Français Facile: você é o que você come

Por Luigi Ricciardi*

Lapin à la moutarde: coelho ao molho de mostarda é uma das especialidades da culinária francesa

Uma das primeiras e grandes preocupações quando se vai viajar a turismo ou se muda para um país estrangeiro é a comida. Parece até besta dizer isso, mas comer é uma das atividades mais importantes do cotidiano, interferindo diretamente em outras áreas de nossa vida como humor e rendimento profissional. O que se põe à mesa reflete diretamente a cultura daquele lugar. Sim, minha gente, o prato fala muito sobre nós mesmos.

Há um boato de que na Europa se come pouca carne. Isso é lenda urbana, conversa fiada. A cozinha francesa, por exemplo, está longe de ser vegetariana ou vegana, embora se coma mais legumes e verduras do que no Brasil. Por lá, consome-se bastante carne sim. É que no Brasil, consumimos maciçamente carne bovina. Lá a coisa é mais equilibrada, com os franceses variando desde carne de gado, frango e peixe até cavalo, pato, carneiro e coelho. A escolha é múltipla.

Comer para os franceses é uma arte, que interfere na combinação de cores, sabores e disposição dos alimentos no prato. A refeição clássica francesa é composta de entrada, prato principal, bandeja de queijos e sobremesa. Interferir nessa ordem é interferir em uma cultura.

Cassoulet: a feijoada dos franceses, feita com feijões bancos

Certa vez, eu conversava com um francês em um churrascão tipicamente brasileiro. Ele estava meio perdido entre a brasileirada e não falava muito bem português. Ele ficou animado ao saber que eu falava francês e conversamos sobre muita coisa. Vi a aparente naturalidade com que ele parecia encarar aquele mundaréu de mãos sobre a tábua, pegando pedaços de carne recém-tirada da churrasqueira. Dei uma olhada para ele, que entendeu meu raciocínio. Disse-me que estava se acostumando, mas fazer aquilo na França era um insulto à arte culinária.

Há de se respeitar os pratos, servidos um após o outro, e, se eles comem daquele jeito, com aquela distribuição de cores e sabores, é porque alguém estudou para que ele comesse daquele jeito. Realmente, uma visão completamente diferente da nossa. Não se trata de estar certo ou errado, trata-se de como a gente vê a alimentação.

Para os franceses, povo com uma história artística muito segmentada – só o andar dos franceses para mim já é artístico –, comer é trabalhar os sentidos. Para nós, brasileiros, a coisa está mais no âmbito da comunidade, na intenção de agregar. Dividir um bifão saindo da grelha é algo muito prazeroso para nós.

Ainda bem que o amigo francês não quis mudar nossos hábitos, senão nós entraríamos em uma discussão (no bom sentido da palavra) filosófico-social-artístico-cultural que me levaria a falar até o amanhecer. Mas outro francês, quando eu estive na França, criticou a maneira brasileira de comer. Engraçado, eu estava ali no país dele, respeitando a maneira dele de comer, e ele vem dizendo porcarias. Encontrou-me em um bom dia, fingi que não era comigo e continuei a beber meu vinho no canto da mesa. Preferi não criar confusão com o tataraneto de Bonaparte.

Enfim, logo abaixo, vocês poderão ver alguns tipos de pratos franceses. Há vários vídeos no youtube ensinando como preparar esses pratos. Alguns ingredientes podem ser encontrados com mais facilidade, outros não, mas podemos substituir por outros, dando um toque da nossa brasilidade na hora de cozinhar. Profitez-en!

Entrée
Salade verte (Salada verde)
Salade de tomate
Concombre au yaourt (Pepino no iogurte)
Soupe à l’oignon (Sopa de cebola)
Assiette de Charcuterie (Prato de frios)
Salade aux lardons (Salada com bacon)

Plat principal
Coq au vin (Galo ao molho de vinho)
Quenelles (Espece de bolinho ou caneloni de carne)
Cassoulet (Uma espécie de feijoada com feijão branco)
Canard à l’orange (Pato ao molho de laranja)
Lapin à la moutarde (Coelho ao molho mostarda)
Pot au feu (Carne cozinha com legumes)
Boeuf Bourguignon (Carne com legumes cozinhas no vinho)
Bouilabaisse (Prato de frutos do mar)

Fromages
Brie
Camembert
Reblochon
Bleu
Saint-Marcelin
Comté
Gruyère
Roquefort
Cantal

Desserts
Profiterole (Espécie de bomba)
Tiramisu (Doce com chocolate e café)
Crème Brulée (Creme de baunilha tostado com maçarico)
Glace Napolitaine (Sorvete napolitano)
Gâteau au Chocolat (Bolo de chocolate)
Gâteau au Noix (Bolo de nozes)
Mousse

 

Luigi Ricciardi, nascido Luís Cláudio Ferreira Silva, descendente de italianos, é londrinense radicado em Maringá. É graduado em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. É autor do livro de contos “Anacronismo Moderno (Editora Scortecci) e idealizador do projeto cultural “Mutirão Artístico Maringaense” e da revista literária “Pluriversos”. É professor particular de francês em Maringá, assina o blog “Bonjour, Edith” (em francês) e gosta de cappuccino. No Café, assina a coluna Français Facile. Contato: [email protected].

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