Oportunidades



Crise e oportunidades

Aconteceu ontem (segunda-feira, dia 9), no auditório da Sociedade Rural de Maringá, reunião do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Estado do Paraná.
Palestrantes convidados falaram para empreendedores e líderes de entidades do segmento, de toda a região, sobre a crise e as oportunidades que ela sempre traz consigo.
Reclamar é mais fácil do que criar, inovar. Bill Gates é autor da frase “se você quer chegar onde a maioria não chega, faça o que a maioria não faz“.
O prefeito Roberto Pupin; o presidente da Câmara, Chico Caiana; o secretário de Planejamento do Paraná, Silvio Barrros, transmitiram mensagens nessa linha. Criar e inovar são ações que transformam, mudam destinos. Mesmo que os tempos sejam de dificuldades para todos. Na prática é isso que Maringá vem fazendo e é por isso que se tornou, reconhecidamente, uma das melhores cidades do Brasil, bem a frente das demais e acima da média na maioria dos indicadores.
O evento contou com a coordenação de Ercílio Santinoni e Mario Dória, a frente de uma equipe de consultores e diretores de entidades de micro e pequenas empresas de várias cidades.

Vale a pena dar uma olhado no Portal Paranaense da Microempresa http://www.portalpme.pr.gov.br/

Comente aqui


Ações no momento certo

Quem assistiu o jogo de vôlei entre a equipe de Maringá e o Sesi, no sábado à noite, em transmissão nacional pelo SporTV, pode ver uma propaganda da Cidade Industrial de Maringá e o convite para que empresas venham investir aqui.
A Cidade Industrial de Maringá é um passo fundamental para o futuro da cidade, pensado em momento estratégico.
Agora é hora a de agir, somando forças para buscar investimentos que mantenham a cidade em crescimento, como polo regional criador de empresas e empregos.
Maringá é uma cidade com potencial superior. Vem se preparando para isso, na última década, e agora está em situação favorável no país, mesmo em momento de tantas incertezas.
Ação não está faltando e isso é boa notícia. Na semana passada o prefeito Roberto Pupin esteve em Curitiba e definiu com o secretário de Planejamento, Silvio Barros, que Maringá estará na lista de cidades do estado preparadas para receber investimentos de empresas com interesse no Paraná, principalmente nas áreas farmacêutica, metal mecânica, tecnologia da informação e aeronáutica.
Para estar na lista não basta apenas querer. Maringá planejou, fez a lição de casa e agora tem o Parque Cidade Industrial com terrenos disponíveis às empresas, uma das melhores infraestruturas do país e outras alternativas empresariais.
Polo educacional, de saúde, de tecnologia de informação, de comércio, Maringá tem o que as empresas precisam e está agindo para continuar sendo um dos melhores municípios do país.

Comente aqui


Economia: fome de dragão

Negócios com a China não são exatamente uma novidade entre nós. Desde 2009, a potência asiática é o maior parceiro comercial do Brasil. Naquele ano, o intercâmbio comercial entre as duas economias chegou a US$ 3,2 bilhões e superou, pela primeira vez, as transações entre Brasil e Estados Unidos. De lá para cá, no entanto, algo mudou. A relação, antes centrada no fluxo de exportações, tornou-se mais próxima – e, digamos assim, mais íntima. De grande comprador e vendedor, o gigante asiático se tornou também um investidor de peso, muito peso. Na busca incessante de combustível para o crescimento de sua economia, a China tem investido bilhões para aconchegar-se aos recursos naturais brasileiros e, gradualmente, ir-se imiscuindo no tecido industrial do país.
O processo não é singular ou inusitado. Os investimentos diretos da China no Brasil – que, só em 2010, chegaram à marca de US$ 12 bilhões – são apenas um capítulo em uma saga de proporções multibilionárias: a metamorfose de uma economia antes fechada em um dos maiores investidores globais. “Um dos objetivos estratégicos na expansão global chinesa é suprir a demanda por recursos naturais como minérios, alimentos e matérias-primas agrícolas – demanda que aumenta de forma geométrica, para que se possa manter um crescimento de 10% ao ano”, explica o consultor Vladimir Milton Pomar, especialista em China. “Outro objetivo é abrir novos mercados, escapando da dependência em relação aos EUA, União Europeia e Japão, e ocupar uma mão de obra que, todos os anos, demanda emprego. A China também visa a assegurar clientes em serviços estratégicos (como logística de transporte, energia, construção pesada) e a conseguir que seus executivos adquiram experiências diversificadas – com outras culturas e outros hábitos.”
Essa formidável teia de investimentos vai dando forma a um novo império de alcance global – e com fortes ramificações no Brasil. Os passos do gigante asiático já podem ser ouvidos até nos confins do interior do Rio Grande do Sul. Ao longo de 2011, grupos de chineses curiosos tornaram-se visão frequente em churrascarias, praças e hotéis-fazenda na pequena Candiota e em suas cidades vizinhas – situadas na metade sul do Estado, junto à fronteira com o Uruguai. Não se tratava de turistas em busca de um destino incomum, mas de trabalhadores e executivos ligados ao conglomerado chinês Citic Group e ao China Development Bank. Foi na China que a Eletrobrás buscou parte do financiamento necessário para ampliar a capacidade da usina termoelétrica de Candiota – o valor total gasto na obra foi de R$ 1,5 bilhão.
Além do investimento feito pelo China Development Bank, a potência asiática também se encarregou da realização integral do empreendimento – os equipamentos, por exemplo, foram todos fabricados na China e trazidos ao Brasil, juntamente com os técnicos e operadores, pelo Citic Group. Na fase inicial das operações da planta, que tem comercializado uma média de 290 MW, a equipe de 500 brasileiros foi treinada por 120 chineses. Com a ajuda de tradutores, é claro: poucas pessoas em ambas as equipes eram fluentes em inglês – e digamos que o mandarim não é uma das línguas mais faladas no interior gaúcho. O certo é que mais tradutores serão necessários em outras minas da região: também o carvão catarinense tem chamado a atenção de empresários chineses.
O minério, claro, é apenas um dos ímãs que atraem o gigante asiático. Nos últimos meses, o capital chinês já delineou alvos em outros setores na região sul – como a manufatura de automóveis, por exemplo. A partir de 2012, caminhões chineses darão seus primeiros giros sobre o asfalto nas cidades de Lages (SC) e Camaquã (RS). O município catarinense receberá uma unidade fabril da Sinotruck, enquanto a cidade gaúcha sediará uma planta da Shiyan Industrial and Trade Company, ligada à gigante chinesa Dongfeng Motor Corporation (veja outros focos da investida chinesa sobre o sul no quadro da página 61).
Contudo, apesar desses aportes nada desprezíveis, os analistas são unânimes: a região sul ainda está entre os destinos mais raros do capital chinês em solo brasileiro. Por enquanto, o maior fluxo de interesse (e dinheiro) vai para o sudeste do país, com respingos para a região nordeste. Porém, caso a China mantenha seu interesse no mercado brasileiro – e na América do Sul como um todo –, é bem provável que, mais cedo ou mais tarde, os atrativos dos três Estados do sul entrem no radar das grandes firmas chinesas. Nesse caso, o fator tempo está a favor do sul. A China, afirmam todos os especialistas entrevistados por AMANHÃ, veio para ficar.

Ondas do Oriente – O histórico de investimentos chineses no Brasil é marcado por saltos acrobáticos nos últimos anos. O primeiro movimento na relação comercial entre os dois países foi o comércio – entre 2010 e 2011, as vendas do Brasil para a China avançaram 44%, enquanto as da China para o Brasil cresceram 28%. “O crescimento econômico chinês se baseou principalmente na venda em larga escala para outros países – ainda hoje, o país produz muito mais do que consome”, avalia Roberto Dumas Damas, professor de Economia Internacional do Insper. “Após a crise mundial de 2008 e 2009, no entanto, as importações feitas pelos EUA e pela Europa diminuíram drasticamente. E a China precisava continuar vendendo para manter seus altos índices de crescimento – que ajudam a legitimar o Partido Comunista no governo. Por isso, os chineses passaram a vender muito para o Brasil, especialmente em setores como calçados e têxteis.”
No mesmo período, a China passou a buscar outras estratégias de crescimento além da exportação. E essa segunda via foram os investimentos diretos – assim, após a crise mundial, o capital chinês começou a fluir diretamente para a economia brasileira. Entre 1990 e 2009, o Brasil representou apenas 3,6% dos investimentos externos da China. Em 2010, o percentual cresceu para 62,7% do total. Já nos investimentos anunciados pelos chineses a partir de 2011, a estimativa é de que o Brasil fique com 43,4%.
Nem todo esse dinheiro, contudo, foi injetado diretamente na economia local. Dos cerca de US$ 12 bilhões investidos em 2010, mais de 10 bilhões equivalem à troca de controle entre empresas estrangeiras que atuam no Brasil. A Sinochem, por exemplo, adquiriu 40% de um campo de petróleo explorado pela norueguesa Statoil; a State Grid abocanhou sete concessionárias de energia espanholas; e a Sinopec colocou no bolso a espanhola Repsol Brasil. Ou seja: além de representar, principalmente, fusões e aquisições entre multinacionais, os aportes do império chinês em 2010 penderam abertamente para os setores de energia e recursos naturais.
Nada surpreendente em se tratando de uma potência que cresce muito – mas cujo quintal conta com pouca variedade de matérias-primas para alimentar tanta pujança. “Até 2010, a China adquiria os recursos naturais brasileiros através do comércio. A partir daquele ano, contudo, resolveu aproximar-se de nossas commodities, explorando-as diretamente no Brasil – o que garante uma maior segurança no fornecimento”, afirma André Soares, coordenador de pesquisa e análise do Conselho Empresarial Brasil-China. A instituição elaborou recentemente dois estudos sobre os investimentos diretos chineses no país: um examinando os aportes desde a década de 1990 até 2010 e outro, focado nos anúncios feitos até o segundo semestre de 2011. Segundo Soares, que coordenou essas pesquisas, 65% dos projetos em 2010 estavam ligados a setores como energia, alimentação e minérios, enquanto 21% diziam respeito a manufaturas.
A disparidade se explica não apenas pela fome da China por commodities, mas também pela própria natureza dos dois tipos de investimento. “Em áreas como petróleo e energia elétrica, são necessários investimentos maciços”, explica Tang Wei, diretor-geral da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE). “Por exemplo: ao comprar sua participação na Repsol, a Sinopec gastou cerca de US$ 7 bilhões. Já uma montadora, para instalar uma fábrica, deve investir em torno de US$ 400 milhões.” O resultado é uma aparente distorção nos números: mesmo representando 21% dos projetos efetivados, o setor de manufaturas recebeu apenas 1% do montante de investimentos chineses no Brasil, em 2010.
Mas tudo isso mudou no ano seguinte. De acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China, 55% dos novos projetos chineses para o Brasil, anunciados em 2011, vão impactar as manufaturas, especialmente o setor automotivo. Já a busca por recursos naturais responderá por 19% dos projetos. Esse terceiro movimento visa a aproveitar ainda mais o mercado consumidor local para escoar a superprodutividade chinesa – e diminuir seus custos relativos com transportes. “Devido à grande distância geográfica, os custos para se exportar da China ao Brasil são muito elevados. A tal ponto que vale a pena que as exportadoras invistam aqui mesmo. Contudo, é possível que o mercado brasileiro não seja suficiente para cobrir os investimentos desses projetos; por isso, os chineses também olham para o mercado latino-americano como um todo”, avalia André Soares.
A ciranda sempre volta, mais cedo ou mais tarde, às riquezas da terra: em certo sentido, a aposta nas manufaturas também serve como um modo alternativo de explorar a abundância brasileira em recursos naturais. “Entre os grandes investimentos, está a construção de fábricas de automóveis de passageiros e máquinas de construção para o setor de petróleo – o principal objetivo, nesse caso, é garantir o abastecimento estável de recursos naturais do Brasil”, informa o banco HSBC por meio de sua assessoria de imprensa.
Em Santa Catarina, o salto chinês para as manufaturas pode ser uma oportunidade de atrair mais atenção e dinheiro. Em agosto, a Geely, uma das maiores montadoras da Ásia, visitou a cidade de Imbituba, onde analisou a possibilidade de criar um grande complexo industrial para fabricação de chassis e motores. Caso se concretize, o investimento pode chegar a R$ 1 bilhão e gerar cerca de 1,2 mil empregos. Possibilidades como esta, contudo, não entraram nas estimativas do Conselho Empresarial Brasil-China, que cobre apenas os anúncios feitos até outubro de 2011. Nesse período, o levantamento aponta projetos somando até US$ 11 bilhões. Um avanço maciço, que pode representar uma excelente oportunidade – mas também uma ameaça para alguns setores.
A pesquisa revela que a entrada das montadoras chinesas pode, também, ter impactos negativos sobre as companhias automotivas brasileiras – isso sem mencionar os setores de vestuários e calçados. Para Roberto Damas, um modo de equilibrar os prós e os contras é aproveitar o impulso da China para aperfeiçoar a infraestrutura do país. “O ideal é fazermos vendas casadas. Por exemplo: vender terra para que os chineses plantem soja e, ao mesmo tempo, demandar que construam uma rodovia adjacente”, aponta. “Ou, ao vender uma mineradora, exigir que construam uma rodovia ou reformem um porto. Precisamos aproveitar essa onda – e não simplesmente vender e vender, para depois ficar reclamando que nos desfizemos de nossa matéria-prima.”
Sul na sombra – O choque da onda chinesa no sul não chega a ser uma marolinha – mas é, sem dúvida, um impacto bem menos estrondoso do que em outras regiões do Brasil. De acordo com o levantamento do Centro Empresarial Brasil-China, os principais alvos dos investimentos da China serão São Paulo e Bahia – que receberão, respectivamente, 37,5% e 12,5% dos projetos anunciados até outubro de 2011. Outros 25% serão distribuídos entre Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e os Estados da Amazônia. No período estudado, não houve nenhum projeto abertamente voltado para o sul – embora algo do gênero possa se esconder entre os 25% cujo destino ainda não foi especificado. “Desde 2007 até o presente, a região sudeste continua sendo o principal alvo desses aportes, especialmente quando levamos em conta o número de projetos. Muitas empresas no setor automotivo, de máquinas e equipamentos, estão indo para São Paulo. Outras companhias foram para Minas Gerais ou Rio de Janeiro em busca de energia e recursos naturais, como a State Grid e a Sinope”, diz Soares.
São variadas as explicações para a relativa falta de interesse nos Estados do sul. Para Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesp, o principal motivo são as demoras no aprimoramento da infraestrutura da região. “Temos aeroportos inadequados, estradas abarrotadas de carros e portos sem condições de receber um maior número de navios de grande porte. Caso não se resolva a mediocridade de nossa infraestrutura, é improvável que esses investimentos aumentem”, sentencia ela. Essa avaliação, contudo, não é unânime. “Na verdade, creio que hoje o sul tem a mesma infraestrutura que São Paulo e Rio de Janeiro, além de contar com mão de obra muito qualificada”, opina Tang Wei.
Para ele, o problema não é exatamente a falta de interesse, mas o desconhecimento. “Na hora de pensar em um lugar para investir, é realmente muito difícil que uma empresa chinesa se lembre espontaneamente do sul do Brasil. Na China, conhecemos Santa Catarina por causa da exportação de frango e carne de porco. Contudo, embora a região sul tenha áreas industriais muito desenvolvidas, esse aspecto não é bem conhecido pelos chineses, que em geral ouvem falar apenas de São Paulo e Rio de Janeiro”, explica.
Para Thomaz Machado, CEO do escritório China Invest, de Porto Alegre, a falta de conhecimento é mútua. “O volume e a extensão do conhecimento que a China tem de nós é o mesmo que nós temos deles. Se eu perguntasse a um empresário gaúcho o nome de três empresas chinesas para as quais ele gostaria de exportar, a resposta provavelmente seria: não sei”, opina Machado. “Num primeiro momento, todas as empresas enxergam São Paulo como o melhor lugar para instalar sua base – assim como no Brasil as empresas enxergam apenas Xangai. Para fugir desse eixo, é preciso um forte trabalho de proatividade. Só acharemos uma estratégia adequada quando conseguirmos quebrar esse desconhecimento de ambos os lados”.
Mas ao que tudo indica chineses e brasileiros deverão, inevitavelmente, romper a barreira do desconhecimento. Afinal, investir no Brasil é uma necessidade para o gigante chinês – e uma tendência que não deve se extinguir tão cedo. De acordo com o levantamento do Comitê Empresarial Brasil-China, 93% do capital chinês aplicado na economia brasileira vem das chamadas “Empresas Estatais Centrais”, um conjunto de 123 corporações, em setores estratégicos, que funcionam sob a supervisão direta do governo comunista. Isso revela que a tendência de investimentos no Brasil não é coisa temporária, e sim uma estratégia de longo prazo. “O mercado europeu está saturado. E os EUA, embora continuem recebendo muitos investimentos, estão enfrentando dificuldades. Nesse sentido, a América Latina é uma região promissora, que deve apresentar uma boa longevidade de mercado, com grandes espaços a serem preenchidos”, avalia Henry Quaresma, diretor de relações institucionais da Federação de Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) – que, em abril, encabeçou uma missão empresarial à Feira de Cantão, o maior evento de negócios na China. Para ele, essas forças-tarefas corporativas, além de propiciar um bom reconhecimento de terreno, solapam os males do desconhecimento mútuo. “Hoje, há uma relação de troca bem maior – e isso funciona nos dois sentidos. O que precisamos fazer, ainda, é disponibilizar infraestrutura e dar segurança tributária ao investidor”, aponta.
Mais cedo ou mais tarde, portanto, os chineses devem se render aos atrativos do sul – que são muitos. “A região tem um mercado consumidor com poder aquisitivo elevado e está próxima de mercados maiores, como Argentina e São Paulo. E também alia a exportação (de soja, carnes e outros produtos) à possibilidade de importações vindas da China – fertilizantes, bens de capital, entre outros. Ou seja: os navios que vão para lá não precisam voltar vazios”, explica Milton Pomar. Os potenciais logísticos são outro atrativo sempre mencionado. “A região norte de Santa Catarina, por exemplo, apresenta uma junção de eficiência de mão de obra, localização geográfica, disponibilidade de tecnologia e possibilidade de uma logística apropriada”, aponta Maria Teresa Bustamante.
Em 2011, um grupo chinês anunciou a intenção de investir R$ 200 milhões no porto de São Francisco do Sul, no litoral catarinense, para facilitar a exportação de soja – um dos três produtos mais vendidos para a China, junto com o petróleo e o minério de ferro. Em 2010, a soja e o óleo de soja representaram 25,7% das vendas totais ao gigante asiático. Nada mais natural, portanto, que o grande importador busque uma aproximação com as regiões que o alimentam. Já em 2007, a empresa Zhejiang Fu Di formou uma subsidiária brasileira – a Sol Agrícola –, adquirindo 16 mil hectares no Tocantins e outros mil hectares no Rio Grande do Sul. Os gaúchos ficaram com a menor fatia dos investimentos. Mas isso também pode mudar. “Embora ainda não haja nenhum novo negócio fechado, já acompanhei grupos chineses visitando o sul em busca de oportunidades de investimento no agronegócio”, adianta Wang Chunlei, diretor de negócios da China Trade Center.
Entretanto, não basta simplesmente exercitar a paciência e aguardar que as peças se encaixem sozinhas. Para Chunlei, faltam ofertas de incentivo por parte dos governos estaduais. Thomas Machado diz que o empresariado precisa botar o pé na estrada rumo à China. De preferência, com apoio oficial. “Por viver em um país comunista, o chinês é muito voltado para o Estado, e leva muito a sério quando um governo – estadual ou federal – apoia determinada iniciativa. Por isso, é muito importante que as missões empresariais sejam acompanhadas de missões governamentais”, sugere.
A receita de Machado, por sinal, já demonstrou ser efetiva. Em maio, a China recebeu uma missão gaúcha liderada pelo vice-governador Beto Grill e integrada por representantes da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI). Três meses depois, foi a vez de uma missão chinesa desembarcar na Fiergs, para tratar de possíveis investimentos no setor de carvão – aproveitando o precedente bem-sucedido da usina de Candiota. “Com mais missões governamentais, o Estado poderia se tornar um ótimo hub para toda a América do Sul”, avalia Machado. “Além dos produtos ligados ao setor primário, temos um fantástico polo metal-mecânico em Caxias do Sul. Isso poderia ajudar as empresas chinesas a complementar sua produção. Também temos um grande parque tecnológico na PUC e na Unisinos – o que oferece uma boa oportunidade para empresas de tecnologia”.
Foi também com uma missão empresarial que Santa Catarina entrou no rol de possíveis investimentos da China. No final de 2011, um grupo de empresários e políticos catarinenses visitou a província de Henan, no nordeste chinês, disposto a apresentar as qualidades do Estado a eventuais investidores. A retribuição veio 90 dias depois – em março, uma missão chinesa esteve na Assembleia Legislativa de Santa Catarina disposta a discutir iniciativas de exploração das reservas locais de carvão mineral. Ou seja, o caminho é seguir o sol nascente, no sentido mais literal: se Confúcio não vem ao sul, que o sul vá até Confúcio.

Reportagem na revista Amanhã, por José Francisco Botelho, com reportagem de Fabrício Ruiz.

 

Comente aqui


Turismo, todos podem ajudar

Tenho acompanhado o trabalho do Maringá e Região Convention & Visitors Bureau.
Muito bom.
O turismo é uma atividade lucrativa e depende de vários fatores, especialmente de uma cultura voltada à valorização da cidade e região.
Maringá é uma cidade atrativa por muitas coisas. Cada maringaense pode ajudar, divulgando nas mídias sociais e onde tiver acesso, a cidade e suas particularidades (que são muitas).
Recomendo a todos que acompanhem  o trabalho do Maringá CVB.
Também há um esforço para a agenda de eventos de Maringá e da região seja centralizada no Maringá CVB, reduzindo as coincidências de eventos importantes na mesma data.
O Maringá CVB tem um bom site, está no Facebook e no Twitter.

Comente aqui


Oportunidades da economia brasileira

Ricardo Amorim, economista e estrategista de investimentos, tem feito palestas no Brasil, falando sobre oportunidades e desafios que a crise econômica mundial apresenta para as empresas brasileiras.
“A economia é movida por negócios, que são geradores de emprego e de renda e uma feira como esta gera oportunidades de negócios, não somente durante os dias do evento, mas também depois. Permite que empresas mantenham contato, conheçam produtos e processos. Ela é fundamental”, disse Ricardo Amorim.
O economista tem destacado que o Brasil precisa se acostumar com outras variáveis econômicas. “O Brasil passou a dar certo e, portanto, passou a enfrentar problemas com os quais não estava acostumado”, observou. “E mesmo que gargalos como corrupção, carga tributária, infraestrutura, educação e saúde não tenham sido solucionados, a economia do País cresceu e está condenada a crescer”, disse. Em 2010, o Produto Interno Bruto brasileiro aumentou 4,5%.
Com informações do site Newtrade

1 Comentário


Matando um leão por dia

“Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu”

Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoriadas pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida.
Depois de um almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios. Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele:
-“Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia”.
Sua resposta, rápida e afiada, foi:
-“Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele”.
Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse:
– “Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você”.
Segue, mais ou menos, o que consegui lembrar da conversa:
“Existe um ditado popular antigo que diz que temos de ‘matar um leão por dia’. E por muitos anos,eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão. A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.
Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão. Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?
Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado!
A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente.
Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar alguém, que hoje é nosso diretor-geral.  Este “fracasso” me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão?
Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão”.
Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história?
Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:
– “É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um leão para cada, que era o mais importante. Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.
Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele.
Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim, cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele.”
Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades para crescer, ser mais forte, e “me virar” nesta selva em que vivemos.
“A capacidade de luta que há em você, precisa de adversidades para revelar-se”.

Pierre Schurmann

2 Comentários


Os estrangeiros estão chegando

A manchete da Folha de SP deste domingo, dia 23, foi “Países ricos fazem oferta de mão de obra para o Brasil”. A principal área é a construção civil.
E os países ricos não estão de olho apenas nas vagas disponíveis no mercado de trabalho do Brasil. As empresas e profissionais especializados também estão estudando formas de abrirem filiais e escritórios por aqui.
No ano passado uma missão de engenheiros, arquitetos e empresários esteve visitando Maringá e Londrina. Eles estiveram em contato com as universidades e entidades de classe das duas cidades, debatendo possibilidades de parcerias.
O eixo Maringá/Londrina foi escolhido por eles porque a Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) tem um estudo de 13 regiões no mundo com alto potencial de desenvolvimento e o nosso eixo é uma dessas regiões.
O mundo está mudando rapidamente. Os países ricos sabem do potencial do Brasil para crescer, nos próximos anos. E nós temos muita coisa para fazer. Nosso PIB ainda é de apenas 10% do PIB norte-americano e cerca de 25% do PIB da China e do Japão. Além das condições normais de crescimento (há uma previsão de crescer 6% ao ano de 2011 a 2014) ainda temos o desafio de sediar a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. O mercado da construção civil vai crescer muito, em todas as áreas da sua cadeia produtiva.

 

5 Comentários