Psicologia



O grito de Carnaval

A expressão “o Brasil só começa a funcionar depois do Carnaval” é muito comum. Há quem aproveite o conceito e quem o ignore, ciente da relevância do agora. Mas existem hoje questões preocupantes que o ritmo desta festa popular vem embalando.
Vamos voltar o olhar para a sua história, no período colonial. Lá, o sentido do grito de Carnaval era por liberdade. Os escravos saiam às ruas ao passo do Entrudo, uma manifestação carnavalesca, acompanhada de algazarra, movimentos tidos como violentos (jogavam farinha, bolinhas e água de cheiro), rostos pintados, vigiados e recriminados por curiosos olhares vindos das janelas e frestas dos aposentos das famílias de boa reputação.
Saltando ainda no ritmo, apenas mudando o período, nestes últimos 30, 40 anos, muita coisa mudou, desde as músicas à ousadia das fantasias. Fui uma criança que esperava pelo Carnaval, me vestia de heroína, participava de concursos, quando jovem montava blocos e assim fortalecia meus laços de amizade, com alegria sadia. Cidade pequena, tempo cheio de romantismo e uma liberdade respeitosa.
Hoje, em pleno século XXI, novamente o grito mudou. Acolho em meu trabalho pais, jovens e adultos com medo do Carnaval. Hoje o grito envolve também receio e preocupação.
Vemos, por outro lado, o ritmo carnavalesco se conscientizando e trazendo em algumas avenidas, bandeiras que levantam questões históricas, políticas e sociais importantes. Este ano mesmo, a escola Unidos do Viradouro trará no seu enredo ditos sobre a insanidade mental.
Já as organizações públicas e algumas entidades não governamentais vêm se preparando com Programas de Redução de Danos, como é o caso da campanha #RolêSemVacilo, que distribuirá cartilhas com informações sobre as seis drogas mais consumidas durante o Carnaval paulistano.
Compreender o fenômeno do Carnaval, atualmente, vai além de assistir o desenho da She-Ra como fiz um dia com minha mãe para reproduzir minha fantasia. Envolve questões de saúde pública.
Faz sentido um olhar atento para este tempo cultural, levantado por questões que se “liberam” e se alarmam no Carnaval, com consequências por todo o ano (e às vezes por toda uma vida): o uso das drogas, o abuso do álcool, a violação da moral, o sexo por vezes irresponsável e descompromissado, os beijos numéricos possivelmente movidos por um “Bailado de Máscaras”.
Mas ainda sobrevivem nas ruas e avenidas as famílias, as crianças vestidas de heróis, os adolescentes ponderados e o respeito à cultura. Sabemos que um bom grito é aquele dado com consciência e diversão, que envolve bom humor e princípios, o que vira história boa a ser contada. Portanto pense e repense sobre o seu grito de carnaval hoje.

Psicóloga Djeyme

Comente aqui


Antideprê, a busca intolerável ao fim do desconforto e sofrimento

Quanto de cuidado tenho ao tocar sobre o tema sofrimento, seja ele advindo de doenças, traumas ou crises. Conheço muito bem o assunto, pois lido com ele todos os dias, na minha rotina de vida e trabalho.
Muito tem me angustiado escrever o que leio e releio todos os dias. Lamento o quanto vulgarizamos tais discussões e o quanto criamos este hábito, o da crítica meramente feita sem sentido, estudo e compreensão.
A filosofia tem me norteado nos últimos 20 anos da minha existência como forma de compreensão sobre minha vida e minhas escolhas. Também tem me orientando e fundamentando meu trabalho como psicóloga. Atualmente, grandes filósofos e historiadores do nosso país vêm agregando valores ao nosso cotidiano, nos expondo e nos fomentando à reflexão e à crítica. Mas foi Zygmunt Bauman que me encorajou na tentativa de organizar este pensar.
Relendo sua entrevista à IstoÉ (edição 2507, de 5 de janeiro) o sociólogo e filósofo polonês deslindou o crescimento da utilização de antidepressivos, consumo de medicamentos que, segundo ele, é um dos sintomas na nossa crescente intolerância ao sofrimento. “Em uma vida regulada por mercados consumidores, as pessoas passaram a acreditar que, para cada problema, há uma solução. E que esta solução pode ser comprada na loja. Que a tarefa do doente não é tanto usar sua habilidade para superar a dificuldade, mas para encontrar a loja certa que venda o produto certo que irá superar a dificuldade em seu lugar. Não foi provado que essa nova atitude diminui nossas dores. Mas foi provado, além de qualquer dúvida razoável, que a nossa induzida intolerância à dor é uma fonte inesgotável de lucros comerciais. Por essa razão, podemos esperar que essa nossa intolerância se agrave ainda mais, em vez de ser atenuada”.
O problema não está na tentativa em cessar tal dor, afinal ninguém ou poucos gostam de sofrer, mas sim na ignorância em acreditar que o sofrimento pode ser “inocentando” pela felicidade.
Estamos preguiçosos, ouso dizer, ligeiramente “malandros” quanto à nossa capacidade e habilidade no enfrentamento da dor. Prefiro não discorrer sobre suas causas. Pretendo apenas provocar nossa mente à compreensão da ignorância sobre o sofrimento, já que dele nossa vida é inerente.
Desconsideramos que a angústia, a dor, o sofrimento e a tristeza são sinônimos de existência. Nos tapeamos com a compra barata da felicidade efêmera, perdemos o sentido do que nos dá sentido, vivemos em uma “modernidade líquida”, conceito também desenvolvido pelo autor, cujo sentido fragiliza e escoa, não nos permitindo a oportunidade de “solidificar” ou perdurar. Vivemos insanamente nos entupindo e buscando novas doses controladoras de sofrimento.

Psicóloga Djeyme

Artigo orginalmente publicado no site psicologadjeyme.com.br

Comente aqui


Segredos do bem-estar emocional

Todos os anos os adventistas realizam uma campanha nacional, distribuindo milhões de livros voltados ao tema central “esperança”. Nestes livros são publicados conselhos sobre alimentação, saúde, comportamento.
O livro deste ano é o “Poder da Esperança – Segredos do Bem-Estar Emocional”, escrito pelo psicólogo espanhol Julián Melgosa, doutor em Psicologia Educacional pela Universidade de Andrews (EUA), membro da Sociedade Britânica de Psicologia, foi professor universitário e é autor de vários artigos e livros na área de saúde emocional. Seu parceiro no livro é o jornalista Michelson Borges, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Teologia pelo Unasp. Ele é editor, na Casa Publicadora Brasileira, onde é responsável pela revista Vida e Saúde.
Escrevo aqui por que li o livro e gostei. E também porque a Igreja Adventista Central de Porto Alegre organizou, de hoje a 21 de fevereiro, aos domingos e quartas-feiras, sempre às 19h30, um ciclo de palestras sobre os temas são os capítulos do livro, com a participação de médicos psiquiatras (com transmissão pela internet).

Hoje é a primeira palestra, “Saúde também é coisa da sua cabeça”, com a psiquiatra Drª Miréia Fortes Vianna Sulzbach.

Vou disponibilizar aqui os links para as palestras, e também a lista com as palestras e os profissionais responsáveis por elas. Elas são transmitidas no canal IASD POA no YouTube (e também colocarei aqui os vídeos para acesso, nos dias da palestras).

Quem desejar pode me pedir o livro. Vou disponibilizar para todos que me pedirem, gratuitamente, impresso ou em PDF, como preferirem (ou nas duas formas). Os contatos podem ser feitos pelo e-mail [email protected] e ou whatsapp (44) 99122 8715.

Colocarei aqui e em outras postagens, a lista dos médicos palestrantes e as datas, sempre às 19h30, com a vantagem de que o vídeo pode ser acessado a qualquer hora, depois da palestra.

Lista das palestras:

SAÚDE TAMBÉM É COISA DA SUA CABEÇA
Domingo, 14 de janeiro, 19h30
Dra. Miréia Fortes Vianna Sulzbach – Psiquiatra

ANSIEDADE: EXCESSO DE FUTURO
Quarta, 17 de janeiro, 19h30
Dra. Maria Heloisa Furtado – Psiquiatra

DEPRESSÃO: EXCESSO DE PASSADO
Domingo, 21 de janeiro, 19h30
Dra. Roberta Rossi Grudtner – Psiquiatra

ESTRESSE: EXCESSO DE PRESENTE
Quarta, 24 de janeiro, 19h30
Dra. Miréia Fortes Vianna Sulzbach – Psiquiatra

TRAUMAS PSÍQUICOS
Quarta, 31 de janeiro, 19h30
Dra. Elisa Fasolin Mello – Psiquiatra

ESCRAVO DOS VÍCIOS
Domingo, 04 de fevereiro, 19h30
Dra. Flora Pinho Morsch – Psiquiatra

SENTIMENTO DE CULPA
Quarta, 07 de fevereiro, 19h30
Dra. Flora Pinho Morsch – Psiquiatra

UM MONSTRO DENTRO DE NÓS
Quarta, 14 de fevereiro, 19h30
Dra. Elisa Fasolin Mello – Psiquiatra

DICAS DO FABRICANTE
Domingo, 18 de fevereiro, 19h30
Dra. Maria Heloisa Furtado – Psiquiatra

O PODER DA ESPERANÇA
Quarta, 21 de fevereiro, 19h30
Dra. Roberta Rossi Grudtner – Psiquiatra

Comente aqui


A teoria das janelas quebradas

Muito interessante a teoria “das janelas partidas” ou “janelas quebradas.
Além de definir mistérios da natureza das multidões, alerta para situações que devem ser evitadas.
Cada vez mais se sabe que o ambiente induz o comportamento.

“Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras. Induz ao “vale-tudo”. Cada novo ataque que a viatura so fre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.
Baseados nessa experiência, foi desenvolvida a ‘Teoria das Janelas Partidas’, que conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.
Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e delitos cada vez mais graves.Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.”

O texto completo está AQUI

Comente aqui


Vaga para estagiário de Psicologia na VIAPAR

Vaga para Estagiário de Psicologia na VIAPAR para trabalhar no setor de Recursos Humanos.

Horário: das 8 às 15 horas, com 1 hora de almoço.
Bolsa Auxilio: de acordo com o ano de graduação + refeição no local + vale transporte.
Duração: Contrato a princípio de 1 ano, porém gostaríamos que a pessoa ficasse conosco durante 2 anos.
Ano da Graduação: para graduandos do 1º ano que irão para o 2º ano em 2013, e alunos do 2º ano que irão para o 3º ano em 2013.

Atividades: Auxílio no processo de recrutamento e seleção: triagem de currículos, contato com agências de trabalho, entrevistas.
Apoio as atividades do setor como: Treinamentos, festas e eventos.
Arquivos e Relatórios em geral.

Interessados enviar e-mail no [email protected] e [email protected] com o assunto estágio de psicologia ou
ou contato pelo telefone 3033-6042 / 6046 Milena ou Tais.

1 Comentário