Brasil: falência fraudulenta

O déficit da Previdência em 2016 foi de R$ 151 bilhões e a projeção para 2017 é de outro déficit de mais R$ 189 bilhões.

As dívidas das empresas com o INSS somam mais de… 400 bilhões de reais! O problema para receber o dinheiro que as empresas estão devendo é de difícil solução, pois muitos dos grandes devedores são empresas que nem existem mais. Há outras que estão em processo de falência sem bens suficientes para sequer arcar com as dívidas trabalhistas. Outras apenas parcelam os débitos para pagamento nas próximas décadas. Segundo a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, somente os 100 maiores devedores possuem débitos que ultrapassam, conjuntamente, R$ 50 bilhões. E a cobrança de débitos atinge um índice de êxito de apenas 16,5%.

O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, operava com a estimativa de um déficit nas contas do governo de R$129 bilhões. Posteriormente, sua estimativa foi mais pessimista: R$139 bilhões, mesmo aumentando os impostos sobre combustíveis, aumento que certamente provocará maior custo de vida, principalmente por conta de produtos que exigem longos transportes para chegarem ao seu destino e consequente redução de atividades. O que invariavelmente resultará em menor produtividade e queda na arrecadação.

Sem se importar com tudo isso, o presidente Temer participou de um almoço com integrantes da Frente Parlamentar Agropecuária, que reúne cerca de 220 deputados e emitiu uma medida provisória (MP 793), para refinanciar as dívidas de empresários rurais, laticínios, cooperativas e frigoríficos, oferecendo condições privilegiadas, a longuíssimo prazo, para produtores que deixaram de pagar INSS agrícola. Tudo para que o Sua Majestade consiga pelo menos um terço dos votos do grupo para suspender a denúncia contra ele. Custo: dizem que o INSS deixará de arrecadar cerca de 5 bilhões! O país que se dane!

Nas semanas anteriores o presidente também promoveu almoços e jantares a granel, convidando deputados de vários partidos, fosse para oferecer cargos, fosse para oferecer verbas destinadas aos seus Estados de origem, sempre em busca dos votos que o livrem do processo que corre na Câmara. Custo: entendidos avaliam o valor em 2 bilhões. (*)

Quando se somam os valores acima, mais os salários e as benesses financeiras inacreditáveis recebidas pela Corte, ou melhor, pelos marajás dos Três Poderes e pelo incrível séquito de privilegiadíssimos funcionários , chegamos à conclusão que o Brasil – se empresa fosse – encontra-se na fase de uma falência fraudulenta provocada por roubos, corrupção, incompetência, despreparo, negligência dos dirigentes e menosprezo aos cidadãos, colocando à nossa frente apenas perspectivas sombrias, sem indícios de correções de rumo, mudanças, melhorias ou perspectivas animadoras pela frente.

(*) A Revista VEJA analisou os números e concluiu que, apenas entre junho – mês em que a acusação da PGR chegou à Câmara – e o dia 24 de julho, 3,1 bilhões de reais foram empenhados em emendas aos deputados.

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