Desemprego: não é apenas culpa da economia

Robôs caparam milhares de empregos na indústria automobilística

O IBGE apresentou nova estatística sobre o desemprego no Brasil. Os números mostram que um em cada quatro desempregados procura trabalho há dois anos ou mais, o que constitui novo recorde histórico, chegando a 3,2 milhões. 13 estados e o Distrito Federal têm taxa de desemprego acima da média do país, o que que corresponde a 25,6% do total de desempregados do país, além de um acréscimo de 350 mil pessoas em um ano.

O trabalho sem carteira assinada cresceu 4,7% em relação ao trimestre anterior, com maior número no Maranhão (48,9%), Piauí (45,9%) e Paraíba (45,1%), e o menor em Santa Catarina (11,6%), Rio Grande do Sul (17,2%) e (18,9%).

Adianta culpar a situação econômica para atingirmos estes números? Talvez em parte: o nosso país anda devagar, com um crescimento pífio, um PIB bastante inferior à média dos outros países e ocorre até mesmo um encolhimento de produtividade em vários setores.

Mas a culpa maior é dos próprios governantes que, entra ano, sai ano, se recusaram a enxergar a realidade dos novos tempos. Pois quando chegou o computador na década de 1990, teve início uma nova era tanto na indústria, como na agricultura, no comércio e na prestação de serviços. Na indústria foram ceifados milhões de empregos, substituídos por automação e robótica. Na agricultura, modernos equipamentos foram eliminando a mão de obra braçal. No comércio, novos sistemas computadorizados de vendas – inclusive pela internet – foram substituindo vendedores e balconistas. E na prestação de serviços foram também os computadores que eliminaram centenas de milhares de empregos (como, por exemplo, nas agências de propaganda onde foram eliminadas funções e empresas ligadas às artes gráficas, por exemplo). Escritórios das mais diferentes atividades eliminaram arquivistas, contínuos e até secretárias.

E por que a culpa é dos governantes? Eles simplesmente não enxergaram os novos tempos. Se tivessem prestado atenção ao que ocorre em outros países, certamente teriam alertado nossa população e oferecido aprendizado e especialização para o domínio de máquinas agrícolas, robótica, automação, computação e tantas outras modernidades que não param de surgir. E o mais importante: os governantes deveriam implantar um sistema de educação que se aproxime, por exemplo, daquele implantado na Coreia do Sul. Pois aqui a maioria da população lê pouco, não entende o que lê, não sabe escrever e nem imagina que o futuro exige enorme carga de conhecimentos e de especialização. Com isso, a capacidade de conseguir um bom emprego cai praticamente a zero.

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