Français Facile



Français Facile: Édith Piaf e ‘falsos cognatos’

Por Luigi Ricciardi*

Bonjour!

Muita gente me perguntou, após o sucesso na primeira semana da coluna Français Facile, a razão de eu ter um blog com o nome “Bonjour, Edith“. Explico! O nome se deve à, provavelmente, maior cantora popular europeia de todos os tempos: Édith Piaf.

Considerada a voz da França, Piaf teve infância sofrida, vivia nas ruas com sua mãe que tinha o sonho de ser cantora. Cresceu cantando nas ruas também, como sua mãe. Foi descoberta e virou um grande fenômeno dos anos 1930, 1940 e 1950. Gosto da música francesa atual, mas vou sempre ser fã de Edith. Sua maneira de interpretar perpetua. Se quiserem saber mais sobre a artista, recomendo ver o filme “Piaf, um Hino ao Amor, de 2008, pelo qual a talentosíssima Marion Cottillard levou o Oscar de melhor atriz. Veja o trailerabaixo.

Bem, sanada a curiosidade, vamos à dica da semana. Entre as línguas latinas há muitas palavras transparentes, obviamente pelo elo das duas línguas, o latim. Temos inúmeros exemplos, tais:

Francês – Português

Burocratie ………. Burocracia

Porte ………. Porta

Enveloppe ………. Envelope

Imaginer ………. Imaginar

Université ………. Universidade

Voyage ……….  Viagem

Penser ………. Pensar

Exister ………. Existir

Isso só para dar alguns exemplos. A lista seria imensa caso a fizéssemos, talvez não sendo possível terminá-la nem em vários fascículos. Porém, existem palavras que são falsos cognatos, ou mais popularmente, os falsos amigos, que, apesar de se parecerem, têm sentidos completamente diferentes. A semelhança pode ser tanto gráfica, quanto fônica, e pode induzir facilmente o aprendiz da língua ao erro.

Cognatos são palavras de origem comum. Ou seja, os falsos cognatos parecem ter origem comum, mas são distintos, por isso os chamamos de falsos. Por exemplo, a palavra pelle parece “pele”, tanto pela grafia quanto pela pronúncia, mas na verdade, significa “pá”, enquanto “pele” é peau em francês – pronuncia-se [po]. Eis alguns exemplos de falsos cognatos em português e francês.

Francês – Português / Francês – Português

Depuis ………. Desde / Puis ………. Depois

Dégré ………. Grau / Marche ………. Degrau

Mais ………. Mas / Plus ………. Mais

Ombre ………. Sombra / Épaule ………. Ombro

Outil ………. Ferramenta / Utile ………. Útil

Acheter ……….  Comprar / Aplatir ………. Achatar

Femme ………. Mulher / Femelle ………. Fêmea

Bâton ………. Bastão / Rouge à lèvres ………. Batom

Attirer ………. Atrair / Tirer ………. Atirar

Pelle ………. Pá /Peau ………. Pelle

Villa ………. Sobrado / Village ………. Vila, vilarejo

Violon ………. Violino / Guitare ………. Violon

Esses são detalhes que fazem a diferença no aprendizado da língua. Para não cair em ciladas, logo faites attention. Au revoir!

 

Luigi Ricciardi, nascido Luís Cláudio Ferreira Silva, descendente de italianos, é londrinense radicado em Maringá. É graduado em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. É autor do livro de contos “Anacronismo Moderno (Editora Scortecci) e idealizador do projeto cultural “Mutirão Artístico Maringaense” e da revista literária “Pluriversos”. É professor particular de francês em Maringá, assina o blog “Bonjour, Edith” (em francês) e gosta de cappuccino. Contato: [email protected].

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Français Facile: gêneros dos substantivos

Por Luigi Ricciardi*

Bonjour!

Nada melhor do que um blog que tem em seu nome a palavra café para falar de francês. Língua de um país que gosta tanto desse produto quanto dos estabelecimentos que levam seu nome, lugar de encontro de pessoas comuns e grandes escritores, filósofos e artistas em geral.

Para inaugurar a coluna semanal “Français Facile”, falaremos dos gêneros dos substantivos.

Os substantivos – sendo eles simples, compostos, concretos, abstratos – das línguas latinas possuem gênero, diferente do inglês, em que todos os objetos são “it”. Uma reflexão é necessária: o que levaria uma língua a creditar o gênero masculino a dado objeto? Por exemplo, o que me levaria a crer que a palavra mesa seja feminina e não masculina? Como foi estabelecida essa definição?

Logicamente, ela é complemente arbitrária, pois nada na palavra mesa ou em seu formato me indicaria que ela deveria ser feminina. Se essa arbitrariedade acontece em todas as línguas latinas, pode acontecer de um objeto ser interpretado como feminino em uma língua e masculino em outra. É o que acontece entre português e francês.

La Voiture (o carro)

Vejamos alguns exemplos:

O Rádio ………. La Radio

A Carteira (de bolso) ………. Le Portefeuille

A Dúvida ………. Le Doute

O Carro ………. La Voiture

Isso acontece muito frequentemente. E não há uma lista definida, pois ela seria extremamente extensa. Porém, tranquilizem-se, alunos e curiosos do francês, pois a maioria das palavras, digamos, cerca de 90%, permanece com o mesmo gênero nas duas línguas. Mas eis uma dica para ajudar a descobrir o gênero de algumas delas.

Praticamente todas as palavras terminadas em “age” em francês são masculinas. Seus equivalentes em português são, em geral, palavras femininas terminadas em “agem”. Divirtam-se! Au revoir!

 

LES MOTS MASCULINS (Palavras que são masculinas)

Le Courage ………. A Coragem

Le Triage ………. A Triagem

Le Recyclage ………. A Reciclagem

Le Bricolage ………. A Bricolagem

Le Pilotage ………. A Pilotagem

Le Bagage ………. A Bagagem

L’ Avantage ………. A Vantagem

Le Jardinage ………. A Jardinagem

Le Garage ………. A Garagem

Le Passage ………. A Passagem

Le Voyage ………. A Viagem

L’ Attelage ………. A Acoplagem

Le Découpage ………. O Corte

Le Village ………. A Vila

L’ Âge ………. A Idade

Le Mariage ………. O Casamento

Le Visage ………. A Fisionomia

Le Voisinage ………. A Vizinhança

Le Chauffage ………. O Aquecedor

Le Sondage ………. A Pesquisa

L’ Héritage ………. A Herança

Le Tirage ………. A Extração

Le Couchage ………. O Sono / Dormir

Le Bastingage ………. A Barreira/ O Corrimão

Le Vernissage ………. A Exposição

Le Reglage ………. O Ajuste

L’ Allumage ………. A Iluminação

Le Graissage ………. A Lubrificação

 

LES MOTS FEMININS (As palavras femininas, que são exceções à regra)

L’ Image ………. A Imagem

La Page ………. A Página

La Plage ………. A Praia

 

* Luigi Ricciardi, nascido Luís Cláudio Ferreira Silva, descendente de italianos, é londrinense radicado em Maringá. É graduado em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. É autor do livro de contos “Anacronismo Moderno (Editora Scortecci) e idealizador do projeto cultural “Mutirão Artístico Maringaense” e da revista literária “Pluriversos”. É professor particular de francês em Maringá, assina o blog “Bonjour, Edith” (em francês) e gosta de cappuccino. Contato: [email protected].

 

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