Eleições



História das eleições de 2014, até a véspera do segundo turno

Eis a história mais que resumida destas eleições, em dez tomos, na leitura muito pessoal deste jornalista doido por café.

Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT)

I
Tentam barrar (com sucesso) a criação da Rede para impedir que Marina Silva dispute as eleições de 2014. Ela se filia ao PSB e surge como vice na chapa de Eduardo Campos.

II
Morre Campos. Marina é lançada como candidata a presidente e chega a 10% de vantagem sobre Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas para o segundo turno.

III
Começam os ataques difamatórios do PT, com mentiras sobre mentiras, para desconstruir a candidatura de Marina. Postura lamentável, que desconsidera a história de luta da ex-senadora, que ao lado de Chico Mendes foi uma das fundadoras do PT no Acre.

IV
Marina mantém o foco em suas propostas, não revida, não baixa ao nível do PT, mas paga um preço alto por isso. Sem o mesmo tempo na TV do que Dilma (sua rival desde os tempos em que ambas eram ministras de Lula), não consegue se defender das inverdades e sua candidatura é prejudicada.

V
PT erra na intensidade dos ataques e turbina Aécio Neves (PSDB), que chega mais forte do que o esperado ao segundo turno. Ou seja, o próprio PT, ao acatar Marina sem freios morais, alimenta e muito a candidatura do eterno rival PSDB.

VI
Marina apoia Aécio no segundo turno, fato que, muito provavelmente, tira o sono da cúpula petista. Maioria dos eleitores de Marina, segundo as pesquisas, migra para o tucano e não para a petista.

VII
No mesmo modus operandi usado contra Marina, PT parte para o ataque contra Aécio, que surge em empate técnico com Dilma nas primeiras pesquisas do segundo turno.

VIII
PSDB revida aos ataques e a disputa entre Aécio e Dilma vira um mar de lama e enxofre, como poucas vezes visto nas eleições democráticas, com difamações de ambos os lados.

IX
Denúncias da roubalheira na Petrobras não cessam e doleiro operador do esquema, em delação premiada, envolve Dilma (mesmo que ainda sem provas) nas acusações. Revista traz assunto como manchete.

X
Véspera da eleição. Nível da campanha cai ainda mais, o que pode ser visto no Facebook, especialmente no perfil de pessoas que pensam com o fígado e não com o cérebro.

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Aécio tem apoio da maioria dos vereadores do maior colégio eleitoral de SC

Info_Voto Vereadores

Matéria publicada pelo Notícias do Dia, nesta quinta-feira (16), revela como votam os vereadores de Joinville, maior colégio eleitoral de Santa Catarina. Juntos, os 19 parlamentares da cidade somaram mais de 73 mil votos e, com esse capital, têm algum poder de influência sobre seus eleitores.

Em Joinville, Aécio Neves (PSDB) tem o apoio de 11 vereadores. No primeiro turno, o tucano venceu na cidade. Agora, Dilmistas tentam virar o placar. Leia aqui a matéria e clique na imagem para ampliar o infográfico.

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Debate entre Aécio e Dilma na Band… não é bem assim

A Folha de S.Paulo traz em seu site um ótimo apanhado do que foi dito pelos presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no primeiro debate deste segundo turno, nesta terça-feira (14), na Band. O levantamento traz informações por áreas, como a Petrobras e o Bolsa Família, e destaca informações corretas e incorretas dadas pelos candidatos.

Vale a pena conferir (clique aqui para ver), porque a lista de inverdades é extensa.

Debate Band

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Diga não ao “rouba, mas faz”

Do Blog do LF.

Nunca fui adepto do “rouba, mas faz”, expressão que lembra Maluf e outros fichas sujas. E nunca vou ser, apesar de críticas até de pessoas próximas, que discordam do meu posicionamento. Se sou honesto, tenho o direito de exigir isso da classe política.

Quem renova o mandato de governos corruptos não pode se dar ao luxo de ficar indignado com os altos impostos do Brasil; com a saúde precária; com brasileiros morrendo na fila por falta de atendimento e até de medicamentos; com o amigo que tem problema grave de saúde e leva meses para conseguir uma consulta médica; com a escola pública de péssima qualidade, que não serve para os filhos de senadores e deputados, por exemplo; com o filho que ficou sem merenda na escola porque alguém desviou recursos; com o salário (ou o que chamam de salário) dos professores; com o juiz que mandou soltar bandidos porque não tinha vaga no sistema carcerário; etc.

Quem dá um contrato assinado em branco (o voto) para que um governo corrupto continue no poder não pode se indignar com nada disso, porque toda a fortuna que é desviada para a conta de políticos ladrões, corruptos, e seus comparsas seria o suficiente para resolver todos esses problemas e outros que não listei. E se listasse, não caberiam num livro.

Político, corrupto ou não (a minoria), ama o voto mais do que qualquer coisa. Alguns, mais do que sua própria mãe. Político precisa do seu voto para ficar ou chegar ao poder. Se pararmos de votar em governos com escândalos de corrupção, se dermos o recado nas urnas de que não importa o que tenham feito de bom, se tiverem desviado dinheiro público não terão nosso voto; forçaremos os políticos a adotarem postura mais honesta conosco e com o dinheiro dos nossos impostos.

A política do “rouba, mas faz” tem de acabar, e isso só vai ocorrer com a renovação constante e sem piedade dos governantes e legisladores. Errar na escolha e eleger político que, mais tarde, mostra-se corrupto é humano. Errar de novo e manter um corrupto (ou alguém que não seja, mas parabeniza um colega de governo, corrupto, pelos “bons serviços prestados”) no poder é burrice.

Tenhamos em mente que o que determinado governante faz por nós é obrigação, não um favor. E se o faz tirando proveito, direta ou indiretamente, de esquemas de corrupção, não merece nosso voto. Nós pagamos os políticos muito bem para que eles nos representem. São nossos empregados, pagos com nosso dinheiro. E empregados desonestos a gente demite por justa causa.

Se reciclagem é o caminho para um mundo sustentável, também o é para um sistema político mais honesto… ou menos nojento.

Foto Ag.Brasil

Foto Ag.Brasil

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Dissertação sobre Wilson Quinteiro

Wilson Quinteiro com Eduardo Campos (presidenciável, morto em acidente de avião) e Marina Silva (terceira colocada no primeiro turno para presidente)

Se um dia eu cursar mestrado em Ciências Políticas (ou coisa parecida), minha dissertação certamente seria sobre o quanto o voto proporcional para os cargos de vereador e deputados estadual e federal não representa a vontade do eleitor. E os cases do estudo seriam as votações de Wilson Quinteiro (PSB) neste pleito e nas eleições de 2010.

Há quatro anos, Quinteiro ficou de fora da Assembleia Legislativa do Paraná mesmo fazendo mais votos do que 17 eleitos. Tudo culpa de um sistema de votação baseado no quociente eleitoral, que muitos chamam equivocadamente de coeficiente eleitoral e poucos sabem o que significa e muito menos como se calcula.

Quinteiro é um daqueles que tem em quem pôr a culpa por não ser eleito. Nesta eleição, esse sistema de votação – que deve ser revisto na reforma política – deixou o representante do PSB de Maringá sem cadeira na Assembleia, mesmo ele tendo sido mais votado do que 18 eleitos. Na prática, os 41.195 eleitores que votaram em Quinteiro não têm a mínima ideia na “conta” de quem foram parar seus votos.

O caminho é o voto distrital, modelo que substituiria a votação proporcional. Nele, os mais votados seriam eleitos dentro do limite de cadeiras ao qual cada distrito (dentro do Estado) teria direito em função do número de eleitores. Talvez, pela votação que fez, Quinteiro não fosse eleito nesse outro modelo de votação. Contudo, o mais importante é que o eleitor teria certeza do destino final de seu voto.

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Dia 5 de outubro, diga não à corrupção

O governo de FHC teve escândalos de corrupção. O de Lula, idem. O de Dilma, idem². Se há corrupção e votamos na continuidade de um governo, compactuamos com o desvio do dinheiro público. Há quem se deixe levar, por interesses próprios ou não, pelo partidarismo cego e tolo. Isso também não é bom.

O recado contra esse “câncer” tem de ser dado nas urnas, em todas as esferas de poder. Ficar reclamando da péssima educação pública, das filas nos hospitais, do conhecido que morreu sem atendimento, da criminalidade que foge ao controle… não adianta. O dinheiro que seria necessário para melhorar nossas vidas está no bolso de políticos ladrões, bandidos – alguns poucos deles, presos.

Só com renovação sobre renovação, até que haja o banimento dos corruptos da vida pública, teremos um Brasil justo e, de fato, para todos. Vamos mudar quantas vezes for necessário até acertar.

É o desabafo deste eleitor

Foto José Cruz/Agência Brasil/Divulgação

Foto Agência Brasil/Divulgação

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Série Friends – episódio Eleições 2014

Ah, saudosos tempos de capítulos inéditos da série Friends. Aguardávamos a semana por um novo episódio. Quem curtia aquela série certamente vai curtir a paródia versão eleições 2014.

Como bem disse uma internauta, no You Tube, “esse vídeo foi tão bom quanto pintar com Lukscolor!” Parabéns a Thiago Duarte pela criatividade.

http://youtu.be/RSSYCQ-RiiQ
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Modelos de financiamento de campanha

A reforma eleitoral, a qual discutiria alterações no processo, o tempo dos mandatos e também o financiamento público de campanha, só não saiu do papel por vontade política do Congresso. Mas isso não significa que os parlamentares (ao menos uma minoria deles) não propuseram melhorias. Segundo levantamento da Consultoria Legislativa do Senado, desde 2005, há 18 projetos de lei em tramitação sobre o assunto.

Algumas das propostas levam em conta experiências adotadas em países desenvolvidos, onde as eleições têm custo inferior ao do Brasil (país que tem o processo mais caro do mundo). Abaixo, como é o financiamento das campanhas em alguns países.

Foto José Cruz/Agência Brasil/Divulgação

Foto José Cruz/Agência Brasil/Divulgação

Estados Unidos
Até o final de 2003, vigorava regra estrita para as contribuições diretas de indivíduos a candidatos (não podiam ser superiores a US$ 1 mil por ano e ciclo eleitoral) e a partidos (não podiam ultrapassar US$ 25 mil por ano e ciclo eleitoral). Havia brecha legal que permitia doações acima desses limites por empresas, sindicatos e indivíduos. Propagandas nos meios de comunicação em torno de temas específicos de interesse dos financiadores também podiam ser custeadas por empresas e sindicatos. Só que o escândalo da Enron demonstrou a fragilidade do sistema. O Congresso aprovou alterações na legislação, impondo restrições severas ao uso do chamado soft money, estabelecendo novos limites para as contribuições de pessoas físicas e jurídicas.

Alemanha
Ao contrário do Brasil, o princípio que rege a legislação sobre financiamento de campanha é o da proteção de partidos e candidatos da influência de grandes financiadores. Os gastos eleitorais são reembolsados pelo governo. Há também subsídio público a contribuições e doações privadas.

França
Optou pelo financiamento público de campanha, proibindo as contribuições de pessoas jurídicas e sindicatos.

Canadá
O financiamento é misto. O público consiste em renúncia fiscal de parte do Imposto de Renda dos doadores a partidos e candidatos e reembolso parcial dos gastos de campanha. A legislação canadense não limita as contribuições privadas às campanhas.

A pesquisa foi feita pela Consultoria Legislativa do Senado.

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