Ao apagar das luzes, uma herança maldita

Fim de feira. Parte dos artistas deste horroroso Congresso que tanto enriqueceram à nossa custa e apresentaram um péssimo espetáculo ao distinto público, se despede e sai de cena. Novos artistas os substituirão.

Mas antes de saírem de cena, estes artistas do absurdo estão preparando as chamadas pautas-bombas que explodirão nas mãos do próximo governo. Um país falido, endividado até o âmago das suas instituições, vai assistir a votação de projetos que causarão um estremecimento nas contas públicas já tão exauridas, provavelmente em troca de benesses pessoais impublicáveis.Uma herança para o próximo governo.

Um projeto em discussão na Câmara Federal e depois no Senado concede o perdão das dívidas previdenciárias de pequenos produtores rurais. Sangrará os cofres em pelo menos R$ 34 bilhões, segundo técnicos do governo.

Outro projeto, se aprovado, prevê a prorrogação dos benefícios fiscais para empresas com projetos nas áreas da Sudam na Amazônia, da Sudene no Nordeste e da Sudeco no Centro-Oeste. Isso vai custar até R$ 10 bilhões ao novo governo.

Para atrapalhar, há outro projeto que prevê o direcionamento de parte dos recursos vindos da exploração do petróleo para construir gasodutos e também para estados e municípios. Em dez anos, o projeto tiraria R$ 46 bilhões do fundo social, cuja destinação seria para educação e saúde.

Há mais um: o perdão de dívida da Cemig, companhia energética de Minas Gerais, com a União, de pelo menos R$ 4 bilhões. A bancada de Minas já se mobilizou para defender a aprovação.

Dedução: deputados e senadores estão mais preocupados com as partes do que com o todo – o todo que é nosso Brasil.

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