Privilégios

 

Troca de ideias: o país sem férias remuneradas (que todos querem)

Estou feliz com comentários, sugestões e debates que a coluna e o blog tem proporcionado.
Opiniões podem e, em certo sentido, até devem ser contrárias. Graças a isso podemos chegar a coisas novas, a mudar conceitos ou unir contraditórios para um novo pensamento.
A máxima de que “toda a unanimidade é burra”, usada e famosa nos escritos do grande Nelson Rodrigues, na verdade surgiu com Nietzsche, que afirmava que todos os homens “do rebanho”, aqueles dominados e sem voz, só poderiam sobreviver na “unanimidade”.
Meu colega Luiz Fernando, dono de grande ideias e cafés, me escreve indicando uma reportagem da BBC com o título “EUA: o país das oportunidades… e das férias não remuneradas“.
Eu queria muito achar que todos os problemas do Brasil seriam consertados com reformas. Também queria acreditar que todos os problemas graves do Brasil se resumem em “corrupção”, mas isso também não verdade, apesar do tamanho dela.
O Brasil vive um momento em que precisa sim combater a corrupção, precisa de reformas, mas acima de tudo, precisa de um choque de valores e de educação, sem o que os problemas vão continuar e vão crescer.
Nosso país é paternalista demais, tem direitos demais e deveres de menos. Tem leis e privilégios demais e gente querendo igualdade de menos.
Perguntem a quem tem privilégios se quer perdê-los a bem da maioria da população?
Isso não inclui só políticos, não, inclui sindicalistas espertos (donos de sindicatos), funcionários públicos (não é culpa deles os privilégios que conquistaram ao longo de anos e décadas) e por aí vai. A lista é grande, apesar de ser a minoria da população.
Esses, que estão no limiar de perder privilégios são os que mais ajudam a colocar gasolina na fogueira e a falar mal de tudo e todos. Especialmente nas redes sociais.
Como se todas as coisas nesse país se resumissem à simplista e falaciosa divisão: “contra ou a favor dos trabalhadores”.

Agora há pouco (fazendo uma atualização, no domingo), o jornalista José Nascimento destacou a frase de Dwight Eisenhower, citada port Ricardo Amorim: “Um povo que dá mais valor a seus privilégios do que a seus princípios acaba perdendo ambos”.

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“Matar ladrão é crime”

Assistindo ao Bom dia Brasil, vi reportagem em que uma armadilha matou um ladrão, dentro de uma residência, em São Paulo.
Os apresentadores e um especialista em segurança fizeram questão de afirmar que “matar ladrão é crime”.
Sem dúvida é crime. O que assusta é o fato de que defender o interior da sua casa pode levar a julgamento e, como o noticiário informou, a uma condenação de até 30 anos.
Acho difícil que o dono da casa seja condenado. No entanto, há esta possibilidade, assustadora.
Pior do que a possibilidade é a forma escolhida pela redação do noticiário para tratar do assunto. Na minha opinião, os comentários foram mais favoráveis ao ladrão.
Como Yves Granda Martins escreveu, a coisa se complica no mundo das leis e privilégios. As pessoas comuns, que formam a grande maioria, estão cada vez mais reféns dos privilégios das minorias, até mesmo dos ladrões.

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