posteriormente as composições definitivas, o trabalho era ainda maior: o impressor montava a rameta no quadro de rama, preenchia os espaços vazios com material branco (lingotes de chumbo dos mais variados tamanhos), apertava os cunhos com a chave e colocava a rama na máquina de impressão Minerva . Um calço aqui, outro acolá e assim eram impressas algumas folhas no chamado papel glacê.
Na agência, o paste-up man passava talco no glacê para evitar que as composições borrassem e com um estilete cortava os vários blocos de texto para colá-los na arte-final, um desenho traçado com tira-linhas, seguindo fielmente a configuração do layout.
Não, esse relato não pertence à era pré-histórica. Era exatamente esse o processo, lá pelos anos 1960, usado pelas componedoras de textos que supriam as agências de propaganda, antes do advento das fotoletras, fotocomposições e da computação gráfica. Primitivo aos olhos de hoje? Talvez. Mas extremamente envolvente e romântico para aqueles que participaram daqueles tempos pré-computadorizados. E com um delicioso cheiro de tinta de impressão.
Quem se interessar, talvez encontre ainda em algum sebo um velho “Dicionário de Artes Gráficas” escrito por Frederico Porta, com mais de 400 páginas, editado pela Editora Globo na década de 1950. Lá você vai encontrar termos provavelmente jamais ouvidos, como biseladora, brunidor, calcossiderografia, chifra, corônis, duerno, faiar, fólio verso, helioplastia, isografia, lotinotipia, martelo justificador, monotipopolicromia, ocogravura, papirotipo, policopista, resvaladouro, rolo filigranador, rowotype, someiros, timpanilho, vinheteiro, além de breve biografia de João Gutemberg, nascido por volta de 1400, considerado o pai da tipografia “moderna”.
Pois naqueles tempos, para se trabalhar em criação publicitária, todos nós, layoutmen, produtores gráficos, , fotógrafos e até o pessoal do tráfego, éramos obrigados a conhecer ao menos os fundamentos das artes gráficas – assim como hoje precisamos conhecer, no mínimo, os princípios da computação gráfica. Se você trabalha com criação publicitária e utiliza programas gráficos no seu computador, não deixe de conhecer a fantástica e fascinante história das artes gráficas.
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Sarneísmo. Não é doença, é praga dos Sarney

roseana

O Estado do Maranhão é considerado o mais pobre do Brasil. Os municípios de numerosa população indígena da Região Norte e os mais pobres do Maranhão concentram as maiores proporções de miseráveis que vivem sem renda própria, segundo dados do último Censo (2010). A cidade de Marajá do Sena, localizada a 400 km de São Luís, é a segunda cidade mais pobre do país, com cerca de 53% se encontrando na pobreza e dependendo do benefício do governo federal, o Bolsa Família. Marajá do Sena sofre com obras públicas inacabadas, falta de escolas e hospitais.

Essa é a terra do Nhonhô Sarney e do seu clã.

Desde 1965, quando o Nhonhô assumiu o governo do Maranhão, seu grupo venceu dez eleições para governador e chefiou o Executivo local por 41 anos. Em 2012, o sobrenome Sarney já estava aplicado nas fachadas em 161 escolas, no estado onde 61% das pessoas, com 10 anos de idade ou mais, não chegaram a completar a educação básica (de acordo com dados do Censo 2010). Isso é o sarneísmo, a praga – ou movimento político liderado pelo ex-senador José Sarney.

Segundo a Wikipedia, a família de Sarney detém uma das maiores fortunas do Maranhão, com dezenas de imóveis e meios de comunicação. As propriedades mais ricas são uma fazenda na Ilha de Curupu e uma mansão na Praia do Calhau, que Sarney incluiu em sua declaração bens quando se candidatou a senador pelo Amapá, em 1990.

A família Sarney é tão dominadora da cidade que em 2009 tudo estava batizado pelo nome da família:
– Para nascer, Maternidade Marly Sarney;
– Para morar, vilas Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou Roseana Sarney;
– Para cuidar da saúde, Posto de Saúde Marly Sarney;
– Para pesquisar, Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a José Sarney;
– Para inteirar-se das notícias,  jornal O Estado do Maranhão, ou a TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas de José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, José Sarney;
– Para saber sobre as contas públicas, Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney;
– Para entrar ou sair da cidade, Ponte José Sarney,  Avenida José Sarney, até a Rodoviária Kiola Sarney. De lá, uma rodovia  até o município José Sarney.
– E para reclamações, Fórum José Sarney, onde estava a Sala de Imprensa Marly Sarney, além da Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney

Neste ano de 2016, o resultado das eleições municipais confirmaram o fim da hegemonia da família e do grupo político do ex-presidente e ex-senador José Sarney no Estado. O grupo de partidos que faz oposição ao PMDB maranhense conquistou a prefeitura de 150 dos 217 municípios do Estado no primeiro turno, desalojando a praga do clã Sarney.

Mas o sarneísmo continua: prova disso é a notícia reproduzida acima, de abril deste ano, que favorece afrontosamente a filha queridinha de José Sarney. O que prova: a miséria de muitos dá dinheiro a poucos.

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