Mês: agosto 2007



OS POUCOS VIOLENTOS PERDERÃO A BATALHA

O Pastor Luterano, Martin Luther King dizia: “Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira… O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos”. Somos todos chamados a uma missão. Ninguém foi criado por acaso ou pelo acaso. Assim ninguém pode furtar-se ao dever de ser alguém importante, sem deixar o poder subir na cabeça. Ninguém é tão pobre que não tenha nada pra dar e ninguém é tão rico que não tenha nada a receber. Todos buscam encontrar sentido na vida, fazendo algo que gosta, que sinta prazer, que deixe um sentimento de realização no profundo da alma, algo que possa marcar sua passagem pelo mundo. As marcas das pegadas no chão da vida são marcas que permanecem como sinais de quem não ficou de braços cruzados. Nada mais cruel do que viver sem rumo, sem saber a razão última da existência humana. Nada mais desumano do que fechar os olhos diante da realidade que nos cerca.  O que deve nos preocupar é a omissão diante da vida e das contrariedades que marcam o cotidiano de todos nós.                           

Quem sabe, não nos damos conta das vezes que a omissão toma conta, por medo ou por falta de capacidade de comprometer-se com o bem e a verdade. Reconhecer que nos omitimos e bater no peito sabendo que podemos recomeçar  é a atitude de quem entendeu o sentido da vida. As quedas e os fracassos são oportunidades de crescimento e não somente causa de condenação. O que não é fácil, é sentir que além da culpa que deixa em nós um sentimento de impotência e incapacidade de mudança de hábitos, permanece a obrigação de melhorar sempre.                 

Conformismo é a atitude própria dos fracassados. Dar alguma coisa é fácil, dar-se por inteiro a serviço, sem esperar nada em troca, é altruísmo e oblatividade. Tenho encontrado jovens que, desafiados pelas desigualdades sociais e as exigências do evangelho  deixam tudo, inclusive o direito de constituir família, para servir, principalmente os mais necessitados.  São irmãos entre irmãos, dedicados diuturnamente para que o Reino de Deus se faça realidade no mundo de hoje.  A  castidade, a pobreza e a obediência não constitui obstáculo, antes pelo contrário são formas radicais que atraem e fortalecem a opção.                                                          

Diante dos  desafios da realidade que nos cerca, busque o seu caminho de realização, não deixando para amanhã a sua decisão em ser alguém, fazendo a sua parte. Não importa onde e nem quando terá a coragem de decidir, pois o importante é a sua decisão. Portanto, omissão não combina com realização. Os poucos violentos deixarão de existir porque os muitos conscientes farão a sua parte, mesmo sabendo que serão um grão de areia na construção de um mundo melhor. Não deixe que a lei para matar vidas inocentes seja aprovada  em nosso país. Não matar é lei divina que nenhum ser humano se arrogue o direito de legislar contra o Criador e Legislador Soberano. Vidas inocentes, vítimas do aborto clamam aos céus, como vozes a serem ouvidas no julgamento final pelos abortistas do passado, do presente e do futuro. Descruze os braços, mãos à obra, faça a sua parte, não se omita, só assim os poucos violentos perderão a batalha.

Artigos
Comente aqui


VENHA A NÓS O TEU REINO

Todos nós já rezamos algumas centenas ou milhares de vezes o “Pai Nosso”, pedindo que venha entre nós o Reino de Deus, reconhecendo que, antes de qualquer coisa, o primado de Deus em tudo e antes de tudo. Onde Ele não está, nada pode ser bom. No livro “Jesus de Nazaré” do Papa Bento XVI, escreve: “Onde Deus não é visto, o homem arruína-se e arruína o mundo. Neste sentido, o Senhor nos diz: “Procurai antes de mais nada o Reino(de Deus) e a sua justiça, que tudo o mais vos será dado”(Mt..6,33). Com esta expressão é estabelecida uma ordem de prioridades para a ação humana, para a nossa atitude no cotidiano”.

Desta maneira, não está sendo feita nenhuma promessa de uma terra de delícias apenas pelo fato de sermos piedosos ou desejarmos que venha o Reino de Deus. Ainda menos provável seria acreditar que automaticamente pedindo, ganharíamos um mundo igualitário, justo, sem classes sociais, onde tudo caminharia perfeitamente bem. Pedir o Reino significa colocar Deus em primeiro lugar em tudo, fazendo com que Deus seja o soberano. Soberania de Deus onde em cada um de nós, a sua vontade seja a prioridade número um. Por isso, ao pedir o Reino de Deus no Pai Nosso, também nos comprometemos a fazer a sua vontade. Essa vontade cria justiça, fortalece a fraternidade, solidifica a dignidade humana, estabelece solidariedade, garante o bem comum.

Diante do desafio de um mundo cada vez mais secularizado, onde a tendência é banir Deus das relações humanas e do convívio cotidiano, promovendo a soberania do homem sobre a soberania de Deus, cabe recordar uma atitude fundamental de todo aquele que quer construir um mundo melhor. Vou buscar na Bíblia a primeira oração de Salomão depois de ter tomado posse como rei.

Em sonho o jovem rei pede ao Senhor: “Concede ao teu servo um coração que ouve, para que ele governe o teu povo e seja capaz de distinguir o bem e o mal”(1Rs 3,9).

“Deus louva-o, porque ele não pediu nem riqueza, nem poder, nem honra, nem a morte dos seus inimigos, nem sequer uma longa vida (2Cr 1,11), mas sim o que é verdadeiramente essencial: um coração capaz de escutar, a capacidade de distinção entre o bem e o mal. E assim obtém também o restante O primeiro e essencial é um coração que escuta, para que seja Deus e não nós, a dominarmos. O Reino de Deus vem sobre o coração que escuta” (Bento XVI, Livro Jesus de Nazaré). Pedir o Reino significa colocar-se no seguimento da voz de Deus, numa permanente atitude de escuta, no silêncio do teu quarto, na meditação da Palavra, na mesa eucarística para poder ouvir a voz de Deus no barulho do corre-corre de cada dia.

Pedir o Reino de Deus significa colocar o pé no seguimento de Jesus, sermos totalmente Dele. É a hora dos que crêem levantarem a voz no silêncio da oração e suplicarem com a vida fazendo a vontade de Pai, para o que o pedido que venha o Reino de Deus não seja apenas um repetir de palavras. Assim estaremos oferecendo a este mundo agonizante, um respiro de ar puro brotado da fé no primado e soberania de Deus. “Onde Deus não é visto arruína-se o homem e o mundo”.

Artigos
Comente aqui


MARIA DISCÍPULA E MISSIONÁRIA

Na celebração de nossa padroeira, quero recordar aqui alguns textos que os bispos escreveram no documento final de Aparecida, sobre Maria: “Interlocutora do Pai em seu projeto de enviar seu filho ao mundo para a salvação humana, com sua fé, Maria chega a ser o primeiro membro da comunidade dos crentes em Cristo, e também se faz colaboradora no renascimento espiritual dos discípulos. Sua figura de mulher livre e forte, emerge do Evangelho conscientemente orientada para o verdadeiro seguimento de Cristo. Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem que fosse livrada da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai. Alcançou, dessa forma, o fato de estar ao pé da cruz em uma comunhão profunda, para entrar plenamente no mistério da Aliança(n.283).

A Virgem de Nazaré teve papel único na história da salvação, concebendo, educando e acompanhando seu filho até seu sacrifício definitivo. Desde a cruz Jesus Cristo confiou a seus discípulos, representados por João, o dom da maternidade de Maria, que nasce diretamente da hora pascal de Cristo: “E desse momento em diante, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,27). Perseverando junto aos apóstolos à espera do Espírito (cf. At 1,13-14), ela cooperou com o nascimento da Igreja missionária, imprimindo-lhe um selo mariano que a identifica profundamente. Como mãe de tantos, fortalece os vínculos fraternos entre todos, estimula a reconciliação e o perdão e ajuda os discípulos de Jesus Cristo a experimentarem como uma família, a família de Deus(284).

Como na família humana, a Igreja-família é gerada ao redor de uma mãe, que confere “alma” e ternura à convivência familiar142. Maria, Mãe da Igreja, além de modelo e paradigma da humanidade, é artífice de comunhão. Um dos eventos fundamentais da Igreja é quando o “sim” brotou de Maria. Ela atrai multidões à comunhão com Jesus e sua Igreja, como experimentamos muitas vezes nos santuários marianos. Por isso, como a Virgem Maria, a Igreja é mãe. Esta visão mariana da Igreja é o melhor remédio para uma Igreja meramente funcional ou burocrática(285).

Esta é a hora da seguidora mais radical de Cristo, de seu magistério discipular e missionário conforme nos envia o Papa Bento XVI: “ Maria Santíssima, a Virgem pura e sem mancha é para nós escola de fé destinada a nos conduzir e a nos fortalecer no caminho que conduz ao encontro com o Criador do céu e da terra. O Papa veio a Aparecida com viva alegria para nos dizer em primeiro lugar: “Permaneçam na escola de Maria. Inspirem-se em seus ensinamentos. Procurem acolher e guardar dentro do coração as luzes que ela, por mandato divino, envia a vocês a partir do alto”(n.287).

Esta familiaridade com o mistério de Jesus é facilitada pela reza do Rosário, onde: “o povo cristão aprende de Maria a contemplar a beleza do rosto de Cristo e a experimentar a profundidade de seu amor. Mediante o Rosário, o cristão obtém abundantes graças, como recebendo-as das próprias mãos da mãe do Redentor”(288).

Artigos
5 Comentários


PAPAI, ONDE ESTÁ VOCÊ?

Às vésperas do dia dos pais e da semana da família, se faz necessário lembrar o que, em Aparecida, durante a V Conferência, se falou sobre a missão do homem e pai de família. Por isso quero trazer aqui alguns textos que os bispos aprovaram no documento final.

“O homem, a partir de sua especificidade, é chamado pelo Deus da vida a ocupar um lugar original e necessário na construção da sociedade, na geração de cultura e na realização da história. Profundamente motivados pela bela realidade do amor que tem sua fonte em Jesus Cristo muitos se sentem fortemente convidados a formar uma família. Ali, em uma essencial disposição de reciprocidade e complementaridade, vivem e valorizam para a plenitude de sua vida, a ativa e insubstituível riqueza da contribuição da mulher, que lhes permite reconhecer mais nitidamente sua própria identidade”(n.478).

“Enquanto batizado, o homem deve se sentir enviado pela Igreja a todos e cada um dos campos de atividade que constituem sua vocação e missão dando testemunho como discípulo e missionário de Jesus Cristo na família. No entanto, em não poucos casos, termina delegando esta responsabilidade para as mulheres ou esposas”(n.479). Esta distância e indiferença por parte dos homens da missão a eles confiada faz com que exista uma separação cada vez maior entre fé e compromisso aumentando cada vez mais a capacidade de resolver adequadamente os conflitos e frustrações e resistir às seduções de uma cultura consumista.

Muitos pais se sentem, afirma o documento de Aparecida, “carentes de maior compreensão, acolhida e afeto da parte dos seus, de serem valorizados de acordo com o que contribuíram materialmente e sem espaços vitais onde compartilhar seus sentimentos mais profundos com toda liberdade, eles são expostos a uma situação de profunda insatisfação que os deixa a mercê do poder desintegrador da cultura atual”. Entendo, portanto que tanto o pai como a mãe quando valorizados e queridos pelos filhos, tanto mais se sentirão úteis, amados e satisfeitos na sua missão. Da mesma maneira, a valorização dos filhos como pessoas capazes de compromisso e responsabilidade diante da vida, faz com que cresçam e se tornem pessoas maduras e capacitadas para enfrentar os embates da vida.

Visto que a família é o valor mais querido por nossos povos, cremos que se deve assumir a preocupação de defendê-la como o berço da cultura da vida e trabalhar para que os direitos da família sejam reconhecidos e respeitados. O pai como coluna do lar em sintonia com a mãe, a mestra do amor, são chamados a defender a vida desde o ventre materno, protegendo determinantemente contra o crime do aborto e da eutanásia. Essa é a primeira e mais fundamental responsabilidade dos pais, diante da mentalidade maluca de querer ser donos do próprio corpo.

Pai, onde está você, nesta hora de tantas divergências com relação à vida e a vida em família. Não seja omisso, exerça a sua missão, faça valer a sua responsabilidade, você pode e deve promover os verdadeiros valores com os quais você construiu o lar e quer ser feliz e fazer os seus viverem plenamente felizes. Acredite em você e nunca esqueça: “Venham a mim vocês todos que andam cansados e fatigados, eu vos aliviarei, pois meu jugo é suave e meu peso é leve” disse Jesus.

Artigos
1 Comentário


PADRE: UMA VIDA FEITA DE DOAÇÃO

No próximo dia 04 celebramos o dia do padre, presbítero, homem de Deus e homem do povo. A reflexão de hoje é do presbítero Rildo da Luz Ferreira, que nesta semana completou dois anos de ministério, como vigário paroquial da Catedral Basílica Nossa Senhora da Glória. Para mim, ele é o primeiro presbítero que tive a graça de impor as mãos, conferindo o sacramento da Ordem.

“Todo padre foi um dia como Pedro, André, Tiago, João, Mateus…Estava no meu canto, no ‘mar’ da própria vida, ocupando-me das ‘redes e das barcas’, mas tinha sede de algo novo! E foi assim até que Jesus me chamou: ‘Segue-me! E eu farei de ti pescador de homens’ (Cf. Mc 1,17). O olhar de Deus me envolveu e minha vida deixou de ser a mesma. Eu era tão jovem, tinha o mundo à minha frente, acenando-me com mil propostas. Queria muito ser feliz! Pensei algumas vezes fugir e dizer não. Para mim, era mais seguro fazer o que já sabia e agarrar-me ao que já conhecia. Partir era um risco, um desafio. Mas o chamado tornou-se irresistível! E deixando a ‘barca e a rede’, a família, a cidade, os amigos…tornei-me discípulo de Jesus. Todo chamado exige resposta. Todo seguimento exige renúncias. Nada, porém, é demais quando é Deus quem chama e pede. E nenhum sacrifício consegue superar a felicidade de ser missionário, servidor, irmão de todos os irmãos…

 Acredito que ser padre é configurar-se mais e mais a Jesus, buscando participar com fidelidade do seu pastoreio e do seu sacerdócio. É estar no mundo como aquele que serve, disposto a trocar todos os reinos da terra por uma coroa de glória imperecível. Deus nos quer anunciando e denunciando, lançando alicerces e construindo. Deus nos pede coragem para enfrentar os lobos. Zelo constante pela comunidade. Cuidado atencioso com o rebanho, para que o povo não se curve diante dos ‘bezerros de ouro’ que o mundo de hoje oferece. Como João Batista, ser a voz que grita no deserto do coração humano, tão vazio de Deus.

Não sou santo nem anjo, pois tenho fragilidades e defeitos, mas Deus é infinitamente maior que eles. Penso com alegria e agradeço, feliz, o que há de bom em minha vida. Louvo o Altíssimo pelos irmãos e irmãs que já receberam de minhas mãos a eucaristia, pão da vida eterna. Pelos que se reconciliaram com Deus; por aqueles que se restabeleceram na fé; pela comunidade que me acolhe. E se algumas vezes sinto medo de fracassar, encontro forças no amor de Deus, que me escolheu, me elegeu e me quis.

Por isso, apresento ao Senhor, todos os dias esta oração: ‘Eis-me aqui, Senhor! Tomai as minhas mãos: levantai a quem caiu; indicai a direção; tocai, abençoai e curai por meio delas. Tomai os meus lábios: falai, exortai, consolai através de minha voz. Tomai para vós o meu coração: continuai amando por meio dele. Eis-me aqui, Senhor!’”

Obrigado, presbítero Rildo, você é um sinal concreto de tudo o que você escreveu. Que Jesus, o Bom Pastor, seja sempre o teu modelo e a tua motivação. Agradeço o seu ministério, a sua doação como também a de todos os presbíteros de nossa Arquidiocese.

Artigos
Comente aqui