Amamentação: Idealização X Realidade

Por: Mariana Borghi Sica Duarte

MEU RELATO!

Um dia idealizei que amamentaria meus filhos exclusivamente até os 6 meses, achei que era apenas questão de querer, que meu corpo saberia o que fazer, como produzir leite suficiente, que o bebê instintivamente saberia mamar e que teria que ter apenas paciência para esperar o alimento descer.

Mas aí meu primeiro filho nasceu, não soube mamar logo de cara, precisamos ensinar/incentivar a sucção e depois de mais ou menos uma semana, ele aprendeu a mamar, aprendeu tanto que passava a maior parte do tempo no seio…e eu pensava que era porque era guloso.

Aí veio o primeiro choque de realidade… Chegou o dia da primeira consulta do Téo, e ele não havia ganhado peso, aliás havia perdido, nasceu com 3.265 kg, e para nossa surpresa com 12 dias estava com 2.900 kg. O médico explicou que eu não estava produzindo leite suficiente para fazê-lo engordar, nisso veio frustração, sentimento de incapacidade, mas ele nos orientou como fazer para aumentar a produção, receitou inclusive um remédio que ajudaria a aumentar essa produção, e seguimos firme complementando com leite artificial, pesquisamos e decidimos oferecer no copinho para que ele não deixasse de mamar o pouco leite materno que tinha, em seguida aluguei uma bombinha elétrica que ajudaria a aumentar a produção, pois enquanto ele não estivesse no peito, teria um outro estímulo fazendo com que meu corpo entendesse que havia uma necessidade de produzir mais leite.

Foi assim durante dois meses, porém ele engolia muito ar bebendo o leite do copinho e tinha muito cólica, sendo assim optamos por oferecer o leite na mamadeira…sim diminuíram as cólicas, mas depois da primeira mamadeira não quis mais o peito, assim a realidade trouxe mais uma vez o sentimento de incapacidade, mesmo a razão sabendo que era o melhor pra ele o coração estava cheio de decepções. Faz parte! Tudo isso foi superado e buscamos o apego materno de outras formas, criando vínculo e aumentando o amor.
Um ano depois a notícia de uma nova gestação, e uma nova idealização se formava, dessa vez pautada em estudos e pesquisas. Estava confiante, pronta para mais um desafio, dessa vez daria certo, pelo menos por mais tempo… Errado!

O Noah nasceu, mamou na primeira hora de vida, de cara já teve uma pega perfeita e tive alta já com o remédio que aumentava a produção de leite receitado. Com certeza tudo isso fortalecia meu sentimento que dessa vez daria certo, viemos para casa e eu percebi que ele ficava também muito tempo no peito, e já de cara começamos a complementar com leite artificial no copinho, massss (tudo tem um masss né) ele odiou o copinho e não bebia o complemento direito, ficamos 10 dias insistindo, o papai que dava o leitinho artificial porque com a mamãe era só choro, do 11º dia eu já havia percebido que ele não engordava, e como forma de alimentá-lo só restou oferecer a mamadeira, dessa vez uma diferente, a qual possui o bico similar ao seio, e fluxo baixo o que teoricamente faria ele não deixar o peito. No dia seguinte, o 12º de vida dele consultamos com a pediatra e o bebê que havia nascido com 3.365 kg estava com 3.130 kg confirmamos que não havia sido o suficiente, e precisamos intensificar as mamadas na mamadeira.

Hoje ele completa 15 dias, e demonstra ter pedido todo interesse pelo peito, apenas “chupeta” depois de mamar a mamadeira para poder dormir, e meu sentimento mais uma vez é de que a realidade é dura e traz muitas frustrações, mas ao mesmo tempo sei que eu fiz tudo que podia, e que meu amor por eles nunca será menor do que se tivesse dado tudo certo!
Em breve o coração se acalma e entende o que a razão já sabe, e tudo volta a ficar bem!
O intuito principal desse textão: Desabafo!

Mas se tiver alguma mãe que se identifique, espero poder ajudá-la a sentir-se melhor!
Meus meninos, independente de qualquer coisa a mamãe sempre irá amá-los INCONDICIONALMENTE!

Comentário de Celso Duarte Junior

Parabéns pelas palavras de desabafo, mas também vou falar o que vejo.

Uma mãe que fez 2 partos normais, até reclamou, mas segurou a dor, lutou e aguentou! É… tudo isso é AMOR.

Dizem que ele, o amor, só pode ser sentido, mas eu o estou vendo bem aqui e todos os dias da nossa vida!

Dá para falar do quanto carinho você tem com os filhos, o quanto demonstra paciência, palavras dóceis e amorosas você diz, mimos, cânticos sempre transmitindo energia positiva e amorosas. Só de ver a maneira que você os acomoda em seu colo, já vejo amor… um amor que transborda e é feito em cada toque. Quanta dedicação e luta existe por trás, principalmente de cada mamada. Eu sabendo de tudo isso, sei que vínculo existe, e amamentar é um ato de amor, e lutar e ter lutado por ele também.

Você pode até não ter amamentado o quanto desejava, ou ter leite como gostaria mas sabemos que lutou e buscou o suficiente, então saiba que não existe nesse mundo, demonstração maior de amor por um filho que batalhar por ele e por você.

O vínculo surge e se mantém do amor e carinho que você emprega em cada função, mas não só da função em si, você o constrói esse vínculo alimentando, dando banho, cuidando, até dando uma mamadeira, por que não?

Que vc continue sendo Mariana, a Mari ama os filhos.

Um comentário sobre “Amamentação: Idealização X Realidade

  1. Manoel Pereira de Jesus 30 de setembro de 2017 12:26

    Gostei muito,dicas muito interessante!

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