Mês: novembro 2007



NOITE DE ORAÇÃO PELA PAZ

Uma experiência que nasceu por sugestão de alguns líderes religiosos em Maringá, está tomando força e entusiasmo na busca de somar, estabelecendo diálogos para criar relacionamentos respeitosos e verdadeiros, descobrindo a riqueza que existe em cada religião. Vale a pena sair de nós mesmos e conhecer a riqueza que existe no outro,reconhecendo ali a mão do Deus Criador de tudo e de todos.

Em nossa reuniões periódicas,  nós, os representantes das religiões presentes em nossa cidade, Muçulmanos, Budistas, Católicos, Evangélicos Metodistas, Comunidade Bahaí, Umbanda, Candomblé, temos esta  atitude, de conhecer o outro em sua fé, doutrina e rituais. Para que tudo isso não fique em um intimismo externo, de aparência apenas, faremos um ato público de fé, orando juntos pela Paz no mundo, como já fizemos em outras ocasiões.

Desta feita, iremos nos reunir no salão social do templo Budista, no dia dez de dezembro às vinte horas, juntos com todos os que desejarem unir-se a nós, para  orar pela Paz no mundo. Nesta noite participam todas as pessoas de boa vontade, que sentem a necessidade do orar juntos, de unir-se em súplica pelo mundo, pela necessidade urgente de estruturas e iniciativas de paz. Como líderes de comunidades religiosas, chamados a ser presença de fé, precisamos somar na busca e realização de um mundo melhor, mais digno e mais perfeito.

Somos parte desta humanidade  que geme e grita por cidadãos e cidadãs, desejosos de um mundo melhor, mais justo e mais fraterno. Não podemos estar sentados, apenas em nossas convicções por mais justas e acertadas que sejam. É inadmissível que ainda hoje, em pleno século XXI,  muitas das religiões cristãs de origem pentecostal, permaneçam fechadas em seus discursos proselitistas fazendo-se donos da verdade e acusando os outros como hereges ou falsos pastores. Infelizmente esse comportamento existe e acaba criando uma pequena guerra fria entre as igrejas, causando comportamentos totalmente anti-evangélicos. Ninguém é dono da verdade e da salvação. Igreja nenhuma salva ninguém. A salvação vem a partir do seguimento da doutrina do Mestre, na medida em que formos discípulos e discípulas seguindo a disciplina daquele que é o enviado de Deus.

Lamentavelmente, a maior divisão hoje no mundo da fé acontece entre nós, cristãos. Cada qual, quer ser um pequeno deus e sua igreja um céu antecipado. Cria-se a mentalidade de que apenas fazendo parte, nesta ou naquela igreja já está com a salvação garantida. Que engano incalculável! Está na hora de entrar na dinâmica incondicional de seguidores, discípulos e discípulas de Jesus, onde a vivência da Palavra é a única contestação que o mundo deseja. “Que todos sejam um para que o mundo creia”(Jo 17).

Eu acredito que no diálogo inter-religioso está uma pequena fórmula,uma grande escola, onde vamos aprendendo a ser cidadãos e cidadãs marcados por uma experiência de fé e profundamente inquietos diante de tantas injustiças. Esperamos vocês, na noite do dia dez de dezembro, para juntos elevarmos um clamor em favor da vida e da Paz.  

Artigos
3 Comentários


“CARPE DIEM” “APROVEITE, DESFRUTE, CURTA….O DIA DE HOJE”

“Carpe diem” expressão latina das primeiras palavras de um verso do poeta romano Horácio em: Odes, Livro I. 11,8. Este verso é completado por “nec minimum crédula postero”: “Confie o menos possível no dia de amanhã”! Advertência dirigida de tempos em tempos sobretudo nos de crise da esperança e do futuro, torna-se bandeira, sentido de vida mesmo, para inteiras gerações. Os horizontes se encurtam e, só sobrando o presente, não resta senão sugá-lo com sofreguidão e tédio”(O pão nosso de cada dia, novembro 2007,pg 108).

A expressão: “Carpe diem” hoje usada em carros e adesivos colocados em lugares públicos, resume a mentalidade dos aproveitadores, dos que só acreditam nesta vida e não vêem perspectiva de vida futura com dignidade e soberania. O, “aproveite, curta, desfrute,…confie o menos possível no dia de amanhã” significa olhar a realidade pessoal e social perdendo todos os horizontes da vida, significa não ter ideais para lutar, não ter gosto pelo trabalho, significa não acreditar em si mesmo, não esperar o momento seguinte na dinâmica de vivê-lo melhor, significa colocar todas as esperanças no ar do momentâneo, do fazer por fazer.

Infelizmente, os resultados desta ideologia têm causado graves danos pessoais, dores e sofrimentos incalculáveis, perda do gosto de viver, levando ao sentimento do tanto faz matar ou morrer. Os valores da vida pessoal e dos outros não passa de falsidade ou imposições. Vale o que penso e o que decido, o “eu” acaba sendo a razão última, a verdade absoluta, sou um pequeno deus cujo altar é o efêmero desfrutar e curtir. As gerações se sucedem com grandes avanços em todas as áreas da vida humana e social. Como não avançar na vivência do dia a dia, construindo no agora com esperança de um amanhã melhor, mais feliz e realizado? Qual o sentido da vida quando tudo termina aqui?

O ser humano precisa aprender a superar as crises, enfrentar os obstáculos, refazer a esperança de um futuro que não depende de nós, restabelecendo em cada momento presente o gosto de viver e viver cada vez melhor, visando o bem comum de todos. A paz interior a tranqüilidade de consciência, a felicidade que tanto buscamos, nasce de um coração que teme a Deus e coloca Nele a sua esperança. A busca incansável de Deus está na natureza do ser humano, a sede do transcendente leva o coração humano a buscá-lo sem tréguas. Como afirma Santo Agostinho: O meu coração anda inquieto enquanto em ti não repousar.

Superar as crises, de maneira especial a crise do sentido da vida, significa começar acreditando em si mesmo, no outro e no totalmente Outro. Sem a dimensão da fé no sobrenatural e na vida eterna, o ser humano vira bicho e na maioria das vezes bicho feio. Aproveitar, curtir, desfrutar, da vida faz bem a qualquer um de nós desde que saibamos em quem depositamos a nossa esperança. Confie em você e naquele que o criou e viverá o amanhã melhor do que hoje. Na síntese evangélica Jesus resume toda a lei no amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos. Por isso quem não ama, não vive, porque o amor vem de Deus e o nosso Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos. Mortos porque não descobriram a capacidade de amar e ser amados(cf.Lc 20,38).

Artigos
1 Comentário


NOSSA SENHORA DO ROCIO, PADROEIRA DO PARANÁ

Hoje  feriado nacional da Proclamação da República, comemoramos o dia da padroeira do Paraná: Nossa Senhora do Rocio. Todos os anos, de 06 a 15 de Novembro, realiza-se na histórica cidade de Paranaguá, litoral do Paraná – Brasil, a Festa de Nossa Senhora do Rocio, Padroeira do Estado.

O dia da Festa, 15 de Novembro, é marcado por inúmeras celebrações para as quais acorrem milhares de fiéis romeiros de varias cidades do Paraná, além da incontável presença de devotos da Diocese de Paranaguá, onde se localiza o Santuário da Padroeira.      

“A devoção a Nossa Senhora do Rocio tem raízes profundas na vida do povo do litoral do Paraná, pois data dos meados do século XVII, pouco tempo após a elevação de Paranaguá à Vila, em 1648″(Pe. Karl Eugene Esker, Jornal “Voz Vicentina do Paraná”).     

Segundo nos relata o historiador paranaense Vieira dos Santos, já em 1686 os habitantes da então Vila de Paranaguá “haviam recorrido aos favores da Virgem do Rocio para que os livrasse da terrível peste que assolava o litoral, nessa época”.

Antes dessa data, sabemos somente que um pescador chamado Pai Berê achou a imagem que é de Nossa Senhora do Rosário, em estilo barroco. Uma lenda diz que ele retirou a imagem da margem da baía na rede, enquanto pescava. Outra diz que a encontrou num campo de rosas loucas, no barranco à beira da baía. Por um tempo ficou num oratório na casa de Pai Berê , onde se tornou objeto da devoção dos pescadores, sendo batizada com o nome de Nossa Senhora do Rocio.       

“O culto à imagem se difundiu, aumentando a fé e a esperança em Nossa Senhora do Rosário do Rocio, atraindo devotos não somente das redondezas, mas também da Vila” (Waldomiro Ferreira de Freitas, Aspecto Histórico e Turístico de Paranaguá).
MILAGRES ATRIBUÍDOS A NOSSA SENHORA DO ROCIO
Através dos anos, a devoção cresceu até o milagre que deu fim a peste, em 1686, milagre que se repetiu ao longo dos séculos em inúmeras ocasiões em que a Santa do Rocio atendeu aos seus devotos com curas individuais e coletivas, como nos casos da Peste Bubônica, em 1901 e da Gripe espanhola, em 1918
Há ainda inúmeros registros do socorro da Virgem do Rocio prestado aos marinheiros em violentas tempestades e tragédias no mar, os quais se tornaram seus devotos e a homenagearam com procissões e comoventes romarias pelas ruas da cidade, rumo ao Santuário. É o caso do navio “Raul Soares”, no dia 26 de junho de 1931; do navio “Philadélphia”, em julho de 1931; e do navio “Maria M”, no dia 08 de agosto de 1932.

O TITULO DE PADROEIRA DO PARANÁ
Além desses, contam-se, muitos outros milagres ocorridos em cidades do Paraná sob sua intercessão, razão pela qual, em 1939, Nossa Senhora do Rocio foi declarada Padroeira do Paraná pelos Bispos do Estado e, finalmente, após anos de esforço civil e eclesiástico, a Santa Sé a declarou, em 1977, Padroeira do Paraná, indicando a Igreja do Rocio em Paranaguá como seu Santuário Estadual.

O título de Rocio, que na linguagem antiga significa “orvalho”, simboliza as constantes e ininterruptas bênçãos e favores que o povo paranaense recebe continuamente da Virgem Mãe, mediadora de todas as graças concedidas a seus amados filhos, os quais, por gerações e gerações, veneram sua Santa Padroeira as margens da baía de Paranaguá sob o titulo de Senhora do Rocio.

(Serviço de Comunicação Social da Diocese de Paranaguá)
Nossa Senhora do Rocio, rogai por todos nós!

Artigos
Comente aqui


HALLEL, POVO PEREGRINO QUE LOUVA E CANTA

Estamos em vésperas de mais um Hallel. Serão dois de festa e aleluia, louvor e oração, com músicas e pregações que vão ao coração de Deus e aos corações de quem se aproximar, com sede e fome de paz e de reconciliação. Uma experiência que começou pequena, tímida, sementinha de mostarda e hoje é uma árvore frondosa onde centenas e milhares de pessoas buscam sombra restauradora, aconchego entusiasmador, água pura de vida, caminho novo de fé onde o amor de Deus faz viver.

 Estaremos celebrando o décimo terceiro Hallel em Maringá, (10 e 11) depois de ter seu início em julho de 1995, com a participação de 15.000 pessoas. Hoje é um dos maior eventos da Igreja Católica da América Latina.  Evangelizar é o  primeiro e mais importante objetivo de todo esse gigantesco trabalho. Evangelizar em todos os níveis,  todas as pessoas, com todos os métodos e recursos disponíveis. Este objetivo leva dentro de si a meta principal que é “Apresentar Jesus como Salvador e vencedor da morte, um Deus vivo e atuante, uma Igreja viva, uma espiritualidade sólida”.

 São mais ou menos cento e vinte mil pessoas que buscam matar a sede de Deus ou fortalecer a própria caminhada de fé, durante a tarde de sábado e o dia de domingo. Para que isso aconteça foram convidadas dezenove bandas para se apresentarem a partir das 14h00 de sábado e o domingo até às 21h00,  quando se fará o encerramento com a benção do Santíssimo Sacramento. Simultaneamente, acontecem em vinte e um módulos, temas que vão desde namoro, família, adolescentes, arte, rock, capela do silêncio, Maria, confissões, capela da adoração, enfim, lugares onde cada um pode encontrar uma resposta às suas inquietações.

 Para quem conhece o Parque de Exposições, no pavilhão azul está sendo organizado uma verdadeira feira de artigos religiosos com participação de expositores vindos das mais variadas partes de Brasil. Neste mesmo espaço, também estarão presentes, as Congregações Religiosas com um vasto material para a divulgação dos seus mais variados carismas e ministérios. Como todos os anos, as crianças terão o seu hallelzinho, preparado com o maior carinho para que todas elas sejam tocadas pelo amor de Deus do jeitinho delas.

 Tudo isso começou com um pequeno grupo de leigos apaixonados por Jesus; não podiam ficar de braços cruzados, sentiam-se chamados a evangelizar. Alguém apaixonado é capaz de loucura. Uma delas foi e é o Hallel; uma grande estrutura e organização para acolher mais de cem mil pessoas, que a cada ano cresce significativamente, sem contar com dinheiro em caixa, cobrando apenas como entrada, um quilo de alimento, só pode ser obra de Deus. 

Tudo acontece pela fé dos organizadores e pela fé solidária de empresários que acreditam em Deus, apoiando a missão de evangelizar. Quem ajuda o evangelizador merece a recompensa de evangelizador. A Providência divina não falha nunca.  É a experiência concreta de quem acredita sem ver, de quem coloca a mão no arado e não olha para trás, de quem coloca em Deus toda a confiança. Com a benção de Deus vamos juntos viver o Hallel deste ano na certeza de que “Teu amor nos faz viver e viver em plenitude. Deus abençoe o Projeto Mais Vida. 

Artigos
1 Comentário


O mundo precisa de santos

O MUNDO PRECISA DE SANTOS
 Estamos no caminho conquistando a morada definitiva. Ninguém vai ficar guardado como peça de museu ou como múmia egípcia, nem mesmo congelado para voltar a viver neste mundo depois da morte. Hoje, celebramos o dia de todos os santos. Quem são os santos? Em primeiro lugar, somos todos nós. Pelo batismo, passamos a fazer parte dos filhos e filhas de Deus chamados a seguir o caminho da santidade. Certamente neste mundo de incertezas perguntamos como Tomé: “Como vamos saber o caminho?(Jo 14,5) Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”(Jo 14,6) Ele é o verdadeiro caminho para o Pai, o qual amou tanto o mundo que lhe deu seu filho único, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna(Jo 3,36).      Chamados a ser santos, porque Deus é Santo. “Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: Sejam santos, porque eu, Javé, o Deus de vocês sou santo”(Lv 19,2). O convite à santidade é proposto a todos. Ser santo não significa estar com cara de penitência, com ar de beata arrependida, ou cheirando vela queimada. A santidade consiste em seguir a disciplina do Mestre contida nos evangelhos, seguir e colocar em prática os ensinamentos sem querer ser perfeito de uma hora para outra e sim contando com nossas fragilidades, recomeçar sempre. Não importa se somos pessoas com muitas qualidades ou não. Os santos dos altares foram extraordinariamente radicais em viver a proposta evangélica sem tréguas. Deixaram-se apaixonar por uma palavra e levaram até o fim sem medo e com radicalismo heróico.        O mundo precisa de santos que saibam fazer de cada momento uma eternidade, de cada gesto um sinal de esperança, de cada olhar um respiro de amizade , em cada passo uma ponte de novas relações, de cada palavra um grito de vida nova, de cada canto a harmonia da convivência fraterna, em cada pessoa a presença de um Deus que nos ama imensamente. O mundo tem sede de Deus e nós cristãos, somos a água que Deus deixou para regar a terra árida e ressequida pelo ódio, pela injustiça, pela violência, pelo desprezo, pela exclusão, pela miséria, pela ganância de poucos em detrimento da maioria marginalizada. O mundo precisa de pessoas santas cujas vidas exalam o perfume da graça de fazer a experiência do seguimento de Jesus, discípulos e discípulas apaixonados pelo Mestre, assumindo com garra a disciplina que salva e liberta. Mais do que santos nos altares, o mundo precisa de santos nas ruas, nas empresas, nas famílias, nos ambientes de trabalho e lazer, nos encontros e desencontros normais de quem esta à caminho.        Amanhã a Igreja celebra com grande piedade a memória dos mortos e oferece a eles orações. Desde o século I, os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar aos mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava. Também o abade de Cluny, na França, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. O grande número de mosteiros beneditinos ligados a Cluny favoreceu a ampla difusão dessa comemoração em muitos países da Europa setentrional. Desde o século XI os papas Silvestre II (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. Em 1311, em Roma, foi declarada oficialmente a memória anual dos mortos que passa a ser comemorado em 02 de novembro, porque 1° de novembro é a Festa de Todos os Santos.      O dia de Finados é um convite a olhar a morte com os olhos da fé e não com o olhar de desespero. Somos enviados a confiar em Deus que não condena o justo e aquele que vive em Deus não é destinado à desgraça. O Salmo 26 canta a confiança na bondade de Deus: Contemplarei a bondade do Senhor na terra dos viventes. Porque Deus é a minha luz, minha salvação. O som da confiança também vem do Apóstolo Paulo: […] tornados justos pelo sangue de Cristo, com maior razão seremos salvos da ira por meio dele (Rm 5,9). Nossa prece aos que partiram e a nós que ainda peregrinamos, coragem e fé, porque “quem perseverar até o fim será salvo”.  A Cristo Ressuscitado, Senhor dos vivos e dos mortos, nós suplicamos: “Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno! E a luz perpétua os ilumine! Descanse em paz! Amém.

Artigos
3 Comentários