O bom filho a casa torna

Por Fábio Castaldelli

Às vezes o filho precisa sair de casa. Seja por não concordar mais com as leis já estabelecidas no lar, para buscar novos desafios e experiências  ou mesmo para provar para os pais, ou para vizinhança inteira que vigia seus passos de perto, que o mundo é um amontado de aventuras que merece ser explorado. O filho vai, mas leva consigo seu sobrenome e a gratidão – ainda que disfarçada de raiva, mágoa e indiferença – pelas origens que o fizeram ser quem é.

O tempo passa e os motivos são varridos para debaixo do tapete da saudade. E então, mais dia ou menos  dia, o bom filho a casa torna.

Assim é a trajetória de Léo Maringá no Maringá Futebol Clube. O meio-campista, que estampa como apelido nas costas de sua camisa de jogo o nome time, é símbolo de um clube ainda jovem (foi fundado em 2010) mas que tem ambição de gente grande. O jogador foi peça fundamental na engrenagem que levou o MFC a conquistar o título da Divisão de Acesso do Estadual em 2013 e carimbar o passaporte para a estreia na elite do Paranaense ano seguinte.

E que estreia. Com um elenco muito bem encaixado, o Maringá chegou à decisão contra o Londrina EC, empatou no tempo normal, e decidiu o título nos pênaltis. Antes das cobranças, o clima tenso dos jogadores no gramado era semelhante ao dos milhares torcedores que se espremiam na arquibancada do Willie Davids. Todos estavam apreensivos, mas não Léo Maringá.

De um lado o técnico Claudemir Sturion conversava com a comissão técnica, de outro, jogadores recebiam massagem nas pernas para tentar aliviar a dor de um jogo bastante movimentado. Enquanto isso, Léo ia de companheiro em companheiro para tentar alertá-los da importância do momento vivido. “Não vamos deixar esse título escapar. Ele não vai sair daqui”, pude ouvi-lo dizer a alguns atletas – dentro de campo, eu cobria a partida para o Jornal O Diário.

O pedido de Léo não pôde ser atendido. Ele até marcou o gol dele nas penalidades, mas não foi suficiente para dar a vitória e o título ao MFC.

Depois daquela fatídica derrota, muita coisa aconteceu. Léo se transferiu para o rival Londrina, fez gol contra o Maringá, se desentendeu com o torcedor maringaense. Mas, como já foi dito, o bom filho a casa torna.

E mais que isso. Ajuda a colocar a casa em ordem.

Como redenção, Léo retornou ao Maringá para dar a experiência que faltava ao meio de campo e outra vez levar o time à Primeira Divisão do Paranaense. Fica agora a esperança que, com Léo e companhia, o elenco possa novamente chegar a uma decisão na elite e, dessa vez, escrever na história um capítulo mais feliz para o torcedor da cidade.

Um comentário sobre “O bom filho a casa torna

  1. Jonatas 2 de junho de 2017 20:48

    Só não saindo beijando o símbolo da camisa do tubarão está bem. Como fez da última vez que até derrubou o goleiro do mga.

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