Texto



Histórias de um país cada vez mais difícil de entender

Impressionantes coisas que acontecem neste país.
Adolescentes não podem trabalhar, por lei.
Leis que não levam em conta boa parte da realidade e das necessidades dos adolescentes e suas famílias, seus pais.
Muitas pessoas bem-sucedidas hoje começaram a trabalhar na adolescência. Isto não impediu que continuassem a estudar e a se preparar para a vida.
Um texto, de uma crônica para reflexão, foi citado por Alisson Maia:

“Olá … Hoje um adolescente infrator me deixou sem ação e reação diante dele! Estava na delegacia fazendo mais uma cobertura de notícias policiais quando me deparei com um adolescente de 14 anos sentando esperando para ser autuado por porte ilegal de arma de fogo. Olhei para ele e pensei, mais um moleque que não fica preso, então nem vou perder meu tempo.. Mas enquanto aguardava uma outra ocorrência que estava a caminho da delegacia, me aproximei dele e como às vezes faço, comecei a dar conselhos para ele: – ‘Sai dessa vida rapaz, você vai morrer, a vida das drogas e do crime não compensa’.
Foi quando ele, que até então estava calado, olhou bem para mim e disse:
– ‘Esse papo do senhor eu já cansei de ouvir, estava armado porque vendo droga, e ganho muito fazendo isso, mas eu antes de ser vendedor eu trabalhava numa oficina e sabe o que fizeram? Denunciaram o dono da oficina porque eu estava trabalhando lá. Ele me pagava legal, eu tinha minhas coisas, meu tênis, tinha tudo. Mas ele teve que me mandar embora para não ir preso. Acho que ele esta até hoje respondendo na justiça por ter dado emprego a um menor. Depois eu fui trabalhar na feira. Trabalhei sete meses e sabe o que aconteceu lá ? A mesma coisa que na oficina, tive que sair. Não sei quem é meu pai e minha mãe é uma coitada. Eu tentei trabalhar honestamente, e até trabalhava e estudava direito, mas não deixaram e achei no tráfico o sustento meu e da minha casa. Guarda seus conselhos para esses safados que vocês votam e que acham que menor não pode trabalhar, mas pode roubar, matar e traficar. Entrei nessa vida porque sem trabalhar quero um tênis mas não posso comprar, quero comer um sanduíche, mas tambem não posso, quero ir no cinema tambem não posso, então já que não posso trabalhar como gente, vou traficar, pelo menos assim tenho dinheiro”.
Tive que ouvir isto de um garoto de 14 anos estragado pelo sistema. Logo o chamaram e não foi possível continuar conversando.
Fiquei mudo, sai calado. Sei que há vítimas do sistema, mas foi um garoto de 14 anos que me calou, mostrando o quanto nós, com nossas escolhas erradas, estamos acabando com a juventude. Por causa dessas quadrilhas que colocamos e ainda mantemos no poder é que jovens estão matando, roubando e traficando.
Ele disse: ‘Não posso trabalhar, mas posso roubar, traficar e matar!’ Esse é o futuro que estamos construindo nesse país! Senhores eleitores, leiam isso e se envergonhem do Brasil que estamos deixando para a juventude!”

Como escrevi na coluna, o texto não é a defesa de um criminoso, é um alerta para a incompatibilidade de algumas leis com a realidade do nosso país.

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Horário comercial

Texto de Martha Medeiros000

Faleceu ontem, terça-feira, depois de alguns anos respirando por aparelhos, o digníssimo Horário Comercial. Ironicamente, morreu fora do horário comercial, às 23h42min da noite, quando o telefone tocou na casa de uma família que já estava recolhida em seus aposentos, de luz apagada.
Ao levantar da cama, onde se encontrava deitado, quase pegando no sono, o sr. Vladimir, que acorda todos os dias às 5h da manhã para pegar um ônibus a fim de chegar às 7h30min ao trabalho, arrastou as chinelas até a cozinha, onde fica o único aparelho fixo da casa, e, ao atender, escutou a voz indiferente de uma moça desconhecida que passou a listar as vantagens que o sr. Vladimir teria caso renovasse a assinatura de duas revistas que ele, curiosamente, nunca assinou. Sr. Vladimir, muito gentil, mandou a moça para aquele lugar – a cama dela – e voltou para a sua resmungando qualquer coisa que dona Adelaide, que também estava sonolenta, entendeu com muito custo.
“Outro que morreu”, foi o que seu marido sentenciou. Aquele telefonema perto da meia-noite foi a pá de cal no que se convencionou chamar de “horário restrito para assuntos comerciais e profissionais”. Não existe mais.
Era um período variável. Das 8h às 18h. Ou, mais curto, das 9h às 17h. Mais curto ainda, das 10h às 16h. Nunca ficou bem determinado, mas subentendia-se que horário comercial era aquele em que as lojas abriam e fechavam, os bancos abriam e fechavam, os escritórios abriam e fechavam, os consultórios abriam e fechavam, e, dentro deste espaço de tempo, os que prestavam serviço se entendiam com seus potenciais clientes.
Parece cena de filme mudo em preto e branco.
Hoje o mundo é uma emergência de hospital 24/7. Você manda uma piadinha por WhatsApp às duas da manhã para uma amiga porque sua emergência é a insônia. Você telefona às 10 e meia da noite para um hidráulico porque sua emergência é um chuveiro pingando. Você manda um SMS de madrugada para o ex-namorado porque sua emergência é atrapalhar o novo relacionamento dele. Você manda uma mensagem para seu secretário pelo inbox do Face, em pleno domingo, porque sua emergência é o narcisismo: precisa sentir que estão todos a seu dispor.
Horário comercial, hoje, é apenas uma lembrança. Entrou para o obituário dos bons modos.

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A dor que também é nossa

felipe-sandrin

Felipe Sandrin, de Florianópolis, escreveu o seguinte texto sobre a tragédia com a Chapecoense.

“Quando um avião cai a gente cai junto. Um avião transporta mais do que vidas, transporta sonhos. É o pai que está indo reencontrar os filhos, é a mãe que está indo buscar o sustento de sua família, são pilotos que planejam estar em casa ao jantar e a aeromoça que leva na bagagem o perfume favorito do namorado.
Quando cai um avião a gente cai junto, pois quantos de nós viram os sonhos começar dentro de um avião. A viagem tão esperada, a assinatura de um contrato, o encontro com alguém que tanto sonhamos estar junto.
Aviões partem rumo a sonhos, e era isso que cabia também neste trágico voo que quase chegou a seu destino. Jogadores que representavam o sonho do menino que quer ser jogador, jogadores que representavam seus familiares, seus torcedores.
Quando um avião cai todos nós caímos juntos. Morrem sonhos, morrem encontros que não vão mais ocorrer, morrem saudades que não vão ser vencidas e que dali por diante vão apenas crescer e se tornar um buraco junto a quem nunca chegou.
Quando um avião cai a dor é compartilhada, pois todos nós somos torcedores, torcemos para quem amamos, torcemos para logo poder dar o abraço, torcemos, pois ninguém sonha sozinho.
Hoje esse humilde time de Santa Catarina tem a maior torcida do mundo, pois quando sonhos despencam do céu a solidariedade é a única camisa que todos vestem, pois essa é a única camisa que nesse momento nos conforta”.

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Calores

Minha amiga Dalva Meis publicou no grupo Diniz Neto, no Facebook, um texto de Fernanda Torres, com o título “Calores”.
Foi publicado no dia 25 de setembro, na Folha de São Paulo.
Compartilho aqui com vocês.

Calores
25/09/2015 02h00
Fernanda Torres

Meus 50 anos, completados no dia 15, chegaram com a força de uma tempestade perfeita.
A data coincidiu com o rebaixamento da nota de investimento do Brasil, a desvalorização do Real, a ameaça de impeachment e os calores furtivos da maturidade.
Um dia antes do cumpre anos, Joaquim Levy apresentou o plano para sanear o Orçamento de 2016. Eduardo Cunha reagiu com o sorriso cínico habitual, e tive receio de que o presidente da Câmara exigisse, via Embratel, a cabeça da presidenta numa bandeja de prata para aprovar a proposta.
A insônia, algo novo em minha vida, virou rito diário. A consciência desperta às 4h30 e entra num vórtex de preocupações. A certeza do abismo para o qual caminha o país, o corpo, a profissão e o futuro dos filhos.
O doutor desconfiou e mandou tirar a prova. Surpresa, ganhei nota zero nos exames hormonais. Era ele, o bicho papão do climatério.
Temo tocar no assunto e virar porta-voz de um fenômeno vivido em sigilo pela maioria absoluta das mulheres.
A mudez é a mãe da ignorância. Numa época em que o sexo é encarado com naturalidade e a causa gay defendida no horário nobre, surpreende o quanto a menopausa se mantém velada, secreta.
Algo perdida, cliquei na página de Drauzio Varella e quase me atiro pela janela com a descrição do que está por vir: a já conhecida insônia, osteoporose, perda de libido, depressão, irritação, gordura localizada, problemas coronarianos, uma sucessão de horrores difícil de encarar.
Encontrei-me com Drauzio no casamento de um amigo e pedi que ele tivesse a compaixão de rever o resumo. Ele prometeu checar, observando que o fim do ciclo reprodutivo da mulher é um dos processos mais preteridos pela ciência.
A medicina é uma cadeira dominada pelo sexo masculino, disse ele. Se os homens sofressem as mesmas transformações, Drauzio disse ter certeza de que os laboratórios teriam se dedicado com mais afinco a atenuar os sintomas.
Mas o que me toca não é tanto a reviravolta feminina e, sim, a constatação de que o século 20, aquele em que me firmei como gente, é, hoje, tão ultrapassado quanto o século 19.
A crise moral à direita e à esquerda marca o fim dos ideais traçados lá atrás, na Revolução Francesa.
Assisto à loura gelada do horário eleitoral do PMDB, seguida por Cunha falando do país que ele sonha para si e farejo o surgimento de uma onda niilista, agressiva, punk. Um desejo de terra arrasada por parte da população.
Feliz, reunida em torno do bolo com os amigos de uma vida inteira –jornalistas, cineastas, diretores, escritores, atores, músicos e produtores–, tive a impressão de que brindávamos em meio ao Baile da Ilha Fiscal.
O desmanche da indústria fonográfica, na virada do milênio, acontece agora nas Redações de jornal, nas produtoras de TV, no mercado editorial, na publicidade, no teatro, no cinema, no mundo como eu o conheço.
É claro que outras formas de pensar surgirão, mas impressiona testemunhar a história.
Outro dia, vi uma foto de Bibi Ferreira criança no colo de Procópio. Me senti toda ela, filha do circo, vinda de outra civilização.

Envelhecer.

Jamais achei que fosse acontecer comigo.

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Divagações sobre a cidade e o tempo

Foto de Nádia Cordeiro

Foto de Nádia Cordeiro

Recebi agora há pouco dois vídeos editados com fotos da Maringá em fotos. Foram feitos por uma amiga (que tem privilégio de andar pelo mundo editando vídeos de muitos lugares). Nos conhecemos aqui mesmo na página, como muitas e muitas pessoas.
Os vídeos que me mandou foram feitos com fotos dos primeiros anos da página, 2010 e 2011. Tentei ir ao começo da página mas o Seu Face não deixou… Consegui ver aqui algumas fotos de 2011. Nos vídeos estão fotos de 2010 também, Dalva atribui a autoria das fotos a mim (Diniz Neto). Na verdade a página começou com meus mui singelos registros (Maringá agora!), aos quais sempre somei fotos de grandes fotógrafos e de outras pessoas que, como eu, amam registrar momentos na cidade que escolheram para viver (ou seja, para serem felizes).
Fiquei vendo os vídeo e lembrando das fotos. Algumas lembrei quando foram feitas. Outras dos amigos e amigas autores. Me veio a mente a música “Oração ao Tempo”… “És um senhor tão bonito Quanto a cara do meu filho Tempo tempo tempo tempo Vou te fazer um pedido Tempo tempo tempo tempo…” Nomes e imagens, tantos, imensos, infinitos em cada momento, mortais como os rostos, eternos como desejos e almas, como o tempo tempo tempo… a gente chega e vai, a cidade fica… compositora de destinos, autora de paisagens, escultora de utopias, testemunha de dores e sonhos, porto incansável da teimosia de viver, de seguir em frente, de construir na mais pura rebeldia e resistência todo o tempo que couber nessa vida linda e breve. Muitas fotos, milhares, não são minhas. Consola a ideia de tê-las reunido, anima o fato de ter encontrado tantos parceiros, tantos olhares abertos e solidários, dispostos a compartilhar aqui a imensidão da beleza que teceram clique a clique, a cidade que ajudaram a registrar momento a momento… Nós passaremos, alguns já passaram, mas as marcas das nossas existências permanecerão. Mesmo daqui muito tempo tempo tempo nem que seja o instante infinito em que libertamos momentos e paisagens do esquecimento para as imagens. Sem pretensão, por pura paixão, na delícia de ver o belo no meio da confusão intensa das ruas, carros, multidões, mesmo espremidos no sufoco dos deveres.
Fotografar é ser livre, registrar a cidade é amá-la, dividir tudo isso, nem que seja no segundo do curtir ou na generosidade de um comentário, na multiplicação de um compartilhar, é reservar um tempinho, breves momentos para exercer felicidade. Minha ideia era escrever aqui o nome de tantos autores das fotos que estão nos vídeos… são muitos e talentosos… mas talvez seja mais justo e sensato guardar tantos créditos em uma única confissão, que nos une e identifica: Nós amamos Maringá!

—-

Sei que dificilmente vocês terão tempo para assistir os vídeos. Ler também é complicado…
Sim, a correria faz parte do tempo (que não temos…)
Mas se tiverem tempo (e curiosidade) aí estão. Dois com fotos e um com Maria Betânia e a tal “Oração ao tempo”…



Ainda sobre tempo e autores, o compositor da “Oração ao Tempo” é Caetano Veloso.

O poema usado por Maria Betânia no show é “Poética”, de Vinicius de Moraes:

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
— Meu tempo é quando.

Nova York, 1950

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Alquimia

Depois de alguns dias longe de Maringá, retorno para a passagem de ano.
2014 foi um ano desafiador, como os outros. Mas as datas festivas e o Ano Novo têm a propriedade de transformar dificuldades, obstáculos, tristezas, alegrias e emoções em esperança e fé.
Que seja assim e que a caminhada da vida ganhe mais energia e persistência. E que a mágica volte a acontecer daqui um ano.
Feliz 2015.

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Pequeno é quem se apequena

Vi uma publicação muito interessante no site da Conampe, confederação que lidera o movimento nacional da micro e pequena empresa. Gostei e compartilho aqui no blog.

“Participei de um evento por esses dias, onde várias pessoas trocam cartões e buscam fazer negócios entre si. Esse evento, conhecido em nossa região, é realizado pela AMIC (Associação de Micro e Pequenas Empresas do Oeste do Paraná).
Como de costume, vários empresários de micro e pequenas empresas oferecem seus produtos e serviços entre si. O intuito da AMIC é fomentar a geração de negócios entre associados.
Participamos deste evento e fiquei durante um período analisando aquilo que os empresários falavam enquanto negociavam.
Uma das pessoas me disse: ¨A gente é pequeno, sabe como são as coisas¨.
Não quero aqui criar um discurso motivacional de incentivo, mas acredito que quando se auto-intitula pequeno, perde a chance de concorrer com os grandes.
Quando faz as coisas pensando que é pequeno, que não pode competir, que não outras empresas tem capacidade maior, pois tem um faturamento maior, sua empresa pode estar perdendo excelentes oportunidades de negócios, pelo simples discurso que estão interiorizando.
Pense grande, com responsabilidade, mas pense grande.
Há muito, a própria AMIC vem mudando esse discurso, chamando-os de empresários de Micro e pequenas, ao contratário de Micro ou pequeno empresário. Pense nisso.
Não se apequene diante das situações, sua empresa pode até ser pequena, mas você e sua equipe são gigante.
No mais, sempre avante.”

Rogério Oliani Bórges
http://caixotemkt.com.br

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Setembro

Dia 1º de setembro. Se passaram 244 dias de 2014… faltam 121 dias para terminar o ano… quatro meses…
A primavera vem aí (apesar que o inverno em Maringá é uma longa primavera), eleições e tanto mais.
Pouco tempo para quem não faz nada. Quase uma eternidade para quem acredita nos seus sonhos e luta por eles.
Bom dia!
Que venha a semana, setembro, a vida!

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Considerações sobre o tamanho da vida

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“Na hora da dor melhor falar com Deus do que falar sobre Deus, a prece consola mais do que a explicação.” Nina Sartorelli (6 de maio de 1963-10 de julho de 2014)

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

[Cora Coralina]

Para Nina Sartorelli

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Mais ou menos

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“Preguiça absurda de papo mais ou menos e vontade mais ou menos.
Tão lamentável é ser mais ou menos: amigo mais ou menos, gostar das coisas (assim) mais ou menos mesmo.
Altos e baixos sim – mas, só meia boca – não cola para mim. Enjoo com movimentos contínuos. Não presto para brinquedos de parque de diversão que giram, giram, giram sem parar. E, antes que alguém pense… Não. Isso não é indireta para ninguém, mas apenas constatação.
Não sou de indiretas (ainda bem) não fui feita para mediocridade. Só tenho uma curiosidade sem tamanho e gostaria de entender qual é o problema das pessoas de hoje.
Quanto estofo perambulando nesse mundo!
Tantas vidas mais ou menos.
Triste isso, viu?”

Ana Guimarães no seu face, nesse sábado assim, mais ou menos… sei lá o que…

Ilustração: Alessandro Diddi

 

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