Français Facile



Français Facile: o que ler em francês

Por Luigi Ricciardi*, de Maringá

Salut, les gars.

O Pequeno Príncipe: um dos clássicos mais consagrados da literatura francesa

Depois de uma semana de hiato, voltamos com tudo. Hoje (29), uniremos duas coisas que eu gosto muito: língua francesa e literatura. A literatura francesa é muito conhecida no mundo e por muito tempo foi imitada, inclusive pela literatura brasileira, sobretudo pelos simbolistas. Cruz e Sousa, por exemplo, era um amante da obra de Charles Baudelaire.

Enquanto estudantes de uma língua estrangeira, sempre tememos o momento em que nosso professor nos obrigará a pegar um livro e ler no original. Mas saibam que, apesar do medo inicial, o prazer de ler e entender um livro em outra língua é magnífico.

Em francês, temos várias obras que são convertidas para o chamado français facile. A dificuldade de leitura vai subindo de acordo com os níveis de compreensão na língua. Hoje, darei alguns exemplos de ótimos livros da literatura francesa. E, caso você ainda não seja estudante da língua, as dicas também servem para você ler as versões em português. Mas em francês é ainda melhor.

Les Misérables – Victor Hugo
Já foi musical na Broadway e agora chegou novamente às telas do cinema hollywoodiano. Os Miseráveis conta a história de Jean Valjean, preso injustamente, mas que no futuro, apesar de ter roubado para sobreviver, redime-se e vence na vida. Ele conhece Fantine, mãe solteira que trabalha para tentar enviar dinheiro para a família que cuida de sua filha única, Cosette. Jean Valjean, após a morte de Fantine, adotará Cosette, ao mesmo tempo em que tenta escapar do inspetor Javet, chefe da prisão onde Valjean ficou outrora.

Huis Clos – Jean Paul Sartre
A peça de teatro de Sartre, filósofo existencialista, foi traduzida para o português como Entre Quatro Paredes. É a história de três pessoas que estão mortas e são obrigadas a passar a eternidade juntas em um quarto que tem uma porta que não abre nunca e não possui janelas. As personagens não têm sono, sede, fome ou vontade de ir ao banheiro, e precisão convencer umas às outras de que eles são exatamente o contrário do que realmente são. Daí vem a tal frase célebre “L’enfer c’est les autres”. E realmente não é? Continue lendo

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Français Facile: inverno à francesa, com queijos e vinhos

Por Luigi Ricciardi*

Salut, les gars.

Grenache, uma das uvas favoritas do nosso colunista

O brasileiro não é muito de tomar vinhos, prefere uma cerveja bem gelada, mais adaptada ao clima tropical brasileiro. Porém, quando encontramos enófilos por aí eles são realmente muito fãs. Não dispensam um bom vinho argentino (sim, nessa hora a rivalidade futebolística fica de lado), e vivem arrumando desculpas para um jantar, para o qual se leva uma garrafa do novo vinho chileno que acaba de comprar.

Apesar dessa dedicação à descoberta do novo mundo vinícola, o Brasil ainda está muito longe de muitos figurões enófilos aí pelo mundo, sobretudo em relação à França. Em média, nós consumimos pouco mais de dois litros de vinho por ano, por pessoa, enquanto chilenos e argentinos estão por volta dos 30 litros. Os franceses lideram a lista, com 65 litros por ano, pouco à frente dos italianos, velhos rivais gastronômicos.

Há registro de fermentação de uvas e consequente produção do vinho séculos antes de cristo, na Grécia e no Egito antigos. Mas parece ter sido na Europa e, sobretudo, na França, que a fama dos vinhos começou a percorrer o mundo e ganhou status de glamour. Os franceses são apaixonados por vinhos, faz parte da cultura. Tomam, sempre que podem, uma taça durante as refeições, inclusive no almoço.

Sim, lá não há a hipocrisia que há no Brasil: “Não bebo no almoço, pois isso vai me atrapalhar no trabalho, blá blá blá, mas no final de semana encho a cara e vou para o hospital em coma alcoólico”. Quando estive em Lyon, sentei à mesa várias vezes com uma freirinha ítalo-francesa de quase 90 anos. A mulher virava uma bela taça de vinho tanto no almoço quanto no jantar. Uma ou duas taças é o suficiente.

Franceses lideram a lista de consumo per capita de vinho, com 65 litros por ano

Beber vinhos é uma paixão dos franceses, mas eles bebem vinhos como eles são no resto do dia a dia e nas relações pessoais: discretos e sempre presentes. É claro, nem todos gostam. Conheço uma francesa que não gosta de vinhos. Há franceses que não comem queijo. Mas vai me dizer que você nunca conheceu um brasileiro que não gosta de cerveja nem de futebol? Tenho amigos que não gostam de feijão. Nada é perfeito!

Quanto à produção, só para se ter uma ideia, a maioria das uvas que conhecemos aqui na América do Sul que se adaptaram bem ao clima são nomes franceses: Cabernet Sauvignon, Carmenère, Merlot, Malbec, Syrah, Pinot Noir, entre outras. Há vinícolas que existem há mais de 700 anos e que pertencem ainda à mesma família que as fundou. Não adianta nenhum milionário vir oferecer seu cofre em troca daquelas terras, pois produzir aquele vinho é parte da própria identidade, de uma herança e memória familiares.

Quanto aos tipos, há vários! Os vinhos brancos, roses e tintos. Os últimos ainda são meus preferidos. Não tenho uma uva preferida. Pensando bem tenho sim, gosto das leves, pois gosto de tomar puro ou com pequenos petiscos, por isso gosto muito da Grenache (indico o vinho Beaujolais) e a Pinot Noir. Todos são bons dependendo do que os acompanha. Para tomar puro há de ser uma uva mais leve, e a Pinot Noir é indicada. Para uma entrada normalmente um vinho branco, tipo Sauvignon Blanc ou Chardonnay. Para uma carne, é sempre melhor um mais amadeirado, por exemplo, o Cabernet Sauvignon ou o Tannat. A escolha é múltipla, e os acompanhamentos também.

Aproveite o frio mais intenso dos últimos anos e convide amigos, ou a paquera, para uma boa rodada de queijos e vinhos

Falando em acompanhamentos, um dos melhores amigos do vinho é o queijo. Estima-se que na França haja mais de 300 tipos de queijo, cujas receitas ainda estejam protegidas sob um segredo de família. Os franceses dizem que não há um dia que não se coma queijo. Quanto à harmonização entre eles, vinhos mais leves combinam com queijos mais cremosos, tipo o Brie e o Camembert. Vinhos médios com queijos amarelos tipo o Comté, Cantal, Gruyère, Livaro, Emmenthalt. Já vinhos mais fortes harmonizam bem com queijos fortes tal Roquefort e o Bleu.

Não perca a oportunidade, nesse inverno brasileiro, o mais forte dos últimos quinze anos, de fazer uma noite de queijos e vinhos. Depois o tempo esquenta e você vai se arrepender de não ter feito aquela degustação. Aproveite o frio para chamar os amigos, ou para chamar aquele alguém que você já estava paquerando há algum tempo. Tocar o estômago é tocar o coração. Já que não dá pra ir à Paris, vestir a boininha clichê, sentar no primeiro café que ver e pedir um Boeuf Bourguignon acompanhado de um belo Cabernet Sauvignon, a gente faz por aqui mesmo enquanto os termômetros ficam abaixo dos 15°C.

Au revoir.

 

Luigi Ricciardi, nascido Luís Cláudio Ferreira Silva, descendente de italianos, é londrinense radicado em Maringá. É graduado em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. É autor do livro de contos “Anacronismo Moderno (Editora Scortecci) e idealizador do projeto cultural “Mutirão Artístico Maringaense” e da revista literária “Pluriversos”. É professor particular de francês em Maringá, assina o blog “Bonjour, Edith” (em francês) e gosta de cappuccino. No Café, assina a coluna Français Facile. Contato: [email protected].
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Français Facile: a música popular francesa e a síndrome Édith Piaf

Por Luigi Ricciardi*

Edith Piaf: ícone máximo da música cantada em francês

Coucou, les gars.

Os professores de língua estrangeira dispõem de muitas ferramentas para tornar a aula mais interessante. Jogos, debates, brincadeiras, exercícios que estimulem a criatividade, vídeos, recortes de jornais, fotos, etc. Mas talvez nenhum deles desperte tanta a atenção quanto a música.

Lembro-me bem da época que estudava inglês. Eu só queria música. Vivia pedindo pra professora trazer Beatles e Queen, duas das minhas grandes paixões da música popular. Com meus alunos de francês a coisa não é diferente. É sempre bacana ver a reação deles quando eu, inesperadamente, trago alguma música. Contudo, há sempre a expectativa: será que o prof vai trazer Edith Piaf?

Charles Aznavour ainda está nos palcos

Todo mundo sabe como eu sou fã da digníssima, e também do Charles Aznavour, que ainda está por aí nos palcos. Música deles uma vez ou outra, para mostrar quem são os grandes nomes da música francesa. Os dois, juntamente com Yves Montand, formam uma grande tríade. Mas é bem verdade que muita gente sofre de uma doença chamada síndrome Piaf. Todos pensam nela quando se fala em música em língua francesa. Foi realmente a mais conhecida, o furacão francês, e todos os da velha guarda acabaram fazendo sucesso no vento provocado por ela.

Entretanto, os estilos são variados e não ficam só no acordeão clássico da nostalgia dos anos de Cabaré. Há inclusive Heavy Metal cantado na língua de Napoleão. Coralie Clément faz um misto de jazz, samba e bossa nova. Coeur de Pirate é febre entre as adolescentes com suas baladinhas. Ben l’Oncle Soul canta soul music. Há inclusive a música campestre dos quebequenses do Mes Aïeux.

Carla Bruni é uma das cantoras favoritas dos alunos: pudera!

As que mais fazem sucesso entre os alunos são as canções de Carla Bruni e da Rose. Há as grandes cantoras com vozerões como Céline Dion e Lara Fabian. Sim, elas cantam em francês, a primeira é quebequense, e a segunda é belga. Particularmente, da nova geração, gosto muito do pop rock do Archimède (vídeo abaixo).

Para praticar francês é muito bom ouvir músicas, mas também para o deleite e para o prazer. Além dos já citados, recomendo Patricia Kaas, Myriam Abel, Kyo, Yelle, Jacques Dutronc, Renaud, Jacques Brel (o responsável pelo fenômeno Ne me quitte pas), o bom poeta Francis Cabrel, o rapper Grand Corps Malade, o existencialista Georges Moustaki (grande amigo de Jorge Amado), Claude François, o roqueiro Johnny Hallyday, o romântico Laurent Vouzly, entre outros.

A escolha é múltipla. Allez sur Youtube, choisissez votre chanson et chantez-la!

Abaixo, curta a música “Vilaine Canaille”, de Archimède.


Luigi Ricciardi
, nascido Luís Cláudio Ferreira Silva, descendente de italianos, é londrinense radicado em Maringá. É graduado em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. É autor do livro de contos “Anacronismo Moderno (Editora Scortecci) e idealizador do projeto cultural “Mutirão Artístico Maringaense” e da revista literária “Pluriversos”. É professor particular de francês em Maringá, assina o blog “Bonjour, Edith” (em francês) e gosta de cappuccino. No Café, assina a coluna Français Facile. Contato: [email protected].
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Français Facile: você é o que você come

Por Luigi Ricciardi*

Lapin à la moutarde: coelho ao molho de mostarda é uma das especialidades da culinária francesa

Uma das primeiras e grandes preocupações quando se vai viajar a turismo ou se muda para um país estrangeiro é a comida. Parece até besta dizer isso, mas comer é uma das atividades mais importantes do cotidiano, interferindo diretamente em outras áreas de nossa vida como humor e rendimento profissional. O que se põe à mesa reflete diretamente a cultura daquele lugar. Sim, minha gente, o prato fala muito sobre nós mesmos.

Há um boato de que na Europa se come pouca carne. Isso é lenda urbana, conversa fiada. A cozinha francesa, por exemplo, está longe de ser vegetariana ou vegana, embora se coma mais legumes e verduras do que no Brasil. Por lá, consome-se bastante carne sim. É que no Brasil, consumimos maciçamente carne bovina. Lá a coisa é mais equilibrada, com os franceses variando desde carne de gado, frango e peixe até cavalo, pato, carneiro e coelho. A escolha é múltipla.

Comer para os franceses é uma arte, que interfere na combinação de cores, sabores e disposição dos alimentos no prato. A refeição clássica francesa é composta de entrada, prato principal, bandeja de queijos e sobremesa. Interferir nessa ordem é interferir em uma cultura.

Cassoulet: a feijoada dos franceses, feita com feijões bancos

Certa vez, eu conversava com um francês em um churrascão tipicamente brasileiro. Ele estava meio perdido entre a brasileirada e não falava muito bem português. Ele ficou animado ao saber que eu falava francês e conversamos sobre muita coisa. Vi a aparente naturalidade com que ele parecia encarar aquele mundaréu de mãos sobre a tábua, pegando pedaços de carne recém-tirada da churrasqueira. Dei uma olhada para ele, que entendeu meu raciocínio. Disse-me que estava se acostumando, mas fazer aquilo na França era um insulto à arte culinária.

Há de se respeitar os pratos, servidos um após o outro, e, se eles comem daquele jeito, com aquela distribuição de cores e sabores, é porque alguém estudou para que ele comesse daquele jeito. Realmente, uma visão completamente diferente da nossa. Não se trata de estar certo ou errado, trata-se de como a gente vê a alimentação.

Para os franceses, povo com uma história artística muito segmentada – só o andar dos franceses para mim já é artístico –, comer é trabalhar os sentidos. Para nós, brasileiros, a coisa está mais no âmbito da comunidade, na intenção de agregar. Dividir um bifão saindo da grelha é algo muito prazeroso para nós.

Ainda bem que o amigo francês não quis mudar nossos hábitos, senão nós entraríamos em uma discussão (no bom sentido da palavra) filosófico-social-artístico-cultural que me levaria a falar até o amanhecer. Mas outro francês, quando eu estive na França, criticou a maneira brasileira de comer. Engraçado, eu estava ali no país dele, respeitando a maneira dele de comer, e ele vem dizendo porcarias. Encontrou-me em um bom dia, fingi que não era comigo e continuei a beber meu vinho no canto da mesa. Preferi não criar confusão com o tataraneto de Bonaparte.

Enfim, logo abaixo, vocês poderão ver alguns tipos de pratos franceses. Há vários vídeos no youtube ensinando como preparar esses pratos. Alguns ingredientes podem ser encontrados com mais facilidade, outros não, mas podemos substituir por outros, dando um toque da nossa brasilidade na hora de cozinhar. Profitez-en! Continue lendo

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Français Facile: as diferenças entre o Francês europeu e canadense

Por Luigi Ricciardi*

Salut, les gars.

Os estudantes de inglês sofrem, às vezes, com diferença de pronúncia e de vocabulário entre o inglês britânico e o inglês estadunidense. A briga chega inclusive dentro das escolas, onde alguns professores adotam um inglês e outros, o outro. E os estudantes sofrem.

Com 1,6 milhão de habitantes, Montreál (Quebec, Canadá) é a maior cidade francófona do mundo, depois de Paris

Se isso acontece no inglês, língua franca, imagina nas outras línguas, que não são majoritariamente faladas – mas que mesmo assim são línguas maternas de alguns países ao redor do mundo. Experimentamos por muito tempo uma grande diferença, por exemplo, na escrita do português e as suas diferenças. Recentemente, houve um acordo ortográfico que permitiu uma unidade maior na língua portuguesa, mas na questão lexical a diferença está longe de ser sanada.

Pela questão prática, muita gente diz que preferiria a existência de só uma língua no mundo. Quando eu escuto isso eu explodo por dentro. A mãe desse indivíduo infeliz que professa uma frase dessas também não deveria ter nascido. As línguas são riquíssimas e é exatamente nas diferenças que se encontram as riquezas, mesmo dentro de uma mesma língua.

Na língua francesa também temos diferenças consideráveis quando colocamos os três principais países francófonos europeus frente a frente: França, Suíça e Bélgica. Contudo, quando colocamos o francês falado no Quebec (província do Canadá que fala Francês) ao lado do parisiense, temos então um grande choque. O francês que veio para a América é, apesar das influências que sofreu ao longo dos séculos, muito mais parecido com aquele outrora falado na corte dos meus xarás. Foi esse francês que foi exportado atlântico adentro.

As diferenças já começam no sotaque. Enquanto o parisiense é muito mais fechado e articulado, os fonemas do québécois são mais abertos e nasalizados. Sem contar a influência dos vizinhos: o Québec está cercado à esquerda e direita por províncias anglófonas e ao sul faz fronteira com os Estados Unidos. Resultado: grande influência de palavras vindas do inglês, originando, em alguns pontos da província o que se chama de “Franglais”, mistura de francês com inglês.

Preparamos uma pequena lista para mostrar as diferenças. Amusez-vous. Au revoir!

 

 

Luigi Ricciardi, nascido Luís Cláudio Ferreira Silva, descendente de italianos, é londrinense radicado em Maringá. É graduado em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. É autor do livro de contos “Anacronismo Moderno (Editora Scortecci) e idealizador do projeto cultural “Mutirão Artístico Maringaense” e da revista literária “Pluriversos”. É professor particular de francês em Maringá, assina o blog “Bonjour, Edith” (em francês) e gosta de cappuccino. No Café, assina a coluna Français Facile. Contato: [email protected].

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Français Facile: O que você não pode deixar de visitar na Cidade Luz

Excepcionalmente neste sábado…

Por Luigi Ricciardi*

Faremos mais uma pausa nas dicas de língua francesa para abordar pontos turísticos da França. Falaremos um pouco dos principais, dos mais visitados, mas também de alguns outros não tão famosos assim, ou que ficam meio que escondidos em meio a tanta coisa para ser vista.

A França ainda é o país mais visitado do mundo, tendo Paris e sua região metropolitana como destino preferido dos viajantes. A Torre Eiffel, monumento escolhido como símbolo da cidade tanto por moradores quando por turistas não é, pasmem, o ponto turístico mais visitado da Cidade Luz. Perde para a Catedral de Notre Dame (veja ranking abaixo, em francês). Outros pontos muito visitados são os famosos Museu do Louvre, a Basílica de Sacré Coeur e o Castelo de Versalhes. O tão icônico Arco do Triunfo está fora da lista.

Seja inverno ou verão, quando decidir visitar a torre, vá cedo. A fila começa a ficar “quilométrica” após as 10 horas da manhã. Compre o bilhete total e não o parcial. Este dá direito à subida ao primeiro e segundo andares, onde você encontrará restaurante, pista de patinação, loja de souvenirs etc. Só o bilhete total te dará a chance de subir até o topo da torre, a 300 metros de altura, onde se pode ver toda a cidade e também, a olho nu, a catedral gótica da cidade de Chartres, que fica a 90 km de Paris. Agasalhe-se bem, o vento é muito forte. E cuidado com as vertigens!

Luigi na Champs Élysées, uma das avenidas mais famosas do mundo

O Arco do Triunfo fica na Place Charles de Gaule de l’Étoile, onde desembocam nada menos do que doze avenidas. O trânsito ali é caótico e a passagem para o monumento só pode ser feita por um caminho subterrâneo, com entrada na Avenue des Champs Élysées. O monumento é lindíssimo, conta com os nomes de vários soldados que morreram defendendo a França em combate. Há o túmulo do soldado desconhecido, que representa todos os mortos em batalha, no qual há a chama que nunca apaga – fogo à memória desses batalhadores. Dá para subir no topo do Arco e ver toda a extensão da belíssima Champs-Élysées até seu início, na Place de la Concorde. A visita é paga!

A Catedral de Notre Dame se encontra no coração de Paris, em uma ilha no Rio Sena, chamada Ilê de la Cité, lugar onde a cidade foi fundada. Cuidado, é um dos lugares mais caros da cidade. A arquitetura impressiona. A visita interna, gratuita, acaba por nos dar a impressão de ter voltado no tempo. A luz é escassa, e os visitantes se sentem na Idade Média. Lindíssima. Pode-se fotografar à vontade. Quando eu estive lá, atrás do altar, havia um lustre que havia sido retirado para restauração. Ele datava do século XVII. Era imenso. A visita paga se dá no acesso às torres. Não visitei, pois a fila dava voltas na igreja.

Como eu já havia dito em texto anterior aqui no blog, recomendo aos fãs de cinema visitar o Café les Deux Moulins, que fica a duas quadras do Moulin Rouge. O estabelecimento ficou famoso por ser locação no filme cult francês do século XXI O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. É belíssimo e não tão caro. Já o Moulin Rouge é caríssimo. Ingressos para jantar e espetáculo passam dos 300 euros. Estava contando minhas moedas, mas parei em 4 euros e 50 centavos. A visita ficou para uma viagem posterior.

No mesmo bairro de Montmartre, bem próximo ao Moulin Rouge, há uma visita imperdível: subir as escadarias da Basilique du Sacré Coeur. Não se engane, grande atleta, até os mais habituados sofrem. Imaginem, caros leitores, com meus quilinhos a mais, o quanto eu sofri. Ainda assim, subi duas vezes, já que o preço era justo. De lá se pode ver praticamente toda Paris e várias de suas atrações. Bem perto dali, há uma praça, onde mais de cem artistas pintam diariamente a céu aberto e, ali mesmo, vendem seus quadros.

Catedral de Notre Dame: mais visitada que a Torre Eiffel

Podem me chamar de mórbido, porém, um dos passeios mais legais a fazer em Paris é o Cimitière du Père Lachaise, que não é propriamente um “best seller” em visitação. Sim, um cemitério! É gratuito, obviamente, mas recomendo a compra um mapa logo na entrada. O cemitério é enorme e os corpos de muita gente famosa estão enterrados lá: Edith Piaf, Chopin, Oscar Wilde, Jim Morrison, Delacroix, Balzac, Alain Kardec, Pierre Bourdieu, entre outros. As estátuas são belíssimas, os túmulos também; e no fim da tarde em um inverno brando nos dá a impressão de estar em uma fotografia em movimento. Ou prestes a entrar em um filme de terror barato. Lindo!

Para os fanáticos em compras, visitem a Gallerie Lafayette. Mesmo os mais contidos, os que acham que gastar dinheiro com marcas famosas é besteira, perdem a estribeira lá. Eu caí nessa também, mas me contive após o primeiro impulso, quando comprei um perfume no quiosque da Jean Paul Gaultier. Vi gente vender a mãe por um estojo de maquiagem ou uma nova lingerie. Caso você tenha muito dinheiro e goste de esbanjar, você pode não só gastar seus euros nas compras, como também na hospedagem na Place Vêndome, onde fica o Hotel Ritz e lojas da Rolex. Continue lendo

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Français Facile: Gíria e língua informal

Por Luigi Ricciardi*

Coucou, les gars.

Esta semana vamos falar sobre gírias. Em maior ou menor medida, todas as pessoas utilizam essa variante linguística. Mas o que é exatamente definido como gíria? Segundo o dicionário Houaiss, gíria é “um vocabulário informal e peculiar de determinado grupo”.

Linguagem informal, ou seja, coloquial, que não pertence à língua padrão, considerada formal. O que não quer dizer que tais vocábulos já não estejam consagrados por vários grupos e já não constem no dicionário. Pegamos o exemplo da palavra “cara”. Na língua padrão identificamos como um adjetivo feminino, oriundo do masculino “caro”, que pode significar designar tanto o valor alto de um produto ou serve como introdução a uma carta ou cartão postal, por exemplo “cara, amiga”.

Já no uso coloquial, ou seja, na gíria, a palavra cara pode ser o sinônimo de “face” ou “rosto”, como na frase: “você está com uma cara horrorosa, você dormiu?”; bem como designar um homem: “está vendo aquele cara alto ali, cabelo desarrumado? Pois bem, ele é um canalha”. Em outras palavras, vários sentidos para a mesma palavra.

Existe também o contrário. Um sentido para várias palavras diferentes. Em português, além da palavra “carro” ser utilizada para um automóvel, dizemos “caranga”, e se ele for grande podemos dizer “banheira”. Há inúmeros exemplos em português para o caso.

E em francês, isso também acontece? Claro que sim, mas quem estudou um pouco de francês sabe que eles são muito cuidadosos com a estrutura da língua. O abismo que separa a língua escrita da língua falada em português não se repete em língua francesa, pelo menos na França Metropolitana. Contudo, existem, sim, as gírias, que eles chamam de argots ou language familier.

Aprenderemos, então, alguns exemplos de vocábulos que mudam o sentido, dependendo de qual situação ele for empregado. Profitez-en!

 

Francês Padrão                         Gíria                                               Tradução

Voiture                                              Bagnole                                            Carro

Police                                                 Flic                                                     Policial

Ami                                                    Pote                                                    Amigo

Apéritif                                             Pot                                                      Aperitivo

Se promener                                   Balader                                              Passear Continue lendo

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Français Facile: Expressões idiomáticas em Francês

Il fait un froid de canard; tradução literal: “Está fazendo um frio de pato”; em francês significa: “Está fazendo um frio de congelar”

Por Luigi Ricciardi*

Bonjour à tous!

Esta semana, damos um tempo nas dicas de Paris e voltamos com as dicas sobre língua francesa. E o assunto de hoje é um dos que eu mais gosto: expressões idiomáticas, que em francês é um fenômeno chamado de Idiotisme. Mas vocês verão que de idiota isso não tem nada – pelo contrário, tem é de inteligente.

Expressão idiomática é uma expressão ou locução específica de uma língua que tem um sentido em seu todo e não para cada uma das palavras que a compõem. Pode se tratar de construções gramaticais ou de metáforas, por exemplo. Ela é intraduzível palavra por palavra, e pode ser difícil ou mesmo impossível de se expressar em outra língua.

Em português há inúmeros exemplos, como “dar com os burros n’água”. Um estrangeiro, por exemplo, ao aprender português, pode pensar no significado palavra por palavra, ou seja, pegar os burros e levar até a uma reserva de água, por exemplo. Todavia, devemos ver seu significado como um todo, o que em português, nessa frase, quer dizer “dar tudo errado”.

Em francês se dá o mesmo. Algumas possuem correspondência direta com o português, e usamos no dia a dia. Porém, há outras que são intraduzíveis. A coluna Français Facile separou para vocês, caros leitores, algumas expressões que estão entre as mais usadas em francês. Entre parênteses está o que seria a tradução literal da frase, e logo depois, sua verdadeira significação em português. Amusez-vous! (Divirtam-se!)

***

Mettre la puce à l’oreille (Colocar a pulga na orelha) Ficar desconfiado

Etre vert (Estar verde) Estar decepcionado, desgostoso

Il fait un froid de canard (Está fazendo um frio de pato) Está fazendo um frio de congelar

Voir la vie en rose (Ver a vida em rosa) Ser otimista

Il est haut comme trois pommes (Ele é alto como três maçãs) Ele é pintor de rodapé

Manger un steak bleu (Comer um bife azul) Comer um bife mal passado Continue lendo

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Français Facile: Por entre Cafés e Museus II

Por Luigi Ricciardi*

Bonjour à tous!

Depois de uma semana sem dicas, estamos de volta. A dengue me jogou à cama, mas estou restabelecido. Continuando com o tema da semana precedente, hoje não darei dicas sobre língua francesa. Tratarei, novamente, de um tema interessantíssimo, que muito tem a ver com este blog: cafés.

Na França, as padarias, ou boulangeries como eles dizem, são verdadeiramente lojas de pão. Você entra na loja e se posiciona na fila esperando ser atendido. Chega a sua vez, você pede os pães e paga. Não existem mesas, é comprar e ir embora. É completamente diferente da nossa relação com a padaria no Brasil, onde tomamos café da manhã e comemos até sanduíches. Esse espaço é preenchido pelos cafés.

Em um café pode-se pedir, além de uma enorme variedade de cafés, bebidas alcoólicas e algo para comer. Os franceses são fãs dos cafés à moda italiana, várias casas possuem máquinas italianas para moer o grão e fazer um café mais puro. Aquele que vos escreve, como é fã de cappuccino, cometeu o pecado de não provar todos os tipos que lhe vinham à frente ou que estavam disponíveis nos cardápios.

As iguarias que são encontradas nesses cafés são infinitas. Meu preferido é o Pain au Chocolat (em tradução livre, pão de chocolate), com uma massa muito parecida à nossa massa folhada em forma de salgado assado, mas recheado de chocolate. Calórico, mas delicioso.

Uma das iguarias mais consumidas na França, e isso meu amigo Luiz Fernando Cardoso já sabe, pois provou em uma das minhas aulas de francês; é o Croque Monsieur. É um sanduíche de queijo gruyère ralado e presunto de Parma, mergulhado em ovo batido no leite e dourado na manteiga. Acompanha bem tanto um belo chopp (sim, os franceses bebem chopp, sobretudo o belga, considerado grande concorrente do alemão) como um clássico vin rouge.

Ir à França e não visitar os cafés é um pecado mortal. Há vários, três por quadra dependendo do bairro. Há os caríssimos, como o Café de la Paix, que fica em frente a Ópera de Paris, que serviu de inspiração ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas também há os mais baratos. O Café de Flore no bairro Montparnasse não é tão caro e é muito famoso, pois era frequentado assiduamente por nada menos que Jean-Paul Sartre, o filósofo existencialista.

Recomendo aos fãs de cinema visitar o Café les Deux Moulins, que fica a duas quadras do Moulin Rouge. O estabelecimento ficou famoso por ser locação no filme cult francês do século XXI O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. É belíssimo e não tão caro.
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Français Facile: Por entre Cafés e Museus

Por Luigi Ricciardi*

Bonjour à tous!

Diante do consagrado Musée du Louvre: gigantesto!

Na coluna Français Facile desta semana, não darei dicas sobre língua francesa, mas falarei sobre algo muito interessante também. São dois lugares essenciais a se visitar à exaustão nas passagens pela França, sobretudo por Paris e Lyon, lugares dos quais eu guardo enormes recordações: cafés e museus. Já é clichê associar a França com um bom café e cultura, mas não é a toa, muitos clichês são difíceis de serem quebrados porque correspondem à verdade.

Nessa primeira parte, falarei sobre os museus. Não sei dizer exatamente quantos museus já visitei, mas são mais do que dá para contar nas mãos. Em Paris, há vários, mas aqui cito quatro extremamente importantes: o consagrado Musée du Louvre, o menos famoso Musée d’Orsay, e os quase desconhecidos pelos turistas Musée de l’Armée e Musée Grévin.

O Louvre é gigantesco. Há uma lenda urbana que diz que, caso você queira admirar todas as obras, passando uma por uma, analisando, lendo a plaquinha abaixo, sejam obras de arte ou objetos históricos, chegando no horário de abertura e sendo o último a sair, demoraríamos mais de quarenta dias. É claro que, como turistas, não temos tempo nem dinheiro para tanto, mas podemos selecionar algumas coisas interessantes.

Venus de Milo, no Louvre

Destaque para a parte histórica, objetos etruscos, gregos e romanos. Nas obras de arte – seria difícil elaborar uma lista, ela seria injusta – destaque para a Monalisa (tão pequena de perto), a belíssima Vênus de Milo, e meu preferido, La Liberté Guidant le Peuple, de Eugène Delacroix. O bilhete inteiro custa 15 euros.

Todos falam do Louvre, mas quase ninguém fala sobre o Orsay, antiga estação de trem que virou museu, e serviu de inspiração para o nosso Museu da Língua Portuguesa, antiga Estação da Luz, em São Paulo. Lá estão obras pós-Louvre (que abriga obras produzidas até 1849), ou seja, o museu possui a maior coleção de impressionistas e expressionistas do mundo. Fiquei horas vendo “Monets e Van Goghs”. Pena que não se pode tirar foto, mas é um museu agradabilíssimo: mais simpático e transitável que o Louvre.

O Musée Grévin leva o nome de seu fundador. É um museu de cera, um dos maiores do mundo. Há representações maravilhosas de várias personalidades como Napoléon Bonaparte, Louis XIV, Charles Aznavour, Elton John, Elvis Presley, Madre Tereza, Michael Jackson, entre outros. Destaque para as seções Revolução Francesa e História do Século XX, são interessantíssimas.

Para terminar, o Musée de l’Armée é o que o nome diz, o museu do exército. Ele conta a história de várias guerras nas quais a França participou, as duas guerras mundiais, as guerras napoleônicas e as guerras de independência das colônias. Destaque para os áudio e vídeos sobre a Segunda Guerra Mundial e para o túmulo de Napoleão Bonaparte.

Panorama do belo Musée d’Orsay

Os últimos três museus variam de preço, ficando entre oito e quinze euros. Atenção, mesmo se forem estudantes e possuírem uma carteirinha internacional, na França, se você tiver mais de 25 anos você é obrigado a pagar ingresso integral. O que pode nos consolar, visto que eu já passei dessa idade e mesmo estudante de mestrado na época não consegui pagar meia entrada, é que dentro dos museus sempre há um belo café e um clima aconchegante.

Visitez la France! Au revoir!

Tumba de Napoleão, no Musée de l’Armée

Luigi Ricciardi, nascido Luís Cláudio Ferreira Silva, descendente de italianos, é londrinense radicado em Maringá. É graduado em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. É autor do livro de contos “Anacronismo Moderno (Editora Scortecci) e idealizador do projeto cultural “Mutirão Artístico Maringaense” e da revista literária “Pluriversos”. É professor particular de francês em Maringá, assina o blog “Bonjour, Edith” (em francês) e gosta de cappuccino. Contato: [email protected].

As fotos desta postagem são de arquivo pessoal.

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