Mês: setembro 2007



Jovens Apaixonados

Com muita freqüência se vê e se escuta noticias de jovens que morrem ou matam por paixão. Paixão por alguém, uma pessoa que mexeu com os sentimentos mais profundos do coração e de uma possível futura vida a dois. É bonito ver jovens que desejam ser felizes juntos, sem querer tirar proveito da vida do outro ou da outra. Os aproveitadores não enxergam os grandes horizontes da vida, apenas vêem o efêmero no cotidiano. Se um jovem apaixonado por uma pessoa é capaz de loucura, o que não dizer de um jovem que se apaixona por Jesus e por seu evangelho?

No documento de Aparecida lemos: “Os jovens e adolescentes constituem a grande maioria da população da América Latina e do Caribe. Representam um potencial para o presente e o futuro da Igreja e de nossos povos, como discípulos e missionários do Senhor Jesus. Os jovens são sensíveis a descobrir a sua vocação e ser discípulos e amigos de Cristo. Os jovens tem capacidade de se opor às falsas ilusões de felicidade e aos paraísos enganosos das drogas, do prazer, álcool e de todas as formas de violência”(DA. N.443).

Como afirmou o Papa na sua visita ao Brasil: “O Terceiro Milênio pertence aos jovens”. Por isso nós acreditamos na juventude que se organiza, participa, reza e segue os caminhos da fé. Jovens apaixonados por Jesus, capazes de deixar tudo o que o mundo promete para possuir tudo o que Jesus oferece gratuitamente. Essa atitude não acontece como se fosse um toque de mágica, tudo acontece quando aceito o chamado de Deus, quando sou capaz de deixar de lado o medo e lançar-me numa divina aventura. Como lembra o Profeta Isaias: “Nada temas, eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu”(Is 43,1). Essa consciência de ser amado por Deus, saber que cada dia Ele me ama com amor novo, me chama pelo nome, sem olhar o meu passado, me oferece a possibilidade de refazer as escolhas e recomeçar sempre.

O mundo clama por jovens apaixonados pelo maior revolucionário da história, que foi capaz de levar a todo  mundo a revolução do amor com apenas doze colaboradores,  sendo que ainda um deles o traiu. Nunca é tarde e nunca pense fazer esse caminho sozinho, tem muita gente caminhando e que deseja contar com você. Na Palavra da Sagrada Escritura, na Eucaristia dominical, nos sacramentos, na comunidade de fé onde você participa, nos grupos de jovens, estão os caminhos onde você vai se apaixonar por Ele e por Ele você será capaz de morrer e ressuscitar para outra vida. Ninguém chega ao paraíso sozinho, levamos conosco todas as pessoas que amamos, principalmente os pobres e excluídos, porque são elas que abrem as portas do céu, “passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos” diz o apóstolo.

Neste dia da caridade e dia internacional do idoso, vale recordar que a juventude é uma fase que passa, porém permanece para sempre as experiência positivas vividas no amor a Deus e ao próximo. Quantos idosos jovens e quantos jovens idosos! O caminho de uma permanente juventude está na caridade. “Tudo passa, só Deus permanece, diz o Eclesiástico. Depende de você jovem! Você é o resultado de suas escolhas. Você é único, criado por amor e para amar. Só quem ama de verdade, conquista aqui o paraíso para o qual todos somos chamados. Abra o coração e deixe a paixão por Jesus tomar conta de todos os seus sentimentos, só assim você será feliz aqui e na eternidade.

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LIBERDADE! QUEREMOS LIBERDADE!

LIBERDADE! … QUEREMOS LIBERDADE!

 Liberdade de expressão…Liberdade de culto… Liberdade para ir e vir…
 Liberdade religiosa… Liberdade de escolha… Liberdade política…
 Liberdade….Liberdade….enfim, poderia continuar como uma ladainha sem fim.  Todos nós fomos criados livres desde a criação, a tal ponto que a liberdade humana levou o primeiro homem e a primeira mulher deseja r serem como Deus. Nesta pretensa utopia humana nasce o pecado. Ser como Deus ou ocupar o lugar de Deus, não cabe a nenhum ser humano. Arrogar-se o direito de decidir sobre a própria vida, dom de Deus, é um absurdo. Não sabendo usar esse dom preciso que Deus nos deu, a liberdade, o resultado está na seqüência interminável de morte, violência e terror diante da vida. Em nome da liberdade, jovens são ceifados no trânsito, fazendo com que a segunda causa de maior número de mortes sejam de pessoas entre 20 a 34 anos.
 O trânsito, e de maneira especial em  nossa cidade, é hoje a maior preocupação de todos. É inconcebível que numa cidade tão organizada, com ruas largas e bem sinalizadas, com campanhas que duram o ano todo, com os meios de comunicação apoiando, com leis severas e rigorosas, ainda tenhamos a triste estatística de mais de setenta vítimas fatais nesses nove  meses de 2007. Liberdade não significa fazer o que cada um quer, quando quer e como quer. É inadmissível viver em permanente risco de vida ao sair de casa, pensando na irresponsabilidade de alguns que não tem amor à vida.
 O homem moderno, principalmente os jovens, precisa descobrir o valor imprescindível da obediência.
 Como lemos no livro do Eclesiástico: “Não diga: eu me afastei por culpa do Senhor. Porque Deus não faz aquilo que Ele próprio detesta. Não diga que foi Ele que o fez desviar. Porque Deus não tem necessidade do pecador. Porque Deus detesta qualquer tipo de abominação, e nenhuma delas é desejada por quem teme ao Senhor. Desde o princípio Deus criou o homem e o entregou ao poder de suas próprias decisões. Se você quiser, observará os mandamentos, e sua fidelidade vai depender da boa vontade que você mesmo tiver. Ele pôs você diante do fogo e da água, e você poderá estender a mão para aquilo que quiser. A vida e a morte estão diante dos homens, e a cada um será dado o que cada um escolher. Seus olhos estão sobre aqueles que o temem, e Ele conhece cada ação que o homem realiza. Ele não mandou ninguém se tornar injusto e a ninguém deu permissão  para pecar” (Eclo 15,11-20)
 Deus nos fez para a liberdade de filhos prediletos, temos diante de nós a tomada de decisão sobre o presente e o futuro. Deus não precisa de nós, somos nós que precisamos de Deus. Qualquer um de nós,seres humanos,ao deixarmos de lado um relacionamento filial com o Pai-Deus, permaneceremos para sempre humanos, vazios, sentindo-nos donos do mundo, murmurando de tudo e de todos, afogando-nos na nossa auto-suficiência, desejando ser deuses. Ninguém encontrará sentido na vida, longe  de um relacionamento pessoal com o Senhor do céu e da terra. Na medida em que os jovens temerem a deus fazendo a experiência de filhos livres e libertos, o mundo será outro, a família será outra, a sociedade será outra. De nada adianta fazer o que se quer, e sim o que se deve. Como diz Bento XVI “ o terceiro milênio está nas mãos dos jovens”. Cristo nos libertou para sermos verdadeiramente livres. Portanto, fiquem firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão” (Gl 5,1) 

Dom Anuar Battisti

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PALAVRAS, PALAVRAS É SÓ PALAVRAS

Em tempos de muitas palavras, pronunciamentos de todo tipo, todos querem falar e poucos querem ouvir. Aliás, poucos sabem ouvir, muitos escutam mas não ouvem. Jesus nas palavras do evangelho nos diz: “Feliz aqueles que ouvem as minhas palavras e as põem em prática”. O grande desafio para quem fala é saber que suas palavras serão sustentadas por uma prática correspondente. Caso contrário cai todas no vazio. Este é o vazio da humanidade de hoje, o vazio de testemunhos, muitos mestres, muitos sábios, pouco os que dizem e fazem.

 João Paulo II na sua carta “A Missão de Cristo Redentor de 1991, diz:”O homem contemporâneo acredita mais nos testemunhos do que nos mestres; acredita mais na experiência que na doutrina, na vida e nos fatos do que nas teorias”. Nesta mesma carta João Paulo II escrevia: O testemunho evangélico, ao qual o mundo é mais sensível, é o da atenção às pessoas e o da caridade para com pobres e pequenos e com aqueles que sofrem”(Rm 42). Diante desta realidade que nos pede coerência e retidão de vida, só resta um caminho, buscar a força e a coragem de viver coerentemente através da oração, no temor de Deus, na meditação e prática de sua Palavra e na eucaristia.

O que fez Jesus, a não ser dar atenção às pessoas e a todas as pessoas, principalmente aos excluídos, os últimos, os marginalizados? De onde vem a autoridade do Filho de Deus? Quem perguntou, também, respondeu: Ele diz e faz. Qual foi a causa da condenação e morte do Filho do carpinteiro a não o amor concreto e desinteressado aos pobres, à multidão que vivia como rebanho sem pastor? O mundo tem sede de Deus, tem sede de homens e mulheres que apaixonados por Jesus e suas palavras sejam capazes de dar testemunho do que se crê e de quem se acredita. Este é sem dúvida a porta estreita que está reservada para poucos corajosos e decididos.

Por isso dedicamos o mês de setembro, como o mês da bíblia, fazendo com que a Palavra de Deus seja a fonte de sustentação de nossa vida e de nosso testemunho. Bíblia é livro, livro escrito por revelação divina, a partir de uma experiência vivida de um povo, uma comunidade escolhida para ser referência para todas as demais. Assim se construiu uma história de salvação, propondo para a humanidade um caminho novo, uma nova forma de viver, onde o ser humano não precisa buscar longe o segredo da felicidade.

A Palavra de Deus não está longe de ti, está ao seu alcance em tuas mãos, em teu coração. O amor e a prática desta Palavra nos darão a segurança para não pronunciar qualquer palavra, de não fazer promessas enganosas, de não pronunciar o nome de Deus em vão, de não ser ridículo fantoche nas mãos dos enganadores que com seu palavrório sem sentido convencem as mentes desprovidas de conhecimento da verdadeira Palavra que liberta e salva. “Sabemos que Deus dispõe todas as coisas para o bem dos que o amam”(Rm 8,28). O amor de Deus por nós, nos faz capazes de grandes coisas, principalmente de não sermos meros ouvintes de sua Palavra e sim fiéis praticantes e testemunhas vivas deste amor de Deus por todos. No caminho da Palavra de Deus, da Bíblia Sagrada, encontraremos a força e a razão para viver e construir uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Dom Anuar Battisti 
 

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A PATRIA AMADA CLAMA PELO AMOR

Celebrar o dia da Independência do Brasil significa olhar os rostos de cada brasileiro e brasileira para ver estampado a alegria e a satisfação de fazer parte desta nação cujo nome tem cor de brasa, fogo que queima e transforma, que nasceu aos pés da cruz e foi gerado na fé e na luta.  No olhar de cada cidadão veremos os mais variados rostos com as expressões que vão da festa da vitória até a tristeza desfigurante dos excluídos e marginalizados, que se multiplicam a cada dia que passa.

Certamente, não é cantando o hino e nem mesmo hasteando a bandeira que vamos honrar a  pátria amada e idolatrada. Certamente, não são os desfiles alegóricos mostrando cultura, força bélica e até encenando fatos históricos para lembrar o passado. Certamente, a nossa homenagem não se resume em hastear a verde flâmula que nos caracteriza como brasileiros e nos identifica em qualquer lugar do mundo. Certamente, a nossa homenagem não está emoldurada só nas figuras dos heróis da pátria .

A nossa homenagem neste dia do grito: “independência ou morte” está no compromisso social em diminuir a diferença entre os poucos cada vez mais ricos e a maioria cada vez mais pobre. “A desigualdade é altíssima – uma das piores do mundo – para um país classificado como de médio desenvolvimento. Ela faz com que os 10% mais ricos fiquem com 46,9% da renda e os 10% mais pobres com 0,7%. Entre os mais ricos, 60% dos ocupados e 70% dos empregados são do sexo masculino, 91,3% dos mais ricos são brancos e 8,7% negros ou pardos. Mesmo que os estudos recentes apontem ligeiras quedas em seus indicadores, ela continua gravíssima: por exemplo, a renda média da população em idade ativa, que em 1985 era equivalente a R$ 649,00, em 2003 havia subido para apenas R$ 685,00. Não é demais lembrar que a persistência da desigualdade, além de agravar a pobreza, também resulta em baixa mobilidade social e é fator fundamental na desagregação social, especialmente porque todos os grupos socialmente mais vulneráveis têm aparecido com as suas principais vítima”(Direitos Humanos no Brasil 2, diagnóstico e perspectiva,CERIS, 2007).

Resumindo, “esta rápida abordagem mostra as exigências para uma sociedade que não resolveu o problema estrutural da pobreza e da miséria, agravado pela desigualdade. Rigorosamente, ambas são, por si só, violação dos direitos humanos e, quando recorrentes ao longo do tempo, podem também ser sistemáticas. Enfrentá-las como realização dos direitos humanos exige muito mais do que paternalismo, mas políticas públicas e iniciativas econômicas que revertam o quadro de exclusão e inauguram um novo momento histórico”(Direito Humanos no Brasil 2, diagnostico e perspectiva, CERIS, 2007).

A bandeira brasileira hasteada no dia da pátria é a homenagem aos milhões de excluídos que gritam pelo respeito aos direitos humanos, dignidade e cidadania. A nossa homenagem à Pátria Grande cantando o hino nacional, deve ser o canto do resgate da esperança perdida diante da corrupção e do abuso do poder político, legislando em causa própria.  Talvez não sejamos capazes de imaginar o que seria de nosso Brasil se todos nós, cristãos, que somos a maioria, levássemos a sério os ensinamentos do Evangelho. Como seria diferente a festa da independência se todos nós, cristãos, puséssemos em prática ao menos um pouquinho do mandamento novo deixado pelo Mestre Jesus, como resumo de toda a lei, de toda a escritura. A Pátria amada e idolatrada, ela clama pelo oxigênio da fé e do amor; ainda é tempo…

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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