Entrevista



‘É erro generalizar um ataque à classe política’, diz vice-procurador-geral da República

Vice-procurador da República, Luciano Mariz Maia. Foto: Rafael Passos

Segundo na hierarquia da Procuradoria-Geral da República, o vice-procurador-geral, Luciano Mariz Maia, avalia ser um “erro monumental” generalizar “um ataque à classe política como um todo” por causa das investigações criminais. “Quando você atribui que ninguém presta, todos cometem crimes, são todos bandidos, você está dando a si próprio o direito de cometer irregularidades, o direito de destruir vidas, de desrespeitar a lei. Isso é uma espécie de vale-tudo”, afirmou em entrevista a Beatriz Bulla no Estadão.

Maia afirma que é preciso resgatar a confiança nas instituições democráticas, o que exige o diálogo entre os Poderes. Escolhido pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para ser o vice no comando do Ministério Público Federal, ele assumiu, por exemplo, os casos que tramitam na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – como investigações que atingem governadores – e o Conselho Nacional de Justiça.

A classe política diz que as investigações criminalizaram práticas da política. O senhor concorda com essa avaliação?
Luciano Mariz Maia – Não existe homogeneidade na conduta humana. É possível que pessoas boas pratiquem atos ilícitos e é possível que pessoas perversas tenham direitos. O que diferencia um estado de civilidade de direito é que não faz um julgamento de pessoas enquanto tais, mas aprecia condutas concretas praticadas. Portanto, é um erro monumental, um erro que destrói o estado de direito, generalizar um ataque à classe política como um todo e às instituições políticas como um todo.

Mas as atividades políticas estão sob investigação…
Luciano Mariz Maia – O Judiciário e o MP são baseados em um dever ético de isenção e imparcialidade. Ao passo que a classe política é baseada na chamada solidariedade partidária. Só se consegue ganhar um mandato por meio do partido. (…) Muitas vezes solidariedades partidárias terminam excedendo o dever da integridade na apreciação de erros, desvios, por filiados àquele partido. Mas esse processo de depuração natural se faz ou pelas instâncias partidárias ou pelo voto. É próprio da democracia que isso aconteça. O importante é que as instituições consigam dialogar entre si. O STF precisa dialogar com o Congresso; precisa dialogar com a Presidência da República e seus ministérios.

A procuradora-geral tem falado sobre a importância do diálogo com as instituições, após um período de ruídos da gestão anterior com o Executivo. Há uma orientação para alterar a conduta que vinha sendo adotada pela gestão anterior?
Luciano Mariz Maia – Uma instituição como o MPF é plural. Enquanto havia a fala do PGR com a atuação criminal havia dezenas de outras falas e outros interlocutores com outros poderes. Diariamente o MP participa de audiências no Congresso, de reuniões de trabalho nos ministérios. As instituições têm vários canais de comunicação. Muitas vezes a imprensa é seletiva no que olha e perde a chance de ver a pluralidade de atores.

Começamos 2017 com notícias de barbáries em penitenciárias e, ao longo do ano, crescem as investigações criminais atingindo a classe política. Qual o espaço na sociedade e no Estado hoje para falar em garantia dos direitos dos acusados?
Luciano Mariz Maia – Há muito tempo Maquiavel diz assim: “É muito ruim quando o governante não respeita a lei”. O que termina acontecendo é que no estado democrático de direito a chamada vingança privada é substituída pela resposta do Estado. Quando você termina vendo agentes do Estado se envolvendo na prática de ilícitos, isso retira a confiança nas instituições do Estado. E, portanto, retira a confiança no papel civilizatório da lei. Fica como se fosse um mundo sem lei, onde termina prevalecendo a força do mais forte – quem tiver condição de ter sua própria segurança terá, não importa se a vida exploda nas outras comunidades. O que é preciso devolver é uma confiança nas instituições democráticas.

Como devolver a confiança nas instituições?
Luciano Mariz Maia – Quando você atribui que ninguém presta, todos cometem crimes, são todos bandidos, você está dando a si próprio o direito de cometer irregularidades, o direito de destruir vidas, de desrespeitar a lei. Isso é uma espécie de vale-tudo. Para devolver isso há a necessidade de diferenciarmos pessoas que cometem os ilícitos e devem responder por eles das instituições que eles representam. Nós devemos fortalecer as instituições e identificar que aqueles desviantes do padrão a ser seguido possam ser responsabilizados, em todas as profissões.

O sr. é ligado à defesa de diretos humanos. A procuradora-geral mostra que vai dar prioridade ao tema.
Luciano Mariz Maia – Ela quer guardar coerência, harmonizar o exercício do mandato com as responsabilidades nas várias dimensões. A atuação de responsabilização criminal guardando compatibilidade com os deveres de quem tem um olhar de direitos humanos, inclusive sobre quem é investigado, acusado, processado, condenado de um lado. Por outro lado, também entender que no mandato do Ministério Público está fortemente zelar pelo respeito dos direitos constitucionais e isso significa um olhar atento às políticas públicas.

Fonte: Política/Estadão

 

Comente aqui


Entrevista: “Serei candidata em qualquer cenário”, diz Cida Borghetti

“Serei candidata em qualquer cenário”, diz Cida Borghetti

Jornais do interior do Paraná trouxeram neste fim de semana uma entrevista especial da vice-governadora, Cida Borghetti.

No bate papo Cida fala sobre a possibilidade de assumir o Governo do Estado daqui seis meses, os desafios, as costuras políticas e o cenário para 2018.

Confira a íntegra abaixo:

Em seis meses, o Paraná pode ter um novo governador, na verdade uma governadora. Início de Abril é o prazo estipulado pela legislação eleitoral para o governador Beto Richa (PSDB) renunciar ao cargo, caso confirme a sua candidatura ao Senado.

Se isso ocorrer, a vice-governadora Cida Borghetti (PP) será a primeira governadora efetiva da história do Paraná. Duas vezes deputada estadual e deputada federal e com uma trajetória política marcada pela saúde preventiva, combate ao câncer de mama e políticas às crianças; Cida Borghetti afirma “estar preparada” para a possibilidade de assumir definitivamente o Palácio Iguaçu.

Na entrevista a vice-governadora do Estado fala sobre essa possibilidade, desafios, prioridades, candidatura, alianças políticas, adversários e o cenário para 2018.

– Daqui a seis meses, a senhora pode se tornar a primeira mulher a assumir efetivamente o cargo de governadora. Qual a sua expectativa?

Cida: Olha, a decisão de renunciar, ou não, para concorrer ao Senado é uma escolha pessoal do governador Beto Richa e temos que respeitá-lo. Eu estou tranquila e preparada para o possível desafio, seja daqui a seis meses ou em janeiro de 2019. Estou disposta a ampliar o meu trabalho pelo Paraná. Sou empresária, formada em administração pública com especialização em políticas públicas. Construí uma carreira defendendo a saúde preventiva das mulheres, a proteção às crianças, às famílias e o fortalecimento dos municípios. Fiz diversos cursos, entre eles o de liderança executiva em desenvolvimento da Primeira Infância da Universidade de Harvard. Sinto-me preparada.

– O que muda nos seus planos caso o governador Beto Richa decida permanecer no governo até o final do mandato?

Cida: Sou pré-candidata ao Governo do Estado em qualquer cenário político. Conto com o apoio das direções nacional e estadual da legenda para disputar as eleições em 2018, e tenho a confiança de que podemos contribuir muito mais pelo desenvolvimento e crescimento do Paraná.

– E quais seriam essas contribuições? O que se pode esperar da Cida Borghetti governadora?

Cida: Uma gestão articulada e participativa. Não irei administrar sozinha. Farei consultas a lideranças políticas, do agronegócio, do meio empresarial. Ouvirei representantes de federações, associações e sindicatos. Do setor produtivo aos trabalhadores. Todos terão voz e participação. Saúde, educação e segurança serão as prioridades.

Aliás, pertenço a um grupo político que tem como marca a eficiência na gestão, uma política de resultados. Buscarei as boas práticas de administrações municipais progressistas. Modelos de realizações, por exemplo, em Maringá, que saiu de um cenário muito difícil com um déficit de R$ 40 milhões no início dos anos 2000, equivalente hoje a mais de R$ 200 milhões, e se tornou, ano após ano, uma das melhores cidades do Brasil para se viver. As experiências em Toledo, o maior PIB agropecuário do Estado e em Londrina, a segunda maior cidade do Paraná.

– Na sua avalição, qual o maior desafio para governar?

Cida: A retomada de um ciclo de crescimento com a geração de empregos e renda. Hoje o país está saindo de uma das piores crises econômicas da história e os índices do Paraná – graças ao ajuste fiscal feito pelo Governo e a força do nosso setor produtivo – se destacam. Estamos gerando empregos e devemos crescer acima da média nacional. A união é essencial para vencermos os desafios. O caminho é uma gestão eficiente e preocupada, cada vez mais, com a boa aplicação do recurso público. Buscar práticas inovadoras e parcerias com a iniciativa privada. O desenvolvimento harmônico passa pela união de diferentes órgãos e entidades, da classe produtiva e dos trabalhadores.

– E as prioridades?

Cida: É consenso a importância dos investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura, como eu já citei. Áreas essenciais para o Estado que terão a minha atenção especial; entretanto minha prioridade absoluta serão as crianças. Chamar à mesa as prefeituras, governo federal, iniciativa privada e sociedade. Estabelecer um grande pacto pelas crianças com políticas e ações integradas, em especial nos primeiros anos de vida. Envolver também as famílias. Estudos comprovam que investimentos na primeira infância melhoram índices de produtividade no trabalho, reduzem dados de criminalidade e de gravidez na adolescência, por exemplo.

Também temos que pensar em ações integradas para os jovens, temos bons programas que podem ser ampliados como o Rede Jovem e os Centros de Juventude, que reúne num só lugar diversas atividades de esportes, cultura e capacitação. Ocupar o tempo dos jovens com atividade produtivas e inovadoras para protegê-los dos perigos das ruas e distanciá-los das drogas.

– A senhora falou em infraestrutura também, pode adiantar o que pensa para melhorar a infraestrutura do Estado?

Cida: O Paraná tem as demandas históricas na infraestrutura: duplicação completa da PR-323 no Noroeste, Trem pé-vermelho, Porto de Pontal, aeroporto regional do Oeste e do Sudoeste, duplicação integral da Rodovia do Café, da BR -277 e PR-280, melhorias nas rodovias na beira do Paranapanema, duplicação até o Mato Grosso do Sul, ampliação do aeroporto de Londrina e de Ponta Grossa, a nova ferrovia até o litoral, a Ferroeste até Mato Grosso do Sul, entre outras obras. Pleitos que dependem de uma integração de esforços do Governo do Estado com o Governo Federal, bancada no Congresso e na Assembleia, iniciativa privada, setor produtivo organizado e prefeituras. É o nosso jeito de fazer política, chamar todos à mesa para buscar a melhor solução para o povo do Paraná.

– E o pedágio, qual a sua opinião?

Cida: Defendo, da maneira mais rápida possível e com amparo legal, uma redução considerável das tarifas e a execução de mais obras. O foco é a melhoria da competitividade do Estado com a redução de custos.

– O Trem Pé-Vermelho, ferrovia de passageiros entre as regiões Londrina e Maringá, é uma das suas bandeiras, porque não saiu do papel?

Cida: O Governo do Estado lançou uma proposta de manifestação de interesse para as empresas apresentarem estudos de viabilidade. O processo e os estudos estão em andamento, porém a recessão econômica que atingiu o país nos últimos anos criou algumas dificuldades para levarmos adiante projetos como esse. Tenho a confiança de que com a melhoria do ambiente econômico conseguiremos investidores para iniciar a construção desse grande eixo de desenvolvimento que vai ligar as regiões metropolitanas de Londrina e Maringá.

– E qual o caminho para gerar empregos, sobretudo no interior?

Cida: Justiça tributária, apoio incondicional aos micro e pequenos empresários, estímulo ao Agronegócio e a atualização constante do programa Paraná Competitivo. O PR Competitivo é um dos programas mais eficientes do mundo para atrair investimentos e gerar empregos. Foram mais de R$ 45 bilhões em novos empreendimentos nos últimos anos, gerando milhares de postos de trabalho em todas as regiões. Lembro que o programa foi criado na primeira gestão do governo Beto Richa, na secretaria da Indústria e Comércio comandada por Ricardo Barros. Mais uma marca do nosso modelo de fazer política.

– Aliás, qual será o papel do ministro Ricardo Barros na sua gestão?

Cida: O ministro Ricardo Barros já anunciou que irá concorrer ao cargo de deputado federal. Contamos com a sua experiência e o seu conhecimento, em especial, em gestão e orçamento público para atrair recursos federais para o Paraná . A gestão de Ricardo Barros a frente do Ministério resultou, até agora, em uma economia de R$ 4 bilhões, esse dinheiro está sendo revertido em mais saúde. Com isso os municípios receberam mais repasses anuais para custeio de serviços, foram abertas novas UPA´s e leitos, a Rede Cegonha foi habilitada e dezenas de ambulâncias foram entregues.

– Falando do ministro, como estão as negociações e alianças para o ano que vem?

Cida: São conversas que ocorrem frequentemente. Temos recebido muitas confirmações e mensagens de apoios. Trabalhamos para ampliar a coligação vencedora das eleições de 2010 e 2014.

– Pode adiantar quais seriam essas confirmações?

Cida: São compromissos de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças de todas as regiões. Apoios de prefeitos como o Rafael Greca em Curitiba, Lúcio de Marchi de Toledo, Marcelo Belinati em Londrina. Um arco de alianças que tenho a certeza que irá crescer e se consolidar nos próximos meses. Nosso grupo tem um histórico de honrar os compromissos assumidos, por isso creio que teremos facilidade em consolidar o apoio de lideranças em todas as regiões.

– Porém, nas pesquisas divulgadas até agora, a senhora aparece com certa distância dos outros concorrentes, cito Osmar Dias (PDT) e Ratinho Jr. (PSD). Isso não a preocupa?

Cida: Não. É até natural que eles sejam mais lembrados neste momento, ambos já disputaram eleições majoritárias e possuem esse recall. As pesquisas mostram também que há ainda um grande desconhecimento do meu nome como candidata. Há vários exemplos de candidatos que nem mesmo apareciam nas sondagens prévias e acabaram vitoriosos. O João Dória (PSDB), em São Paulo, é um caso recente. Em 2010, o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) aparecia com 4% e cerca de dois meses depois de assumir o governo com a renúncia do Requião chegou a 15%.

– Mas o Orlando Pessuti não conseguiu nem ser candidato.

Cida: Situação diferente, o Pessuti não contava com o apoio do seu partido na época. Eu tenho o compromisso das direções nacional e estadual da minha legenda.

– A senhora conta com o apoio do governador Beto Richa?

Cida: Sim, como disse anteriormente queremos manter e ampliar a coligação vencedora das eleições de 2010 e 2014. O governador Beto Richa é um grande nome, a maior liderança do PSDB no Estado e se assim quiser terá uma posição de destaque na nossa chapa em uma das vagas para o Senado.

– Como é a sua relação com o ex-senador Osmar Dias e com o deputado Ratinho Jr.?

Cida: A relação é muito boa. Inclusive já disputamos eleições do mesmo lado. Nosso grupo não possui inimigos na política, temos concorrentes durante o período eleitoral. Após a eleição nossa obrigação é trabalhar e honrar os votos recebidos pelo bem dos paranaenses. Os dois são bons nomes que tem todo o direito de apresentar os seus projetos para o Paraná. Confio, sempre, num debate saudável e na troca construtiva de ideias; quem ganha é o Paraná.

– Os dois já estão no trecho fazendo reuniões e participando de eventos. A senhora parece que faz uma pré-campanha mais tímida.

Cida: Tudo no seu tempo. Mantemos as conversas semanais com diversas lideranças e sempre que é possível conciliar as agendas participo de feiras e eventos. Recentemente percorri uma parte do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Uma experiência única que serviu de preparação física e espiritual para os desafios que virão no ano que vem. Pretendo fazer uma campanha pé no chão, gastando muita sola de sapato.

– Circula no Centro Cívico de Curitiba uma versão de que a senhora poderia abrir mão da candidatura em troca de uma vaga no Tribunal de Contas. Isso procede?

Cida: Não existe essa negociação. A chance de isso ocorrer é zero. Como eu disse, sou candidata em qualquer cenário no ano que vem.

– Sua avaliação das manifestações na frente do casamento da sua filha, Maria Victoria.

Cida: Olha, organizamos uma cerimônia religiosa e familiar no Centro Histórico de Curitiba, como era desejo e sonho dos noivos. Não era um ato político. As cerimônias transcorreram dentro da normalidade na histórica Igreja do Rosário e na Sociedade Garibaldi, clube dos italianos, onde somos sócios contribuintes há muito tempo. As manifestações que ocorreram na parte externa foram convocadas e estimuladas por grupos políticos, partidos, sindicatos e movimentos de esquerda. Manifestações de cunho político. Lamentamos as agressões aos amigos e aos familiares.

– O nome da senhora foi citado na Operação Quadro Negro. Acha que pode influenciar na eleição?

Cida: Não tenho nada a ver com a Operação Quadro Negro e a investigação vai provar isso. Assumi em 2015, meses depois dos atos que estão sendo investigados. Inclusive já solicitamos a separação dos inquéritos.

1 Comentário


Na CBN, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, rebate acusações de envolvimento na Operação Quadro Negro

Ricardo Barros negou as supostas irregularidades e disse que não tem qualquer envolvimento com a operação Quadro Negro. Informou que solicitará o desmembramento de sua citação no inquérito.
Ele também relatou que o empesário foi ouvido várias vezes, tendo sido inclusive preso, e que nunca mencionou o seu nome ou da vice-governadora, o que fez na delação, fora do contexto do caso e das investigações.

A entrevista pode ser ouvida no site da CBN – AQUI – Usar o navegador Explorer

1 Comentário


Cida aposta na atenção à infância como política pública

Em entrevista ao Jorna da Manhã e portal aRede, no fim de semana, Cida Borghetti falou sobre suas ideias para o Paraná

Com mais de 25 anos de trajetória na vida pública, a vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti (PP), está entre as possíveis candidatas à sucessão de Beto Richa (PSDB) em 2018. Empresária, formada em administração com especialização em políticas públicas, Cida iniciou o gosto pela política em casa e atualmente é casada com Ricardo Barros, Ministro da Saúde do Governo Temer, e mãe da deputada estadual Maria Victória.

Cida foi presidente voluntária do Provopar Maringá, deputada estadual por dois mandatos e deputada federal. É reconhecida no Brasil e no exterior pelo trabalho estimulando a saúde preventiva, combate ao câncer de mama e na atenção às crianças, jovens e mulheres. No Governo Estado, a vice-governadora coordena o relacionamento com Brasília – é a responsável pelo grupo de trabalho que negocia projetos, busca recursos, obras e investimentos de interesse do Estado na capital federal.

A vice-governadora é a segunda entrevistada da série do Jornal da Manhã e do portal aRede sobre a eleição de 2018.

Jornal da Manhã: Vice-governadora, o que lhe credencia e motiva para disputar o cargo de governadora do Paraná em 2018?

Cida Borghetti: Sinto-me preparada para o desafio. Vivemos num Estado diferenciado, com agropecuária pujante, indústria qualificada e diversificada, comércio forte e uma população trabalhadora e preocupada com o desenvolvimento das suas regiões. Aproveito as oportunidades para conversar com a população, debater com lideranças, receber demandas e dialogar com nossos parlamentares aqui no Paraná e em Brasília. É o momento de conversar e de ouvir. São diálogos produtivos, com paranaenses que se preocupam com o desenvolvimento do nosso Estado. Tenho disposição, vontade e gosto muito do que faço.

JM: Quais são os principais desafios do Estado para os próximos anos?

Cida: Temos o reflexo de uma forte crise econômica que atinge todo o país. O caminho é uma gestão eficiente e preocupada, cada vez mais, com a boa aplicação do recurso público. Buscar eficiência, as práticas inovadoras e as parcerias com a iniciativa privada. O desenvolvimento harmônico e sustentável do Paraná passa pela união de diferentes órgãos e entidades, da classe produtiva e dos trabalhadores. A união é fundamental para vencermos as dificuldades.

JM: Enquanto vice-governadora, a senhora acompanhou o processo de ajuste fiscal do Estado nos últimos anos. Acredita que tal processo foi fundamental para a equalização das contas do Paraná?

Cida: Sem dúvida, o governador Beto Richa e a sua equipe se adiantaram à crise e iniciaram o ajuste fiscal no fim de 2014. Tivemos o essencial apoio da nossa bancada na Assembleia Legislativa. Hoje, o Paraná é destaque no país. Honra os compromissos, paga os salários em dia e amplia os investimentos na saúde, assistência social, educação, segurança, habitação, saneamento, estradas e portos. O ajuste fiscal também auxiliou os cofres municipais com o aumento dos repasses de ICMS.

JM: A experiência que a senhora tem na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) deve contribuir para possível disputa de 2018?

Cida: Não só dos oito anos da Assembleia, também dos quatro anos na Câmara Federal, do trabalho voluntário do Provopar de Maringá e da chefia do escritório de representação do Paraná em Brasília. Funções onde pude, com a permissão de Deus, contribuir pelo desenvolvimento do nosso Estado. Na Assembleia tive a oportunidade de ampliar o trabalho pela proteção às crianças, jovens, mulheres e idosos e pela saúde preventiva. Consolidamos no Paraná uma ampla mobilização pelo combate ao câncer de mama por meio de uma lei estadual que serviu de referência para a lei nacional. Também legislei pela regulamentação e criação das regiões Metropolitanas de Maringá e Londrina, estímulo a criação de empregos, apoio aos servidores, investimentos e obras nos municípios e nas universidades estaduais. É fundamental a boa relação entre o Poder Executivo e os parlamentares para o desenvolvimento do Estado.

JM: Diante da sua trajetória política, o que a senhora destacaria?

Cida: Aprendi o gosto pela política em casa, com o meu pai, seu Ivo Borghetti, um getulista de carteirinha. Carrego um ensinamento dele: “Se você não está satisfeito, não reclame, faça melhor”. Iniciei com a formação da juventude do PDS, minha ficha de filiação foi abonada pelo governador Ney Braga. Fui eleita deputada estadual por dois mandatos, deputada federal. São mais de 20 anos de trajetória política. Nesse tempo creio que posso destacar duas grandes ações. A primeira é a mobilização pelo combate ao câncer de mama. Além das campanhas de conscientização, consegui por meio de emendas individuais a aquisição e instalação de modernos centros de diagnóstico e tratamento em Maringá, Londrina e Cascavel. Locais com equipes multidisciplinares para atender a quem mais precisa. Também me orgulha muito a aprovação e sanção do Marco Legal da Primeira Infância, a legislação mais avançada na proteção e nos direitos às crianças de zero a seis anos. Tive a honra de presidir a Comissão Especial na Câmara Federal que, em tempo recorde, redigiu o texto. Esse texto serve de base para o programa Criança Feliz do Governo Federal.

JM: Caso sua candidatura se confirme, qual seria a sua principal aposta de política pública?

Cida: As crianças. Sempre as crianças. Unir as prefeituras, governo federal, iniciativa privada e a sociedade para ampliar os investimentos na primeira infância. A atenção adequada nas primeiras horas, dias e anos da criança é decisiva. É o período de maior desenvolvimento do cérebro. O futuro do estado e do país passa por adultos mais bem preparados e qualificados. Também defendo o apoio ao setor produtivo e o suporte total e irrestrito às demandas dos municípios. Quem me conhece sabe que sou municipalista. É lá na ponta que as coisas acontecem, e é onde os recursos precisam chegar.

JM: A senhora é uma das mulheres de maior destaque no cenário político paranaense. Acredita que tal posição é resultado do trabalho realizado nos últimos anos?

Cida: Eu gosto muito do que eu faço. Encontrei na política um caminho de realização pessoal e profissional. Pela política podemos mudar a realidade que nos cerca. Desde o início, há mais de 20 anos, tenho me qualificado para esses desafios. Sou empresária, formada em administração pública com especialização em políticas públicas. Levanto bandeiras importantes como da saúde preventiva, valorização dos servidores, do amparo às mulheres e jovens, do respeito ao meio ambiente e do fortalecimento dos municípios. Fiz diversos cursos, entre eles o de liderança executiva em desenvolvimento da Primeira Infância da Universidade de Harvard. Tenho me preparado desde jovem e continuo me preparando para exercer a política, a gestão e honrar os votos recebidos.

JM: Caso a senhora de fato se candidate ao cargo de governadora em 2018, a candidatura deve ser no PP ou a senhora pensa em mudar de partido?

Cida: Se a pré-candidatura se confirmar, será pelo PP. Retornei ao partido há cerca de um ano e meio com o convite das direções nacional e estadual da legenda para disputar as eleições ao Governo do Estado. Aceitei o desafio com muita responsabilidade.

JM: Caso continue no PP, tem alguma noção de quais partidos poderiam compor a chapa na disputa pelo Palácio do Iguaçu?

Cida: É cedo ainda para falar na formação de chapa. Cada legenda está analisando o cenário, as conversas são rotineiras e devem se intensificar a partir dos próximos meses. Da minha parte espero contar com a ampliação da coligação vencedora das campanhas de 2010 e 2014.

JM: Se a senhora for candidata, qual seria a importância de Ponta Grossa para sua campanha e seu Governo?

Cida: Ponta Grossa e os Campos Gerais são essenciais para a economia e o desenvolvimento do Paraná. A região se consolidou nos últimos anos como um dos principais indutores do desenvolvimento do Estado. A cidade recebeu investimentos de grandes empresas e de multinacionais. Foi a região mais beneficiada com o programa Paraná Competitivo, que gerou empregos e trouxe riquezas. Além disso, tem campos férteis, pecuária de ponta e mão de obra qualificada. Cabe ao poder público estimular as aptidões de cada município e cada região.

JM: Enquanto vice-governadora, qual é a bagagem que a senhora traz de atuação no Executivo que possa te ajudar enquanto governadora?

Cida: Eu sinto uma satisfação imensa, um orgulho muito grande de servir o povo do Paraná. Agradeço a confiança do governador Beto Richa. Ser vice-governadora permitiu ampliar meu trabalho em defesa das crianças brasileiras, na luta contra o câncer de mama, na articulação de mais recursos junto ao Governo Federal. O cargo permite acompanhar detalhadamente a condução do governo com seus desafios e suas conquistas. Aprendi muito e hoje tenho conhecimento pleno do que o Paraná representa nesse imenso território brasileiro e o que temos que fazer para melhorar ainda mais a vida do nosso povo.

1 Comentário


Economia: Governo lança novo refinanciamento de dívidas (Refis)

Economia: Governo lança novo refinanciamento de dívidas com a Receita Federal

Uma medida provisória será editada pelo Governo Federal nessa terça-feira (30) ampliando de 90 para 150 meses o prazo para o refinanciamento de débitos. A MP também reduz de 20% para 7,5% da dívida o mínimo para pagamento à vista. Governo deve arrecadar R$ 8 bi com refinanciamento diz o deputado federal Edmar Arruda, membro da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal.

CBN Maringá

Comente aqui
 

Entrevista com o sargento Fahur

O Umuarama News fez uma entrevista com o sargento Fahur, em frente ao posto da Polícia Rodoviária de Cruzeiro do Oeste. Ele falou sobre o sucesso que faz nas redes sociais e dos personagens em cartuns e programas de TV criados por inspiração do seu estilo de trabalho.

Comente aqui


Com Antonio Santos, na Banda 1

Hoje pela manhã estive na Rádio Banda 1, atendendo convite do Antonio Santos. Seu programa vai ao ar das 8 às 10 horas. A programação pode ser acompanhada o prefixo 1090AM e no site radiobanda1.com.br/aovivo/.
Falamos da região de Maringá, Região Metropolitana de Maringá, da renovação de prefeitos na região, uma tendência nacional por mudanças, renovação na Câmara de Maringá e em outros municípios.
Também na pauta o número de municípios pequenos, deficitários e inviáveis. Estudos sobre isso começaram na década de 90, em São Paulo, mas não avançaram.
Gostei muito do programa, da agilidade, do bom uso do telefone, do whatsapp e redes sociais. Informações confirmadas na hora, equipe muito boa, fazendo um rádio atualizado, de acordo com os novos tempos.
Agradeço a gentileza do convite e o espaço para troca de ideias, informações e opiniões.

2 Comentários
 

Sucessão estadual: Ricardo fala sobre o governo e a sucessão

Deputado federal Ricardo Barros (Foto: Wenderson Araújo/Gazeta do Povo)

Deputado federal Ricardo Barros (Foto: Wenderson Araújo/Gazeta do Povo)

A Gazeta do Povo traz entrevista com o deputado federal Ricardo Barros sobre “sucessão estadual”.
O título é “Barros já tem até slogan para Cida em 2018: ‘Fazer no Paraná o que foi feito em Maringá’”. A entrevista é assinada por André Gonçalves.

A vice-governadora Cida Borghetti (Pros) não apenas é candidata a assumir o Palácio Iguaçu em 2018, como já tem até plataforma de campanha: levar ao estado a experiência da gestão municipal de Maringá. Quem revela os planos é o marido dela, Ricardo Barros (PP), deputado federal que trabalha em diversas frentes para pavimentar a candidatura da esposa. Uma delas é viabilizar a antecipação dos contratos com as concessionárias de pedágio, que acabam em 2022, em troca de redução na tarifa e obras. “Esperamos que o governo [Richa], terminando bem, facilite a possibilidade de ela concorrer. Mas a nossa referência política é Maringá”, cita Barros.

O sr. tem feito críticas à gestão Richa e falou em “muitas decisões equivocadas”. Quais foram?
O Paraná tem o mérito de já ter aprovado seu ajuste fiscal. Então, isso quer dizer que nós temos a perspectiva de terminar bem o governo, com condições de fazer os investimentos que o Paraná precisa. Agora, a condução da votação do ajuste teve alguns equívocos, que todos conhecem, que provocaram um desgaste muito grande para o governador. Os erros são aqueles que toda imprensa já noticiou. O governador e o líder do governo na Assembleia [Luiz Cláudio Romanelli] escolheram mal os caminhos para alcançar o objetivo da votação. Mas está feito, está aprovado e o resultado final é bom.

O governo errou na negociação com os servidores?
Não. Acho que conduziu mal o processo legislativo. Encaminhou o projeto na data errada. Criou uma possibilidade de reação muito forte. Podia ter mandado o projeto numa segunda-feira para votar até quinta. Mas mandou na semana anterior à votação, o que permitiu uma grande mobilização. São erros que custaram grande desgaste.

Como o sr. se considera em relação ao governo Richa: um aliado, independente ou alguém que pode fazer oposição em determinados momentos?
Somos aliados porque escolhemos essa aliança e vamos participar do governo na medida em que formos chamados a opinar. A nossa condição de aliado decorre da iniciativa do governador em nos ouvir nas decisões tomadas.

Ele procura o sr.?
Nós temos procurado encontrá-lo e dar a nossa opinião sobre a condução dessas questões. Esperamos ser ouvidos.

A impressão que existe é que o sr., a vice-governadora e o secretário de Planejamento, Silvio Barros [irmão de Ricardo], têm buscado uma pauta própria dentro do governo, principalmente com a atração de recursos federais e investimentos da iniciativa privada. É isso ?
É o caminho que escolhemos para cooperar. O governo tem o seu orçamento e nós estamos buscando ações que permitam que a iniciativa privada invista muito no Paraná. Nosso objetivo é consolidar essas oportunidades, primeiro pelos investimentos que as concessionárias [de pedágio] possam fazer, por ampliação de prazo das concessões [que acabam em 2022]. O contrato com as concessionárias é ruim. A taxa de retorno de 19% ao ano é muito alta. Queremos o quanto antes reformular esse contrato para que ele possa se tornar bom para os paranaenses, com menos tarifa e mais investimentos.

O sr. tem convicção de que a saída é a antecipação da renovação dos contratos com as atuais concessionárias?
Eu estou convencido de que, se pudermos negociar com as concessionárias, numa corresponsabilidade com o governo federal, porque dependemos da delegação deles no caso das rodovias federais, isso necessariamente é bom para o Paraná. Se nós podemos antecipar obras e reduzir tarifas agora, porque devemos esperar mais sete anos? Vamos antecipar. Esse é o caminho e devemos fazer isso com absoluta transparência.
O governo do estado tem batido na tecla de que é possível separar a delegação da renovação das concessões.
É nisso que eu discordei do governador. Não vai acontecer dessa forma. A União nos dará a renovação da delegação se souber o que o governo do estado vai fazer com essa delegação. Não vai dar uma carta em branco para o estado.

O sr. vê semelhanças entre a crise da gestão Richa com a do governo Dilma?
Não. O problema do governo federal está em outro estágio. A presidente tem um problema de consolidação do governo de coalizão, que o governador não tem. Ele tem uma base segura, que participa do governo efetivamente. Cada secretário segue uma diretriz, mas tem a liberdade de aplicar o programa do seu partido na área em que atua. No governo federal não é assim. O PT quer que todos ajam dentro da sua mentalidade e detém a enorme maioria dos cargos. Evidentemente, o compromisso dos partidos que fazem parte da coalizão é bem menor. Os ministros não se sentem corresponsáveis pelo governo. É isso que fragiliza o governo Dilma.

Qual deles têm mais possibilidades de recuperar a popularidade?
O governador. Ele já fez o ajuste fiscal. Recuperando o governo, recupera sua imagem. Vejo no governo Dilma mais dificuldades para o ajuste fiscal e na relação com a base aliada.

De Brasília saem recursos para o Paraná?
Saem. Evidentemente que eu, como relator-geral do orçamento de 2016, privilegiarei o Paraná, que é minha obrigação e farei com prazer.

Hoje o sr. acha que a vice-governadora Cida Borghetti é a candidata natural à sucessão do governador?
Não acho que ela é a candidata natural. Mas ela, assumindo o governo [em caso de desincompatibilização de Richa para disputar o Senado, por exemplo], vai concorrer ao governo. Claro que isso vai depender de vários fatores. Mas é natural que ela, como vice-governadora, pleiteie o governo ao assumir a cadeira. Temos outras pretensões legítimas também que se apresentam no estado. Para nós, não tem problema, é democrático. Como é nosso estilo, ao acabar a eleição, se ganharmos, estaremos convidando todos para estar juntos. E se perdermos, estaremos juntos. Para nós, disputar eleição é disputar a oportunidade de servir a comunidade.

A candidatura da Cida só se viabiliza se o governo Richa for bem?
Nós estamos trabalhando muito para o governo ir bem. Por isso, trabalhamos em frentes que não dependem do caixa do estado. Esperamos que o governo, terminando bem, facilite a possibilidade de ela concorrer. Mas a nossa referência política é Maringá. Então, qual será o discurso da vice-governadora? Vamos fazer no Paraná o que fizemos em Maringá. É uma prefeitura extremamente organizada, com a melhor gestão fiscal do Paraná, com 22% de capacidade de investimento sobre a arrecadação. Somos primeiro no estado em quase tudo e segundo no que não dá para concorrer com a capital. A gente tem muita alegria de poder ter construído, junto com outros administradores competentes que a cidade teve, essa referência que é Maringá.

Se o governador optar, por exemplo, em tentar fazer um sucessor do PSDB, Cida pode ser candidata mesmo assim? Independe de uma decisão do grupo de Richa?
O governador, se deixar o cargo, será candidato. Evidentemente, será candidato na coligação da vice. Não vai ser candidato para ser contra quem está no governo. É natural que estejamos juntos no próximo pleito. Não vejo nenhuma dificuldade nisso. Acho que a aliança está bem formada. Temos outros pretendentes dentro do mesmo grupo político, mas não vejo nenhuma dificuldade de compor. Tem espaço para todos.

Comente aqui