Pausa

Diminuímos o ritmo das postagens para aguardar a resolução de problemas técnicos, principalmente com respeito à postagem e à mediação dos comentários, e funcionamento do endereço eletrônico [email protected] Aproveitamos para o descanso do feriadão e voltaremos a postar após a Páscoa, se até lá os problemas tiverem sido resolvidos pela equipe técnica.

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Malgrado, mau grado

Malgrado é preposição, e equivale a “apesar de”, “não obstante”. Exemplos de uso, segundo o Manual do Estadão e o Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla: Malgrado nossos esforços, o remédio não chegou a tempo. / Malgrado a proibição do médico, o paciente foi trabalhar. / Já não era o mesmo das crônicas, malgrado sua aparência saudável.  Note-se que, como preposição, não varia. Não existe “malgrados nossos esforços…”, “malgrada a proibição…”, malgrada sua aparência”.

Por se tratar de palavra bastante erudita convém, no entanto, evitar seu uso, mesmo em texto de alto padrão linguístico. São preferíveis os sinônimos mais usuais, indicados na abertura.

Mau grado, ou de mau grado, significa de má vontade, contrariado, a contragosto. Grado significa vontade. Se quiser saber se cabe malgrado ou mau grado, é só ver se, na mesma situação caberia bom grado, de boa vontade. Exemplos: Comprei, de mau grado, um bilhete da rifa. / Mau grado meu, ele me acompanhou. / Saiu de mau grado.  Em todos esses casos daria para substituir mau por bom.

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Mais uma…

 

No portal da Veja, às 13h19min:

Em um duro editorial publicado nesta sexta-feira, o The New York Times classificou como “ridículas” as explicações de Dilma Rousseff sobre a escolha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se ministro-chefe da Casa Civil.

Escolha de Lula para quê? “Para ser ministro-chefe”, ou “para seu ministro-chefe”?

O contexto não esclarece e na verdade a falha não prejudica o texto. Sendo “seu ministro” ou “ser ministro” o sentido não muda. E nenhum dos dois faz falta, pois poderia ser apenas “escolha de Lula para ministro-chefe”.

Então, porque o post? Para mostrar mais uma vez o relaxo da Veja com os seus textos, ultimamente. Ser, seu ou nada deixariam a frase correta. Mas apareceu um se misterioso…

Ainda acabo contratado pela Veja para se revisor.

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Trovas do dia

19 de março – Dia da Escola

 

Quisera ver conduzida

a infância que pede esmola,

do negro quadro da vida

ao quadro negro da escola.

(Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho – Juiz de Fora)

 

19 de março – Dia do Moribundo

 

Confissão de um moribundo

à mulher: “Eu te enganei…”

“Já sabia… Vagabundo…

Por isso te envenenei!”

 

(Therezinha Zanoni Ferreira – Rio de Janeiro)

 

19 de março – Dia do Artesão

 

Folhas multicoloridas

lembram peças de artesão,

pois, no outono, desprendidas,

formam tapetes no chão

 

Abilio Kac – Rio de Janeiro)

 

19 de março – Dia do Carpinteiro

 

– Minha sogra o tempo inteiro

tenta pular da janela.

– Enganou-se. É o carpinteiro…

– Sei. É pra vir “abrir ela”.

 

(Walter Silva/2016)

 

Trovantiga
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Mais um cochilo

A “Veja” sempre foi teve um dos textos mais bem cuidados do País, seja na versão impressa, seja na versão eletrônica. Sou testemunha disso, pois sou assinante há 40 anos.

Pois ultimamente a Revista deu de publicar textos com um desleixo incompreensível. O antigo rigor parece que está se esvaindo. Ainda ontem mostrei aqui um texto de poucas linhas, com cinco (cinco!) cochilos bobos de revisão. Era na versão eletrônica, e pouco depois foi ajustado. Eu avisei, não sei se alguém mais avisou ou se foi iniciativa da revisão deles mesmos. O fato é que um texto como aquele jamais poderia ter ido a público.

Fiz esse nariz de cera de dois parágrafos para apresentar mais essa pérola, em texto de ontem à noite:

O grupo empresarial, que também controla também a rede Ragazzo, tem mais de 22 mil funcionários e 430 lojas no país.

Duas vezes o advérbio também, e com apenas uma palavra entre eles. Falhou clamorosamente a revisão, de novo.

Espero que esses problemas na Veja sejam passageiros. Que eles reforcem a equipe, porque, como se diz popularmente, “a coisa está feia”. Pago para ter a informação e o texto primorosos de sempre.

Esse desleixo na revisão antes de publicar se reflete na imagem de qualidade editorial da Revista. Se não há qualidade no texto, pode não haver qualidade na informação. Texto claudicante gera uma dúvida: será que a apuração não foi claudicante também?

E a qualidade do texto, fora os cochilos de revisão, também está se deteriorando. Agora deu de usar gírias (“tirar sarro”, “empurrar com a barriga”) e lugares comuns, além de frases mal construídas. Na próxima semana publico um post sobre isso.

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Que falta de cuidado!

Nota na coluna mais lida de uma das principais revistas do País entrou no meu radar. Veja:

O Conselho Federal da OAB se reúne nesta sexta-feira e vai fechar questão sobre um tema: o impeachment de Dilma Rousseff.

Desde a semana passada um as bases da entidade, através das seccionais, vem sendo consultadas e o apoio ao impeachment é quase uma unanimidade.

Na reunião desta sexta, após bater o martelo e definir que a entidade vai pedir o impeachment, os conselheiros também devem discutir os procedimentos para o impedimento.

O mais provável é que a atuação se dê em dias frentes. Numa, a OAB fará um pedido próprio, com alegando que Dilma operou para obstruir a Justiça. Noutra, deve apoiar e aditar o pedido que já está em curso na Câmara.

Pela ordem:

  1. O que é que esse “um” está fazendo no meio da frase?
  2. O sujeito do verbo vir é as bases. A concordância exige “vêm”.
  3. Só digitação. Não “dias frentes”, mas “duas frentes”.
  4. O “com” também está sobrando no meio da frase.
  5. Aditar é adicionar, acrescentar, juntar, esclarecer, completar. Até caberia, mas em nome da clareza deveria ser evitado. Ou o verbo está mal utilizado ou sobrando, porque, nesse caso, apoiar e aditar são a mesma coisa.

A pressa é inimiga da perfeição. Mas aqui faltou o mínimo dos mínimos de cuidado em reler o que se escreveu, antes de publicar. Se o cuidado com o texto é esse, como será o cuidado com a apuração?

Não é um decuidinho ou outro que chamou a atenção aqui. Isso passaria, principalmente levando-se em conta a pressa em publicar. É a sucessão de descuidinhos: cinco, em um texto bem curtinho.

 

Atualização às 15h30min: Mandei cópia deste post para a seção Radar, da Veja. O texto foi ajustado em seguida, não sei se em razão da mensagem ou por iniciativa de revisão deles mesmos. Dentre os “descuidinhos” apontados só mantiveram o verbo “aditar”, na última frase.

Fala sério!
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Polícia carioca não existe

Ouço na TV que a Polícia Carioca vai agir para dar segurança às manifestações petistas, receosa que está de que haja confrontos com grupos pró-impeachment. Não existe polícia carioca. O termo carioca refere-se à cidade do Rio de Janeiro. A PM é estadual, e o gentílico do Estado do Rio de Janeiro é fluminense. Portanto é Polícia Fluminense. Dizer ou escrever “praias cariocas”, “prefeitura carioca”, tudo bem. Mas não “campeonato carioca”, “governo carioca”. No caso, é campeonato fluminense, governo fluminense, serras fluminenses, cidades fluminenses, povo fluminense (se a referência é ao povo do Estado, não da Cidade do Rio de Janeiro).

“Campeonato carioca” também é uma impropriedade vista com frequência, até em veículos de comunicação bem cuidados. Seria carioca se fosse disputado só por times da cidade do Rio de Janeiro. Não é o caso. Muitos times são de outras cidades. O curioso é que um dos grandes veículos que incorrem nessa impropriedade orienta o contrário em seu Manual da Redação.

 

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Os hortifrútis

Hortifrutigranjeiro é uma palavra que entrou há poucas décadas para o vocabulário da língua portuguesa falada no Brasil. Junta tudo de horta, pomar e granja num balaio só: frutas, ovos, carnes de aves, carne suína, legumes, verduras, ervas…

Como se trata de palavra longa, logo os veículos de comunicação criaram uma redução: hortifrúti. Essa palavra está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (ortografia oficial), mas não está nos dicionários. Pelo menos não no Aurélio e no Michaelis, que são os mais consultados.

No VOLP está consignado como s.m., ou seja, substantivo masculino. Então, tem plural (os hortifrútis), mas não pode ser utilizado como adjetivo (os produtos hortifrútis). E sempre com acento, como manda a ortografia: paroxítona terminada em “i”, seguido ou não de “s”.

O Aurélio e o Michaelis apresentam três variações, mas não hortifrúti: hortifrutícolas, hortifrutigranjeiros e hortigranjeiros. Respectivamente, horta e pomar; horta, pomar e granja; horta e granja. Nenhuma delas está no VOLP.

Já o Manual de Redação e Estilo de O Estado de S. Paulo recomenda aos redatores que esqueçam todas essas variantes e escrevam os produtos envolvidos na notícia. Assim: Preços das frutas e verduras sobem mais que a inflação / Cai a produção de ovos e verduras / Ovos e carnes brancas substituem carne bovina. Nada de “preço dos hortifrútis sobem…”.

Recentemente tem sido ouvida, principalmente no dizer de camadas menos cultas da população, uma variante: “hortifruta”. “O preço dos “hortifruta” está pela hora da morte”. O povo ouve os telejornais e faz suas adaptações, guiado pelo ouvido. Mas “hortifruta” não existe. Esquece. Pelo menos, por enquanto. Quem sabe daqui a alguns anos…

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