Français Facile: O que você não pode deixar de visitar na Cidade Luz

Excepcionalmente neste sábado…

Por Luigi Ricciardi*

Faremos mais uma pausa nas dicas de língua francesa para abordar pontos turísticos da França. Falaremos um pouco dos principais, dos mais visitados, mas também de alguns outros não tão famosos assim, ou que ficam meio que escondidos em meio a tanta coisa para ser vista.

A França ainda é o país mais visitado do mundo, tendo Paris e sua região metropolitana como destino preferido dos viajantes. A Torre Eiffel, monumento escolhido como símbolo da cidade tanto por moradores quando por turistas não é, pasmem, o ponto turístico mais visitado da Cidade Luz. Perde para a Catedral de Notre Dame (veja ranking abaixo, em francês). Outros pontos muito visitados são os famosos Museu do Louvre, a Basílica de Sacré Coeur e o Castelo de Versalhes. O tão icônico Arco do Triunfo está fora da lista.

Seja inverno ou verão, quando decidir visitar a torre, vá cedo. A fila começa a ficar “quilométrica” após as 10 horas da manhã. Compre o bilhete total e não o parcial. Este dá direito à subida ao primeiro e segundo andares, onde você encontrará restaurante, pista de patinação, loja de souvenirs etc. Só o bilhete total te dará a chance de subir até o topo da torre, a 300 metros de altura, onde se pode ver toda a cidade e também, a olho nu, a catedral gótica da cidade de Chartres, que fica a 90 km de Paris. Agasalhe-se bem, o vento é muito forte. E cuidado com as vertigens!

Luigi na Champs Élysées, uma das avenidas mais famosas do mundo

O Arco do Triunfo fica na Place Charles de Gaule de l’Étoile, onde desembocam nada menos do que doze avenidas. O trânsito ali é caótico e a passagem para o monumento só pode ser feita por um caminho subterrâneo, com entrada na Avenue des Champs Élysées. O monumento é lindíssimo, conta com os nomes de vários soldados que morreram defendendo a França em combate. Há o túmulo do soldado desconhecido, que representa todos os mortos em batalha, no qual há a chama que nunca apaga – fogo à memória desses batalhadores. Dá para subir no topo do Arco e ver toda a extensão da belíssima Champs-Élysées até seu início, na Place de la Concorde. A visita é paga!

A Catedral de Notre Dame se encontra no coração de Paris, em uma ilha no Rio Sena, chamada Ilê de la Cité, lugar onde a cidade foi fundada. Cuidado, é um dos lugares mais caros da cidade. A arquitetura impressiona. A visita interna, gratuita, acaba por nos dar a impressão de ter voltado no tempo. A luz é escassa, e os visitantes se sentem na Idade Média. Lindíssima. Pode-se fotografar à vontade. Quando eu estive lá, atrás do altar, havia um lustre que havia sido retirado para restauração. Ele datava do século XVII. Era imenso. A visita paga se dá no acesso às torres. Não visitei, pois a fila dava voltas na igreja.

Como eu já havia dito em texto anterior aqui no blog, recomendo aos fãs de cinema visitar o Café les Deux Moulins, que fica a duas quadras do Moulin Rouge. O estabelecimento ficou famoso por ser locação no filme cult francês do século XXI O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. É belíssimo e não tão caro. Já o Moulin Rouge é caríssimo. Ingressos para jantar e espetáculo passam dos 300 euros. Estava contando minhas moedas, mas parei em 4 euros e 50 centavos. A visita ficou para uma viagem posterior.

No mesmo bairro de Montmartre, bem próximo ao Moulin Rouge, há uma visita imperdível: subir as escadarias da Basilique du Sacré Coeur. Não se engane, grande atleta, até os mais habituados sofrem. Imaginem, caros leitores, com meus quilinhos a mais, o quanto eu sofri. Ainda assim, subi duas vezes, já que o preço era justo. De lá se pode ver praticamente toda Paris e várias de suas atrações. Bem perto dali, há uma praça, onde mais de cem artistas pintam diariamente a céu aberto e, ali mesmo, vendem seus quadros.

Catedral de Notre Dame: mais visitada que a Torre Eiffel

Podem me chamar de mórbido, porém, um dos passeios mais legais a fazer em Paris é o Cimitière du Père Lachaise, que não é propriamente um “best seller” em visitação. Sim, um cemitério! É gratuito, obviamente, mas recomendo a compra um mapa logo na entrada. O cemitério é enorme e os corpos de muita gente famosa estão enterrados lá: Edith Piaf, Chopin, Oscar Wilde, Jim Morrison, Delacroix, Balzac, Alain Kardec, Pierre Bourdieu, entre outros. As estátuas são belíssimas, os túmulos também; e no fim da tarde em um inverno brando nos dá a impressão de estar em uma fotografia em movimento. Ou prestes a entrar em um filme de terror barato. Lindo!

Para os fanáticos em compras, visitem a Gallerie Lafayette. Mesmo os mais contidos, os que acham que gastar dinheiro com marcas famosas é besteira, perdem a estribeira lá. Eu caí nessa também, mas me contive após o primeiro impulso, quando comprei um perfume no quiosque da Jean Paul Gaultier. Vi gente vender a mãe por um estojo de maquiagem ou uma nova lingerie. Caso você tenha muito dinheiro e goste de esbanjar, você pode não só gastar seus euros nas compras, como também na hospedagem na Place Vêndome, onde fica o Hotel Ritz e lojas da Rolex.

O Quartier Latin é um bairro magnífico. Há o Pantheon, lugar onde você poderá ver o Pêndulo de Foucault e onde se encontram os túmulos dos grandes franceses da história. Ali perto há a Sorbonne, a tão famosa universidade. Dá pra andar por seus corredores e ficar imaginando as aulas que os grandes intelectuais europeus tiveram por lá. Tanto na Boulevard Saint Germain quanto na Boulevard Saint Michel, há inúmeras livrarias e sebos. Não me perguntem quantas horas eu passei ali. Na minha bagagem havia mais livros do que roupas.

Para terminar, não perca a oportunidade de visitar o Château de Versailles e se imaginar na Corte de Luís XV. Os meus xarás eram excêntricos, mas tinham bom gosto (excetuando o fato de não tomarem banho). O castelo é lindo e o jardim é de tirar o fôlego. Tem três que saem de Paris todas as horas, e o deslocamento é curto.

Quanto aos museus, recomendo a leitura de outro artigo meu publicado aqui no blog. Enfim, como já dizia Hemingway, Paris é uma festa. Perder-se em Paris é o mais legal, você vira uma esquina e dá de topo com alguma coisa legal. Leve calçados confortáveis, você caminhará muito. Aquele que vos escreve comeu três vezes mais do que come no Brasil e voltou três quilos mais magro. Se eu tivesse dinheiro viveria lá… e ficaria magrinho.

 

Luigi Ricciardi, nascido Luís Cláudio Ferreira Silva, descendente de italianos, é londrinense radicado em Maringá. É graduado em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. É autor do livro de contos “Anacronismo Moderno (Editora Scortecci) e idealizador do projeto cultural “Mutirão Artístico Maringaense” e da revista literária “Pluriversos”. É professor particular de francês em Maringá, assina o blog “Bonjour, Edith” (em francês) e gosta de cappuccino. No Café, assina a coluna Français Facile. Contato: [email protected].

2 comentários sobre “Français Facile: O que você não pode deixar de visitar na Cidade Luz

  1. Cleide Souza 21 de setembro de 2013 23:06

    Olá Luiz. Adorei seu blog, os comentários de Paris são ótimos. Bem simples e bem aberto. Mas pelo que eu vi nos outros blogs e o seu,pelo visto em Paris, não tem lojas com bons preços,mesmo que não seja de grifes famosas ou até mesmo que não seja grifes,roupas que possamos comprar para o dia a dia ou para trazer de lembrança. Só em ser de Paris, já é alguma coisa legal, não é!!? Porque em todo o país sempre tem as lojinhas mais em conta. Sempre a gente encontra ou se sabe pela internet, de pessoas que já comprou nelas. Qualquer sugestão, me passe um e-mail, ficarei grata.

  2. Luiz Fernando Cardoso 22 de setembro de 2013 22:51

    Olá Cleide… os comentários e dicas sobre Paris são do nosso colunista Luigi Ricciardi, que é quem merece todos os elogios. Nos posts da coluna Français Facile você encontra o e-mail dele para contato. E obrigado pelos elogios.

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