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Mais1Livro: O livro que não pode esperar

Por João Oliveira*, de Buenos Aires

Garanto que aí na sua estante, em um cantinho esquecido, tem pelo menos um livro comprado há um bom tempo, só esperando pela oportunidade de ser lido. Por aqui eu tenho vários. E eles vão esperando, sem perder o charme, pois livros são pacientes.

Quem não tem tanto tempo são os autores, principalmente os jovens. Escritores estreantes correm contra o tempo, precisam ser lidos, conhecidos, comentados, divulgados. Senão, dificilmente chegarão ao segundo livro. Jovens escritores não podem esperar.

Partindo dessa ideia, a editora e livraria argentina Eterna Cadencia lançou “El libro que no puede esperar”, uma antologia com alguns dos melhores jovens escritores latinos publicados pela editora, impresso em uma tinta especial que reage em contanto com a luz e o ar, “desaparecendo” após apenas dois meses. O resultado é uma sensação de urgência para ler o livro e conhecer a obra dos escritores antes que as páginas fiquem em branco.

Como o livro é embalado a vácuo, o tempo começa a correr assim que o consumidor compra e abre suas páginas. A publicação foi um sucesso de mídia e vendas, com a primeira edição esgotada em apenas um dia. A criação é da DraftFCB Buenos Aires. Veja a apresentação do projeto, abaixo.

 

 * João Oliveira é publicitário, formado pela Faculdade de Pato Branco (Fadep), na cidade onde nasceu. Graduado, mudou-se para Maringá em 2010, onde trabalhou como redator em agências de publicidade. Nesse período, criou o site literárioMais1Livro que, apesar de jovem – pouco mais de três anos -, já foi elogiado por escritores de renome. Hoje, Oliveira vive em Buenos Aires, na Argentina, de onde segue como editor de Mais1Livro. Sua coluna homônia no Café com Jornalista é publicada toda quarta-feira. Contatos pelo @Mais1Livro (Twitter) ou pelo e-mail: [email protected].
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Mais1Livro: As 10 regras de Zadie Smith para escrever Ficção

Excepcionalmente neste sábado…

Por João Oliveira*

A londrina Zadie Smith é autora de três romances, Dentes brancos, O homem dos autógrafos e Uma questão de beleza – todos editados pela Companhia das Letras. Publicou também contos e ensaios nos dois lados do Atlântico (leia Esse sentimento astuto: Como eu escrevo um romance?, no britânico Prospect).

Seu primeiro livro, Dentes Brancos, foi figurinha carimbada nos prêmios literários em 2000. Levou vários, entre eles o Commonwealth writers de melhor estreia e o James Tait Black Memorial de ficção. Foi listado também pela Time como um dos 100 melhores romances em língua inglesa de 1923 a 2005. Herança maldita, a escritora sofreu de bloqueio criativo após o hype. Quando voltou à ativa, juntou mais alguns prêmios com seus dois romances seguintes. Hoje, é professora no programa de escrita criativa na Universidade de Nova York.

Com muito destaque no rol de prêmios da Mme Smith, não tenho dúvida, está a posição de Musa do Mais1Livro. A pedido do jornal Guardian, a autora prescreveu suas 10 dicas para quem deseja escrever ficção:

1. Enquanto criança leia muitos livros. Passe mais tempo fazendo isto que qualquer outra coisa;
2. Quando adulto, tente ler seu próprio trabalho com se fosse um desconhecido, ou ainda melhor, como um inimigo;
3. Não romantize sua “vocação”. Você pode escrever boas frases ou não pode. Não existe “estilo de vida de escritor”. Só importa o que você coloca no papel;
4. Evite suas fraquezas. Mas faça isso sem falar para si mesmo que as coisas que você não pode fazer não valem a pena serem feitas. Não mascare sua insegurança com desprezo;
5. Deixe um tempo considerável entre escrever algo e editá-lo;
6. Evite panelinhas, gangues, grupos. A presença de uma galera não tornará sua escrita melhor do que é;
7. Trabalhe em um computador sem acesso à internet;
8. Proteja o tempo e o espaço em que você escreve. Mantenha todo mundo longe dele, mesmo as pessoas mais importantes para você;
9. Não confunda honras com realizações;
10. Conte a verdade a qualquer pretexto que venha à mão – mas fale. Resigne-se à tristeza perpétua de nunca se sentir satisfeito.
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* João Oliveira é publicitário, formado pela Faculdade de Pato Branco (Fadep), na cidade onde nasceu. Graduado, mudou-se para Maringá em 2010, onde trabalhou como redator em agências de publicidade. Nesse período, criou o site literárioMais1Livro que, apesar de jovem – pouco mais de três anos -, já foi elogiado por escritores de renome. Hoje, Oliveira vive em Buenos Aires, na Argentina, de onde segue como editor de Mais1Livro. Sua coluna homônia no Café com Jornalista é publicada toda quarta-feira. Contatos pelo @Mais1Livro (Twitter) ou pelo e-mail: [email protected].

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Mais1Livro: Como eu perdi a maior feira de livros do mundo hispânico

Por João Oliveira*

Sentado em minha cama em meu quarto escuro, começo a escrever este texto às 00h48 de sexta-feira, dez de maio. É bem provável que ele leve mais alguns dias para ficar pronto, e mais outros para ser publicado. Há pouco mais de cinco horas, chegávamos ao portão principal de La Rural, complexo para exposições localizado no badalado bairro de Palermo, em Buenos Aires. Vinte pesos depois¹ (emprestados. Deus lhe pague, Pam!), eu me aventurava com um pequeno grupo de brasileiros somados a um argentino pelos 45 mil m² da Feira, com apenas uma hora contada de diversão antes dos portões se fecharem. Mas antes… regressemos um pouco no espaço-tempo. Voltemos a Pato Branco, Paraná.

Sempre tive um pouco de feirafobia. E foi lá, na pequena e bonitinha cidade onde nasci e cresci, que a cada dois anos a minha fobia se desenvolvia com a Expopato, nossa feira-agrícola-barra-desculpa-para-contratar-duplas-sertanejas-e-forrar-alguns-bolsos-na-prefeitura. Disseco minha feirafobia em três: 1. a miopia que me impedia de reconhecer os amigos a distância, ou que mesmo de óculos me obrigava a escolher entre focar pertinho ou longe, o que ocasionava outros dois problemas: o de nunca cumprimentar ninguém distante, e o medo de me perder na multidão; 2. a falta de paciência para passear pelas mesmas coisas de sempre: as lojas de jaquetas de couro, de filtros de água, de cadeiras de massagem e de lembrancinhas de madeira, os estandes de carros, de tratores e de lanchas que eu nunca comprarei, os galpões com porcos gigantescos, com vacas leiteiras gigantescas, com touros ameaçadoramente tranquilos e gigantescos e com cachorros fofinhos, os cheiros de estrume, de diversos tipos de estrume, de amendoim torrado e de gente suada, as barraquinhas de maçã do amor, de churros, de sorvete italiano, de pipoca doce ou salgada, de x-salada, frango ou tudo e de crepe suiso (sic), os brinquedos, esses que o escritor David Foster Wallace (que eu gostaria de dizer que fundamenta a criação desta humilde reportagem, mas não me atrevo) chama de experiências de quase morte: o kamikase, o barco viking e o crazy dance; e finalmente 3. minha outra fobia, a de lugares públicos abarrotados de pessoas trombando, caminhando, parando, pisando, cuspindo, cutucando, gritando, chamando, respirando, coçando, acenando, tossindo, vomitando, etc.

Voltemos à Argentina. Apesar da feirafobia, eu definitivamente estava interessado na 39ª Feria Internacional del Libro de Buenos Aires. A Feira (como eu a chamarei carinhosamente a partir de agora) atrai expositores de todo o mundo hispânico, o que já é um montão se você pensar que o castelhano é a terceira língua nativa mais falada no mundo, a primeira do ocidente. Nessa edição, contava com ilustres convidados internacionais, como o holandês Cees Nooteboom (Amsterdã é a cidade homenageada esse ano²), o brasileiro Milton Hatoum, o espanhol Javier Cercas, o sul-africano John Coetzee, o francês Mathias Enard, a colombiana Laura Restrepo e o mexicano Juan Villoro, além de cursos, palestras, leituras, concursos e todo um leque de atividades literárias rolando de 25 de abril a 13 de maio, reunindo mais de 1,2 milhão de visitantes. A ideia era sair dali com uma cobertura especial pro Mais 1 Livro.

Meu primeiro contato com a Feira foi via Facebook. Um amigo me convidava para um show gratuito do Toquinho na Plaza Italia, no dia da abertura. Um show. Do Toquinho. De graça. Em Buenos Aires. Era bom demais para ser verdade, e foi assim que na véspera do concerto a organização da Feira comunicava que o músico brasileiro cancelava sua participação devido a problemas de saúde. Comecei mal.

Um parêntese. Daqui pra frente eu tenho duas opções: lhes contar por que eu procrastinei até os últimos dias para finalmente tomar vergonha na cara e conhecer a Feira, o que provavelmente deixaria o texto deprimente, ou pular essa parte toda e voltar para a noite de nove de maio, a noite que durou apenas uma hora. Continue lendo

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Mais1Livro: Morgan Robertson, o homem que afundou o Titanic

Por João Oliveira*

Morgan Andrew Robertson (foto) foi um escritor popular durante final do século XIX e começo do século XX. Escrevia contos e novelas sobre o mar, sobrevivência e guerras. Imaginativo, autoproclamado inventor do periscópio, influenciou outros escritores de sua geração como Edgar Rice Burroughs (autor de Tarzan e John Carter) e Henry De Vere Stacpoole (autor de Lagoa Azul). Porém, sua fama se deve principalmente a um livro e uma série de coincidências.

Em 1898, Robertson publicou “Futility, or the Wreck of Titan” (Futilidade, ou o Naufrágio de Titan), a história de um navio gigantesco que afundou no Atlântico Norte após acertar um iceberg, deixando milhares de vítimas. Você já conhece essa história, não é? Pois bem, a história de Robertson é assustadoramente semelhante ao naufrágio do Titanic. Curiosidade: o livro foi escrito 14 anos ANTES do naufrágio, quando o Titanic nem mesmo havia sido projetado.

 

Vamos às coincidências entre ficção e realidade:

Os Nomes. Titan. Titanic. Em ambos os navios, o capitão se chamava Smith.
A Fama. Lembram do filme? A companhia White Star Line divulgava que nem Deus poderia afundar o Titanic. No livro, o Titan era igualmente descrito como indestrutível, ou “inafundável”.
Os Navios. Em 1912, o Titanic era o maior e mais luxuoso navio do mundo, com 882 pés e 63 mil toneladas de deslocamento. O Titan de Robertson era o maior navio já construído, com 800 pés e 75 mil toneladas de deslocamento.
Os Erros. Assim como o Titan, o Titanic era equipado com uma quantidade insuficiente de botes salva-vidas, apenas 20 (4 desmontáveis), a metade do necessário para a capacidade máxima de 3.000 passageiros. Na viagem inaugural, o Titanic partiu com 2.223 passageiros.
A Viagem. Ambos partiram da Inglaterra em uma noite fria de abril rumo a Nova York.
O Acidente. Ambos foram atingidos na lateral do casco por um iceberg e afundaram no Atlântico Norte. Na noite de 14 de abril, o Titanic navegava a 22 nós, uma velocidade considerada alta. Já o Titan de Robertson navegava a 25 nós.
A Tragédia. Mais da metade dos passageiros do Titanic morreu no desastre (apenas 705 pessoas foram resgatadas). Até hoje é considerada a maior tragédia naval da história. Já a ficção de Robertson foi ainda mais implacável. No livro, apenas 13 pessoas sobreviveram.

É ou não é sinistro? Infelizmente, Futility nunca foi publicado no Brasil. Mas você ainda pode matar a curiosidade. O livro está disponível (em inglês) no Google Livros.

 

* João Oliveira é publicitário, formado pela Faculdade de Pato Branco (Fadep), na cidade onde nasceu. Graduado, mudou-se para Maringá em 2010, onde trabalhou como redator em agências de publicidade. Nesse período, criou o site literário Mais1Livro que, apesar de jovem – pouco mais de três anos -, já foi elogiado por escritores de renome. Hoje, Oliveira vive em Buenos Aires, na Argentina, de onde segue como editor de Mais1Livro. Sua coluna homônia no Café com Jornalista é publicada toda quarta-feira. Contatos pelo @Mais1Livro (Twitter) ou pelo e-mail: [email protected].

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Criador do site literário Mais1Livro.com, João Oliveira estreia coluna semanal no Café

Estreia, ainda hoje (29), o terceiro colunista da nova fase do Café com Jornalista – agora, mais colaborativo. O publicitário João Oliveira assinará a coluna “Mais1Livro, que leva nome de site literário homônimo. No Café, toda quarta-feira, Oliveira publicará resenhas, dicas de leitura, novidades do mundo literário, entre outros bons assuntos para ler tomando AQUELE cafezinho passado na hora.

Mais1Livro já foi destaque no Café e em O Diário

Nascido em Pato Branco, sudoeste do Paraná, Oliveira se mudou para Maringá depois de se formar em Publicidade & Propaganda. Foi na Cidade Canção que teve a ideia de criar um site voltado para os amantes da literatura. Atraiu para sua iniciativa um seleto grupo de colunistas e, meses depois, Mais1Livro já era elogiado por escritores de renome.

Oliveira, que hoje vive em Buenos Aires, une-se ao escritor e professor de francês, Luigi Ricciardi, e ao palestrante de consultor em Educação, Adriano Danhoni, neste ótimo time de colunistas viciados em Café.

 

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