Sem categoria



Frieza e insensibilidade

Acho que foi na década de 1960. Ocorreu em São Paulo, no bairro da Bela Vista, aquele que talvez tenha sido o primeiro crime de trânsito no Brasil. Por desavenças, um dos motoristas atirou à queima roupa no outro e o matou. A cidade inteira fixou chocada! O ato subverteu a ordem das coisas e o brasileiro, até então pacífico, conservador, religioso e obediente às leis, começava uma jornada aparentemente sem volta rumo à violência, ao caos social e à criminalidade.

Se à época o fato mereceu manchetes e discussões acaloradas na mídia, hoje em dia assassinatos como aquele, assaltos a bancos com o uso de dinamite, barreiras de reféns, estradas bloqueadas e armas pesadas, ou rebeliões em presídios, feminicídios, corrupção, desvios de verbas públicas, o uso de armas pesadas por narcotraficantes, tiros em favelas dia e noite, contrabando de drogas e armas e todos os tipos de criminalidade parece terem se tornado banalidades – e mesmo a grande mídia dá pouco destaque em seus noticiários.

Banal se tornou a notícia de hoje (10/12) que nos informa sobre a prisão do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, denunciado por desvio de mais de R$ 10 milhões da verba de transporte do município entre 2014 e 2018. Ou o ocorrido na última quinta-feira, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Crotalus contra fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em desvios que chegam a R$ 2 milhões. Milhões de reais em medicamentos são roubados por bandidos que agem nas áreas urbanas em semáforos, postos de entrega e invadindo depósitos de carga, além de usar estratégias para paralisar os veículos, desde falsas barreiras policiais até abordagens em movimento e enfrentamento policial. Medicamentos são desviados de hospitais por funcionários inescrupulosos, inclusive para tratamento de câncer. Notícias pipocam todos os dias sobre funcionários públicos, deputados e senadores envolvidos em corrupção. Assaltos à mão armada ocorrem diariamente em todos os cantos do país.

A criminalidade vai tomando novas formas, cada vez mais violentas, provocando mais e mais mortes. E nós vamos ficando cada vez mais insensíveis a esta violência, à corrupção, à desonestidade e aos desvios comportamentais.

Para onde caminha o Brasil?

Sem categoria
Comente aqui


Ao apagar das luzes, uma herança maldita

Fim de feira. Parte dos artistas deste horroroso Congresso que tanto enriqueceram à nossa custa e apresentaram um péssimo espetáculo ao distinto público, se despede e sai de cena. Novos artistas os substituirão.

Mas antes de saírem de cena, estes artistas do absurdo estão preparando as chamadas pautas-bombas que explodirão nas mãos do próximo governo. Um país falido, endividado até o âmago das suas instituições, vai assistir a votação de projetos que causarão um estremecimento nas contas públicas já tão exauridas, provavelmente em troca de benesses pessoais impublicáveis.Uma herança para o próximo governo.

Um projeto em discussão na Câmara Federal e depois no Senado concede o perdão das dívidas previdenciárias de pequenos produtores rurais. Sangrará os cofres em pelo menos R$ 34 bilhões, segundo técnicos do governo.

Outro projeto, se aprovado, prevê a prorrogação dos benefícios fiscais para empresas com projetos nas áreas da Sudam na Amazônia, da Sudene no Nordeste e da Sudeco no Centro-Oeste. Isso vai custar até R$ 10 bilhões ao novo governo.

Para atrapalhar, há outro projeto que prevê o direcionamento de parte dos recursos vindos da exploração do petróleo para construir gasodutos e também para estados e municípios. Em dez anos, o projeto tiraria R$ 46 bilhões do fundo social, cuja destinação seria para educação e saúde.

Há mais um: o perdão de dívida da Cemig, companhia energética de Minas Gerais, com a União, de pelo menos R$ 4 bilhões. A bancada de Minas já se mobilizou para defender a aprovação.

Dedução: deputados e senadores estão mais preocupados com as partes do que com o todo – o todo que é nosso Brasil.

Sem categoria
Comente aqui
 

“Irados” e irados

Os aficionados a favor e os contra o presidente eleito Jair Bolsonaro estão se fartando de comentar seus atos: as redes sociais não param de despejar centenas de elogios e críticas a cada aparição ou decisão do “Mito”.

Quando Bolsonaro apareceu no estádio, para acompanhar o último jogo do Palmeiras, seu time de coração, os apoiadores acharam que era uma atitude “irada” (na gíria dos jovens, significando “Muito bom! Excelente! Algo muito positivo”). Já os críticos acharam que não, ficaram irados, acharam que Bolsonaro deveria manter uma postura mais sóbria, comedida.

Quando o presidente eleito começou a montar sua equipe de governo com vários militares, os apoiadores acharam que era uma escolha “irada”, correta, seria a perspectiva de botar ordem na casa da mãe Joana em que o Brasil se converteu. Pois seus opositores botaram a boca no trombone, achando que nosso país retrocederia aos tempos ditatoriais, a ira transpareceu nestas críticas.

Quando Bolsonaro chamou Onyx Lorenzoni, Marcos Pontes, Érika Marena, Ricardo Vélez, Luiz Mandetta e outros nomes surpreendentes, além de  7 dos 20 ministros anunciados ocuparem ou já terem ocupado algum posto nas Forças Armadas, seus seguidores acharam esta atitude “irada”, uma nova forma de governar; já os do contra, acharam que não, ficaram irados, como poderia ele ter escolhido políticos, um astronauta, um colombiano naturalizado brasileiro, uma delegada federal, e um monte de generais para pastas tão importantes?

Os acontecimentos futuros ligados ao governo nos darão a resposta: ou será uma gestão “irada”, no bom sentido que a gíria jovem nos brindou, ou teremos milhões de brasileiros irados, no sentido lato da palavra.

Sem categoria
4 Comentários


E a turma dos pedágios paranaenses não perde tempo

A Justiça proibiu a concessionária Econorte, do Paraná, de cobrar pedágios na praça instalada em Jacarezinho (norte Pioneiro). Além disso, por decisão do juiz federal Rogerio Dantas Cachichi, fica suspensa a aplicação dos aditivos aos contratos e obriga a concessionária a reduzir em 26,75% as tarifas nas suas outras praças. Obriga também iniciar em 30 dias a construção do Contorno Norte de Londrina previsto no contrato original, e ordenou o bloqueio de R$ 1 bilhão da empresa e suas controladoras.

Os pedágios do Paraná provavelmente são dos mais caros do país, apesar de que grande parte das estradas ainda não é duplicada – causa de vários acidentes pelo estado.

De pasmar, é a notícia de que a Econorte pretende reativar a antiga praça de cobrança instalada entre os municípios de Cambará e Andirá, na BR-369, que fica cerca de 20 km de Jacarezinho. A reativação já tem até os preços fixados: R$ 14,80 para automóveis da categoria 1 e 2; R$ 22,20 para os de categoria 3 e R$ 29,60 para categorias 4 e 5.

A empresa não perdeu tempo. Pode isso, sr. juiz?

Sem categoria
Comente aqui


Finalmente boas notícias emanam de Londrina

Londrina, no Paraná, ficou nacionalmente conhecida pelos “malfeitos” produzidos inicialmente por Alberto Youssef, o doleiro da Lava Jato, seguido pelo ex-deputado federal pelo PT André Vargas e pelo ex-secretário de Estado da Infraestrutura e Logística José Richa Filho, o Pepe Richa, além de vários políticos e empresários ligados a esquemas espúrios.

Agora Londrina produz uma boa notícia: o presidente eleito Jair Messias Bolsonaro convidou o colombiano-londrinense Ricardo Vélez Rodrigues para ser o Ministro da Educação em seu governo.

Ricardo Vélez Rodrigues possui graduação em Filosofia pela Universidade Pontifícia Javeriana (1964), graduação em Teologia – Seminário Conciliar de Bogotá (1967), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1974), doutorado em Filosofia pela Universidade Gama Filho (1982). O futuro ministro atualmente é conferencista e membro do conselho consultivo da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora e professor emérito da ECEME.

Vélez tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: pensamento brasileiro, filosofia brasileira, filosofias nacionais, liberalismo e moral social. Pertence à Academia Brasileira de Filosofia, ao Instituto Brasileiro de Filosofia, ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ao PEN Clube, ao Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio e ao Instituto de Filosofia Luso-Brasileira (Lisboa).

É autor dos livros: “A Grande Mentira. Lula e o Patrimonialismo Petista” (2015); “Da guerra à pacificação: a escolha colombiana” (2010); “Estado, cultura y sociedad en la América Latina” (2010); “Patrimonialismo e a realidade latino-americana” (2006).

Além disso, Vélez é Titular da Cadeira 18 da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, onde já apresentou várias palestras.

Sem categoria
1 Comentário
 

Idólatras insanos

Todos os povos da Antiguidade pré-cristã eram idólatras, com uma única exceção, e mesmo assim parcial, dos judeus. Parece que o ser humano nasceu para adorar ídolos. No princípio da civilização, era comum a existência de ídolos de pedra representando deuses, não se restringindo a templos, mas também dentro das casas, tumbas e praças públicas.

Na Antiguidade, os povos acreditavam em estátuas de pedra. Eram em sua maioria compostos de pessoas incultas que conviviam com superstições absurdas ou abomináveis. O mesmo se verifica nos nossos dias nos países católicos, nos de maioria protestante, nos Estados Unidos, na Índia, no Islão, na China, na África ou na América do Sul – isto é, em todo lugar em que vivem os seres humanos.

Esta idolatria tomou novos rumos: foi direcionada para futebolistas, artistas, políticos e personalidades importantes. Por isso, nem é de se estranhar que no Brasil multidões elejam os políticos da vez como seus ídolos – no sentido lato da palavra idolatria. Foram cultuados Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros… até mesmo Fernando Collor teve seu momento de glória. Atualmente a adoração está focada em Lula, Sergio Moro e, mais recentemente, Jair Bolsonaro, chamado de Mito.

Seus seguidores mais fanáticos saem às ruas, gritam, brigam, se esgoelam e, pior, enchem as redes sociais com frases feitas, sugerindo-nos compartilhar, curtir, comentar… chegando ao cúmulo de nos sugerir para partilhar alguns posts escrevendo a palavra “herói”…

Quando se veem imagens em um estádio de futebol, com multidões urrando e berrando, brigando para arrancar um pedaço do uniforme, a camisa, meia, boné e até uma tornozeleira de um determinado jogador… ou nas ruas, disputando espaços para chegar próximo ao político da sua preferência… ou lotando auditórios e parques para louvar seu artista ou cantor preferido… e agora, enlouquecidos com o momento político que vivemos, a idolatria já pode ser considerada insanidade.

Sem categoria
3 Comentários


Ascensão e queda dos blogs

Os blogs nasceram na esteira da internet, quando alguns provedores começaram a oferecer espaços e ferramentas para que qualquer pessoa pudesse criar sua própria página, escolher seus temas e divulgá-los via rede mundial.

Surgiram blogs que abordam todos os gêneros: moda, fotografia, política, esportes, fofocas, animais, educação, religião, astrologia… nenhum tema ficou de fora. Paralelamente, com a criação de portais dos veículos de comunicação – jornais, revistas, rádio, tevê – vários blogueiros foram convidados a fazer parte das suas equipes, com a finalidade de aumentar o número de leitores, tanto dos blogs como dos portais.

Eis que nesta década novas formas de comunicação foram ocupando espaços, como Facebook, Instagram, Whatsapp e, por consequência, surgiram os vlogueiros – blogueiros que deixaram de apresentar textos escritos para utilizarem vídeos em sua comunicação. Muitos destes vlogueiros – ou youtubers – são hoje profissionais que vivem exclusivamente de suas produções, recebendo proventos de acordo com maior ou menor número de seguidores e acessos.

Nesta última eleição as redes sociais transformaram-se nas mais eficazes ferramentas das campanhas políticas, para o bem ou para o mal. Houve quem soubesse utilizar esta modalidade de divulgação a seu favor e contra seus adversários, chegando ao ponto de se notar uma verdadeira guerra dos chamados internautas, apoiadores de um ou de outro candidato. E nem era necessário dominar a língua portuguesa: nunca se viu tantos textos mal escritos, com erros grosseiros, falta de concordância e outras atrocidades.

Toda esta transformação na comunicação fez com que grande número de blogs fossem perdendo espaço e leitores. Muitos blogs já saíram de cena – hoje, quando se clica em alguns links, nota-se que seus autores nunca mais acrescentaram textos e matérias, permanecendo estagnados. Como a internet é um arquivo vivo, seus textos ficarão preservados por anos e anos a fio.

Com estas transformações tão rápidas, fica muito difícil prever o que nos espera adiante. Certamente novas formas de comunicação irão surgir, desbancando outras tantas. Muitos jornais impressos deixaram de existir, ao redor do mundo. Os que sobrevivem, batalham com a queda cada vez maior de vendas e de leitores. Editoras fecharam revistas. Até as bancas de jornais tiveram de se reinventar e passaram a oferecer outros produtos, tornando-se uma mini loja de conveniência.

Assim, resta a pergunta: para onde caminharão os blogs?

Sem categoria
2 Comentários


A dificuldade de montar uma equipe de governo

Para quem imagina ser fácil a montagem de uma nova equipe de governo, basta fazer a comparação com a estruturação de uma empresa que acaba de ser vendida e assumida por um novo grupo.

Qualquer empresa, para produzir e faturar mais do que apenas satisfatoriamente, terá de contar obrigatoriamente com funcionários de alto nível – profissionais e experts – em seus postos de comando, nos seus vários departamentos: diretoria, vendas, produção, financeiro, recursos humanos, marketing, propaganda, logística… serão cargos a preencher com pessoas da mais alta confiança e que precisam vestir a camisa da empresa, isto é, estarão empenhados em dar o melhor de si para alcançar os melhores resultados.

A equipe de governo, para que a nova gestão seja bem sucedida, deveria obedecer aos mesmos princípios: ministros da mais alta confiança do seu líder, segundo escalão composto dos melhores profissionais e servidores treinados e conscientes de que o produto oferecido seja o melhor, em atendimento ao público, na facilitação dos trâmites burocráticos e no zelo pelo patrimônio. O Portal da Transparência define o servidor público como “a pessoa que ocupa legalmente cargo ou função pública para prestar serviços à sociedade e ao Estado, visando ao interesse público e ao bem comum, exercendo as atribuições e responsabilidades previstas”.

Segundo a ADESG – Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, o poder Executivo é o que mais emprega, com mais de 1.800.000 servidores trabalhando em todos os órgãos da administração pública direta, autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e Banco Central, além dos militares.

Apenas pelo número acima, já dá para imaginar o vultoso trabalho que a nova direção do país terá pela frente: enxugar os supérfluos, despedir os incompetentes, afastar os suspeitos de má conduta e botar a máquina para funcionar objetivando oferecer o melhor ao seu público final: os brasileiros. Sem burocracia burra. Ou “burrocracia”.

Charge: Russia Beyond (https://www.rbth.com/lifestyle/328026-dos-and-donts-of-russian)
Sem categoria
3 Comentários