Mês: fevereiro 2018



Serviço secreto português?

Blá-blá-blá! Programas e mais programas de rádio e tevê, além da mídia impressa, estão gastando tempo e espaço para comentar a tal da intervenção federal no Rio de Janeiro. Subitamente, apareceram dezenas de experts em estratégias militares e policiais, todos eles especulando sobre a forma como será feita a operação.

Eles se esquecem de que os alvos da intervenção (narcotraficantes, milícias ilegais, bandidagem e que tais) também possuem aparelhos de tevê, ouvem rádio e provavelmente alguns deles até são capazes de ler jornais. Isso sem contar com a probabilidade de haver vazamentos antecipados de informações.

Se a chefia que foi criada para traçar os planos da intervenção imagina que todos os alvos da operação ficarão sentadinhos, com armas na mão, guardando seus pacotes de drogas e esperando a visita de soldados e policiais… então o plano já começou mal. Pois com certeza a maioria dos alvos já se deslocou para outras paragens, inclusive para outros estados. Ainda mais após ouvirmos falar que nas favelas cariocas se instalaram poderosas facções criminosas, com ramificações espalhadas por todo o país.

Esse blá-blá-blá todo faz lembrar a velha piada do serviço secreto português, ou a “combinação prévia” na guerra com o inimigo, satirizada no telefonema acima do falecido humorista Raul Solnado.

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Rio de Janeiro: agora é agir!

Nosso blog Bahr-Baridades há anos vem publicando posts que refletem a violência na terra dos cariocas. Agora, com a intervenção militar, quem sabe as coisas se acalmem por lá.

Na verdade, os militares (soldados e policiais) deveriam fazer cercos nas favelas, como se agissem em uma guerra e apenas permitir a saída de cada indivíduo somente após cuidadosa triagem (verificação da identidade, dos antecedentes, revista, vistoria na casa dele, comparação com as fotos e vídeos que mostraram bandidos armados desfilando e dando tiros pelos morros e avenidas) e prender todo e qualquer um que seja identificado pelas fotos, foragido de cadeia, ou que possua narcóticos, armas e munições.

Se os cercos forem bem executados, talvez o Maracanã ganhe nova utilidade. Pois certamente será necessário um espaço gigantesco para abrigar as centenas e centenas de bandidos, inclusive os menores responsáveis pelos arrastões.

Quem sabe chegou a hora de limpar a “cidade outrora maravilhosa” desta corja toda?

Bye-bye, Rio de Janeiro

Os morros cariocas têm governo próprio. Quem manda é a bandidagem

Rio de Janeiro: que país é este?

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O Brasil pegando fogo, mas…

A notícia mais lida agora de manhã no G1 da Globo é calcada em uma série de fotos de uma modelo chamada Juju Salimeni, desfilando pela Unidos da Tijuca, que “investiu” em look transparente. “Está tudo colado, amarrado, costurado”, disse a modelo. Nas fotos ela aparece cercada de repórteres.

O Brasil pode estar pegando fogo, metade dos parlamentares ameaçada de ir para a cadeia, as favelas tomando conta dos espaços, cinco meses dos nossos salários sendo confiscados todos os anos, a bandidagem roubando e matando doidamente… ah! mas o Carnaval é mais importante. E quanto mais mulheres aparecerem exibindo seus dotes físicos, mais espaços vão ocupando na mídia.

E só para registro: a segunda notícia mais lida é de um fulano endeusado pela mídia, chamado Pablo Vittar, “desfilando na Beija-flor com transparência” e afirmando aos repórteres que “‘Esse carnaval ainda não beijei ninguém”. Que seja também perdoado o erro de concordância.

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Auxílio moradia de R$ 4,3 mil/mês é mixaria

Um diálogo surreal ocorreu na posse do novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Manoel Queiroz Pereira Calças. Indagado por uma repórter se considerava justo o valor do auxílio, fixado em R$ R$ 4,3 mil por mês, o desembargador respondeu: “Acho muito pouco. O auxílio-moradia é um salário indireto (…) Está previsto na Lei Orgânica Da Magistratura. Ponto”. Pereira Calças admitiu receber o benefício mesmo tendo “vários” imóveis em sua propriedade.

Levantamento feito pela Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado mostra que a União gastou aproximadamente R$ 817 milhões somente em 2017 com o pagamento de auxílio-moradia nos três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. No total, o impacto financeiro do benefício nas contas da União ultrapassa R$ 4,3 bilhões nos últimos oito anos.

O magistrado não considerou que grande – e coloque grande nisso – parte da população vive, ou melhor, sobrevive obrigatoriamente com um salário mínimo. É essa mesma parcela da população que se vê obrigada a levantar de madrugada, tomar duas ou três conduções para chegar ao trabalho, é mal atendida nos postos de saúde e vive precariamente.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 50% dos trabalhadores brasileiros recebiam por mês, em média, 15% menos que o salário mínimo no ano de 2016, quando o salário mínimo era de R$ 880. Dos 88,9 milhões de trabalhadores ocupados no ano, 44,4 milhões recebiam, em média, R$ 747 por mês, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).

Para um magistrado do quilate de Manoel Queiroz Pereira Calças, não deixa de ser afrontosa a afirmação de que o auxílio moradia de R$ 4,3 mil por mês é muito pouco. Em qual país ele acha que está? Catar? Luxemburgo? Kuwait?

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A avacalhação do ensino público no Brasil

Antes de falarmos da educação no Brasil, eis alguns extratos descritos pela brasileira Ana Paula Pires, que conheceu a educação na Coreia do Sul, país com uma das mais baixas taxas de criminalidade do mundo:

… nos dias de hoje, a rotina “normal” de um estudante coreano no Ensino Médio consiste em: Ir para a escola cedo antes das 8 da manhã para estudar ou se preparar para os estudos, para então assistir aulas das 8h30 às 12h; depois do almoço, recomeçar as aulas das 13h30 às 16h. Até às 19h, os estudantes geralmente jantam e continuam na escola para estudar ou fazer deveres de casa. De noite, a grande maioria dos estudantes (se não todos), vão para cursinhos e só voltam para casa perto das 23h, depois de terminado as tarefas do dia e aulas extras….

…mais do que os recursos empregados, foi a vontade da sociedade em investir seu tempo e energia na melhoria do “capital humano” que no final, ajudou os esforços do governo a levantar o país das cinzas. O técnico, o “homem da ciência”, o engenheiro e o intelectual, se tornaram ideais a serem alcançados e respeitados…

Em contraste, o Brasil mostra uma curva decrescente na qualidade da nossa educação. No tempo de escola da minha geração os alunos eram obrigados a mostrar um respeito absoluto aos mestres, nos levantando quando das suas entradas nas salas de aulas, tanto nas escolas particulares como públicas. Em São Paulo havia escolas públicas de altíssima qualidade, cujas vagas eram disputadíssimas. A jornada escolar no segundo ciclo era de mais de cinco horas, além de algumas aulas no outro período do dia.

Hoje em dia a mídia nos mostra quase que diariamente agressões aos professores nas escolas públicas, absoluta falta de respeito, enorme evasão escolar, ambientes deteriorados, falta de equipamentos e de manutenção, além da falta dos próprios professores, muitos deles intimidados com a violência ou desiludidos pelos baixos salários.

Como resultado, levantamento inédito do governo federal sobre evasão escolar divulgado ano passado revelou que 12,7% e 12,1% dos alunos matriculados na 1ª e 2ª série do ensino médio, respectivamente, abandonaram os estudos entre os anos de 2014 e 2015, de acordo com o Censo Escolar. Ainda de acordo com a análise, o 9º ano do ensino fundamental teve a terceira maior taxa de evasão, 7,7%, seguido pela 3ª série do ensino médio, com 6,7%. Considerando todas as séries do ensino médio, a evasão chegava a 11% do total de alunos nessa etapa de ensino. Provavelmente índices de 2017 nos revelariam dados ainda piores.

Ensino precário, violência, drogas, evasão escolar: o que esperar do nosso país para os próximos anos?

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Violência no Brasil… o buraco é mais embaixo

É inacreditável que um país, que já foi considerado a 8a. maior economia do mundo, tenha chegado a este baixíssimo patamar de qualidade de vida, apresentando um dos mais altos índices de violência e o aumento incessante da criminalidade, sendo rotulado como um antro de corrupção e com um dos mais desequilibrados contextos sociais do planeta.

Governos incompetentes de há décadas vêm permitindo o crescimento descontrolado de favelas (eufemisticamente chamadas de “comunidades”), periferias desorganizadas, invasões com a montagem de barracos precários e, por consequência, da marginalidade.

A falta de planejamento e do ordenamento urbano resultaram em falta de infraestrutura, escolas, educação, locais para a prática de esportes, espaços culturais, transportes, assistência médica e de um mínimo de orgulho próprio para essa enorme massa populacional abandonada pelo poder público.

Tentativas de erradicação de favelas, com o remanejamento para a Cidade de Deus no Rio de Janeiro à época do governador Carlos Lacerda, ou a construção dos conjuntos habitacionais Singapura, do ex-prefeito e hoje presidiário Paulo Maluf, foram apenas “fogo de palha’, provavelmente jogadas políticas que nunca tiveram continuidade e, pelo contrário, induziram mais e mais pessoas a montar suas habitações precárias ao derredor.

Até hoje não existe nenhum projeto público em larga escala que preveja a erradicação de favelas, o planejamento urbano, o acolhimento das pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza e miserabilidade e ações que visem a melhoria das condições de vida e ascensão social deste enorme contingente urbano.

O atual Ministro da Defesa, Raul Jungmann, declarou à imprensa que seria necessário formular um novo plano de segurança pública para o país. Mas nenhum ministro vem a público reconhecer que nós precisamos de um novo projeto em escala global, que envolva municípios, estados e União, com objetivos muito mais amplos, para aí, sim, tentar reduzir a criminalidade. O problema dos governantes brasileiros leva um só nome: INCOMPETÊNCIA!

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