Mês: abril 2008



NOTA DE SOLIDARIEDADE AOS BISPOS

NOTA DE SOLIDARIEDADE

Nós Bispos, juntamente com os Organismos, assessores e colaboradores da Igreja no Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral da CNBB, em Itaici, Indaiatuba (SP), vimos nos solidarizar com os Bispos que, atualmente, por causa do Evangelho, sofrem perseguição e até ameaças de morte: Dom Erwin Krautler, da Prelazia do Xingu, Dom José Luiz Azcona Hermoso, da Prelazia do Marajó, e Dom Flávio Giovenale Diocese de Abaetetuba. Em Cristo somos um só com eles e com as pessoas que eles defendem: os povos indígenas; as mulheres, crianças e adolescentes que o tráfico de seres humanos instrumentaliza, que a exploração sexual vende e as drogas matam. Apoiamos também seu empenho na defesa do meio ambiente que a ganância devasta com nefastas conseqüências para a vida humana. Suas lutas são, portanto, as nossas lutas, seus sofrimentos são os nossos sofrimentos. O martírio deles seria “crucificar novamente o Filho de Deus” (Hb 6,6). Seria injusta qualquer agressão a estes agentes. Sabemos também porque são perseguidos: “O servo não é maior que seu senhor. Se me perseguiram, vos perseguirão”. (Jo 15,20) Somos solidários igualmente às demais lideranças: Bispos, padres, pessoas consagradas, leigos que trabalham pelos mesmos ideais de vida e de justiça em todo o Brasil onde os direitos humanos são constantemente aviltados e, por isso também sofrem ameaças. Com eles, acreditamos que “o fruto da justiça será a paz e a prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras” (Is 32, 17). Com eles rezamos: “liberta-me, Senhor! Defende-me pela tua justiça. Atende-me e salva-me!” (Sl 71, 2). Orgulhamo-nos desses irmãos e irmãs! A perseguição de que são vítimas comprova a autêntica ação evangélica da Igreja no Brasil e expõe a perversidade com que tantos inocentes tombaram por causa de seu trabalho na defesa dos injustiçados, oprimidos e excluídos. Diante disso, manifestamos nossa indignação! Conclamamos todos os cristãos e todas as pessoas que lutam pela justiça e pela paz a não se acomodarem, e não deixar a consciência adormecer: “A verdade e a justiça estão acima da minha comodidade e saúde física – pois, se o meu bem-estar é mais importante do que a verdade e a justiça, vigoram a lei do mais forte, a violência e a mentira”. (cf. Bento XVI, Spe Salvi, 38). Todos somos responsáveis pela construção de um país justo em que as leis sejam respeitadas e garantido o direito de todos a uma vida digna. A justiça e não a violência é que constrói a paz. Exigimos das autoridades competentes investigações sérias e proteção para os ameaçados. Sua vida é preciosa para o povo que defendem e para nós que lhes somos solidários. Basta de violência! Que Cristo, o vencedor de todas as formas de morte, nos faça dignos d’Ele!

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DEFESA DA VIDA HUMANA- NOTA CNBB

NOTA EM DEFESA DA VIDA HUMANA
Nós, Bispos do Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral, fiéis à Campanha da Fraternidade de 2008, reafirmamos nosso empenho pela valorização, defesa e promoção da vida humana.
Desde a fecundação até seu declínio natural, a vida é fruto da ação criadora de Deus, “Senhor e Amigo da Vida” (Sb 11,26). O Magistério da Igreja defende o direito à vida, bem primário fundamental em qualquer fase de desenvolvimento ou condição em que se encontra,devendo, pois, ser defendida sempre que ameaçada ou fragilizada. Convidamos todos a se unirem a nós na defesa da vida, repudiando as tentativas de legalização do aborto em nosso País, ato moralmente inadmissível, pois faz muitas vítimas: a criança suprimida, a mãe isolada nos seus sentimentos de culpa e psicologicamente enferma, o pai que aprovou ou não se opôs e demais familiares. Apoiamos e valorizamos as mães que não consentem com o aborto. As mães que consentiram e se arrependeram, contem com a misericórdia divina que supera toda fraqueza humana (cf. Documento de Aparecida, 469g). O prolongamento da vida humana e a busca de qualidade de vida através das pesquisas científicas devem ser coerentes com os princípios da inviolabilidade da vida humana, da lei natural e do mandamento “não matarás” (Ex 20,13), que devem ser respeitados sempre. Reconhecemos, com gratidão, as pesquisas em favor da vida, particularmente com células-tronco adultas em vista à sua aplicação terapêutica, lembrando que a vida humana seja respeitada na sua integridade, e que o embrião humano deve ser respeitado e tratado como um ser humano desde a sua fecundação e reconhecido o direto inviolável de cada ser humano à vida (cf. João Paulo II, Evangelium Vitae, 60), e como consta na Declaração Universal dos Direitos do Homem que, em seu artigo 3º, reconhece que “todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. O uso de embriões humanos para a pesquisa científica, ou sua conservação, violam o direito à vida e a indissociável dignidade da pessoa humana, expressos nos artigos 1º, III e 5º, caput, da Constituição Federal. O artigo 4º do Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana de Direitos Humanos), ratificado pelo Brasil em 25.09.1992, também estabelece que “toda pessoa tem o direito a que se respeite sua vida. Agradecemos o trabalho de muitos cientistas, pesquisadores e de juristas que defendem a vida a partir de princípios éticos. Agradecemos também a dedicação de agentes da saúde, de parteiras, de socorristas, das Frentes Parlamentares em favor da vida, das associações Pró-Vida, das pastorais e movimentos, de catequistas e lideranças da Igreja e de todas as pessoas de boa vontade que defendem a vida com o testemunho de fé e cidadania. Conclamamos todos, especialmente os fiéis de nossas Dioceses e Paróquias, à realização de gestos concretos em favor da vida, tais como: centros de acolhida da mãe gestante, a prática da adoção, a doação de sangue e de órgãos para transplantes, a difusão dos “10 Mandamentos do Motorista”, a constituição de Comissões Diocesanas de Bioética, a Semana Nacional da Vida e a celebração anual do Dia do Nascituro, em 8 de outubro. Jesus Cristo, fonte da Vida, pela intercessão de sua Mãe, venerada com o título de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, abençoe o povo brasileiro e proteja a todos no compromisso pela promoção e defesa da vida.

46ª Assembléia dos Bispos – Itaici (resumo)

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UM SEGREDO PARA OS TEMPOS DE HOJE

UM SEGREDO PARA OS TEMPOS DE HOJE

“A vida social em conveniência harmônica e pacífica está se deteriorando gravemente (…) pelo crescimento da violência, que se manifesta em roubos, assaltos, seqüestros, e, e o que é mais grave, em assassinatos que cada dia destroem mais vidas humanas e enchem de dor as famílias e a sociedade inteira”(DA78). Os bispos na Conferência não registram apenas as desgraças do mundo em que vivemos, mas nos ensina o caminho como devemos enfrentar essa dura realidade: “A radicalidade da violência só se resolve com a radicalidade do amor, do amor redentor”. Levar o Evangelho nesta realidade, com o amor de plena doação, como solução dos conflitos, deve ser o eixo cultural “radical” de uma nova sociedade. (DA 543).
No passado dia 14 de março, faleceu Chiara Lubich, sem dúvida uma das figuras femininas mais expressivas das últimas décadas. Não só o Papa, mas também representantes de outras religiões, políticos e artistas enalteceram essa mulher extraordinária. O cenário em que Chiara Lubich ouviu o chamado de Deus é a cidade de Trento, na Itália destruída pelo mais violento bombardeio que sofreu em 13 de maio de 1944. Entre os escombros ela abraça uma mulher enlouquecida pela dor. Uma mãe brada todo o desespero causado pela morte de seus quatro filhos. Mestre em contexto de extrema aflição, Chiara Lubich, estreitando nos seus braços mais uma “Raquel que chora seus filhos e não quer ser consolada, pois não existem mais”(Mt 2,18), se sente chamada a abraçar os sofrimentos da humanidade e descobre que a mais poderosa revolução, capaz de incendiar tudo como um fogo, é o amor.

Paulo Apóstolo aponta no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios o caminho para superar todo e qualquer desvio da convivência humana: “Aspirai aos dons mais altos. Aliás, passo a indicar-vos um caminho que ultrapassa a todos”(1Cor 12,31). O Apóstolo em primeiro lugar diz o que o amor não é, jamais pode ser:
“não é invejoso”: O Amor não conhece inveja, ciúme, ambição, carreirismo, rivalidade, paixões que tanto envenenam a convivência humana.
“não se ostenta(“não é presunçoso”) O Amor não se preocupa com o que “dá mais IBOPE”! Não procura publicidade, fama, popularidade.
“não é orgulhoso”: O Amor exclui todo tipo de arrogância, soberba, vanglória, tirania e prepotência.
“nada faz de incoveniente”(“vergonhoso): O Amor jamais atenta contra a moral e a honra, a dignidade de quem quer que seja.
“não procura o seu próprio interesse”: O Amor não é egoísta, não procura vantagens pessoais, não pergunta :”o que ganho com isso?
“não se irrita”: O Amor é sereno, dialoga e procura entender, não perde o equilíbrio emocional.
“não guarda rancor( não leva em conta o mal sofrido): O Amor cobre ofensas com o manto do perdão, jamais apela para a vingança.
“não se alegra com a injustiça mas se alegra com a verdade: O Amor se regozija com tudo que é verdadeiro, autêntico, inspira confiança, tudo o que promove relacionamento aberto, sincero,
“O Amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor jamais passará”. Esse deve ser o nosso caminho sempre. “Para onde caminhas senão para o Senhor Deus, para aquele que devemos amar de todo o coração, de toda a nossa alma, de toda a nossa mente e amar o próximo como a nós mesmos? É certo que ainda não chegamos junto do Senhor, mas já temos conosco o próximo. Ajuda portanto, aquele que tens ao lado enquanto caminhas neste mundo, e chegarás até junto daquele com quem desejas permanecer para sempre”(cf Heb 11).

Resumo da reflexão de Dom Ervin klautler aos Bispos em Itaici em 06.04.2008

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OS BISPOS DO BRASIL EM ASSEMBLÉIA

OS BISPOS DO BRASIL ESTÃO EM ASSEMBLÉIA

Os bispos católicos, todos os anos, realizam a sua Assembléia Ordinária em Itaici, São Paulo. Este ano começou dia 02 de abril e vai até o dia 11, contando com a participação de 280 bispos, representando as 271 Dioceses e Arquidioceses de todo o território nacional. Hoje no Brasil, somos 430 bispos contando com 130 eméritos que já completaram 75 anos de serviço e dedicação à Igreja e que agora, não tem mais a responsabilidade de governo, mas continuam prestando um valioso serviço à Igreja em suas dioceses ou arquidioceses. “Todo o povo de Deus deve agradecer aos Bispos eméritos que como pastores têm entregue sua vida a serviço do Reino de Deus, sendo discípulo e missionário. A eles acolhemos com carinho e aproveitamos sua vasta experiência apostólica que ainda pode produzir muitos frutos” (DA 190).
Nestes dias de Assembléia estaremos refletindo como tema central, a aplicação do Documento de Aparecida na ação evangelizadora, fruto da V Conferência celebrada no ano passado com os bispos da América Latina e a presença carinhosa do Papa Bento XVI. À luz deste rico documento queremos oferecer para toda a Igreja do Brasil, diretrizes que possam iluminar a elaboração dos planos de evangelização nas 9847 paróquias espalhadas por esta imensa Terra de Santa Cruz. Nestes dias de reflexão e oração somos chamados a ouvir a voz do Espírito que fala hoje às Igrejas, por isso convocados para a unidade e a comunhão entre nós, que viemos das mais diferentes realidades onde atuamos como pastores do querido povo de Deus.
Serão oito dias e meio de trabalho cumprindo com uma pauta longa e diversificada, porém a razão principal é estabelecer laços de efetiva e afetiva comunhão entre nós, homens de Deus a serviço deste Povo que caminha na fé ouvindo a voz dos seus pastores.”Os Bispos além do serviço à comunhão que prestam em suas Igrejas particulares, exercem este oficio junto com as outras Igrejas diocesanas. Deste modo, realizam e manifestam o vínculo de comunhão que as une entre si. Na Conferência Episcopal, os bispos encontram seu espaço de discernimento solidário sobre os grandes problemas da sociedade e da Igreja, e o estímulo para oferecer orientações pastorais que animem os membros do Povo de Deus assumirem com fidelidade e decisão sua vocação de ser discípulos missionários” (DA 181).
Estamos exercendo a nossa missão, em primeiro lugar como membros do povo, discípulos e apóstolos a serviço do povo a nós confiado, essa é a razão do nosso ministério. Como afirmam os próprios bispos no documento de Aparecida: “Junto com todos os fiéis e em virtude do batismo somos, antes de mais nada, discípulos e membros do Povo de Deus. Como todos os batizados e, junto com eles, queremos seguir Jesus, Mestre de vida e verdade, na comunhão da Igreja na intimidade da oração e na doação de nós mesmos aos irmãos e irmãs, a quem presidimos na caridade. É como disse santo Agostinho: com vocês sou cristão, para vocês sou bispo: (DA 186).
Nesta comunhão de Povo Deus, chamado e escolhido para ser sinal de esperança neste mundo peço as orações de todos, para que sejamos cada vez mais os homens de Deus a serviço da vida e da fraternidade. Nós, aqui reunidos, todos os dias, oramos por vocês a fim de pautarmos o nosso caminho na fidelidade do amor Deus e ao próximo. Que Deus os abençoe sempre!
Dom Anuar Battisti

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