Impunidade, marca registrada brasileira

Ontem, dia 7 de agosto, fomos surpreendidos com duas – entre tantas outras – notícias deprimentes para aqueles que ainda acreditam na justiça brasileira.

A primeira nos deu conta de que foram suspensas as acusações contra a Samarco, cujas controladoras são a Vale e a BHP Billiton, que responde (ou respondia?) a vários processos na Justiça após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, considerado o maior desastre ambiental do país, quando dezenove pessoas morreram – além dos terríveis danos causados à região, fazendo desaparecer casas e poluindo rios com resíduos tóxicos.

A segunda notícia se refere ao arquivamento dos inquéritos que investigavam a senadora (e ex-prefeita de São Paulo) Marta Suplicy, e os deputados Roberto Freire e Jarbas Vasconcelos. Nos três casos o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a pedir, em março, a abertura de inquéritos para investigar as citações aos nomes desses parlamentares em delações premiadas, mas o ministro Luiz Edson Fachin entendeu que, mesmo que os crimes tivessem sido cometidos, não poderiam mais ser punidos em razão do decurso de prazo e da idade dos suspeitos, todos com mais de 70 anos. Se os acusados se apropriaram de dinheiro ilícito, ficaram ricos e estão impunes, para gozarem a vida!

Em ambos os casos, os crimes são de grande potencial. Um desastre ambiental de proporções enormes, com 19 mortos e o enriquecimento ilícito de três políticos, entre tantos outros, sem punições.

Enquanto isso, ontem mesmo uma doceira, acusada de enviar bombons envenenados a uma adolescente, em Curitiba, foi condenada a 30 anos e três meses de prisão em regime inicial fechado por quatro tentativas de homicídio. O caso aconteceu em março de 2012.

Não à-toa que os programas policiais da tevê mostram ações policiais em que são presos assassinos confessos, que cumpriram apenas meses ou poucos anos de prisão e que retornaram às ruas para cometer novos homicídios.

Sem categoria

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.