Mecânica

 

Pare: pise forte no freio, com segurança.

Os freios ABS serão obrigatórios por lei em todos os carros vendidos a partir de 2014.
Mas será que os benefícios são tão importantes para se tornar item de série?

Por Antonio Gabriel Martins Marcolli e Carlos Sica

Primeiramente vamos relembrar uma propriedade física chamada atrito. Existem dois tipos de atrito: estático e dinâmico. Simplificando, o atrito estático, aquele que precisamos superar para empurrar um móvel, no começo é mais difícl, depois que começa a deslizar, fica mais fácil. Este Necessita de mais força para ser superado do que o atrito dinâmico, pois o segundo, é aquele que ocorre quando as superfícies já estão escorregando uma sobre a outra e não exerce tanta força.

Vamos a um exemplo:

Quando o veículo está em movimento, e o freio do carro é acionado fortemente, a ponto de ocorrer o travamento das rodas, o pneu para de girar, mas continua deslizando sobre a superfície do asfalto. Nessa situação está ocorrendo o atrito dinâmico, aquele que não aplica muita força, ou seja, não reduz tão rapidamente a velocidade do carro.

Num veículo com as rodas travadas, o carro simplesmente vai reto, na mesma direção que o seu peso e velocidade indicar. Ele não segue a direção que as rodas esteão apontando, o que pode fazer o carro escapar numa curva ou até mesmo rodar. Perigo iminente!

Um sistema ABS (sigla de Anti-lock Brake System, sistema anti-bloqueio dos freios) serve para monitorar a velocidade das rodas do veículo quando o freio é acionado. Se ele detectar que alguma das rodas perdeu muita velocidade subitamente (princípio de travamento) ele rapidamente libera um pouco da pressão do freio para evitar o bloqueio total das rodas (das 4 rodas).

Existe outro sistema chamado EBD (Eletronic Brakeforce Distribution, distribuição eletrônica da força de frenagem) que controla individualmente a força de frenagem sobre cada roda.

A ação desses dois sistemas permite que o carro pare numa distância menor do que seria possível com as rodas totalmente travadas, devido à ação do atrito estático, e não dinâmico. O não travamento das rodas no momento da frenagem é tão importante que permite até a mudança de direção, sendo possível, por exemplo, desviar de obstáculos na pista, alterando a trajetória do veículo mesmo sob forte frenagem.

Durante a ação do ABS, o pedal do freio trepida um pouco devido ao sistema estar destravando as rodas. Essa trepidação é perfeitamente normal, é a característica básica da ação do sistema, porém algumas pessoas não habituadas podem se assustar achando que está ocorrendo alguma pane e aliviar a força sobre o pedal do freio, ERRADO. Isto aumenta o espaço de frenagem e oferece sério risco de frear incorretamente. Deixe o ABS trabalhar que é mais seguro.

Para não assustar o motorista desavisado, a industria criou um sistema chamado BAS (Brake Assist System, sistema de assistência de frenagem) que durante a ação de destravamento do ABS ele auxilia a frenagem aumentando a pressão sobre o freio, pois a correta frenagem de um carro com ABS é pisar totalmente no freio e não aliviar a pressão, pois essa função cabe à eletrônica do sistema, não ao motorista.

Portanto, quando você adquirir um carro com sistema ABS, EBD, BAS, em caso de emergência, pise forte no freio, pois a eletrônica estará lá para garantir segurança na frenagem.

Porém, se você ainda usa um carro com freios normais, tome muito cuidado. O risco de travar as rodas é grande.

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Não troque de marcha: use transmissão automática

Com o aumento da oferta de carros com opção de câmbio automático e as facilidades de pagamento disponíveis atualmente, este item de conforto está cada vez mais presente nos carros em circulação. Porém, como toda nova tecnologia, ela gera dúvidas e receios.

 

Assina conjuntamente este artigo Antonio Gabriel.


A maior parte das dúvidas recai sobre o consumo e o custo de manutenção da caixa automática.

Antes de começar, vale um esclarecimento: existem diferentes tipos de opções de automatização de câmbio. Cada transmissão pode recorrer à um recurso técnico diferente e, atualmente nos carros à venda no Brasil, é possível encontrar 3 recursos distintos, os quais abordaremos de forma breve.

CÂMBIO AUTOMÁTICO

O recurso mais tradicional é o chamado “câmbio automático”, que no passado era chamado de “hidramático”. Em geral, essa transmissão tem trocas de marchas suaves, sem que seja percebidos trancos ou balanços no veículo.

Esse tipo de câmbio faz com que o motor tenha um consumo ligeiramente maior, porém é difícil quantificar o aumento de consumo, pois este depende de vários outros fatores.

Oferece também uma pequena perda na transmissão da potência do motor para as rodas.

Como fator positivo, podemos citar a baixa manutenção, pois a ausência de embreagem extingue a possibilidade de quebra e não há como o motorista engatar uma marcha imprópria.

Resta então apenas a necessidade de trocar o óleo da transmissão de acordo com a quilometragem recomendada pelo fabricante.

CÂMBIO AUTOMATIZADO

É outro recurso que está se tornando popular pelo seu menor custo em relação ao automático. O “câmbio automatizado” é composto por uma caixa de marchas e embreagem, igual a dos carros com troca manual, porém ela possui mecanismos (elétricos e/ou hidráulicos) que acionam a embreagem e fazem a troca de marcha de forma automatizada.

Como este câmbio é, na verdade, uma caixa manual com trocas automatizadas, o consumo desta transmissão tende a ser igual ao de um câmbio manual.

Já o custo de manutenção é ligeiramente menor quando comparado ao manual, pois a embreagem tende a durar mais e não há o risco de se engatar uma marcha de forma errada.

Uma desvantagem é o fato de que, nesse tipo de câmbio, as trocas de marchas não são tão rápidas, gerando um pequeno solavanco durante a interrupção para a troca das marchas. Para resolver isso, alguns fabricantes recorrem ao uso do câmbio automatizado de dupla embreagem, onde uma embreagem aciona uma caixa com as marchas ímpares e a outra aciona as marchas pares. Com o uso deste recurso é possível se obter trocas sincronizadas e suaves.

TRANSMISSÃO CONTINUAMENTE VARIÁVEL

Por último, o “câmbio CVT”, sigla inglesa para Transmissão Continuamente Variável. Este tipo de câmbio está disponível em poucos carros, atualmente são mais encontrados nas motocicletas tipo “scooters”.

Esse câmbio não tem “marchas”, ele possui um sistema de variação que torna possível o veículo acelerar desde a imobilidade até altas velocidades sem que haja trancos, sendo por isso muito confortável.

Pelo fato de não haver marchas, seu consumo tende a ser menor, pois o câmbio está programado para ficar sempre num modo de economia de combustível.

Como não existe caixa de marchas, a manutenção é simples. É exigida apenas a troca da correia e da embreagem.

Como é possível observar, algumas características são comuns entre os câmbios automáticos, por exemplo, o custo do automóvel é maior que a mesma versão de câmbio manual, mas a manutenção tende a ser menor. É uma tecnologia consagrada nos carros vendidos no primeiro mundo e, acima de tudo, é um item que aumenta consideravelmente o conforto ao dirigir.

Por fim, devemos lembrar que os veículos com câmbio automático, também vêm equipados com o “piloto automático”, equipamento que fixa e mantém a velocidade de acordo com a vontade do motorista sem que ele use o pedal de acelerador. O computador do carro devolve o controle da velocidade para o motorista, assim que sentir um toque no pedal de freio ou no botão do volante. Andar na velocidade permitida diminui consideravelmente o gasto com multas.


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