As cidades de 70 anos atrás

Com a falta de combustíveis, houve uma gradual redução no número de veículos circulando pelas cidades. Maravilha!

Para quem é mais velho, hoje as grandes cidades parecem ter recuado no tempo. Havia poucos veículos, à época se cruzava toda hora com alguma carroça puxada a burro, não haviam congestionamentos, nenhuma briga de trânsito, raros atropelamentos, a palavra poluição era desconhecida, caminhava-se bastante, andava-se de bicicleta… e nossa geração sobreviveu sem maiores sobressaltos.

A gente ia ao cinema de bonde, passeava-se à noite nas ruas, não havia violência, os maiores índices de roubos eram de batedores de carteira (os chamados “mãos-leves”). Os condutores de ônibus sabiam onde morávamos e, não raro, ajudavam a carregar um ou outro “bebum” para dentro da sua casa. A garotada ficava até tarde na rua, inventando mil brincadeiras (pega-ladrão, esconde-esconde, bolas de gude, estilingue, futebol (as traves eram as nossas camisas emboladas na rua de terra), futebol de botão, peteca, “baleia”… e outras tantas que inventávamos.

Não havia ainda televisão e nossos pais ficavam grudados à frente de um rádio, tentando entender as notícias em meio aos chiados. Telefone era objeto raro. Não havia inflação e se compravam imóveis a preço fixo. Os raros automóveis eram importados e as marcas mais conhecidas eram Ford, Chevrolet, Pontiac, Studebaker, Lincoln, Cadilac, Hudson, Oldsmobile… além dos pequenos Prefect e Anglia, que geralmente pertenciam às auto-escolas.

Essa paradeira motivada pela greve dos caminhoneiros provoca as ótimas lembranças de uma época muito mais tranquila e divertida.

Foto: Avenida São João, em São Paulo, anos 1950
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O que os caminhoneiros ensinaram aos governantes

Os caminhoneiros criaram um movimento como jamais se viu no Brasil: o país parou! O que se espera é que os incompetentes governantes extraiam algumas lições para o bem dos brasileiros.

– Jamais ignorar reivindicações da população ou de associações de classes. A Associação Brasileira de Caminhoneiros havia enviado uma carta de reivindicações ao governo federal em 05/10/2017, que foi simplesmente ignorada (vide foto).

– O governo certamente se surpreendeu com o maciço apoio da população. Além da paralisação dos caminhoneiros, o fechamento de estradas e o impedimento de acessar as distribuidoras de combustíveis, ocorreram panelaços, passeatas e protestos em várias partes do país.

– Apesar do custo astronômico que nós todos pagamos para a manutenção das extravagâncias e orgias das casas executiva e legislativas, nenhuma luz de inteligência brilhou por lá, procurando incrementar os transportes via ferrovias e fluvial, o que reduziria custos e diminuiria o excesso de caminhões circulando pelas rodovias – grande parte delas esburacadas e barrentas.

– A grande lição que resta é a demonstração de força da população que mais dia, menos dia, provocará um movimento incontrolável – ou seria uma revolução?- visando acabar com o excesso da carga tributária que estrangula as famílias, uma das mais altas cargas tributárias do mundo, com um retorno pífio por parte das instituições.

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Como foi fácil parar o Brasil

Incompetência e imprevisibilidade são as marcas registradas dos governantes de nosso país. A louvação de 60 anos atrás em relação ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, que pretendeu expandir o progresso brasileiro através do seu plano de metas, criando o GEIA, Grupo Executivo da Indústria Automobilística e rasgando estradas de norte a sul, resultou no capítulo que se vive nos dias de hoje: os caminhoneiros pararam o Brasil.

A imprevisibilidade obviamente é do governo: será que nenhum dos ministros, nem o presidente, nem o pessoal da Petrobrás, nem os deputados e senadores imaginavam o que iria acontecer com os brutais aumentos diários dos combustíveis? Ninguém se preocupou com o custo dos transportes arcados por milhões de caminhoneiros que cruzam o país? Ninguém se preocupou com o custo dos fretes e dos pedágios? E por que o transporte ferroviário não tem sido incrementado?

As ferrovias oferecem transporte mais barato para grandes volumes de carga em percursos de longa distância, além da facilidade de uso de grandes terminais privativos. Entretanto, as ferrovias, que tiveram papel primordial no ciclo de exportação de produtos primários (entre 1880 e 1930), entraram em decadência em meados do século XX, em grande parte devido ao esforço de Juscelino Kubitschek para fortalecer a indústria automobilística e de caminhões.

A rápida industrialização do País e a necessidade de consolidação do mercado interno induziram à opção pelo transporte das cargas industriais por caminhões, e o resultado está aí para todos sentirmos na pele: estradas bloqueadas, caminhões parados, falta de combustível, trabalhadores com dificuldades para se locomoverem ao trabalho, desabastecimento, etc.

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Motoqueiros kamikazes em Londrina

Ontem à noite, cerca de 23h30, voltando no meu carro para casa, trafegava em via não preferencial, quando em certo cruzamento um motoqueiro surgiu pela contramão, virou perigosamente à minha frente, prosseguiu aceleradamente em ziguezague, cruzou duas vias preferenciais em alta velocidade e sumiu de vista, não sem antes cruzar à toda uma preferencial de mão dupla, furando o sinal vermelho.

A mídia divulga quase que diariamente notícias sobre acidentes com motoqueiros (e aqui não se aplica a palavra motociclistas). São em geral acidentes graves, com ferimentos sérios, amputações de membros e até de mortes, inclusive ferimentos em terceiros.

Quem dirige em Londrina percebe de imediato que grande parte dos motoqueiros não respeita as leis de trânsito, não tem noções de distância/velocidade em relação a outros veículos, ultrapassa de forma irregular, fura faróis vermelhos, ignora faixas de pedestres, assusta condutores de automóveis e desafia quem ousa adverti-los.

Vez em quando ocorre um acidente com motoqueiro na nossa frente. Nessa hora não há como sentir pena, a não ser pensar na tristeza que tomará conta dos seus familiares.

Kamikaze, para quem não conhece, é uma expressão japonesa que significa “vento divino” e se referia aos pilotos de aviões de combate que eram enviados a missões suicidas utilizando-os propositadamente como um míssil.
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Lava Jato: 157 condenados por Sergio Moro

Segundo o próprio juiz Sergio Moro, em discurso na cerimônia de formatura da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unido, o número de condenados por lavagem de dinheiro e corrupção na Operação Lava Jato já chegou a 157, e lembrou, sem citar nomes, que entre eles há empresários das maiores construtoras brasileiras, além de políticos de alto escalão.

Por outro lado, no legislativo brasileiro (Câmara dos Deputados e Senado) há uma infinidade de deputados e senadores que, sabidamente, participaram da corrupção e deveriam engrossar o número de condenados.

Infelizmente eles se protegem de tal forma com sua alegada “imunidade parlamentar” aliada às firulas jurídicas, que conseguem impedir o prosseguimento das condenações. Se o Brasil fosse um país sério, cada casa legislativa deveria impor um Conselho de Ética que imediatamente afastaria o suspeito do seu cargo enquanto as investigações estivessem em curso.

Levantamento exclusivo da Revista Congresso em Foco feito ainda em 2017 mostrou que cerca de metade dos deputados e senadores da atual legislatura (2015-2018) responde a algum procedimento investigatório no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, são 238 parlamentares às voltas com a Justiça no âmbito do STF. A maioria continua solta e, pior, debochando da lei, dos seus eleitores e da sociedade.

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“Eu caí de bucha…”

Essa expressão, segundo seu advogado de defesa, foi utilizada pelo ex-policial militar Orlando de Oliveira de Araújo, o “Orlando Curicica” a policiais da Delegacia de Homicídios que o interrogaram, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, onde se encontra preso. Curicica é um dos suspeitos pela morte da vereadora Marielle.

A frase faz lembrar um depoimento de outro preso alcunhado de “Zé da Ilha” após o cometimento de um crime. Aqui alguns trechos do depoimento perante o juiz:

“Seu doutor, o patuá é o seguinte: depois de um gelo da coitadinha, resolvi esquiar e caçar uma outra cabrocha que preparasse a marmita e amarrotasse o meu linho de sabão. Quando bordejava pelas vias, abasteci a caveira, e troquei por centavos um embrulhador. Quando então vi as novas do embrulhador, plantado como um poste bem na quebrada da rua, veio uma pára-queda se abrindo. Eu dei a dica, ela bolou. Eu fiz a pista, colei. Solei, ela bronquiou. Eu chutei. Bronquiou mas foi na despistas porque, muito vivaldino, tinha se adernado e visto que o cargueiro estava lhe comboiando. Morando na jogada, o Zezinho aqui, ficou ao largo e viu quando o cargueiro jogou a amarração dando a maior sugesta na recortada. Manobrei e procurei engrupir o pagante, mas sem esperar recebi um cataplum no pé do ouvido. Aí, dei-lhe um bico com o pisante na altura da dobradiça, uma muquecada nos amortecedores e taquei os dois pés na caixa da mudança, pondo por terra. Ele se coçou, sacou a máquina e queimou duas espoletas. Papai muito rápido, virou pulga e fez a Dunquerque, pois vermelho não combinava com a cor do meu linho….”

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Brasília em construção. Aqui começa a corrupção das empreiteiras

A foto mostra Brasília em construção – um sonho concretizado pelo então presidente Juscelino Kubitschek (1955-1960). À parte o encantamento que o projeto de Oscar Niemayer causou em todo o mundo, aqui teve início a hoje desenfreada corrupção com a participação das empreiteiras.

“Até a década de 50, eram construtoras que tinham seus limites no território do Estado ou região. O que acontece de JK pra cá é que eles se infiltraram em Brasília”, segundo análise do historiador Pedro Campos. A construção de Brasília, fundada em 1961, foi um marco para a história das construtoras: foi a partir de então que elas se uniram. “Ali, reuniram-se empreiteiras de vários Estados e começaram a manter contato, se organizar politicamente. Depois, passaram pelo planejamento da tomada de poder dos militares e pautaram as políticas públicas do país.” Com a chegada ao poder dos militares, as empreiteiras passaram a ganhar mais e mais contratos do governo.

Fica a dúvida: se Brasília não tivesse sido construída, será que teríamos nos dias de hoje esse escândalo da “Lava Jato”?

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Trump e suas trumpadas

Entre várias medidas tomadas após assumir a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou a saída do país do acordo nuclear com o Irã. O republicano chamou o acordo de “unilateral” e disse que “nunca deveria ter sido criado”. O tratado garantia a limitação das atividades nucleares pelo país e permitia inspeções internacionais. Em troca, os países que aderiram ao acordo cancelariam sanções econômicas impostas ao Irã. Reino Unido, França e Alemanha reagiram muito mal a esta medida – além, é claro, do próprio Irã.

Rompendo com décadas de política externa norte-americana, Donald Trump tomou a decisão de transferir a embaixada dos EUA para Jerusalém, reconhecendo esta cidade como a capital de Israel. Na região já conturbada, esa medida provocou caos e violência nos territórios palestinianos, e como consequência imediata aprofunda a instabilidade regional, criando mais obstáculos para um futuro acordo de paz e à proclamação da cidade de Jerusalém como capital partilhada por dois estados.

Para não fugir à sua própria regra, aqui vão algumas abobrinhas (ou mais trumpadas) emanadas da boca ou do twitterdo presidente norte-americano:

“Se você não fica rico ao lidar com políticos, há algo de errado com você”.

“Só estou interessado na Líbia se nós ficarmos com o petróleo. Se não, não tenho interesse”.

“O conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses para as fábricas americanas não conseguirem competir”.

“Quando o México manda seu povo para cá, não manda os melhores, manda pessoas que têm um monte de problemas e que trazem estes problemas para nós”.

“Se as pessoas que foram mortas em Paris tivessem armas, teriam tido alguma chance de se defenderem”.

Desculpem-me os perdedores e ‘haters’, mas o meu QI é um dos mais altos — e vocês sabem disso. Por favor, não se sintam estúpidos ou inseguros, a culpa não é de vocês.”

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Agora, chegou a vez do Haddad

A lista de petistas implicados em corrupção parece não ter fim: agora foi a vez do ex-prefeito Fernando Haddad. Delações do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, dão conta de que ele, depois da campanha eleitoral de 2012, recebeu a visita do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Segundo o empresário, Vaccari queria que a UTC pagasse uma dívida do partido com uma gráfica, no valor de R$ 3 milhões. De acordo com o promotor de justiça eleitoral Luiz Henrique Dal Poz, o pedido de contribuição foi renegociado para R$ 2,6 milhões e a campanha de Haddad usou notas fiscais inidôneas para prestar contas.

A lista de implicados do PT já era enorme: deputados Marco Maia, Carlos Zarattini, Nelson Pellegrino, Maria do Rosário, “Vicentinho”, Vander Loubet, Zeca Dirceu, Zeca do PT, Vicente Cândido, Décio Lima, Arlindo Chinaglia, Ana Paula Lima, senadores Paulo Rocha, Humberto Costa, Jorge Viana, ex-deputado federal Cândido Vaccarezza, ex-ministros Guido Mantega, Paulo Bernardo da Silva e José Dirceu, além de Gleisi Hoffmann, indiciada.

Há também vários petistas cumprindo penas de prisão: João Vaccari Neto, André Vargas, Delúbio Soares, Antonio Palocci, João Cláudio Genu, Zé Dirceu (meio preso, meio solto) e o próprio ex-presidente Lula da Silva.

Aí a imprensa taxa o PT de quadrilha… e os petistas esperneiam, gritam, xingam, agridem…

(Charge: blog do Prof Eduardo Simões)
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O “anãozinho do orçamento” finalmente enjaulado

Há 25 anos ocorreu um dos grandes escândalos de corrupção, nos primeiros anos pós ditadura. Foi um esquema conhecido como “Anões do Orçamento”, no qual políticos manipulavam emendas parlamentes com o objetivo de desviar o dinheiro através de entidades sociais fantasmas ou com a ajuda de empreiteiras.

O mais famoso deles, deputado baiano João Alves, ficou conhecido pela sua célebre desculpa de ter ganho tudo na loteria. Alegava que foi premiado 56 vezes só em 1993, que segundo cálculos matemáticos, representaria um gasto de US$ 17 milhões em apostas.

Outro anãozinho da época foi ninguém menos do que Geddel Vieira Lima, responsável pela liberação de diversas emendas para João Alves, além de ter sido acusado de receber dinheiro de empreiteiras. Geddel foi posteriormente ministro da Integração Nacional do governo Lula, quando destinou 60% das verbas para seu curral eleitoral no ano em que disputaria eleição. Foi ainda vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal, no governo Dilma e ministro de Governo no Palácio do Planalto sob a gestão Michel Temer, tendo sido demitido aos seis meses no governo, após virem a público denúncias de corrupção. Na verdade era uma raposa tomando conta de vários galinheiros.

É incompreensível que um crápula destes tenha sido reiteradamente içado e nomeado para altos cargos nos três governos (Lula, Dilma e Temer). Pode-se deduzir que realmente existe uma máfia poderosa incrustada no poder e que Geddel, ao mesmo tempo em que amealhava sua fortuna ilícita, certamente enriqueceu seus partidários e colegas governantes.

“It’s a shame”, diriam os americanos.

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