As cidades de 70 anos atrás

Com a falta de combustíveis, houve uma gradual redução no número de veículos circulando pelas cidades. Maravilha!

Para quem é mais velho, hoje as grandes cidades parecem ter recuado no tempo. Havia poucos veículos, à época se cruzava toda hora com alguma carroça puxada a burro, não haviam congestionamentos, nenhuma briga de trânsito, raros atropelamentos, a palavra poluição era desconhecida, caminhava-se bastante, andava-se de bicicleta… e nossa geração sobreviveu sem maiores sobressaltos.

A gente ia ao cinema de bonde, passeava-se à noite nas ruas, não havia violência, os maiores índices de roubos eram de batedores de carteira (os chamados “mãos-leves”). Os condutores de ônibus sabiam onde morávamos e, não raro, ajudavam a carregar um ou outro “bebum” para dentro da sua casa. A garotada ficava até tarde na rua, inventando mil brincadeiras (pega-ladrão, esconde-esconde, bolas de gude, estilingue, futebol (as traves eram as nossas camisas emboladas na rua de terra), futebol de botão, peteca, “baleia”… e outras tantas que inventávamos.

Não havia ainda televisão e nossos pais ficavam grudados à frente de um rádio, tentando entender as notícias em meio aos chiados. Telefone era objeto raro. Não havia inflação e se compravam imóveis a preço fixo. Os raros automóveis eram importados e as marcas mais conhecidas eram Ford, Chevrolet, Pontiac, Studebaker, Lincoln, Cadilac, Hudson, Oldsmobile… além dos pequenos Prefect e Anglia, que geralmente pertenciam às auto-escolas.

Essa paradeira motivada pela greve dos caminhoneiros provoca as ótimas lembranças de uma época muito mais tranquila e divertida.

Foto: Avenida São João, em São Paulo, anos 1950
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