Trânsito: leis, ora as leis!

Severidade nos EUA. Complacência no Brasil

Quando se trata de infrações no trânsito, parece que a lei não é cumprida – ou se cumprida, é extremamente complacente para os infratores. Como pode se constatar nos poucos exemplos a seguir, explorados recentemente pela mídia.

Em Londrina, um motorista envolveu-se em acidente com um motociclista, que infelizmente acabou morrendo. O motorista fugiu, mas se apresentou posteriormente alegando ter saído do local porque sua carteira de habilitação estava vencida há doze anos. Doze anos! Este motorista nos dá um exemplo da falta de responsabilidade que muitas pessoas têm, ao deixarem de cumprir com os requisitos básicos como atualizar a carteira de motorista, pagarem anualmente as taxas do veículo, manterem seus veículos em condições de tráfego – e raramente são apanhados por alguma fiscalização.

O ex-jogador e atual senador Romário atropelou um motociclista no Rio de Janeiro. Acontece. Mas ele dirigia sem habilitação. O acidentado receberá R$ 50 mil de indenização. Outro problema legal maior é o processo de acusação de fraude, junto a outra pessoa que estava no carro, que alegou estar dirigindo o veículo. Uma testemunha chave do caso, no entanto, informou que Romário dirigia o carro. O Ministério Público acredita que Romário e Marcelo mentiram sobre quem estava no volante. Belo exemplo de um senador!

O ex-deputado estadual do Paraná, Luiz Fernando Ribas Carli Filho, foi condenado em fevereiro por duplo homicídio com dolo eventual a nove anos e quatro meses de prisão, pelas mortes de dois jovens. Ele dirigia em altíssima velocidade e estava alcoolizado, assumindo assim o risco de matar. O fato se deu em maio de 2009 (há longos nove anos) e seu carro voou pela avenida Monsenhor Ivo Zanlorenzi, no bairro Mossunguê, em Curitiba, batendo no Honda Fit em que os dois jovens estavam, matando ambos na hora. A condenação foi de 9 anos e 4 meses de prisão por duplo homicídio com dolo eventual no acidente, porém o ex-deputado deve ficar preso apenas por um ano e meio… isso depois de um processo longo, protelado por seus advogados. Quem explica?

Na Praia Grande, SP, um motociclista atropelou e matou um menino de cinco anos. O menino voltava da casa da avó acompanhado da mãe, quando, na calçada da rua em que estava, acabou atingido pela moto, que passava rente ao meio fio. Após o choque, o condutor seguiu sem prestar socorro. A cena foi registrada por câmeras de monitoramento. O infrator se apresentou à polícia dias depois, alegando ter fugido por não ter a Carteira Nacional de Habilitação e foi indiciado pelos crimes de homicídio culposo e omissão de socorro, mas responderá em liberdade.

Apenas a título de comparação, o Tribunal Superior de Kentucky, nos EUA, condenou em primeiro grau um americano de 23 anos a 20 anos de prisão, por dirigir embriagado e causar um acidente que resultou na morte de um cidadão em novembro de 2014, na cidade de Bowling Green. Segundo a corte superior, o infrator foi condenado por homicídio resultante de negligência, mais três acusações: direção perigosa negligente de primeiro grau, dano criminal de primeiro grau e por dirigir embriagado, o que causou o acidente com morte. Os Estados Unidos estão sempre criando leis cada vez mais severas para quem dirige sob efeito de qualquer substância. Lá as leis são cumpridas à risca e as punições acompanham o nível de severidade.

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2 comentários sobre “Trânsito: leis, ora as leis!

  1. Reinaldo 23 de setembro de 2018 18:55

    Levo e busco minha filha na creche aqui em Maringá, e observei que GRANDE PARTE dos pais que lá chegam se carro, seus filhos de 2, 3, 4, 5 anos estão soltos sem cinto, algumas vezes no Banco da frente no colo do condutor…

    Triste ver a falta de responsabilidade de quem deveria ter o maior cuidado do mundo!

  2. João P. 26 de setembro de 2018 0:11

    Eu vim de outra cidade para Maringá já faz um bom tempo, mas até hoje não me acostumei, felizmente, com a permissividade dessa cidade. Carros estacionados nas calçadas, som alto, fila dupla, vagas especiais ocupadas indevidamente (são exigidas mas não são fiscalizadas), motos com escapamento barulhento entre tantos outros abusos para os quais nossas autoridades parecem fazer vista (e ouvido) grossos. Um caso emblemático é a Avenida das Palmeiras: liberaram o estacionamento junto ao canteiro central à partir das 18 horas (no grito) mas o dia todo tem carros estacionados dessa forma. A baderna que acontece no entorno das universidades é outra situação que perdura, graças à inépcia das nossas “autoridades”. Parece até que faz parte da cultura dessa cidade o desrespeito às leis, até por parte daqueles que deveriam fazê-las serem cumpridas. O preço disso alguns pagam com a vida…

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