Mês: dezembro 2018



Ao apagar das luzes, uma herança maldita

Fim de feira. Parte dos artistas deste horroroso Congresso que tanto enriqueceram à nossa custa e apresentaram um péssimo espetáculo ao distinto público, se despede e sai de cena. Novos artistas os substituirão.

Mas antes de saírem de cena, estes artistas do absurdo estão preparando as chamadas pautas-bombas que explodirão nas mãos do próximo governo. Um país falido, endividado até o âmago das suas instituições, vai assistir a votação de projetos que causarão um estremecimento nas contas públicas já tão exauridas, provavelmente em troca de benesses pessoais impublicáveis.Uma herança para o próximo governo.

Um projeto em discussão na Câmara Federal e depois no Senado concede o perdão das dívidas previdenciárias de pequenos produtores rurais. Sangrará os cofres em pelo menos R$ 34 bilhões, segundo técnicos do governo.

Outro projeto, se aprovado, prevê a prorrogação dos benefícios fiscais para empresas com projetos nas áreas da Sudam na Amazônia, da Sudene no Nordeste e da Sudeco no Centro-Oeste. Isso vai custar até R$ 10 bilhões ao novo governo.

Para atrapalhar, há outro projeto que prevê o direcionamento de parte dos recursos vindos da exploração do petróleo para construir gasodutos e também para estados e municípios. Em dez anos, o projeto tiraria R$ 46 bilhões do fundo social, cuja destinação seria para educação e saúde.

Há mais um: o perdão de dívida da Cemig, companhia energética de Minas Gerais, com a União, de pelo menos R$ 4 bilhões. A bancada de Minas já se mobilizou para defender a aprovação.

Dedução: deputados e senadores estão mais preocupados com as partes do que com o todo – o todo que é nosso Brasil.

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“Irados” e irados

Os aficionados a favor e os contra o presidente eleito Jair Bolsonaro estão se fartando de comentar seus atos: as redes sociais não param de despejar centenas de elogios e críticas a cada aparição ou decisão do “Mito”.

Quando Bolsonaro apareceu no estádio, para acompanhar o último jogo do Palmeiras, seu time de coração, os apoiadores acharam que era uma atitude “irada” (na gíria dos jovens, significando “Muito bom! Excelente! Algo muito positivo”). Já os críticos acharam que não, ficaram irados, acharam que Bolsonaro deveria manter uma postura mais sóbria, comedida.

Quando o presidente eleito começou a montar sua equipe de governo com vários militares, os apoiadores acharam que era uma escolha “irada”, correta, seria a perspectiva de botar ordem na casa da mãe Joana em que o Brasil se converteu. Pois seus opositores botaram a boca no trombone, achando que nosso país retrocederia aos tempos ditatoriais, a ira transpareceu nestas críticas.

Quando Bolsonaro chamou Onyx Lorenzoni, Marcos Pontes, Érika Marena, Ricardo Vélez, Luiz Mandetta e outros nomes surpreendentes, além de  7 dos 20 ministros anunciados ocuparem ou já terem ocupado algum posto nas Forças Armadas, seus seguidores acharam esta atitude “irada”, uma nova forma de governar; já os do contra, acharam que não, ficaram irados, como poderia ele ter escolhido políticos, um astronauta, um colombiano naturalizado brasileiro, uma delegada federal, e um monte de generais para pastas tão importantes?

Os acontecimentos futuros ligados ao governo nos darão a resposta: ou será uma gestão “irada”, no bom sentido que a gíria jovem nos brindou, ou teremos milhões de brasileiros irados, no sentido lato da palavra.

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