Mês: outubro 2018



Encontro com Temer

Encontro o Temer num shopping em Sampa (terra dele e minha também). Fim de mandato, até sua segurança estava reduzida. E distraída.
Não foi difícil me aproximar dele.
– Bom dia, presidente!
– Bom dia – respondeu surpreso. – Você é jornalista?
– Não, não, não. Sou apenas um cidadão comum.
– Ah! Bom!
– O que o presidente faz sentado aqui?
– Não estou sentado, estou de pé – sua pele se ruborizou.
– Desculpe presidente, mas é que… o senhor sabe!
– Sim, sou baixinho. Nem estes sapatos especiais com salto interno me fazem ficar mais alto… droga!
– O que vai ser do senhor quando terminar seu mandato?
– O que quer dizer? – perguntou.
– O senhor não fica angustiado? O senhor sabe… assim que seu mandato terminar, seu processo acelera na Primeira Instância… sem foro privilegiado… sem regalias.
– Ah! Já pensei muito nisso. Mas tenho um plano.
Pausa.
– Assim que passar a faixa pro Bolsonaro, eu desapareço. Sabe como é, na presidência fiz muitos amigos… sumirei em algum país que não tenha tratado de extradição com o nosso. Volto quando prescrever o tempo do processo.
– Mas o senhor não acha que isso seria… tipo… uma covardia?
– Penso que não, respondeu o presidente. – Afinal, não ficaram o tempo todo gritando “Fora Temer! Fora Temer!”? Então vou atender ao pedido e cair fora. Todo mundo vai ficar satisfeito.
Pausa.
O presidente teve aquele tique usual, ajeitou sua gravata, tocou o bolso do paletó, esfregou as mãos…
– Eu não serei condenado. Não há provas contra mim – repetiu a mesma ladainha de sempre, aquela que estamos acostumados a ouvir no rádio e na tevê.
– E seus aliados de confiança? Os puxa-saco? Irão junto?
– Que aliados? O Marun? O Perondi? O Beto Mansur? Eles são uns oportunistas, assim que terminar meu mandato eles já estarão se agarrando nas tetas de outro influente… com o perdão da expressão.
– Valeu a pena, presidente?
– Sim, valeu. Deu para sentir o gostinho do poder. Deu para ganhar um dinheirinho… – seus olhos brilharam. – Deu para conhecer a linda Marcela… é muito melhor do que conviver com Eleonora Menicucci, Graça Foster, Ideli Salvatti, a Dilma… Irghhh! Todas uns bofes! Horrorosas!
– E, presidente, o senhor…
Fui interrompido. A segurança se deu conta de que eu era um intruso e rapidamente afastou Temer para distante.
Ele ainda me deu um aceno, acho que gostou de se abrir com uma pessoa comum como eu.

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Haddad bate o ponto em Curitiba

– Bom dia presidente, Trago más notíc….
– Trouxe a 51, Radadi?
– Está aqui, presidente.
– Me dá um copo, porra!
Pausa, enquanto o chefão entorna o copo.
– Pois é, presidente, desta vez não deu!
– Eu falei, eu falei, cês não me escutaram! Cês deviam ter acabado com o Boçonaro em Juiz de Fora. O cara da faca era ruim de manejo, hein? Agora a gente tem de aguentar esse porra quatro anos.
Pausa.
– E vocês vem me tirar dessa porra em janeiro?
– Agora acho difícil, presidente. Nós perdemos muito pessoal.
– Então chama o Zé Dirceu, porra.
– Ele está preso, presidente!
– Chama o Lindberg. Chama o Suplicy…
– Eles não foram reeleitos, presidente!
– Então fala pra dilma sar um jeito…
– Ela está fora. Perdeu em Minas.
Silêncio.
– Me dá outro copo da 51…
– Aqui está, presidente!
– E a Gleisi? Ela sabe mexer os pauzinhos…
– Fora de combate: teve uma crise nervosa e está chorando até agora, presidente!
– Fala com a Vanessa. Ela tem bocão para reclamar!
– Também perdeu, presidente!
– Radadi, manda um ofício pra Fátima Bezerro lá em Roraima. Ela pode ajudar.
– Difícil, presidente. Ela não consegue ler o que está escrito… e é em Natal, não é Roraima.
– E a nossa militância?
– Sumiram das ruas, presidente! Já não estão mais usando as camisas vermelhas. Nem gritando palavras de ordem.
– O Maduro ligou?
– Sim, mas foi para desejar sucesso ao Bolsonaro!
– Porra, Radadi, me dá outro gole. E o que vai ser agora?
– Acho que nada, presidente. Daqui para frente o senhor precisa ter bom comportamento, senão o Bolsonaro dá um jeito de mandá-lo para a Papuda. Em isolamento. Sem direito à 51…
– Porra, Radadi! O que eu faço? O que eu faço?

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Uma notícia fake. É porém a expressão da mais pura verdade

Eu gostaria de ter escrito o texto deste áudio! Descreve muito bem a imagem que a maioria de nós herdou do PT e da sua quadrilha de corruptos. Estamos cansados de incompetência, bandalheira e das figuras abjetas que aquele partido vem-nos apresentando aos longo dos anos.

O áudio é #Fake. Foi atribuído a Pedro Bial, da Globo, que imediatamente desmentiu o fato. Aí falaram que seria de Nelson Freitas. Na verdade a voz pertence a Nando Baltazar do Canal “Vira News”, imitando Pedro Bial. Pode ser fake, mas o texto  é a pura expressão da verdade!

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Campanha eleitoral recheada de mentiras

Enquanto aguardamos ansiosamente os planos dos candidatos à presidência que nos façam ganhar ânimo e esperanças de dias melhores, com a valorização dos salários e aposentadorias, o crescimento do mercado de trabalho, melhor atendimento em postos de saúde e hospitais, a escola voltando às suas origens com ensinamentos ao nível do Primeiro Mundo, o custo de vida retornando a patamares razoáveis, um sistema bancário mais flexível, a dívida interna se reduzindo, os estados saindo do colapso, a segurança pública mais eficiente, a redução das drogas e contrabando, os medicamentos isentos de impostos, a mordida do leão menos dolorosa, os corruptos e bandidos na cadeia… eles se preocupam apenas em atacar um ao outro de forma cada vez mais agressiva e mentirosa.

Veja a mentira que Haddad, desesperado para subir seus índices nas pesquisas, proclamou em entrevista de tevê:

Obviamente o general Mourão, atacado por Haddad, se defendeu de maneira irrefutável:

Quantas patacoadas ainda seremos obrigados a ouvir até o dia da eleição? Quantas mentiras serão levadas ao ar? O que nos espera no futuro?

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Você acredita nas pesquisas eleitorais?

Nas eleições para presidente, senadores, deputados e governadores em 2014, segundo diversos levantamentos de analistas, o Ibope mais errou do que acertou os resultados das urnas: 66,66% (ou dois terços) das previsões do instituto se mostraram incorretas.

Neste primeiro turno a história se repetiu: houve grandes discrepâncias entre pesquisas e resultados, inclusive as pesquisas nos dias anteriores à eleição, o que fez com que a diretora do Ibope, sem nenhum constrangimento, alegasse em programa na Globo News que no último momento ocorreram “mudanças de posições” nas decisões dos eleitores.

Nas eleições presidenciais de 2014, apenas um dia antes da votação do primeiro turno, o Ibope apontava Dilma Rousseff (PT) com 46% dos votos válidos e Aécio Neves (PSDB) com 27%. Como sempre, “a margem de erro da pesquisa era de 2%”, mas as urnas mostraram outro cenário: Dilma obteve 41,59% dos votos e Aécio somou 33,55%. Uma diferença que na véspera deveria ser de 19%, caiu para apenas 8%. Quem explica?

É caso de se pensar: afinal, para que servem as pesquisas? Será que as pesquisas são manipuladas para induzir os eleitores a votarem em “x” ou “y”? Ou são financiadas por grupos poderosos, apoiadores de um ou outro candidato, preparando gradualmente a população para aceitar resultados totalmente irreais e fora do contexto?

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Como acreditar nas redes sociais?

Nesta época pré-eleitoral, as redes sociais facebook, whatsap e messenger estão inundadas de mensagens, vídeos, fotos e áudios a favor de um ou outro candidato, atolando a memória dos nossos celulares e chegando a irritar os receptores dadas a insistência e as repetições originadas de fontes diferentes.

O que dá para se notar são frases, gravações ou imagens pinçadas de um ou outro outro contexto, que na maioria das vezes continha outros significados. De repente, figuras absolutamente desconhecidas, das quais nunca ninguém ouviu falar, produzem vídeos, inundam a rede e dão seus recados de forma dramática, sempre para alarmar os receptores.

Quando comecei a trabalhar na área de propaganda (hoje chamam de publicidade), havia raros profissionais especializados em política e que à época nem eram chamados de marqueteiros. No correr dos anos o campo político sofreu uma inundação de profissionais especializados, muitas vezes deixando os escrúpulos de lado (vide Duda Mendonça), numa espécie de vale-tudo para fazer seu candidato subir nas pesquisas e ganhar as eleições. Mesmo que para isso tenham de espalhar mentiras, usar de agressões verbais, espezinhar o oponente e ludibriar o eleitorado.

É muito difícil se aquilatar a eficiência destes métodos pouco ortodoxos. Qual a porcentagem de pessoas que se deixam influenciar por meias verdades? Quantos acreditam de fato que “Haddad e Manoela serão atacados propositadamente por um petista vestindo a camisa do Bolsonaro, para simular uma agressão e reverter as pesquisas”? Quantos acreditam na tal URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina), citada pelo cabo Daciolo, uma sigla que na realidade foi criada na década de 1990 em tom de ironia por uma socióloga londrinense? Quantos acreditam que “Faustão passou por cima das ordens da Rede Globo e chutou o pau da barraca”? Quantos acreditam que “o Irã está sabotando as eleições no Brasil”?

O vídeo mostra o presidente do Partido da Causa Operária, partido de extrema-esquerda, colocando em dúvida, imagine só, a veracidade da facada recebida pelo candidato Bolsonaro. É inacreditável a quantidade de bobagens elucubradas por este cidadão. Aliás, quantos candidatos do PCO foram eleitos no Brasil?

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Arrependimentos

Reta final da eleição. Apenas dois candidatos disputando o cargo de presidente da República. Ânimos acirrados. Amizades desfeitas pela simples opção por um ou outro. Rupturas familiares. No ar e nas redes sociais, acusações recíprocas dos candidatos superam eventuais projetos de realizações.

Os arrependimentos chegarão pós-eleição.

Partidários de Haddad descobrirão que suas promessas jamais poderiam ser concretizadas. O Brasil tem insuperáveis problemas de infra-estrutura, educação deficiente, atendimento de saúde precário, (in)segurança pública, periferias crescendo, desemprego e despreparo para o novo mundo informatizado – além de enorme rombo nas contas públicas, que já levaram vários estados à beira do caos e que impede a concretização de tantos apregoados projetos.

Partidários de Bolsonaro verão de volta vários militares em postos-chave – e como ocorre com todos os militares, haverá um tratamento duro e de difícil diálogo. As promessas do candidato também sofrerão barreiras: o mesmo rombo público, o mesmo desemprego, a dificuldade de diálogo com o Congresso, a impossibilidade de mudanças radicais nas leis, falta de verba para os apregoados novos presídios, a impaciência dos eleitores.

Se o brasileiro é antes de tudo um forte (adaptação da frase de Euclides da Cunha), será também a encarnação máxima do arrependimento. Seja lá quem for o vencedor da eleição. Ou o vendaval Collor já caiu no esquecimento?

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Brasil, a nova Chicago dos crimes

Chicago nos Estados Unidos é conhecida pela violência, pelos mafiosos e pelos assassinatos que lá ocorreram no século passado. Estima-se que entre 1919 e 1997, a máfia instalada naquela cidade tenha ordenado e cometido 1.105 assassinatos por encomenda, incluindo cinco desde 1990. Somente o célebre Al Capone ordenou cerca de 500 assassinatos, desde o Massacre do Dia de São Valentim, até homicídios de mafiosos que foram justiçados por sua própria “família” (os companheiros da Máfia).

Parece que o Brasil está voltando no tempo. A quantidade de facções criminosas, de assaltantes cruéis, de grupos armados que provocam assaltos a torto e a direito e a violência demonstrada por marginais, que andam armados e não titubeiam em atirar e matar – não perdoando nem mulheres, crianças e idosos – nos faz imaginar o quanto de incompetência, de falta de gestão e de erros crassos no sistema penal existem no país em que vivemos.

O vídeo mostra uma mera tentativa de assalto a uma casa. Note que o cidadão estava armado para sua proteção, disparou alguns tiros e os bandidos também armados atiraram de volta, transformando a cena em um verdadeiro bang-bang hollywoodiano. Cenas que se repetem diariamente em todo o país.

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“Kit gay”: mentiras e irresponsabilidades

Na campanha para este segundo turno, ao invés de divulgarem com profundidade seus planos de governo, os candidatos se preocupam muito mais com ataques e defesas, tipo “ele disse, ele fez” e “isso é mentira, isso eu não fiz”.

Uma das facetas desta campanha de ataques/defesas é o tema do famigerado “kit gay”. Bolsonaro acusa Haddad de ser o responsável pelo kit e Haddad desmente e afasta essa responsabilidade.

Mas uma coisa merece ser destacada: o “kit gay” foi criado em 2011, quando Haddad era ministro da Educação (cargo que exerceu de 2005 a 2012, nos governos Lula e Dilma). Portanto, eximir-se desta responsabilidade chega a ser absolutamente desonesto.

Diferentemente do que foi divulgado pelo MEC, o Kit Gay era sim para crianças de 11 anos de idade que cursam o ensino fundamental do 6º ao 9º ano (matéria de O Globo em 27 maio 2011).

O “kit gay” compunha-se de um conjunto de cartilhas, chamado “Caderno das Coisas Importantes”, que mostram alguns pontos bem polêmicos. São vários vídeos sobre homossexualidade (“Priscila, a rainha do deserto”, “A gaiola das loucas”, “Será Que Ele É?”). Há um formulário para os estudantes registrarem suas “ficadas”. Contém também um passo a passo bem ilustrativo mostrando o uso da camisinha, um texto sobre masturbação masculina (vide imagem), outro sobre masturbação feminina, do qual destacamos um pequeno trecho: “Feita com cuidado não machuca. É importante explorar a região da vagina e toda a área pubiana de forma tranquila e relaxada, descobrindo o que te dá mais prazer”.

Vamos e venhamos: isso tudo é temática para crianças de 11 anos?

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Voltamos à era medieval

É inacreditável o estado belicista em que estas eleições se transformaram. Todos os dias a mídia nos presenteia com novas cenas de xingamentos e agressões entre partidários petistas e bolsonaristas.

Poucas vezes se viu tal grau de exacerbação em épocas pré-eleitorais. A facada sofrida pelo candidato Bolsonaro nos dá a medida da intolerância às diferenças de opinião quanto às linhas de pensamento dos partidos políticos, remetendo-nos aos tempos em que era dever de um cavaleiro servir a seu senhor, agindo de modo extremamente violento.

O vídeo mostra o momento em que um policial civil – aluno do curso de Letras da UFC Campus do Benfica e que vestia camisa amarela com o nome de Bolsonaro, leva cusparadas e é agredido fisicamente por outros alunos. Note a histeria coletiva, principalmente das estudantes, que chegam à beira do desespero, sem outra razão aparente a não ser a cor da camisa. Note que em momento nenhum o agredido reagiu fisicamente.

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